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Carmona retusa, conhecida vulgarmente como carmona, chá de Filipinas, chá de Fukien ou arbusto escorpião,[2] e em chinês como ji ji shu,[3] é uma espécie de arbusto perenifólio da família Boraginaceae.[2][4]

Como ler uma caixa taxonómicaCarmona retusa
Folhas, flores e frutos

Folhas, flores e frutos
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Lamiales
Família: Boraginaceae
Género: Carmona
Espécie: C. retusa
Nome binomial
Carmona retusa
(Vahl) Masam.[1]

Oriundo do sudeste Asiático e Austrália, o arbusto é uma espécie altamente valorizada como bonsais por causa de sua resistência, folhas pequenas e numerosas flores brancas, sendo também usado na medicina tradicional filipina. Em pouco tempo, ocorreram diversas descobertas médicas significativas em relação aos produtos químicos presentes na espécie.

Índice

Etimologia e descriçãoEditar

A palavra vem do latim: retusus-a-um, que se traduz como retuso, emarginado, dividido em dois; em relação ao vértice da folha.[2][5]

A espécie é um arbusto ou uma pequena árvore de 1 a 3 metros de altura com ramos finos, que quando jovens são um pouco hirsutos, e casca castanha. Suas folhas são perenes coriáceas, dispostas em fascículos de dois a três, a lâmina é obligulada ou espatulada com 1,5-4 x 1-2,5 centímetros com o ápice agudo, obtuso ou redondeado;[2][5] a base decorre em um pecíolo curto de 1 a 5 milímetros de comprimento e a margem é proporcionada com 3 a 5 dentes largos na parte apical. A espécie é pelosa quando jovem, mas escamada pelo feixe na maturidade.[2][5]

As flores são sésseis ou muito brevemente pediceladas e estão dispostas em cima dos escorpioides de 3 a 12 unidades, ramificadas ou não. O cálice de 3 a 6 milímetros de comprimento é dividido quase na base em 4 ou 5 lóbulos de linear a lanceolado. A corola é rotativa ou campanulada e possui uma cor branca, mas às vezes possui uma coloração avermelhada, medindo de 8 a 10 milímetros de diâmetro com 4 ou 5 lóbulos de 3 a 5 milímetros de comprimento. O fruto globoso, quando maduro, possui uma coloração laranjada ou acastanhada com o pericarpo fino e uma semente no interior, medindo no total de 4 a 6 milímetros. A propagação é feita por meio de sementes ou reprodução clonal de madeira ramiverde na primavera ou no verão.[2][3][4][5]

Distribuição e habitatEditar

 
Carmona retusa em um canteiro na Ilha de Okinawa, Japão.

A espécie é nativa do sul e leste da Ásia e Austrália, respectivamente. Encontra-se distribuída pela Índia, Sri Lanka, Indochina, sul da China, Taiwan e Japão,[6] a área biogeográfica da Malásia, além do território australiano de Ilha Christmas e Península do Cabo York, chegando em Nova Guiné e Ilhas Salomão.[3][4]

Tornou-se uma erva invasiva no Havaí, onde é uma planta ornamental muito popular; acredita-se que as sementes são propagadas por pássaros frugívoros. Na Península do Cabo York, forma matagal semi-perenes. Na Ilha Christmas, cresce nas áreas secas dos terraços marinhos e também é encontrada em florestas úmidas.[7]

Pragas e doençasEditar

Carmona retusa é uma espécie sensível a aranhas vermelhas, pulgões, cloroses, insetos-escamas e lesmas. Ela também é sensível aos inseticidas, sendo preferível o uso de tratamentos naturais. A queda das folhas reflete a falta de água, enquanto a cor amarela nas folhas é indicativa de um excesso de irrigação. Esta espécie é suscetível à podridão radicular, especialmente quando o substrato não é adequado e pode ser afetado pela doença do bolor.[4][8]

UsosEditar

A espécie é usada para formar coberturas se for bem podada. Além disso, a espécie também é usada como bonsai e penjing, sendo muito popular na China e no Japão. Nas Filipinas, suas folhas são infundidas com fins medicinais para tratar tosse, cólica, diarreia e disenteria, sendo facilmente encontradas em estabelecimentos alimentícios na forma de comprimidos e saquetes de chá.[2][4]

BonsaiEditar

 Ver artigo principal: Bonsai

Carmona retusa é uma espécie muito comum para bonsai devido à facilidade de cultivo. O substrato deve consistir em 65% de akadama, 25% de solo e 10% de areia, excluindo areia do mar. A temperatura deve oscilar entre 15 °C e 20 °C, tornando-se uma boa planta de interior. Ela não deve receber diretamente a luz solar. A irrigação deve ser frequente, mas não excessiva, pois a espécie não resiste, resultando na podridão das raízes, que é visível pelo amarelecimento das pontas das folhas. Por outro lado, a falta de irrigação é a principal causa da morte da planta. Deve ser transplantada a cada dois ou três anos, eliminando a maior parte da argila no processo.[8]

A poda é feita no início da primavera, reduzindo os ramos para duas ou três folhas e eliminando os rebentos que aparecem no tronco e nos ramos. Não suporta a fiação, pois seus ramos são muito frágeis e podem ser antiestéticos devido à aparência de rugas; o uso de alça é preferível. A planta é resistente a agentes patogênicos, embora possa ser atacada por pulgões e insetos-escamas.[8]

MedicinaEditar

Nas folhas desta espécie, isolou-se um composto antimutagênico, cuja estrutura foi explicada por meio de uma análise espectral; é 4-hidróxi-7, 8, 11, 12, 15, 7′, 8′,11′, 12′, 15′-decahidro-β, ψ-caroteno. Os ensaios de micronúcleos realizados in vivo demonstraram que o composto isolado reduziu aproximadamente 68,4% do número de hemácias policíclicas com micronúcleos induzidos por tetraciclina, um mutagênico.[9][10]

O principal componente das folhas é uma mistura inextricável de triterpenos formados por α-amirina (43,7%), β-amirina (24,9%) e baurenol (31,4%). Esta mistura; uma dose de 100 mg/kg, inoculada em ratinhos, mostrou efeito analgésica em 51% e efeito anti-inflamatória em 20%. O teste de Kruskal-Wallis mostrou que esta mistura é tão ativa quanto o ácido mefenâmico, também demonstrou ser efetiva contra a diarreia. Demonstrando, no teste de micronúcleos, que não apresenta atividade mutagênica ou anti-mutagênica. A mistura de triterpeno foi inativa contra Escherichia coli e exibiu efeito moderado contra Staphylococcus aureus, Candida albicans e Trichophyton mentagrophytes.[11]

Referências

  1. Masamune, Genkei (1940). «Transactions of the Natural History Society of Taiwan» (em inglês). 30. Natural History Society of Taiwan. p. 61. Consultado em 1 de janeiro de 2012 
  2. a b c d e f g Trigo Pérez, López Lillo y Sánchez de Lorenzo-Cáceres, 2010, p. 427
  3. a b c Zhu, Riedl y Kamelin, 1995
  4. a b c d e Starr, Starr y Loope, 2003
  5. a b c d Australian Biological Resources Study (1993). «Carmona retusa (Vahl) Masam.» (em inglês). Flora of Australia Online. Consultado em 1 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 4 de março de 2016 
  6. Meegoda, Padmi (janeiro de 2011). «Biodiversity and Socio-economic Information of Selected Areas of Sri Lankan Side of the Gulf of Mannar» (PDF) (em inglês). União Internacional para a Conservação da Natureza, programa Sri Lanka. p. 78. Consultado em 31 de dezembro de 2011. Cópia arquivada (PDF) em 30 de abril de 2015 
  7. «Carmona (Carmona retusa (em inglês). Departamento de Sustentabilidade, Meio Ambiente, Água, População e Comunidades da Austrália. 15 de setembro de 2005. Consultado em 1 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 14 de abril de 2008 
  8. a b c «Carmona, Té de Fukien» (em espanhol). infojardin.com. Consultado em 10 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 16 de abril de 2007 
  9. Villasenor, Irene M.; Edu, Deborah A. (janeiro de 1993). «Antimutagen from leaves of Carmona retusa (Vahl) Masam.». Mutation Research/Genetic Toxicology (em inglês). 298 (3): 215-218. doi:10.1016/0165-1218(93)90043-D. Consultado em 4 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 11 de abril de 2013 
  10. Villasenor, Irene M.; Edu, Deborah A.; Bremner, John B. (1993). «Structure of an antimutagen from Carmona retusa leaves». Carcinogenesis: Integrative Cancer Research, Oxford University Press (em inglês). 14 (1): 123-125. doi:10.1093/carcin/14.1.123. Consultado em 2 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 15 de abril de 2013 
  11. Villasenor, Irene M.; Canlas, Arlyn P.; Faustino, Karen M.; Plana, Katherine G. (maio de 2004). «Evaluation of the bioactivity of triterpene mixture isolated from Carmona retusa (Vahl.) Masam leaves». Journal of Ethnopharmacology (em inglês). 92 (1): 53-56. doi:10.1016/j.jep.2004.01.017. Consultado em 4 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 11 de abril de 2013 

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar