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Procissão do Encontro saindo da Capela, 2012

A Capela do Santo Sepulcro, em Caxias do Sul, no Brasil, é uma pequena edificação da Igreja Católica que abriga em seu interior uma cripta com um raro grupo escultórico em madeira, representando a cena da lamentação do Senhor Morto. É tombada pela Prefeitura Municipal.

Índice

CaracterísticasEditar

A capela é construída de pedra e tijolos maciços, com pilares demarcados em relevo, e aberturas ogivais e pináculos definidores de seu estilo neo-gótico. Possui uma única torre, servindo de campanário, encimando o centro da fachada. Ao longo do tempo perdeu algumas de suas características originais, como a cobertura de telhas francesas (hoje de zinco), os ladrilhos hidráulicos do piso da cripta (hoje lajotas cerâmicas), e os lustres de vidro Murano, substituídos por iluminação fluorescente. Reformas na iluminação da cripta também dissiparam a antiga atmosfera penumbrosa que inspirava maior recolhimento e devoção, e hoje o local mais se parece a uma sala de museu.[1]

Mesmo assim a capela foi declarada Patrimônio Histórico Municipal em 30 de julho de 2006, em virtude de seu precioso acervo artístico e de suas características arquitetônicas diferenciadas, únicas na região.[1]

A capela que existe atualmente foi erguida atendendo a um pedido in extremis de Benvenuto Conte à sua filha Genoveva Conte Pieruccini, que cumpriu o desejo final do pai com a ajuda da comunidade e do arquiteto Luigi Valiera, sendo inaugurada em 31 de janeiro de 1937 com a presença do Bispo Dom José Barea. O prédio substituiu a antiga capela de madeira com chão de terra batida construída por Conte no final do século XIX. Em 1942, o terreno foi doado à Mitra Diocesana, passando para a administração da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes.[1]

 
Cripta
 
Vitral

Imigrante italiano, proveniente de Treviso, Conte chegou em Caxias do Sul, então o Campo dos Bugres, por volta de 1878, após ter visitado a Terra Santa. Construiu sua moradia na atual Avenida Júlio de Castilhos e, ao lado dessa, um pequeno santuário. Visitando a Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, Benvenuto Conte admirou o cenário sacro que viu, e tentou reproduzi-lo no pequeno santuário. Conte nunca havia tido contato com a escultura antes; mesmo assim, criou, em madeira de lei e tamanho natural, imagens de quatro soldados romanos, José de Arimateia; a Virgem Maria, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, um menino que teria recolhido os cravos da crucificação, e o Senhor Morto, auxiliado neste último por Pietro Stangherlin, que esculpiu o rosto e as mãos.[1]

Suas feições gerais são muito simplificadas, mas encantam pela sua espontaneidade e sabor popular. Com exceção do Cristo Morto, as imagens possuem pernas e braços articulados, e são vestidas com trajes de tecido, substituídos quando se desgastam. Porém as armaduras dos soldados, feitas com pequenas placas de metal costuradas sobre tecido, são originais. O conjunto forma um quadro evocativo e encontra-se em uma cripta que faz parte do santuário desde a sua primeira construção, e que é única na região.[1]

Além dessas imagens, a Capela possui importantes peças de Michelangelo Zambelli, santeiro afamado nas colônias serranas: a Nossa Senhora das Dores (1938), e o Nosso Senhor dos Passos (com olhos de cristal e dentes verdadeiros, de 1942). Um afresco do celebrado Aldo Locatelli, de 1952, figurando a ressurreição de Cristo, adorna o teto sobre o altar principal, e as janelas são guarnecidas com uma série de 14 vitrais com as cenas da Via Sacra, elaborados por Hans Viet & Cia., de Porto Alegre.[1]

TradiçõesEditar

A pequena capela tornou-se um centro religioso de vida própria, com diversas cerimônias e festividades especiais. Algumas foram sendo esquecidas, mas antigamente as mais populares eram a Transladação, quando a imagem de Nossa Senhora das Dores era levada em procissão até a Catedral, e a Procissão do Encontro, realizada alguns dias depois. Saindo da Capela do Santo Sepulcro, Nosso Senhor dos Passos encontrava-se, no cruzamento da rua Guia Lopes com avenida Júlio de Castilhos, com a imagem de Nossa Senhora das Dores, que voltava da Catedral. Nesse local, realizava-se o Sermão da Lágrima e as duas imagens retornavam à sua casa, a Capela.[1]

Também integrava os rituais o Beijo do Senhor Morto, que acontecia na Sexta-feira Santa, reunindo milhares de fiéis até os dias de hoje. Depois do beijo, realiza-se outra procissão de encontro, levando-se a Virgem das Dores para encontrar o Senhor Morto que sai da Catedral. No meio do caminho as duas procissões se unem numa só e voltam à Catedral, diante da qual se realiza uma missa campal na Praça Dante Alighieri.[1][2][3]

Procissão do Encontro: Nossa Senhora das Dores encontra o Senhor Morto no cruzamento da rua Guia Lopes com avenida Júlio de Castilhos.

Ver tambémEditar

Referências