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Carmela Dutra

17.ª Primeira-dama da República Federativa do Brasil
Carmela Dutra
Carmela Dutra em 1944.
17.ª Primeira-dama do Brasil
Período 31 de janeiro de 1946
até 9 de outubro de 1947
Presidente Eurico Gaspar Dutra
Antecessor Luzia Linhares
Sucessor Darcy Vargas
Dados pessoais
Nascimento 17 de setembro de 1884
Rio de Janeiro, Município Neutro
Morte 9 de outubro de 1947 (63 anos)
Rio de Janeiro, Distrito Federal
Nacionalidade Brasileira
Cônjuge José Pinheiro Cintra (1904–1911)
Gaspar Dutra (1914–1947)

Carmela Teles Leite Dutra (Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1884Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1947) foi a primeira-dama do Brasil, de 31 de janeiro de 1946 até a sua morte, tendo sido a esposa de Eurico Gaspar Dutra. Era, carinhosamente, chamada de Dona Santinha.

BiografiaEditar

Nascida na Ilha do Governador, Carmela era filha de Manoel Antonio Leite, grande proprietário na Ilha do Governador, e de sua esposa Emília Teles Leite.[1][2]

Educação e docênciaEditar

Concluiu seus estudos primários no Colégio Souza, ingressando posteriormente na Escola Normal do Distrito Federal e obtendo o diploma de professora, tendo seguido por longos anos o magistério.[3] Em novembro de 1911, Carmela Teles Leite trabalhou para a então prefeitura do Distrito Federal e para o Colégio Estadual Ferreira Viana, tendo sido também vice-diretora do Instituto Profissional Orsina da Fonseca.[1][4]

Carmela continuou exercendo sua profissão de docente durante algumas turbulências na década de 1920, período em que os educadores católicos pregavam a recristianização do país, contrário ao desenvolvimento dos defensores do Movimento da Escola Nova que defendiam a educação laica em um Estado laico.[1]

Aos poucos foi conquistando a simpatia de militares e foi convidada algumas vezes para se fazer presente na entregar as chaves e inaugurar casas da recém-criada Vila dos Sargentos, um espaço na Vila Militar, no bairro de Deodoro da Fonseca.[1]

Primeiro casamentoEditar

No dia 8 de dezembro de 1904, ela desposou José Pinheiro de Ulhôa Cintra, com quem teve dois filhos, Carmelita (esposa do político Luís Novelli Júnior) e José (que se tornou general-de-divisão).[5] Seu marido era parente do jornalista e político Delfino Pinheiro de Ulhoa Cintra Júnior e do irmão deste, o barão de Jaguara.

Segundo casamentoEditar

No dia 19 de fevereiro de 1914, Carmela, que ficara viúva, casou-se com o então segundo-tenente Eurico Gaspar Dutra, com quem também teve dois filhos, Emília (esposa do político Mauro Renault Leite) e Antônio (militar e empresário).

Participação ativa em campanhasEditar

O Estado Novo caiu em derrocada, tendo levado ao fracasso o primeiro governo Vargas. Com isso, Getúlio indicou seu ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, como seu sucessor direto. Carmela teve uma atuação plausível, gerando uma grande confiança no povo brasileiro. Com isso, recebeu uma homenagem em 16 de janeiro de 1946, dias antes da posse de seu esposo na Presidência da República:[1]

"Exma. Sra.

As mães, esposas, filhas, irmãs e noivas de todos os fiscais aduaneiros que servem o Brasil não podiam olvidar V. Exa. nesta hora difícil de nossa Pátria.

Difícil porque um vendaval de egoísmo, de materialismo, de desordem moral e social sacode o edifício da Família como que querendo fazê-lo aluir.

A infiltração no espírito de nosso povo de doutrinas que se afastam por completo dos princípios que tiveram por berço o Calvário encontrou no seio da Família Brasileira ambiente propício, graças às graves crises que afligem a Humanidade desde a Grande Guerra de 14 e que se agravaram assustadoramente com a última hecatombe que a arrasou material, moral e espiritualmente. (...)

E a vós, Exma. Sra., as nossas mães, as nossas esposas, as nossas filhas, irmãs e noivas confiam o destino religioso da Família Brasileira.

Confiam no vosso exemplo de esposa, de mãe, de brasileira e de cristã.

Estão certas de que as fervorosas preces de V. Exa. junto a essa imagem que vos oferecem conseguirão salvar nossa terra, salvar o nosso amado Brasil, desse dilúvio de descrença, de materialismo que cobre a Humanidade e ameaça nossa Pátria, no que ela possui de mais rico, de mais precioso: a Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo."

Primeira-dama do BrasilEditar

Tornou-se primeiro-dama do Brasil com a posse de Eurico Gaspar Dutra em 31 de janeiro de 1946, aos sessenta e seis anos de idade.

Fervorosamente católica e influente sobre o marido, Dona Santinha foi responsável, como primeira-dama, por dois acontecimentos marcantes: a proibição do jogo no Brasil, em abril de 1946, e a extinção do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em maio de 1946. Em 1948, os representantes do partido tiveram seus mandatos cassados.

No papel de primeira-dama que exerceu por pouco tempo, esteve envolvida em ações sociais como a Campanha de Assistência aos Filhos de Tuberculosos, a Cruzada de Proteção aos Lázaros, na assistência as instituições do ensino infantil e as populações sertanejas, além de ter ficado à frente da Legião Brasileira de Assistência que, sob seu comando, mudou seu escopo:[6]

"Art. 3º. A LBA tem por principal finalidade a defesa da maternidade e da infância através da proteção à família, procurando por todos os meios a racionalização de diretrizes e de ação tendentes a um perfeito aproveitamento da assistência social em suas diversas formas. (Boletim..., n.18, março.1946, p.1)."

 
Carmela com a então primeira-dama da Argentina, Eva Perón.

Recebeu a primeira-dama da Argentina Evita Perón, no dia 16 de agosto de 1947, no Salão Amarelo do Palácio do Catete, junto ao Presidente Gaspar Dutra, com a presença do ministro das Relações Exteriores Raul Fernandes, dos ministros do Gabinete Civil José Pereira Lira, do Gabinete Militar Álcio Souto e demais membros. Ouve uma missa no dia seguinte na Igreja da candelária, tendo recebido manifesto de boas vindas por meio do povo brasileiro. A noite, uma recepção na residência de Roberto e Stella Marinho no Cosme Velho, com a presença de diversos políticos e pessoas do meio social do país.[7]

Em 30 de setembro de 1946, inaugurou-se a capela situada nos jardins do Palácio da Guanabara, que foi construída a seu pedido, através das sobras de campanha eleitoral. A Capela Santa Terezinha, como é chamada, foi oferecida à Nação.[8]

MorteEditar

No dia 28 de setembro de 1947, a primeira-dama foi internada no Hospital Central da Aeronáutica, por conta de uma crise intensa de apendicite.[9] Carmela faleceu às duas horas da manhã do dia 9 outubro de 1947, aos sessenta e três anos de idade. A causa da morte foi um suposto erro médico. O corpo foi levado para a Capela Santa Terezinha, no Palácio da Guanabara e sepultado no Cemitério de São João Batista.[3][10]

HomenagensEditar

Levam seu nome:

Referências

  1. a b c d e http://educacaopublica.cederj.edu.br/revista/artigos/santinha-uma-breve-biografia-de-dona-carmela-dutra
  2. http://www.saude.rio.rj.gov.br/servidor/cgi/public/cgilua.exe/web/templates/htm/v2/view.htm?infoid=1053&editionsectionid=110
  3. a b «:::[ DocPro ]:::». memoria.bn.br. Consultado em 10 de junho de 2019 
  4. O jornal O Paiz, um dos principais periódicos do país desde o século XIX, foi fechado pelo movimento revolucionário de 1930. Entrou em circulação novamente no período varguista, sendo encerrado definitivamente em 1934.
  5. http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/verbetes_htm/1790_20.asp
  6. http://www.encontro2016.sp.anpuh.org/resources/anais/48/1467688889_ARQUIVO_texto_completo_anpuhsp_2016.pdf
  7. «:::[ DocPro ]:::». memoria.bn.br. Consultado em 11 de junho de 2019 
  8. http://www.pitoresco.com.br/historia/republ302.htm
  9. A Manhã, 30 de setembro de 1947, p. 2. Disponível em: www.hemerotecadigital.bn.br
  10. Tribuna Popular, 10 de outubro de 1947, p. 1. Disponível em: www.hemerotecadigital.bn.br.
  11. https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/educacao/pedagogia/as-normalistas-chegam-ao-suburbio-46326646

Ver tambémEditar

 
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17.ª Primeira-dama do Brasil
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Darcy Vargas