Caititu

espécie de mamífero
Como ler uma infocaixa de taxonomiaCaititu
Tayassu tajacu.jpg
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Artiodactyla
Família: Tayassuidae
Género: Dicotyles
Cuvier, 1816
Espécie: D. tajacu
Nome binomial
Dicotyles tajacu
Linnaeus, 1758
Distribuição geográfica
Tayassu tacaju distribution map.PNG
Subespécies
Ver texto

O caititu (nome científico: (Pecari tajacu, Tayassu tajacu ou Dicotyles tajacu) também conhecido por caitatu, taititu, cateto, tateto, pecari, porco-do-mato[2] e patira, é um mamífero artiodáctilo, da família Tayassuidae e gênero Dicotyles.[3]

EtimologiaEditar

"Caititu", "caitatu", "taititu", "cateto" e "tateto" são provenientes do termo tupi kaiti'tu.[2]

Nomes vernáculosEditar

  • Proto-nawiki: *jamu
  • Proto-maku oriental: *tohbẽt
  • Kwazá: hajere
  • Proto-Jê Meridional: *ɔɡcɑ
  • Irantxe: mōiamã
  • Chiquitano: kitchóriorch
  • Proto-tuparí: *Daotsey

Taxonomia e evoluçãoEditar

O caititu foi descrito por Linnaeus, em 1758, inicialmente no gênero Sus.[4] Já foi incluído nos gêneros Tayassu e Pecari, mas estudos genéticos não consideram apropriado que o caititu seja incluído no gênero Tayassu, junto com o queixada (Tayassu pecari).[5] O gênero Dicotyles foi descrito em 1816 por Georges Cuvier.[3]

Tradicionalmente, também foram descritas 14 subespécies, baseando-se em dados morfológicos. Entretanto, atuais estudos genéticos não corroboram isso, sugerindo a existência de apenas dois clados, um ocorrendo na América Central e América do Norte, e outro na América do Sul:[5]

  • D. t. tajacu Linnaeus,1758 - da bacia Amazônica à Argentina.
  • D. t. angulatus Cope, 1889 - do sul dos Estados Unidos até o nordeste do México.
  • D. t. bangsi Goldman, 1917 - do centro do Panamá até o noroeste da Colômbia.
  • D. t. crassus Merriam, 1901 - centro-leste do México.
  • D t. crusnigrum Bangs, 1902 - Nicarágua até o oeste do Panamá.
  • D. t. humeralis Merriam, 1901 - centro-oeste do México.
  • D. t. nanus Merriam, 1901 - sudeste do México.
  • D. t. nelsoni Goldman, 1926 - do sul do México até Belize e centro da Guatemala.
  • D. t. niger Allen, 1913 - sudoeste da Colômbia e oeste do Equador.
  • D. t. nigrescens Goldman, 1926 - sul da Guatemala, Honduras e El Salvador.
  • D. t. patira Kerr, 1792 - norte da América do Sul (incluindo Trinidad & Tobago).
  • D. t. sonoriensis Mearns, 1897 - do sudoeste dos Estados Unidos até o oeste do México.
  • D. t. torvus Bangs, 1898 - noroeste da América do Sul.
  • D. t. yucatanensis Merriam, 1901 - do sudeste do México até o norte da Guatemala.

DescriçãoEditar

O caititu é chamado de porco-do-mato devido à sua aparente semelhança com os javalis (Sus scrofa). Entretanto, várias características anatômicas o tornam diferente, tais como: a presença de uma glândula odorífera na região dorsal e de uma cauda vestigial de 15 a 55 mm; o osso da perna fundido ao do , que resulta em três dígitos na pata posterior, o fígado reduzido, a ausência de vesícula biliar e a presença de um estômago compartimentalizado em estômago glandular, bolsa gástrica e dois sacos cegos (o saco cego cranioventral e saco cego caudodorsal).[6] A presença desse tipo de estômago permite que os caititus se alimentem de itens diversos, incluindo alimentos fibrosos, sobras de legumes, frutos e pequenos vertebrados.[7]

Dentre as três espécies de pecaris existentes, os caititus são os de menor porte. Quando adultos, medem de 75 a 100 cm de comprimento e aproximadamente 45 cm de altura. O peso varia de 14 a 30 kg.[8] A espécie apresenta uma cauda vestigial e um focinho alongado com disco móvel terminal, patas curtas e delgadas e pés pequenos proporcionalmente ao resto do corpo. As patas dianteiras possuem quatro dígitos, sendo dois destes funcionais e as traseiras possuem um dos dígitos não funcional. A espécie possui 38 dentes, sendo os caninos superiores os que mais se destacam. Diferentemente dos porcos verdadeiros, seus caninos são relativamente pequenos e com o crescimento reto e para baixo. Possuem o comportamento de bater os dentes como mecanismo de defesa quando se sentem ameaçados.[9]

A pelagem é longa e áspera, geralmente de tonalidade cinza mesclada de preto, com uma faixa de pelos brancos ao redor do pescoço que dá o aspecto de um colar.[6] Na região dorsal possuem uma crina de pelos mais longos e escuros, que eriçam em situações de estresse ou quando demonstram comportamentos de ameaça. Não existe dimorfismo sexual nessa espécie. No entanto, é possível visualizar o escroto dos machos a curtas distâncias. A glândula dorsal se localiza de 15 a 20 cm na região anterior a base da cauda[10] e tem como função a marcação territorial e social.[11]

HábitosEditar

Em condições naturais, os hábitos alimentares dos caititus são determinados de acordo com a disponibilidade de alimento.[6] Nas regiões áridas dos Estados Unidos, alimentam-se basicamente de plantas suculentas do gênero Opuntia,[12] já na caatinga brasileira, um amplo bioma xerófito,[13] sua alimentação se compõe de raízes, tubérculos e sementes, visto que a disponibilidade de frutos e folhas depende de um regime de chuvas que pode não existir durante os períodos de secas severas nessa região.[14] Nas florestas tropicais são essencialmente frugívoros,[15] sua alimentação principal são frutos, folhas, raízes e tubérculos,[6] mas podem, eventualmente, consumir larvas, insetos, anfíbios, répteis, entre outros, como fonte de proteína.[8]

HabitatEditar

Atualmente, os pecaris distribuem-se desde o sul dos Estados Unidos, passando por toda América Central e América do Sul a leste dos Andes, até o norte da Argentina.[6]

Esses animais habitam uma grande variedade de ambientes, como áreas desérticas e campos abertos do Arizona e Texas, nos Estados Unidos; florestas tropicais e semitropicais, no Brasil e o chaco paraguaio.[16] Apesar dessa ampla distribuição, os caititus não habitam áreas de altitudes elevadas.[6]

A unidade social dos caititus varia consideravelmente em tamanho, mas eles tendem a formar na natureza grupos sociais coesos e estáveis,[17] de 5 a 15 indivíduos de diferentes faixas etárias, com um ou mais machos e várias fêmeas adultas.[18] Existe a hipótese de que os caititus foram selecionados para viver em grupos, como uma estratégia para defesa conjunta contra os predadores, já que são presas de grandes carnívoros como os jaguares e coiotes na América do Norte[19] e de onças-pintadas, pardas e, ocasionalmente, de jacarés no Brasil. Em determinadas épocas do ano, ocorre a formação de grandes agrupamentos com mais de 50 animais, pela fusão de dois ou mais grupos.[20] É possível que esses agrupamentos aconteçam como uma resposta dos pecaris às condições de forrageamento ou aos maiores riscos de predação.[21]

SOWLS (1984) registrou que os grupos de caititus vivem em áreas de vida, de 50 a 800 ha nos EUA e, em regiões tropicais, a área varia de 143 a 685 ha. Dentro dos limites de área de vida, os indivíduos do bando, caminham, alimentam-se e descansam, juntos.[22] Os grupos defendem ativamente o território, que consiste de uma zona central, que é usada exclusivamente pelos membros do bando, e as áreas de borda, que são usadas por membros de grupos adjacentes. Não existem interações entre os bandos, mas, ocasionalmente, alguns indivíduos podem mudar de bando e não retornar ao seu grupo original.[23]

A glândula de cheiro presente nesses animais produz uma substância oleaginosa de forte odor, que é utilizada em contextos sociais e não-sociais, como, por exemplo, quando é esfregada em árvores e outros objetos para a marcação territorial. Os grupos de caititus se mantêm coesos através dessas marcações nos indivíduos, pois têm pouca orientação visual, mas o olfato bastante desenvolvido.[9] Através dos comportamentos de esfregamento, recíproco e não-recíproco, os animais esfregam suas glândulas de cheiro uns nos outros, possibilitando aos indivíduos reconhecerem a identidade dos membros do grupo, mantendo, dessa forma, a integridade do bando.[24]

Referências

  1. Gongora, J., Reyna-Hurtado, R., Beck, H., Taber, A., Altrichter, M. & Keuroghlian, A. (2011). Pecari tajacu (em Inglês). IUCN 2013. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2013 . . Página visitada em 05 de fevereiro de 2014..
  2. a b Ferreira, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.314
  3. a b Acosta, Luis E.; Garbino, Guilherme S. T.; Gasparini, Germán M.; Dutra, Rodrigo Parisi (9 de setembro de 2020). «Unraveling the nomenclatural puzzle of the collared and white-lipped peccaries (Mammalia, Cetartiodactyla, Tayassuidae)». Zootaxa (1): 60–80. ISSN 1175-5334. doi:10.11646/zootaxa.4851.1.2. Consultado em 10 de setembro de 2020 
  4. Grubb, P. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. pp. 637–722. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  5. a b Taber, A.B.; Altrichler, M.; Beck, H.; Gongora, J. (2011). «Family Tayassuidae (Peccaries)». In: Wilson, D.E.; Mittermeier, R.A. Handbook of the Mammals of the World - Volume 2:Hoofed Mammals. Barcelona: Lynx Edicions. pp. 308–320. ISBN 978-84-96553-77-4 
  6. a b c d e f SOWLS, 1997
  7. DEUTSCH E PUGLIA, 1988
  8. a b MAYER E BRANDT, 1982; NOWAK E PARADISO, 1983
  9. a b NOWAK E PARADISO, 1983
  10. HANNON et al., 1991
  11. SCHWEINSBURG, 1971; SOWLS, 1997
  12. CORN E WARREN, 1985
  13. REIS, 1976
  14. OLMOS, 1993
  15. OLMOS, 1993; JUDAS, 1999
  16. SOWLS, 1997; EISENBERG E REDFORD, 1999
  17. ELISSOR E HARWELL, 1969; SCHWEINSBURG, 1971; BYERS E BEKOFF, 1981
  18. ROBINSON E EISENBERG, 1985; SOWLS, 1997
  19. MAYER E BRANDT, 1982
  20. GREEN et al., 1984; ROBINSON E EISENBERG, 1985
  21. ROBINSON E EISENBERG, 1985
  22. BYERS, 1983; GREEN et al., 1984
  23. ELISSOR E HARWELL, 1969; SCHWEINSBURG, 1971
  24. SCHWEINSBURG E SOWLS, 1972; DÍAZ, 1978; SOWLS, 1997
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