Campos de Lis

Campos de Lis[1] (Gladden Fields no original em inglês, Loeg Ningloron no idioma fictício sindarin) é um local da fictícia Terra Média de J. R. R. Tolkien, especialmente notável por ser aquele onde o rei Isildur perdeu o Anel de Sauron durante o Desastre dos Campos de Lis, ao atravessar o Grande Rio Anduin. O Anel viria a ser recuperado no mesmo local vinte e cinco séculos mais tarde, por casualidade, pelo hobbit cascalvas Déagol, sendo logo apossado por seu primo Sméagol, que mais tarde se transformaria na criatura Gollum.

Paisagem pantanosa com maciços de Iris pseudacorus e caniços na Reserva Natural de Astrakhan, semelhante à dos fictícios Campos de Lis da Terra Média.

EtimologiaEditar

O termo gladden é uma modificação do inglês coloquial gladdon, derivada pelo inglês médio gladen do inglês arcaico glaedene,[2] documentado no século IX, mas provavelmente de origem mais remota.[3] O termo terá sido provavelmente adquirido do latim gladiolus, significando pequena espada, em referência às folhas dos lírios, em forma de espada.[2] Gladden é actualmente um termo raramente encontrado fora dos dialectos regionais.[3] A palavra pode ser um trocadilho, jogando com o facto da região não só estar repleta de campos de lírios com as suas folhas em forma de espada, mas também por ter sido o local de duas batalhas importantes.[4]

Niglor é o termo em sindarin para lírio, ou lis, e Loeg Ningloron significa literalmente campos de lis.[2]

Geografia e características naturaisEditar

A região dos Campos de Lis caracteriza-se como uma planície,[5] localizada numa profunda depressão[6] a oeste de Mirkwood, onde o Grande Rio Anduin se junta com o Lis,[7] a oeste das Montanhas Nebulosas, estas últimas logo ao norte de Moria e Lothlórien.[8] A região situa-se na bacia de um antigo lago, transformada em pântano, através do qual o rio Lis, tributário do Anduin, serpenteia por uma infinidade de meandros e ilhotas, com extensos maciços de juncos e caniços, e batalhões de lírios amarelos que crescem até alturas maiores que a de um homem.[2]

A espécie vegetal mais abundante é a Iris pseudacorus, o lírio amarelo, que dá o nome a toda a região, assim como ao rio que por ali passa, o Lis.[2] O rio que percorre a região é habitado por salmões-rei.[9]

HistóriaEditar

O local é bem conhecido por ser aquele em que o rei Isildur perdeu o Anel de Sauron.[2] No ano 2 da Terceira Idade da Terra Média, Isildur e os seus três filhos mais velhos, Ciryon, Aratan e Elendur, foram emboscados por orcs ao marchar nas cercanias daquela região, sendo quase todos mortos.[10] Isildur tentou escapar, saltando para o Grande Rio Anduin, e usando o poder da invisibilidade do Anel, mas enquanto nadava o anel escorregou do dedo de Isildur, caindo para o fundo do rio.[11] Sem o poder do Anel, Isildur surgiu visível na outra margem do rio, onde foi detectado e morto por orcs que procuravam sobreviventes da emboscada.[1][12] Ohtar, escudeiro de Isildur, conseguiu salvar os fragmentos do Narsil da horda inimiga; os filhos de Isildur foram mortos durante a batalha. Este incidente ficou conhecido como o Desastre dos Campos de Lis.[13]

Vinte e cinco séculos após a emboscada a região era habitada por uma estirpe de hobbits matriarcal e nómada, os cascalvas, considerada bastante inferior às estirpes de pés peludos que habitavam o Shire e Bree.[14] No ano 2463[8] o hobbit cascalvas Déagol e o seu primo, o tímido Sméagol, por ocasião do aniversário deste.[15] Enquanto pescavam a bordo de um pequeno barco no Anduin, foi arrastado para o fundo do rio por um grande salmão-rei, encontrando o Anel de Sauron.[9] Ao ver o Anel, Sméagol, deseja-o com tal intensidade para seu "presente de aniversário", que para o obter estrangula e mata Déagol. Mais tarde, expulso da sua tribo pela avó, Smeagol abandona os Campos de Lis,[15] acabando por tornar-se na criatura Gollum.[16][17]

 
Uma conhecida trilha foi um dos locais usados nas filmagens dos Campos de Lis, em Arrowtown, na Nova Zelândia.[18]

CinemaEditar

Na versão cinematográfica da trilogia d'O Senhor dos Anéis, as cenas passadas nos Campos de Lis foram filmadas em Arrowtown, perto de Queenstown, na Nova Zelândia.[18][19] O local é uma atracção turística, podendo ser visitado em circuitos de todo o terreno.[20][21]

LegadoEditar

Gladden Fields é o nome de uma das ruas de Chelmsford, em Inglaterra, num conjunto de ruas com designações com a temática de Tolkien.[22]

Referências

  1. a b López, Rosa Sílvia (2004). O Senhor Dos Anéis & Tolkein - O Poder Mágico Da Palavra. [S.l.]: Arte & Ciência. p. 201 
  2. a b c d e f S.,, Judd, Walter (2017). Flora of Middle-Earth : plants of J.R.R. Tolkien's legendarium. New York: Oxford University Press. p. 155. ISBN 9780190276324. OCLC 993878430 
  3. a b Peter., Gilliver,; C., Weiner, E. S. (2009). The ring of words : Tolkien and the Oxford English dictionary. Oxford: Oxford University Press. p. 135. ISBN 9780199568369. OCLC 461587167 
  4. S., Noel, Ruth. The mythology of Middle-earth. Boston: [s.n.] p. 184. ISBN 9780395250068. OCLC 2542757 
  5. Fictional Plains: Gladden Fields, Leng, Pelennor Fields, Shaar, the Hordelands. [S.l.]: General Books LLC. 2010. ISBN 9781158381999 
  6. 1892-1973., Tolkien, J. R. R. (John Ronald Reuel), (1988). Unfinished tales of Númenor and Middle-earth 1st Ballantine Books ed. New York: Ballantine Books. p. 295. ISBN 9780345357113. OCLC 24603007 
  7. Angie,, Errigo,; Helen,, Rodiss,; Michaela,, Bunshell,; Richard,, Pendleton,; (Firm),, Rough Guides (2003). The rough guide to The lord of the rings. London: Rough Guides. p. 197. ISBN 9781843532750. OCLC 53819730 
  8. a b David., Day, (2014). Tolkien : a dictionary. London: Bounty. p. Gladden Fields. ISBN 9780753728550. OCLC 897433193 
  9. a b Willink, Philip (2008). «Fishes of Middle-Earth» (PDF). Tolkien Library 
  10. Tolkien, J.R.R. (2013). O Senhor dos Anéis: O retorno do rei. [S.l.]: Martins Editora. p. 386. ISBN 9788580631036 
  11. 1892-1973., Tolkien, J. R. R. (John Ronald Reuel), (2005). The lord of the rings 50th anniversary ed. London: HarperCollins. p. 49. ISBN 9780547951942. OCLC 649096958 
  12. Tolkien, J. R. R. (1980), Christopher Tolkien, ed., Unfinished Tales, Boston: Houghton Mifflin, "Disaster of the Gladden Fields", ISBN 0-395-29917-9
  13. Whittingham, Elizabeth A. «Unfinished Talesand the History of Middle-earth: A Lifetime of Imagination». Wiley-Blackwell (em inglês): 146–160. doi:10.1002/9781118517468.ch10 
  14. 1945-, Chance, Jane, (2001). The lord of the rings : the mythology of power Rev. ed. Lexington: University Press of Kentucky. ISBN 9780813190174. OCLC 46936088 
  15. a b Randall, Courtney C. (2013). Sméagol Versus Gollum: The Bridge Between Fantasy and Reality: Applying Jungian Psychology to Tolkien’s The Lord of the Rings. [S.l.]: Salve Regina University. p. 7 
  16. Carpenter, Humphrey, ed. (1981), The Letters of J. R. R. Tolkien, Boston: Houghton Mifflin, #214, ISBN 0-395-31555-7
  17. 1947-, Day, David, (1993). Tolkien : the illustrated encyclopaedia. New York: Simon & Shuster. p. 82. ISBN 9780684839790. OCLC 48786420 
  18. a b Buchmann, Anne K. (2007). In the footsteps of the fellowship : understanding the expectations and experiences of Lord of the rings tourists on guided tours in New Zealand. [S.l.]: Lincoln University. 114 páginas 
  19. Goh, Robbie B.H. (2013). «The Lord of the Rings and New Zealand: fantasy pilgrimages, imaginative transnationalism and the semiotics of the (Ir)Real, Social Semiotics». Social Semiotics. 24 (3): 263-282. doi:10.1080/10350330.2013.866781 
  20. «INTO THE HOBBIT HOLE». The Telegraph (em inglês) 
  21. Bennett, Sarah; Reade, Bryn (5 de fevereiro de 2016). «New Zealand attractions». The Telegraph (em inglês). ISSN 0307-1235 
  22. Jacobs, Frank. «J.R.R. Tolkien's Middle-Earth Inspires Suburb's Design». Big Think 

Ligações externasEditar