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Castelo Belinho
Localização atual
Castelo Belinho está localizado em: Faro
Castelo Belinho
Localização de Castelo Belinho
Coordenadas 37° 12' 23.9" N 8° 33' 16.79" O
País Portugal Portugal
Região Portugal Algarve
Dados históricos
Período/era Neolítico e muçulmano
Notas
Administração Direção-Geral do Património Cultural
 Em vias de classificação
Acesso público Não
Site IGESPAR
SIPA
Portal do Arqueólogo

Castelo Belinho é uma estação arqueológica no concelho de Portimão, em Portugal, onde foram encontrados vestígios dos períodos neolítico e muçulmano.[1]

Índice

Contrafortes a Sul da Serra de Monchique, vistos da Fóia, com a cidade de Portimão ao fundo. O sítio arqueológico de Castelo Belinho está situado nas colinas à esquerda das duas albufeiras, no centro da fotografia.

DescriçãoEditar

Localização e composiçãoEditar

O sítio do Castelo Belinho está situado no Morgado do Reguengo, uma propriedade no concelho de Portimão, onde foi construído um resort turístico.[1] O sítio arqueológico situa-se a cerca de cinco quilómetros da cidade de Portimão, no sentido Norte.[2] Castelo Belinho integra-se nos contrafortes a Sul da Serra de Monchique, e está situado no meio de duas linhas de água, com a Ribeira de Boina, que está situada a cerca de um quilómetro no sentido nascente, e que vai desaguar no Rio Arade, enquanto que à mesma distância mas no sentido corre o Barranco dos Álamos, que termina na Ribeira da Torre.[2] No local de Castelo Belinho, os solos são principalmente mediterrânicos de cor vermelha, enquanto que os substratos são compostos por calcários e calcarenitos do período Miocénico.[2] Em termos de flora, encontram-se tanto espécies nativas como introduzidas, como zambujos, oliveiras, amendoeiras, alfarrobeiras e azinheiras, enquanto que a fauna local inclui aves como cegonhas.[2]

Além da antiga fortificação islâmica, foram descobertos no local vários vestígios do neolítico, incluindo objectos, cerca de vinte sepulturas, e traços de habitações, nomeadamente plantas marcadas no solo e furos para postes de madeira.[1] Nas investigações de 2004 - 2005, foram identificadas dez edifícios a partir dos seus furos para postes de sustentação, tendo o maior edifício cerca de 16 por 3 m, fazendo uma área de 48 m².[2] Também foram encontrados silos.[3] Os cadáveres foram enterrados na posição fetal nas sepulturas, em forma oval, o que pode constituir uma alusão ao útero materno, demonstrando uma crença na ressurreição.[1] Um dos corpos, de adolescente do sexo masculino, tinha os braços decorados com 22 braceletes de conchas do mar, o que, segundo Rosa Varela Gomes, prova que teria um elevado estatuto social.[1] Devido à ausência de armas, não seria um guerreiro, mas podia ter uma função ligada à magia.[1] Esta foi até então a sepultura com mais braceletes encontrada em toda a Península Ibérica.[1] Segundo as marcas encontradas no local, os edifícios seriam compridos, e suportados por uma estrutura de postes de madeira.[3]

Os vestígios muçulmanos correspondem a uma casa rural fortificada, que estava protegida por muralhas com um fosso em redor.[2]

 
Modelo de um edifício neolítico construído sobre estacas, no Museu de Landau an der Isar, na Alemanha.

HistóriaEditar

O povoado original tem cerca de 6500 anos de idade, remontando ao período neolítico.[1] Durante o período islâmico, foi construído um complexo fortificado em em cima dos vestígios primitivos, o que levou à sua parcial destruição.[2]

A zona recebeu vários topónimos ao longo da sua história, tendo o nome mais antigo encontrado sido o de Castelo do Ninho, provavelmente em referência à utilização da zona como local de nidificação de várias aves.[2]

Na Década de 1980, a arqueóloga Rosa Varela Gomes estudou o sítio de Castelo Belinho, que identificou como uma fortaleza avançada de Silves.[1] Nessa altura, ainda não se conheciam os vestígios do período neolítico, uma vez que ainda estavam enterradas.[1]

Em 1993, o Morgado do Reguengo foi adquirido pelo Grupo Espírito Santo, e criou a empresa Imoreguengo para transformar a propriedade num vasto estabelecimento de turismo, que incluía hotéis, campos de golfe e outras estruturas.[2] Desde o início das obras que se assumiu o compromisso de respeitar o património cultural no interior da propriedade, tendo sido feito um programa de pesquisas arqueológicas, coordenado por Carlos Damas, do Centro de Estudos de História do Banco Espírito Santo, com colaboração de Rosa Varela Gomes no estudo dos vestígios arqueológicos.[2] A primeira descoberta arqueológica foi feita ainda nos finais do ano 2000, quando foram encontrados dois menires durante a instalação de um campo de golfe.[1] Entre 2004 e 2005 foram feitos vários trabalhos de campo, tendo as ruínas de Castelo Belinho sido reinterpretadas como uma estrutura senhorial fortificada, que fazia parte de uma al-munya, ou seja, uma propriedade agrícola de um abastado muçulmano.[2] Ao mesmo tempo, procurou-se estudar os vestígios da aldeia neolítica, situada por baixo da estrutura muçulmana.[2] As investigações foram financiadas pela empresa Imoreguengo, que também auxiliou na resolução de vários problemas logísticos.[2]

Em 2004 e no Verão de 2005, foram feitas escavações arqueológicas em Castelo Belinho, com o apoio de alunos da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.[1] A primeira campanha arqueológica teve lugar entre 5 e 30 de Julho de 2004, tendo prosseguido em Agosto daquele ano de forma a terminar alguns desenhos.[2] Antes de se iniciarem as escavações, foi feito o levantamento topográfico da zona, e o local foi limpo de terras soltas e de vegetação, incluindo a remoção de árvores de médio e grande porte.[2] Depois iniciaram-se os trabalhos, tendo o sítio sido dividido em quadrículas de 2 x 2 m, de forma a melhor organizar o processo e facilitar o registo dos artefactos encontrados.[2]

No Verão de 2005, o arqueólogo Mário Varela Gomes afirmou que tinham sido encontrados importantes vestígios do período neolítico, podendo ser o mais importante sítio arqueológico daquele período em território nacional.[1] Estas conclusões foram confirmadas pelo historiador Carlos Damas, do Banco Espírito Santo, que defendeu a necessidade dos futuros visitantes compreenderem o espírito do local.[1] Nessa altura, previa-se a integração de Castelo Belinho num percurso conhecido como Caminhos do Património.[1]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o REVEZ, Idálio (13 de Agosto de 2005). «Povoado neolítico descoberto em "resort" de Portimão». Público. Consultado em 6 de Abril de 2019 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p GOMES, Mário Varela (2008-2009). «Castelo Belinho (Portimão, Algarve) a mais antiga aldeia do Sudoeste Peninsular (V milénio A.C.)» (PDF). Arqueologia e História. Volume 60-61. Lisboa: Associação dos Arqueólogos Portugueses / Museu Arqueológico do Carmo. p. 119-141. Consultado em 29 de Abril de 2019 
  3. a b CAPELA, Fábio (4 de Janeiro de 2018). «Muitas necrópoles e poucos povoados». Jornal de Monchique. Consultado em 6 de Abril de 2019 

Leitura recomendadaEditar

  • GOMES, Mário Varela (2008). Castelo Belinho (Algarve, Portugal) and the first Southwest Iberian Villages, Early Neolithic in the Iberian Peninsula (em inglês). Oxford: British Archaeological Reports 
  • GOMES, Mário Varela (2010). Castelo Belinho (Algarve): a ritualização funerária em meados do V milénio a.C. Promontória Monográfica. Faro: Universidade do Algarve 

Ligações externasEditar