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Campeonato Mineiro de 1956
Campeonato da Cidade de Belo Horizonte
Brasil
Dados
Participantes 10
Organização Federação Mineira de Futebol - FMF
Período 04 de Agosto de 195606 de Junho de 1957
Campeão Cruzeiro e Atlético
Vice-campeão Não houve
Melhor marcador Tomazinho (17 gols)
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O Campeonato Mineiro de Futebol de 1956 na época era denominado de Campeonato Citadino de Belo Horizonte mais conhecido como Campeonato da Cidade.

Foi a 42° edição do campeonato mais importante realizado no Estado de Minas Gerais, organizado pela Federação Mineira de Futebol. Contou com a participação de 10 clubes, torneio foi disputado entre os dias 04/08/1956 a 06/06/1957.[1][2]

O Campeonato Mineiro de 1956 foi dividido entre Atlético e Cruzeiro. Como cada um venceu um turno, decidiram o título numa melhor de três partidas.

Com a escalação de Laércio do Atlético nas duas primeiras partidas, finais foi aí que os problemas começaram.

O zagueiro Laércio, do Atlético-MG, não havia cumprido o serviço militar obrigatório e, por isso, não podia trabalhar. Como foi escalado nas finais do Mineiro, o Cruzeiro entrou com um recurso pedindo os pontos da segunda partida da melhor de três, que havia terminado empatada. A briga judicial se estendeu até 1959, após vários recursos, quando a FMF tentou marcar outro jogo, o que não foi aceito pelos clubes, que acabaram dividindo o título de 1956.[3][4]

RegulamentoEditar

Fórmula de disputa:

Dois turnos distintos. Os vencedores de cada turno decidiram o título numa série decisiva. Caso uma mesma equipe vencesse os dois turnos seria campeã direta. Sem acesso e rebaixamento, pois não havia Série B.

CuriosidadesEditar

Título dividido entre Atlético e Cruzeiro

O Campeonato Mineiro de 1956 foi dividido entre Atlético e Cruzeiro do início ao fim. Como cada um venceu um turno, decidiram o título numa melhor de três partidas.

Com o lateral-esquerdo Haroldo machucado, o técnico atleticano Délio Neves escalou o reserva Laércio nas duas primeiras partidas, quando venceu a primeira e empatou a segunda. Foi aí que os problemas começaram.

Três dias após o segundo confronto, o Cruzeiro denunciou o Departamento Técnico da FMF por dar condições de jogo a Laércio, que não havia cumprido suas obrigações militares e foi inscrito com um exame médico no lugar do certificado de dispensa do Exército.

O Cruzeiro entrou com recurso no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) pedindo os pontos do empate da segunda partida, já que o prazo para protelar os pontos do primeiro jogo havia expirado.

O TJD, por seis votos a zero, rejeitou o pedido, entendendo que o Atlético não poderia ser punido por um erro da FMF.

Na terceira partida, em 2 de junho, o Atlético teve a volta de Haroldo e venceu com um gol de Vaduca.

O Cruzeiro recorreu ao STJD e ganhou os pontos da segunda partida, o que deixou a decisão empatada e o título indefinido.

No julgamento do STJD, por 4 votos a 2, o STJD multou o Atletico e decidiu pela perda dos pontos. “A lei é quem dá a condição de jogo e não a entidade (FMF)", decidiu o Superior tribunal.

O STJD obrigou a FMF a marcar um quarto jogo. Aí foi o Atlético que recorreu, mas o tribunal manteve sua decisão.

O alvinegro apelou ao Conselho Nacional do Desporto (CND). Em outubro de 1958, a FMF definiu pela realização da quarta partida, mas o Atlético obteve uma liminar para não disputar o jogo.

FMF reconhece a culpa

Em 30 de setembro de 1957, Armando Cordeiro, assistente da FMF, informou que o Cruzeiro obedeceu ao prazo previsto no art. 107, do código de futebol, quanto ao segundo jogo. O certificado de alistamento militar é temporário e válido dos 17 aos 20 de idade. Laércio era refratário, como atesta o documento que entrou na FMF, e a entidade não poderia lhe dar condições de jogo. Em 31 de setembro de 1957, a FMF reconheceu a situação irregular de Laércio, mas absolveu o Atlético.

Divisão do título

A CBD ameaçou punir os estados com campeonatos sub-judice excluindo-os do Campeonato Brasileiro, que começaria em 1959. Para resolver o impasse, o Conselho Nacional do Desporto-CND sugeriu que os clubes dividissem o título de 1956. Num encontro ocasional de dirigentes cruzeirenses e atleticanos, num posto de gasolina, ficou acertada a divisão do título de 1956 (Diario da Tarde, 22/03/1959). A FMF proclamou ambos campeões de 1956, em 24 de março de 1959 (Diario da Tarde, 25/03/1959).[5]

ParticipantesEditar

TabelaEditar

Primeiro TurnoEditar

Tabela de classificação
Time Pts J V E D
1 Cruzeiro 15 9 7 1 1
2 Atlético 15 9 7 1 1
3 Siderúrgica 12 9 6 0 3
4 Democrata-SL 11 9 5 1 3
5 Asas 10 9 4 1 4
6 América 9 9 3 3 3
7 Sete de Setembro 9 9 3 3 3
8 Meridional 5 9 1 4 4
9 Villa Nova 4 9 1 2 6
10 Metalusina 0 9 0 0 9
Pts – pontos; J – jogos disputados; V - vitórias; E - empates; D - derrotas
Classificação
Classificados para o desempate do turno

Desempate do turnoEditar

14 de outubro de 1956 Cruzeiro 2 – 0 Atlético Independência

   Pelau

18 de outubro de 1956 Atlético 1 – 0 Cruzeiro Independência

  Tomazinho

21 de outubro de 1956 Atlético 3 – 2 Cruzeiro Independência

  Murilinho
  Amorim
  Tomazinho
Nilo   

ReturnoEditar

Tabela de classificação
Time Pts J V E D
1 Cruzeiro 14 9 6 2 1
3 América 12 9 5 2 2
4 Sete de Setembro 12 9 5 2 2
5 Democrata-SL 12 9 4 4 1
2 Siderúrgica 11 9 5 1 3
6 Atlético 9 9 4 1 4
7 Villa Nova 8 9 4 0 5
8 Asas 5 9 0 5 4
9 Meridional 4 9 1 2 6
10 Metalusina 3 9 1 1 7
Pts – pontos; J – jogos disputados; V - vitórias; E - empates; D - derrotas
Classificação
Classificado para a Decisão

DecisãoEditar

23 de maio de 1957 Cruzeiro 1 – 1 Atlético Independência

  Pelau Tomazinho  

26 de maio de 1957 Atlético 0 – 0 Cruzeiro Independência


2 de junho de 1957 Atlético 1 – 0 Cruzeiro Independência

  Vaduca

Decisão JudicialEditar

Antes do terceiro jogo das finais, o Cruzeiro entrou com uma ação no Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais (TJD) pleiteando os pontos conquistados pelo Atlético no segundo jogo, alegando que o jogador do Atlético, Laércio, não apresentara certificado de dispensa do Exército, assim, seu registro com o clube era inválido.

Em 31 de maio de 1957, antes do terceiro jogo, o TJD decidiu, por 6 votos a 0, rejeitar a ação do Cruzeiro, porque a responsabilidade deste erro era da FMF e não o Atlético.

Em março de 1959, O Cruzeiro venceu esta ação no Tribunal Superior (STJD) e o problema voltou à FMF que tentou programar outro jogo, mas o Atlético não aceitou porque as duas equipes mudaram muitos jogadores. Assim, a FMF resolveu este problema proclamando os dois clubes como campeões de 1956.

CampeãoEditar

Campeonato Mineiro de 1956
 
Atlético
19.º Título
Campeonato Mineiro de 1956
 
Cruzeiro
9.º Título

Referências