Carlos Fino

jornalista português

Carlos Fino (Lisboa, Portugal, 1948) é um jornalista português desde 1970, que atualmente se encontra aposentado da vida jornalística.

Carlos Fino
Nascimento Portugal 1948
Lisboa, Portugal
Ocupação Jornalista
Educação Superior
Cônjuge(s) Elaine Amorim
Filho(s) Paulo Alberto Fino (1976) e Carlos Manuel Fino (1988)
Nacionalidade Portugal Portugal
Atividade 1970 - presente
Trabalhos notáveis - "A Guerra em Directo" - Editorial Verbo, Lisboa, 2003;

- "A Guerra ao Vivo" - Editorial Verbo Brasil, São Paulo, 2004;

- "A (in)comunicação Portugal-Brasil: raízes do estranhamento" - tese de doutoramento em Ciências da Comunicação - UMinho, Braga, Abril de 2019.

BiografiaEditar

Carlos Fino é um jornalista internacional português, nascido em Lisboa, em 1948.

No início da década de 70, perseguido pela polícia política portuguesa PIDE, devido à sua participação no movimento estudantil (foi membro da Direção da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa) e no movimento da Oposição democrática ao regime salazarista, Carlos Fino abandona clandestinamente o País, dirigindo-se para Paris.

Mais tarde, segue para Bruxelas, onde obtém o estatuto de refugiado das Nações Unidas e cursa Direito na ULB (Université Libre de Bruxelles) e daí para Moscovo, cidade em que começa a sua carreira profissional, trabalhando como locutor de rádio internacional e tradutor.

Em 1974, regressa a Portugal, onde trabalha na agência Nóvosti e começa a colaborar com vários jornais nacionais e com a antiga Emissora Nacional (EN).

Em finais de 1975, volta a Moscovo, agora na qualidade de correspondente credenciado da EN, antecessora da RDP - Rádio Difusão Portuguesa. Entretanto, começa a colaborar também com a RTP, televisão pública portuguesa, para a qual assegura a cobertura dos Jogos Olímpicos de Moscovo de 1980.

É ao serviço da RTP que Carlos Fino atinge o auge da sua carreira, tendo sido, nos anos 1980, repórter, repórter parlamentar, comentador, apresentador de diversos serviços noticiosos, correspondente internacional e correspondente de guerra.

Em 1989, sempre ao serviço da RTP, Carlos Fino ruma de novo a Moscovo, onde abre e dirige a delegação da televisão pública portuguesa e cobre toda a transformação que haveria de conduzir ao colapso da URSS e ao fim dos regimes comunistas da Europa de Leste. Foram dele as reportagens sobre as quedas dos regimes e primeiras eleições democráticas na Roménia, Bulgária, antiga Checoslováquia, RDA, Polónia e Hungria .

Além de Moscovo, Carlos Fino foi ainda correspondente e chefe da delegação da RTP em Bruxelas (1995-1998) e em Washington (1998-2000).

Regressado a Lisboa no ano 2000, Carlos Fino foi sub-diretor de Informação, coordenador e apresentador do Jornal 2, considerado o jornal de referência da estação.

Como correspondente de guerra, Carlos Fino assegura, no início dos anos 90, a cobertura de diversos conflitos na periferia da ex-URSS: Abkhásia, guerra civil da Geórgia, Nagorno-Karabakh (enclave sob domínio arménio na república do Azerbaijão), Moldávia (conflito da Trans-Dniéstria) e Chechênia. Cobriu também a entrada dos mujahideen em Cabul (1992), depois da retirada das tropas soviéticas.

Ainda nesta qualidade, nos anos 2000, assegura a cobertura dos conflitos do Médio-Oriente (ocupação israelita dos territórios palestinos), guerra civil na Albânia, Afeganistão (ataque norte-americano contra os Taliban depois do atentado às torres gémeas, em Nova Iorque) e última Guerra do Iraque (2003).

Pela excelente repercussão mediática que a cobertura da RTP no Iraque teve no Brasil (via RTP Internacional e TV Cultura de São Paulo), Carlos Fino foi convidado, a seguir ao conflito, a deslocar-se àquele país, onde proferiu palestras nas Faculdades de Comunicação de várias universidades, designadamente Fortaleza, Natal, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Na capital brasileira, Carlos Fino foi recebido no Planalto pelo Presidente Lula, integrando o primeiro grupo de correspondentes internacionais a avistar-se com o então recém-eleito chefe de Estado brasileiro.

Em 2004, Carlos Fino publica, com a chancela da Verbo, "A Guerra em Directo", livro em que passa em revista a sua experiência como repórter de guerra em diferentes cenários. O livro, que foi "best-seller" em Portugal, teve edição brasileira sob o título "A Guerra ao Vivo".

Entre 2004 e 2012, Carlos Fino foi conselheiro de imprensa da Embaixada de Portugal no Brasil, tendo, no âmbito dessas responsabilidades, mantido um programa de rádio semanal na Brasília Super-Rádio FM e participado, como consultor e apresentador (juntamente com o jornalista brasileiro Paulo Markun) de uma série de 13 programas de televisão - "Lá e Cá" - uma co-produção da TV Cultura de São Paulo com a RTP2.

Ao longo da sua carreira de quase quatro décadas como comunicador, Carlos Fino foi distinguido com diversos prémios, entre os quais se destacam o Grande Prémio de Jornalismo do Club Português de Imprensa (1994), pela cobertura do colapso dos regimes comunistas e da primeira guerra da Chechénia, o Troféu Gazeta de Mérito do Clube de Jornalistas (2003/2004) pela cobertura da Guerra do Iraque e um Reconhecimento pela National Academy of Television Art and Sciences, de Nova Iorque, pela cobertura da guerra no Afeganistão. Em 2004, o jornalista foi condecorado pelo Estado português com a Ordem do Infante D. Henrique no grau de Comendador e distinguido com o título de Cidadão Honorário de Brasília.

Carlos Fino, que se aposentou em 2013, costuma ser lembrado como "aquele repórter do furo mundial", por ter sido o primeiro a anunciar, com imagens ao vivo, o bombardeamento de Bagdade na última Guerra do Golfo (2003), levando a televisão pública portuguesa RTP a superar estações concorrentes muito mais poderosas, como a CNN, a BBC e a SKY. Na altura, o jornal Correio Braziliense titulou na primeira página: "Fino, o português que furou a CNN".

Reconhecendo o valor da sua larga experiência como jornalista - repórter, correspondente internacional e correspondente de guerra, a Universidade de Brasília (UnB) atribuiu a Carlos Fino, em Novembro de 2013, o título de "Notório Saber" em Comunicação, que no Brasil é legalmente equiparado a um doutorado.

Entre 2013 e 2018, já aposentado, Carlos Fino estudou nas universidades do Minho - UMinho (Portugal) e Brasília - UnB (Brasil), tendo concluído o seu doutoramento em Ciências da Comunicação no dia 29 Abril de 2019, em Braga. A tese que defendeu perante um júri universitário misto luso-brasileiro - "A (in)comunicação Portugal-Brasil: raízes do Estranhamento" - foi aprovada com distinção.

RTP1Editar

RTP2Editar

LivrosEditar