Pedro de Castro do Canto e Melo

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Pedro de Castro do Canto e Melo[1] (Porto Alegre, 1 de janeiro de 1866São Paulo, 31 de outubro de 1934) foi poeta, jornalista, romancista, diplomado em Direito e memorialista brasileiro.

BiografiaEditar

É pertencente a uma das mais tradicionais famílias do sudeste brasileiro: os Castro do Canto e Melo.

Bacharelou-se na Faculdade de Direito de São Paulo e nessa capital exerceu sua profissão. Jornalista, foi um dos fundadores do Diário Popular, e seu colaborador até o fim da vida.

Em companhia de Aureliano Amaral, ilustrador e caricaturista, fundou e dirigiu o semanário de literatura A Lua, onde colaboraram grandes nomes das letras brasileiras como Vicente de Carvalho, Martins Fontes, entre outros.

Foi autor de estilo ágil, capaz de análises psicológicas apuradas de suas personagens, e igualmente, de levar na devida conta as motivações de ordem sócio-econômica que lhes determinavam ações e reações.

Canto e Melo foi vulto menor da nossa literatura em sua fase, unicamente porque não se preocupou em angariar maior divulgação nacional de sua obra. É um dos representantes da estética realista-naturalista, embora tardia, na literatura do Brasil.

Seus romances de maior envergadura literária são Alma em delírio e Mana Silvéria, bastante elogiados pelos críticos, que seguem uma temática cientificista-naturalista. O primeiro retrata o alcoolismo, e o segundo a história de gêmeos nascidos de uma relação entre um padre e uma rameira em plena virada do século XIX para o XX. Em ambos os casos o determinismo genético é o responsável pelas anomalias das personagens envolvidas.

Em relação às suas obras, hoje muito raras, assinala-se que é encontrado com relativa facilidade nos sebos o romance Mana Silvéria, talvez sua melhor criação, tendo sido reeditado em 1961 pela Editora Civilização Brasileira.

Segundo João Pinto da Silva na obra História Literária do Rio Grande do Sul: "Há contudo, um romancista nosso que se poderia situar, não no centro, - note-se bem, mas na periferia do naturalismo, pelas origens dos seus processos de observação e composição. Trata-se do sr. Canto e Mello. Nascido aqui, reside há anos em São Paulo. Essa longa ausência, porém, não o desenraizou da gleba gaúcha, de que ele tem evocado, nos seus livros, com enternecido carinho, tipos, tradições e paisagens. A ação das Relíquias da memória, por exemplo, desenrola-se toda na fronteira com o Uruguai, em Jaguarão, cidade que ele descreve, em quadros trágicos, sob o terror e a desolação do cholora morbus (cólera), que a devastou, como a quase todo o Rio Grande, na segunda metade do século passado.

Nesse volume, bem como na Alma em delírio, que é o mais belo dos seus romances, as personagens, em geral, criaturas dolorosas, verdadeiras teses ambulantes de psicologia mórbida, comunicam-se diretamente com o leitor, sob a forma de confissões, diálogos e ementários. Travam relações conosco, assim ao primeiro encontro, quase que se poderia dizer de "viva voz", e é com intenso interesse que lhe escutamos a narrativa autobiográfica dos episódios e incidentes, dos dramas e tragédias em que se envolvem, fazendo nos olvidar o romancista, que habilmente se apaga por detrás delas, quando não prefere vir também falar, viver, diante de nós no primeiro plano. Desse método arranca o sr. Canto e Mello todos os efeitos, evitando-lhe os inconvenientes, dentre os quais o pior costuma ser a monotonia. Salva-o a circunstância dos seus tipos principais incarnarem temperamentos bizarros e dramáticos. Lembram, em geral, escorchados morais, de hiperaguda sensibilidade; sobre a carne deles, o simples contato com o ar e com o sol parece gerar indizível sofrimento, como ocorre a certos heróis fantásticos de Poe.

Se tivesse que indicar o escritor europeu com o qual apresenta o sr. Canto e Mello traços de semelhança, não hesitaria em citar Octave Mirbeau. Não que os seus tipos se notabilizem pela rudeza, ou pela veemência, como quase todos os do criador de L'Abbé Jules (O Padre Julio). Porque não é do Mirbeau desse romance ou do Journal d'une femme de chambre (Diário de uma criada de quarto), que eu me recordo, quando leio o sr. Canto e Mello, e sim do Mirbeau de Le calvaire (O Calvário), o demiurgo desencantado e sensibilíssimo do João Mintié." (DA SILVA, 1930: 237, 238, 239).

Usou em sua vida jornalística os pseudônimos Pachola e Silvano D'Além.

ObrasEditar

  • 1909 Alma em delírio, romance e novela, São Paulo: Typ. Editora "O Pensamento"
  • 1913 Mana Silvéria, romance e novela, São Paulo: Typ. Editora "O Pensamento"
  • 1914 Bucólica, poemeto, São Paulo: Typ. Editora "O Pensamento"
  • 1920 Relíquias da memória, romance e novela, São Paulo: Typ. Editora "O Pensamento"
  • 1923 Recordações, romance e novela, São Paulo: Typ. Editora "O Pensamento"

Referências

  1. Segundo a ortografia arcaica: Pedro de Castro do Canto e Mello

BibliografiaEditar

  • COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global.
  • SILVA. João Pinto da. História Literária do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Segunda edição. Livraria da Editora Globo, 1930. Páginas: 237, 238 e 239.