Carlos I de Bourbon (cardeal)

Carlos (I) de Bourbon
Cardeal da Igreja Católica
Retrato do Cardeal Carlos I de Bourbon, castelo de Beauregard, galeria dos ilustres, Século XVII
Ordenação e nomeação
Cardinalato
Criação 9 de janeiro de 1548
por Papa Paulo III
Ordem Cardeal-diácono
Título S. Sisto (1549-1561)
S. Crisógono (1561-1590)
Lema Auctor ego audendi
Dados pessoais
Nascimento La Ferté-sous-Jouarre, Reino de França
22 de setembro de 1523
Morte Fontenay-le-Comte, Reino de França
9 de maio de 1590 (66 anos)
Progenitores Mãe: Francisca de Alençon
Pai: Carlos de Bourbon, Duque de Vendôme
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Carlos I de Bourbon (em francês: Charles I de Bourbon; 22 de setembro de 1523 - 9 de maio de 1590), proclamado rei de França como Carlos X pela Liga católica, cardeal de Vendôme, foi um príncipe de sangue francês da Casa de Bourbon. Ao longo da sua carreira eclesiástica, torna-se abade de mais de vinte abadias. A acumulação destes benefícios faz dele um dos mais ricos príncipes da Europa[1]

Dotado de carácter e de inteligência, foi um personagem importante das Guerras religiosas na França. Em 1585, a Liga católica impõe-no ao rei Henrique III de França como herdeiro da coroa de França no lugar do seu sobrinho protestante, o futuro Henrique IV de França. Aquando dos Estados Gerais de 1588-1589, em Blois, ele é detido por ordem do rei. Com a morte deste último, estando ele ainda detido, é reconhecido pelos membros da Liga como o único e legítimo rei de França, sendo proclamado pelo Parlamento de Paris sob o nome de « Carlos X » em 1589.

Morre no ano seguinte com a idade de sessenta anos.

FamíliaEditar

Nascido a 22 de setembro de 1523 em La Ferté-sous-Jouarre, era filho de Carlos de Bourbon, Duque de Vendôme e da sua esposa, Francisca de Alençon, Duquesa de Beaumont. O seu irmão mais velho era António de Bourbon, pai de Henrique IV de França. E um dos seus irmãos mais novos foi Luís I, Príncipe de Condé.

Era também sobrinho-neto do Cardeal Carlos II, Duque de Bourbon, sobrinho do Cardeal Luís de Bourbon-Vendôme e tio do Cardeal Carlos II de Bourbon[1].

Teve um filho ilegítimo, Nicolau Poulain[1].

BiografiaEditar

Início de carreiraEditar

Ele inicia a sua carreira como clérigo na Catedral de Meaux. Foi eleito Bispo de Nevers em 5 de julho de 1540, mas resigna ao lugar a 5 de maio de 1546. Transferido para o bispado de Saintes em 23 de janeiro de 1544, resigna também a este último posto a 19 de março de 1550[1].

CardinalatoEditar

É ordenado Cardeal no consistório de 9 de janeiro de 1549 pelo Papa Paulo III, recebe o título de São Sisto em 25 de janeiro de 1549. Participa no conclave de 1549/1550 que elege o Papa Júlio III[1].

Pela morte de Martín de Saint-André, é designado administrador do bispado de Carcassonne de 9 de março de 1550 a 15 de dezembro de 1553. Retoma essa posição a 4 de outubro de 1565 onde permanece até 1567. A 3 de outubro de 1550, é promovido a Arcebispo de Ruão[1] cargo onde permanece até falecer. Na mesma época é nomeado Abade comendador da Abadia de Saint-Ouen de Ruão.

Em 1551, é nomeado tenante-general do governo de Paris e da Île-de-France[1].

Participa nos conclaves de 1555, o primeiro que elege Marcelo II, e o segundo que elege Paulo IV[1].

É nomeado Abade comendador da Abadia de Notre-Dame du Tronchet de 1556 à 1558, da Abadia de Corbie, a partir de 1557[1] e da Abadia de Saint-Wandrille de Fontenelle de 1569 à 1578, bem como da Abadia de Bourgueil[2].

Não participa no conclave de 1559 que elegeu Pio IV. A 15 de janeiro de 1561, torna-se cardeal de São Crisógono[1]. Em contrapartida, está presente nos Estados Gerais de 1560, em Orleães.

Assiste ao famoso Colóquio de Poissy de 1561, organisado por Michel de L'Hospital. A partir de 1562, torna-se abade comendador de Saint-Germain-des-Prés[1].

Em 1556, acompanha o rei Carlos IX de França na sua viagem a Baiona. Nesse ano, torna-se legado papal em Avinhão. Volta a não participar no conclave de 1565/1566 que elege Pio V.

A 26 de agosto de 1569, administra a Diocese de Beauvais. A esse título, torna-se Conde e Par de França. Ele resigna a 24 de agosto de 1575 e não participa no conclave de 1572 que elege Gregório XIII.

Em 1573, os laicos pretendiam abolir os previlegios universitários mas, a intervenção do Cardeal de de Bourbon, viria a salvaguardar esses direitos. Em 1574, torna-se Abade comendador de Jumièges e, já em 1580, preside à Assembleia geral do Clero de França, em Melun. Não participa no conclave de 1585 que elege Sixto V[1].

Preside ao Concílio de Ruão de 1581.

As guerras de religiãoEditar

 
O palácio que o Cardeal fez construir na Abadia de Saint-Germain-des-Prés (Paris).

Durante as guerras de religião, ficou dividido entre a sua fidelidade ao Pape e a defesa da sua família que, em parte, se convertera ao protestantismo. Apoia a luta contra a nova religião e empreendeu, por vezes com sucesso, manter no catolicismo os príncipes da sua família.

No seio da coroa, ele ocupa uma posição frágil dada a adesão dos seus irmãos à Reforma protestante. Apesar de apoiar ativamente a luta contra os protestantes, na corte ele defende sempre os interesses familiares contra as outras casas rivais (Guise e Montmorency). Assim que o seu irmão mais novo, Luís, Príncipe de Condé, é detido por ordem pessoal de Francisco II de França, ele atira-se em lágrimas aos pés do rei para implorar a sua clemência (1560). Muito ligado à religião tradicional, ele tem, por muito tempo, a esperança de trazer de volta os membros da sua família ao catolicismo. Embora parcialmente, o seu objectivo é atingido com o seu irmão mais velho, o rei de Navarra, e depois, após o Massacre da noite de São Bartolomeu, com os filhos mais novos do príncipe de Condé.

Assíduo na vida de Corte, e dado o seu estatuto de Príncipe de sangue, ele é sempre colocado em primeiro plano nas grandes cerimónias. A sua presença no seio do Conselho Real est un gage de légitimité pour un gouvernement en manque de reconnaissance. Como os outros Bourbon católicos (La Roche-sur-Yon e Montpensier), ele é um familiar da rainha Catarina de Médici. Homem fraco e reputado como de espírito simples, a rainha-mãe gosta de o utilizar, levando-o frequentemente nas suas viagens, nomeadamente para servir de contacto privilegiado com os príncipes revoltados da sua família.

A 18 de agosto de 1572, é ele que celebra o casamento do seu sobrinho, Henrique, rei de Navarra, com a princesa Margarida de Valois na Catedral de Notre-Dame de Paris.

É o primeiro comendador da Ordem do Espírito Santo, com a primeira promoção de 31 de dezembro de 1578.

A 13 de março de 1580, ele sacra [3] como Arcebispo-Duque de Reims Luís II de Lorena, chamado Cardeal de Guise. No mesmo ano oferece aos Jesuítas o Hôtel de La Rochepot, que viria a albergar a sua casa professa a que chamaram "Convento dos Grandes Jesuítas"[4].

O rei Carlos X da LigaEditar

Carlos (X) de Bourbon
 
Medalha de "Carlos X" cunhada pela Liga, ca. 1589
Herdeiro presuntivo do trono de França
Reinado de 18 de julho de 1585
a 24 de dezembro de 1588
Antecessor(a) Henrique III, rei de Navarra
Sucessor(a) Henrique III, rei de Navarra
 
Casa Casa de Bourbon
Nascimento 22 de setembro de 1523
  La Ferté-sous-Jouarre, Reino de França
Morte 9 de maio de 1590 (66 anos)
  Fontenay-le-Comte, Reino de França
Pai Carlos de Bourbon, Duque de Vendôme
Mãe Francisca de Alençon
Religião Catolicismo

Em 1584, com a morte de Francisco, Duque de Anjou, os membros da Liga consideram o Cardeal como o herdeiro ao trono de França, excluindo da sucessão todos os protestantes.

Em 1588, durante a segunda assembleia dos Estados Gerais de 1588-1589, realizada em Blois, o rei Henrique III de França manda-o prender. Ele é detido primeiro em Tours depois a Fontenay-le-Comte. Após o assassinato de Henrique III em 1589, o duque de Mayenne proclama-o rei de França sob o nome de Carlos X. A 5 de março de 1590, o Parlamento de Paris reconhece-o como legítimo rei de França[1]. Durante esse período em que ele está sempre prisioneiro no castelo de Fontenay, ele envia uma carta ao seu sobrinho, Henrique IV, que o reconhece como rei legítimo.

Morre a 9 de maio de 1590. As suas cinzas reposam no jazigo familiar da igreja de Nossa Senhora da Boa Esperança[5] em Aubevoye, que ele fundara em 1553. O edifício, veio a ser destruído pelo fogo em 1764, e a laje de mármore, que cobria o seu túmulo, foi transferida para a Igreja de São Jorge de Aubevoye, onde se encontra atualmente.

À partir do inicio de 1590, os seus partidários fazer cunhar moeda em seu nome, nomeadamente Écus de ouro, quartos e oitavos de Écus de prata. A divisa latina dessas moedas proclama "Carlos X pela graça de Deus, Rei de França 1595[6][7].

Heráldica e divisaEditar

O cardeal usava um brasão de Azure, com três flores de lis de Or, com uma vara em banda de Gules[8] [9]

Como divisa era usado : em latim: Auctor ego audendi (« Eu garanto a tua audácia »), fórmula pronunciada (no femenino) pela deusa Juno, na Eneida, de Virgilio (Livro XII, Vol. 159). Pode-se também traduzir mais literalmente por : « Sou o autor daquele que é ousado ».

AscendênciaEditar

ReferênciasEditar

  1. a b c d e f g h i j k l m The Cardinals of the Holy Roman Church: Consistory of January 9, 1548 (XI).
  2. Revue de l'Anjou et de Maine et Loire, p. 132.
  3. "catholic-hierarchy"
  4. em francês: Couvent des Grands Jésuites
  5. em francês: Notre-Dame de Bonne-Espérance
  6. em latim: CAROLUS X D.G FRANC REX 1595
  7. (em francês) Salaün, Gildas - Charles X de la Ligue, le Roi oublié, in Monnaie magazine, Março de 2018, issn=1626-6145
  8. "Bunel archevêques de Rouen"
  9. "Armorial Saint Esprit 5"

BibliografiaEditar

  • (em francês) Saulnier, Eugène - Le rôle politique du cardinal de Bourbon Charles X, 1523-1590, Éditions Honoré Champion, Paris, 1912, http://www.persee.fr/doc/bec_0373-6237_1915_num_76_1_460816_t1_0171_0000_002, https://archive.org/stream/lerlepolitique00sauluoft .
  • (em inglês) Baumgartner, Frederic J. - The Case for Charles X - The Sixteenth Century Journal - Vol. 4, N.º 2, Outubro de 1973.
  • (em inglês) Popoff, Michel - Armorial de l'Ordre du Saint-Esprit - d'après l'œuvre du père Anselme et ses continuateurs, Éditeur Le Léopard d'or, Paris, 1996, isbn=2-86377-140-X.
  • (em francês) Brunel, Arnaud - Armorial illustré des archevêques de Rouen, 2010, Vol. 1.1.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar


|-

Precedido por
Juan Álvarez y Alva de Toledo
 
Cardeal presbítero de São Sisto

1549-1561
Sucedido por
Philibert Babou de La Bourdaisière
Precedido por
Jean de Bertrand
 
Cardeal presbítero de São Crisógono

1561-1590
Sucedido por
Domenico Pinelli
Precedido por
Alexandre Farnésio
 
Legado papal em Avinhão

1565-1585 (com Jorge de Armagnac)
1585-1590 (sózinho)
Sucedido por
Vacante
Títulos reais
Precedido por
Francisco, Duque de Anjou
 
Herdeiro católico do trono de França

1584-1590
Sucedido por
Francisco, Príncipe de Conti


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