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CARLOS FAJARDO
Nome completo Carlos Alberto Fajardo
Nascimento 10 de setembro de 1941 (77 anos)
São Paulo
Nacionalidade Brasil
Área Artes
Página oficial
http://carlosfajardo.com.br

Carlos Alberto Fajardo (São Paulo, 10 de setembro de 1941) é artista, professor do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.[1]

A obra de Carlos Fajardo constrói relações utilizando superfícies discretas dispostas no espaço de modo que possam ser vivenciadas corporalmente pelo indivíduo. O trabalho solicita extensão e duração. É preciso se relacionar com ele em seus aspectos físicos, levar em conta a distância que ele dispõe entre as coisas e o transcurso espaçotemporal a que convida. Ele requer uma consciência corporal do indivíduo, simplesmente o acolhe na sua condição mais viva e espontânea – de pedestre. Pressupõe esse indivíduo autoconsciente das condições dadas do ambiente e por isso mesmo capaz de modificá-las.

Índice

FormaçãoEditar

Em 1963 ingressa no curso de arquitetura da Universidade Mackenzie. Estuda desenho, comunicação visual e história da arte com o artista Wesley Duke Lee, nesse momento conhece a obra do artista Marcel Duchamp e entra em contato com a produção contemporânea norte-americana e europeia. Em 1965 estuda música contemporânea com o maestro Diogo Pacheco; em 1970 gravura em metal com o artista Maciej Babinski; em 1979 litografia com a artista Regina Silveira.

Grupo RexEditar

Em 1966-67 é membro, juntamente com os artistas Frederico Nasser, Geraldo de Barros, José Resende, Nelson Leirner e Wesley Duke Lee, do Grupo Rex, e co-fundador da Rex Gallery & Sons em São Paulo. Integra, com Wesley, o corpo editorial do jornal Rex Time.

 
Neutral, 1966, versão de 2014.

Passa a fazer trabalhos figurativos sobre superfícies modificadas, nesse momento um raciocínio material, físico, construtivo, convive com um suporte narrativo. Participa da exposição Descoberta da América na Rex Gallery & Sons com o Neutral, um cubo de 33x33 cm feito com com chapas de acrílico transparente em cujo interior há outro, de dimensões idênticas, do qual só há o traçado ligeiramente deslocado em relação ao primeiro cubo. Pela primeira vez, sua obra dispensa a figuração e as marcas do fazer artístico. O cubo é construído com base numa relação objetiva com os materiais e as pessoas podem adquirir um guia impresso de instruções para a sua confecção. Em Flash-back, exposição seguinte na Rex Gallery & Sons, Fajardo expõe uma somatória de obras não feitas por ele.

Publica sua tradução de O Ato de Criação de Marcel Duchamp na capa do Rex Time n° 4. Organiza com o grupo os eventos subsequentes na Rex Gallery & Sons, como a conferência sobre a moda do artista Flávio de Carvalho.

SuburbiaEditar

Entre 1968 e 1970 realiza exposições com os artistas Frederico Nasser, Luís Paulo Baravelli e José Resende, na Petite Galerie, na Galeria Art-Art, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. A propósito da exposição no MAC-USP o crítico Walter Zanini comenta: "…o trabalho dos antigos alunos de Wesley Duke Lee ganhou a consistência necessária (…) num país em que os contatos comunitários são raros ou quase inexistentes, souberam desenvolver estudos e ação, embasados em uma inter-relação contínua transformada em verdadeira norma de vivência sem que esta disposição coletiva sacrificasse o mínimo das respectivas responsabilidades individuais."

Em 1969 faz as primeiras Fórmicas: pinturas feitas com retalhos regulares do material. Nas séries, as formas se repetem com cores diferentes, sem o menor traço de artesanato. Com procedimentos impessoais, Fajardo compõe os quadros que lhe parecem a realização mais estrita da ideia de superfície e de cor.

DesenhoEditar

A partir de meados da década de 60 o desenho se torna o suporte básico do seu raciocínio plástico, ato preparatório e modo de produzir discursos visuais. Desenho em sanfona. Parede com grafite. Chumbo e papel.

GráficaEditar

Desenha as capas da revista Novos Estudos, editada pela CEBRAP, em São Paulo, do n° 19 ao 70, entre 1987 e 2004. Colabora com trabalhos gráficos para o Jornal de Resenhas da Folha de S.Paulo, entre 1995 e 2003. Publica com José Resende o ensaio "Manual", no livro Psicanálise, Arte e Estéticas da Subjetivação, em 2002.

PinturaEditar

Em 1978 realiza pinturas em grandes formatos nas quais silhuetas femininas em tamanho natural são obtidas a partir do contorno de modelos reais posicionados contra as telas, vestígios físicos destas presenças. Em 1981, Fajardo assume uma nova relação com a pintura. Suas superfícies crescem e são divididas em partes justapostas. A unidade é formada com base na relação de uma parte com a outra. Daí em diante sua produção fica entre a pintura, a escultura e a instalação. Articula os objetos uns com os outros no espaço e incorpora o intervalo entre as peças.

InstalaçãoEditar

Para Fajardo, o corpo do indivíduo é partícipe da instalação, portanto parte constitutiva do trabalho. 1984, 1987, 1989, 1997, 2002.

ReflexãoEditar

A partir dos anos 2000 tem se dedicado à reflexão através de objetos, fotografias, vídeos, esculturas e instalações, muitos dos quais tem utilizado vidros e espelhos (placas de laminado refletido) em diversas configurações, como em: Fajardo (ArteCidadeZonaLeste, 2002); Poética da Distância (Pinacoteca -SP, MAM-BA, MAM-RJ, MAAM-Recife, MARGS-Porto Alegre: 2003); Carlos Fajardo, Tênue e No Aberto (G. Raquel Arnaud 2004, 2011 e 2014); Carlos Fajardo (5ª Bienal do Mercosul, 2005); Carlos Fajardo (Centro Maria Antônia, 2005), No meio do Vão (SESC Belenzinho, 2012); Espelho no espelho (Instituto Ling, 2017); Dentro (G. Marcelo Guarnieri, 2018); Diáfano (MON-Curitiba, 2018).

AprendizadoEditar

No ensino de arte Carlos Fajardo dá prioridade ao aprendizado, que é estimulado nos alunos através da própria experiência livre envolvida no ato de fazer. Para ele, há uma dialética na relação discurso/repertório e quanto mais se estimula o surgimento de um discurso visual próprio no aluno, mais este vai desenvolver seu repertório. Atua como professor desde meados da década de 60. Inicia-se nesta atividade quando era assistente de Wesley Duke Lee e o substitui como professor de desenho. Deu aula de desenho de observação em cursinhos universitários por 20 anos, entre 1964 e 1984. Oferece cursos sobre imagem em seu ateliê desde a década de 70 até hoje, o desenho é dado para estimular o raciocínio visual e como suporte teórico são lidos textos de pensadores como Giorgio Agamben, Walter Benjamin, Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Georges Didi-Huberman, Friederich Nietzsche, Aby Warburg, entre outros. Apresentou, também, os cursos Pensamento Visual e Imagem na Superfície no SESC Pompéia.

Escola BrasilEditar

Funda o Centro de Experimentação Artística Escola Brasil: (1970-74) com Frederico Nasser, José Resende e Luiz Paulo Baravelli. O programa da escola promove o desenvolvimento do fazer artístico em bases não acadêmicas, com exercícios de ateliê e contato estreito e individualizado entre os diversos participantes com a consciência de que o aprendizado é uma troca que se dá entre iguais.

Universidade de São PauloEditar

Torna-se professor do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 1998, onde leciona desenho, pintura e instalação, e, orienta pesquisas. Em seus cursos, a produção discente e sua discussão seguem paralelas à reflexão a partir das obras, imagens e textos de e sobre artistas, como Marcel Duchamp, Kasimir Malevich, Piet Mondrian, Constantin Brancusi, Andy Warhol, Hélio Oiticica, Robert Smithson, Donald Judd, Gerhard Richter, Hiroshi Sugimoto entre outros. Em 1998, com um ensaio fotográfico, defende tese de doutoramento em poéticas visuais A profundidade e a Superfície, também na Universidade de São Paulo.

ExposiçõesEditar

XXXIX e XLV Bienal de Veneza (1978 e 1993)

9ª, 16ª, 19ª, 25ª e 29ª Bienal de São Paulo (1967, 1981, 1987, 2002 e 2010)

1ª e 5ª Bienal do Mercosul (1997 e 2005)

Arte/Cidade - Cidade sem Janelas (1994)

ArteCidadeZonaLeste (2002)

Individuais

Pinturas. Galeria Luisa Strina, em São Paulo (1978). Fotografia, xerox, desenho.

Galeria Luisa Strina, em São Paulo (1980). Carlos Fajardo.

Galeria Luisa Strina, em São Paulo (1983).

Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo (1984, 1989, 1991 e 2005).

Fajardo. Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, em São Paulo (1984).

Fajardo. Museu de Arte Moderna do Rio Janeiro, no Rio de Janeiro (1984).

Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro (1984).

Ciclo de Esculturas. Galeria Sérgio Milliet - FUNARTE, no Rio de Janeiro (1987).

Galeria Usina Arte Contemporânea, em Vitória (1988).

Capela do Morumbi, em São Paulo (1991).

Projeto Arte Brasileira Contemporânea.

Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre (1992).

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Pelotas (1992).

Esculturas. Centro de Estudos Brasileiros - Embaixada do Brasil, em Assunção, Paraguai (1992).

Galeria Millan, em São Paulo (1992, 1996 e 2000).

A.S. Studio, em São Paulo (1997).

POÉTICAS VISUAIS: A PROFUNDIDADE E A SUPERFÍCIE. Paço das Artes, em São Paulo (1998).

Galeria de Arte e Pesquisa do Centro de Arte - Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória (1999).

POÉTICA DA DISTÂNCIA. Pinacoteca do Estado de São Paulo, em São Paulo; Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador; Museu de Arte Moderna do Rio Janeiro, no Rio de Janeiro; Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhãoes, no Recife; Museu de Arte do Rio Grande do Sul Aldo Malagoli, em Porto Alegre (2003).

Dan Galeria, em São Paulo (2003).

Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo (2005).

Galeria Marilia Razuk, em São Paulo (2009). CINEMA MUDO. Galeria Baró, em São Paulo (2010).

TÊNUE. Galeria Raquel Arnaud (2011).

NO MEIO DO VÃO. SESC Belenzinho (2012).

NO ABERTO. Galeria Raquel Arnaud (2014).

ESPELHO NO ESPELHO. Instituto Ling, em Porto Alegre (2017).

DENTRO. Galeria Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto (2018).

DIÁFANO. Museu Oscar Niemeyer [MON], Curitiba (2018).

PublicaçõesEditar

SALZSTEIN, S. Fronteiras. Itaú Cultural, 2006.

FAJARDO, Carlos; PAPPALARDO, Arnaldo; SALZSTEIN, Sônia. "Carlos Fajardo". São Paulo, 2003.

FAJARDO, Carlos; SALZSTEIN, Sônia. "Carlos Fajardo: Poética da Distância". São Paulo, 2003.

Prêmio e BolsasEditar

2002 - contemplação do projeto Poética da Distância, Petrobras.

1995 - Prêmio Price-Waterhouse / Panorama da Arte Brasileira, MAM-SP.

1989 - Bolsa Vitae de Artes, Fundação Vitae.

1987 - Bolsa Ivan Serpa, FUNARTE.

ColeçõesEditar

Possui obras em inúmeras coleções públicas e privadas, dentre elas: Coleção de Arte da Cidade de São Paulo, Instituto Figueiredo Ferraz em Ribeirão Preto (IFF), Itaú Cultural, Museu de Arte Contemporânea de Campinas José Pancetti (MACC), Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães no Recife (MAMAM), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), Museu de Arte do Rio Grande do Sul Aldo Malagoli em Porto Alegre (MARGS), e, Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Referências

Ligações ExternasEditar