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Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro

Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro
Arcebispo da Igreja Católica
Arcebispo de Niterói
Atividade Eclesiástica
Diocese Arquidiocese de Niterói
Nomeação 9 de maio de 1990
Predecessor Dom José Gonçalves da Costa, C.Ss.R.
Sucessor Dom Frei Alano Maria Pena, O.P.
Mandato 1990 - 2003
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 29 de junho de 1959
por Dom Jaime Cardeal de Barros Câmara
Nomeação episcopal 24 de outubro de 1975
Ordenação episcopal 12 de dezembro de 1975
por Dom Eugênio Cardeal de Araújo Sales
Lema episcopal CUM MARIA MATRE JESU
Com Maria Mãe de Jesus (At 1,14)
Nomeado arcebispo 9 de maio de 1990
Brasão arquiepiscopal
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Dados pessoais
Nascimento Rio de Janeiro
30 de outubro de 1931
Morte Niterói
2 de fevereiro de 2003 (71 anos)
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Maria do Carmo Etchandy Navarro
Pai: João Gimeno Navarro
Funções exercidas - Bispo auxiliar de Rio de Janeiro (1975-1981)
- Bispo de Campos (1981-1990)
dados em catholic-hierarchy.org
Arcebispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro (Rio de Janeiro, 30 de outubro de 1931  — Niterói, 2 de fevereiro de 2003) foi um bispo católico, terceiro arcebispo da Arquidiocese de Niterói. Foi também compositor católico, deixando grande legado de músicas que ainda hoje são utilizadas em diversas celebrações litúrgicas.

BiografiaEditar

Filho de João Gimeno Navarro e Maria do Carmo Etchandy Navarro. Entre 1939 e 1942, cursou parte de seu ensino fundamental - à época denominado primário - em escolas públicas do Rio de Janeiro. A segunda metade do ensino fundamental - antigo ginásio - foi cursada no Colégio Militar, sediado na cidade do Rio de Janeiro, entre os anos de 1943 e 1950. Já no período de 1951 e 1952 cursou o ensino médio - conhecido como colegial - naquela mesma escola. Ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras em Resende/RJ em 1953, ano este em que pediu baixa para cerrar filas no exército de Nosso Senhor.[1]

Formação e PresbiteradoEditar

Ingressou no seminário arquidiocesano do Rio de Janeiro, seminário São José, em 1953, onde cursou filosofia e teologia.

Sua ordenação presbiteral se deu em 29 de junho de 1959, aos 27 anos, pelas mãos de Dom Jaime Cardeal de Barros Câmara na então Sé do Carmo, antiga catedral do Rio de Janeiro.[2]

Durante sua vida de sacerdote exerceu diversos atividades, como Professor, Prefeito de Estudos e Diretor Espiritual do Seminário Menor de S. José, Rio de Janeiro (1960-1966); Assessor do Secretaria Nacional dos Seminários, da CNBB (1964-1971); Assessor do Secretaria Nacional das Vocações Sacerdotais (1970-1971); Diretor da Divisão de Educação Religiosa, na Secretaria de Educação da Guanabara, Rio de Janeiro (1967-1974); Assessor-Chefe da Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, RJ (1975); Capelão da Irmandade de Santo Antônio de Pádua e Nossa Senhora da Boa Vista (de 1964 até 1981); Coordenador Arquidiocesano de Pastoral (1971-1975).[3]

Em 01 de julho de 1966, aconteceu na paróquia Nossa Senhora da Paz um evento polêmico, organizado pelo então padre Carlos Alberto Navarro. Uma ação litúrgica com citações dos Papas João XXIII e Paulo VI e a parte musical no ritmo das canções dos Beatles, executadas pelo Brazilian Bitles, cujos integrantes eram Luiz Toth, Jorge Eduardo Almeida, Fabio Block, Ely Barra e Vitor Trucco, este último com a palavra:

"As autoridades católicas decidiram realizar na Igreja Nossa Senhora da Paz em Ipanema (RJ), um ato litúrgico com citações dos Papas João XXIII e Paulo VI e a parte musical no ritmo das canções dos Beatles. A parte musical foi executada pelo Brazilian Bitles, na qual foram tocadas e cantadas as melodias “Canção da Paz” (versão de I Love you too, dos Beatles) “Anjo menino” e “Belo para mim”. As reações foram imprevisíveis, os Sacerdotes não podiam supor que na juventude ali presente, alguns jovens no auge do embalo da música executada pela banda se deixaria empolgar de tal maneira que chegasse ao exagero. As moças de mini saia subiram nos altares e se estabeleceu um empurra empurra pelos rapazes que estavam embaixo, e muitos subiram nos bancos, dificultando a leitura dos textos pelos sacerdotes. (Os sacerdotes acreditavam que os jovens entenderiam através do ritmo a mensagem da Igreja, como faz o Padre Marcelo Rossi hoje em dia). O ritmo frenético, porém, contagiou os jovens e o templo parecia um show de Rock, a pregação religiosa não podia mesmo surtir efeito, nem mesmo a Ave Maria (tocada também em ritmo musical de Rock) conseguiu acalmar aos jovens. O Iê Iê Iê provou a teoria dos estudiosos das reações humanas, que o define como “um estopim que liberta convulsões e impulsos incontroláveis nos jovens.”.[4]

Reações de todos os tipos apareceram naquela ocasião. Alguns acreditavam que havia ocorrido um sacrilégio e que era uma lástima um sacerdote católico promover algo assim. Uma senhora com o escudo da Congregação de Nossa Senhora da Paz, quase em murmúrio, dizia: Isso é o fim do mundo, meu Deus. Que horror!" Já para os jovens, que pelas matérias da época foram contados em torno dos cinco mil, aquele espetáculo era o que de melhor poderia ter acontecido. Um garoto de 16 anos mascando chicletes fazia bola e de vez em quando berrava: "Help, Help, Help", fazendo alusão à música do quarteto de Liverpool. Já o padre Carlos Alberto se defendia: "Os jovens irão para a igreja se houver quem os atraia para lá.".[5]

EpiscopadoEditar

Em 24 de outubro de 1975 o Papa Paulo VI o designou bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, titular de Cenae, aos 44 anos de idade.

Recebeu a ordenação episcopal, em 12 de dezembro de 1975 - dia em que se comemora a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, rainha e padroeira da América - pelas mãos de Dom Eugênio Cardeal de Araújo Sales, tendo como seu principal co-consagrador Dom José Alberto Lopes de Castro Pinto, bispo auxiliar do Rio de Janeiro. Sua divisa era: “Gratia et Apostolatu” (Rom. 15,1) (Pela graça e pelo apostolado). Ao longo deste período foi Vice-Secretário do Regional Leste 1; Presidente da Comissão Regional do Clero do Leste 1.

Foi transferido para Campos em 29 de agosto de 1981, sendo o 4º bispo daquela diocese. Nesse tempo foi Membro do Conselho Fiscal da CNBB, Representante dos Bispos na Comissão Regional de Seminários. Também nesse período foi eleito pelos Bispos do Regional Leste 1 para acompanhamento do Ensino Religioso no Estado do Rio, desde 1987.

Esteve à frente da Diocese de Campos durante um período conturbado no qual houve uma divisão do clero diocesano e de uma parte dos fiéis. Este tempo foi marcado por afrontas, das mais variadas, à igreja e ao senhor bispo, que foi injuriado, afrontado, desprezado, reprovado, condenado, ultrajado, vilipendiado, segundo suas palavras publicadas em jornal datado de 10 de julho de 1988. [6]

A situação tensa em que vivia Dom Carlos Alberto teve seu clímax com o Motu Proprio Ecclesia Dei emitido por João Paulo II aos 2 de julho de 1988. O documento foi uma resposta à ordenação canonicamente irregular de quatro bispos por D. Lefebvre -- emérito da Diocese de Tulle, França -- e D. Antônio de Castro Mayer -- emérito da Diocese de Campos, Rio de Janeiro. Na época, a diocese da cidade enfrentava divergências de católicos tradicionais que não aceitavam as reformas do Concílio Vaticano II. Dom Navarro conseguiu reverter a situação, o que foi reconhecido pelo Papa.[7]

Com a volta da paz em Campos, Dom Navarro foi novamente transferido pelo papa São João Paulo II e assumiu a Arquidiocese de Niterói.

Arcebispo de NiteróiEditar

Nomeado o terceiro Arcebispo de Niterói em 9 de maio de 1990, vindo a tomar posse em 2 de julho de 1990 e eleito Presidente do Regional Leste 1 da CNBB entre 1991 e 1995. Sua Divisa nesse período era: “Cum Maria Matre Jesus” (Com Maria Mãe de Jesus). (At. 1,14)

Sempre fiel à doutrina da Igreja, Dom Carlos Alberto, com muita humildade, conduzia as suas ovelhas para as quais sempre teve um olhar especial de Bom Pastor. Isso fez com que sempre buscasse estar próximo delas em todos os momentos de seu ofício, fosse nas Visitas Pastorais que fazia, nos compromissos a cumprir, na Arquidiocese, lugar onde passava o maior tempo de seu dia. Para ele, a celebração de uma Santa Missa só acabava após os cumprimentos aos fiéis, na porta das Igrejas, ato que marcou a vida de todos. Outra virtude do Arcebispo, reconhecida unanimemente por todo o Brasil, era o de ser “poeta maior”, autor de lindíssimas e famosas músicas religiosas desde quando era padre no Rio de Janeiro, dentre as quais: Sobe a Jerusalém, És Maria, Quando seu Pai revelou, Procuro abrigo nos corações, Não sei se descobriste, Sou bom Pastor e Muito alegre eu Te pedi.

A fim de dinamizar as Pastorais da Arquidiocese e dar uma autenticidade maior ao evangelizador leigo, apoiou as pastorais e os movimentos já existentes e diversificou-os para, desse modo, poder dar mais consubstancia ao trabalho evangelizador na arquidiocese onde, visando sempre garantir a assistência espiritual aos seus arquidiocesanos.

Com o clero, fazia questão de, uma vez no ano, ter um período de convivência para manter um laço paternal e familiar com os sacerdotes diocesanos e religiosos que atuam na Arquidiocese, além dos seminaristas.

Ao comemorar o Centenário da Arquidiocese de Niterói em 1992, redimensionou, a partir do método VER, JULGAR, AGIR, promovendo uma maior unidade à vida e missão de nossa Igreja Particular, através do entusiasmo apostólico com que interagiam.

Através de sua iniciativa e incentivo, foi lançado em 1991, o primeiro Anuário da Arquidiocese de Niterói além de outras diversas edições que são “o nosso tesouro”, para servirem de subsídio para a Catequese, Catecumenato, Crisma e tantas outras pastorais.

Incansável, foi um grande evangelizador que se fez ouvir propagar através de seus artigos de A Voz do Pastor (semanário) e outros Boletins. Ele era muito voltado para a orientação que se dava aos jovens.

Durante o seu governo, deu-se a criação de 2 Paróquias, a saber: Sant’Ana e Santa Rita de Cássia, em Armação dos Búzios (1997); Santíssima Trindade, na Trindade, município de São Gonçalo (2001), além da Quase-Paróquia de São José Operário, em Jardim Catarina, em São Gonçalo (2002).

Em 1996 idealizou uma nova Catedral para Niterói e se iniciou o projeto que foi repassado para Oscar Niemeyer e o Prefeito Jorge Roberto Silveira.

Em outubro de 1997 o projeto da Nova Catedral assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer foi abençoada pelo Papa João Paulo II em sua segunda visita ao Rio. Na ocasião o Santo Padre conheceu a planta e a maquete da catedral e abençoou a pedra fundamental da Nova Catedral de Niterói. A pedra fundamental foi lançada no ano de 1999 em uma grande festa no terreno, pelo inicio das obras do Caminho Niemeyer.

Ordenações EpiscopaisEditar

Foi o principal consagrante da ordenação episcopal de:

Foi co-consagrante da ordenação episcopal de:

MorteEditar

Dom Navarro esteve internado desde o dia 17 de janeiro de 2003, quando, por ocasião de um infarto, foi levado ao hospital Procordis. No dia seguinte, foi transferido para o Hospital Santa Cruz, em Niterói, onde foi submetido, na sexta-feira do dia 31 de janeiro de 2003, a uma cirurgia para colocação de marca-passo, realizada pela equipe chefiada pelo Dr. Luiz Gonzaga Pagnuzzi Amauto. Faleceu às 06h55min do dia 02 de fevereiro de 2003, aos 71 anos, vítima de complicações cardiorrespiratórias, como choque cardiogênico, cardiopatia isquêmica e infarto agudo do miocárdio.[8]

Dom Carlos Alberto veio a falecer, coincidentemente no Dia de Nossa Senhora da Luz e da Festa da “Apresentação do Senhor Jesus no templo”, justamente à qual ele se referia na música de sua autoria Sobe a Jerusalém, talvez a mais famosa das suas muitas composições.

Seu corpo foi transladado no início da tarde desse mesmo dia para a Catedral Metropolitana de São João Batista, em Niterói, onde pôde ser velado por todos os fiéis, até a manhã da segunda-feira, dia 03 de fevereiro de 2003.

Após a Missa Solene de Corpo Presente, celebrada às 10 horas e presidida pelo Cardeal Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Cardeal de Araújo Sales, tendo ao lado o Núncio Apostólico, Dom Lorenzo Baldisseri, e o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eusébio cardeal Scheid, concelebrada por 23 Bispos, de várias partes do Brasil, e mais de 100 padres, de todo o Clero da Arquidiocese de Niterói e de outras (arqui)dioceses, religiosos, religiosas e fiéis leigos da Arquidiocese de Niterói e de outras dioceses, seguiu-se o cortejo pela lateral da Catedral até à Capela do Santíssimo Sacramento (na própria Catedral) onde o corpo de Dom Carlos Alberto foi sepultado.[9]

Referências

  1. arqnit.org  Em falta ou vazio |título= (ajuda);
  2. Cheney, David M. «Archbishop Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 26 de abril de 2018 
  3. «Arquidiocese de Niterói». arqnit.org. Consultado em 26 de abril de 2018 
  4. «Aconteceu em 1966: a Primeira Missa no Brasil em ritmo de iê iê iê.». WE LOVE THE BEATLES FOREVER. 1 de fevereiro de 2015 
  5. «Aconteceu em 1966: a Primeira Missa no Brasil em ritmo de iê iê iê.». WE LOVE THE BEATLES FOREVER. 1 de fevereiro de 2015 
  6. «Uma Igreja no Exílio: Há trinta anos, em Campos (IV): A versão de Dom Navarro.». Fratres in Unum.com. 3 de janeiro de 2012 
  7. «Ecclesia Dei». Wikipédia, a enciclopédia livre. 8 de abril de 2017 
  8. «EBC». memoria.ebc.com.br. Consultado em 26 de abril de 2018 
  9. «Arquidiocese de Niterói». arqnit.org. Consultado em 26 de abril de 2018