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Castelo de Alferce
Mapa de Portugal - Distritos plain.png
Construção (Idade do Bronze)
Estilo
Conservação Mau
Homologação
(IGESPAR)
SIP
(DL Portaria n.º 429-A/2013 de 28 de Junho de 2013)
Aberto ao público Sim
Site IHRU, SIPA34026
Site IGESPAR12002901
Castelo de Alferce
Localização do Castelo
37° 19′ 17,19″ N, 8° 29′ 27,47″ O

O Castelo de Alferce, oficialmente conhecido como o Sítio Arqueológico do Cerro do Castelo de Alferce, é um monumento situado na freguesia de Alferce, parte do concelho de Monchique, na região do Algarve, em Portugal. Corresponde a uma antiga povoação fortificada, que foi habitada desde a Idade do Bronze até ao Domínio muçulmano.[1]

DescriçãoEditar

Localização e composiçãoEditar

A fortificação ocupava uma grande área no alto de um cabeço elevado, denominado de Cerro do Castelo, criando desta forma defesas naturais.[1] Este monte está situado na zona oriental da Picota, parte da Serra de Monchique.[1] A partir do alto do cerro, era possível vigiar uma grande porção de território, incluindo a Picota, a faixa litoral, as estradas de Silves a Monchique, e a bacia da Ribeira de Odelouca.[2]

O castelo possuía três ordens de muralhas.[1] A muralha exterior foi construída de forma a adaptar-se ao terreno, rodeando todo o cerro, e protegendo uma vasta área, com cerca de 2,1 Ha, de forma alongada no sentido Norte-Sul.[1] No interior existia uma segunda muralha, um reduto fortificado no centro do cerro, e uma zona residencial, que se situava a Oeste e a Norte do forte.[1] Esta fortificação situava-se no ponto mais alto do monte, tendo sido identificado como um alcácer (recinto fortificado muçulmano).[3]

ProtecçãoEditar

O Sítio Arqueológico do Cerro do Castelo de Alferce foi classificado como sítio de interesse público pela Portaria n.º 429-A/2013, de 28 de Junho, publicada no Diário da República n.º 132, Série II, de 28 de Junho de 2013.[1]

HistóriaEditar

Ocupação originalEditar

Na zona do castelo foram descobertos vestígios de ocupação principalmente em dois períodos diferentes, durante a pré-história e o domínio muçulmano.[1] A primeira fase de ocupação remonta à Idade do Bronze, entre os terceiro e segundo milénios a.C., sendo já nessa altura uma povoação fortificada.[2] A segunda fase de ocupação intensiva foi durante o domínio muçulmano, sendo provavelmente um hisn, ou população fortificada de pequenas dimensões, que apoiava o Castelo de Silves,[2] que terá sido utilizado entre o Século VIII e XI.[1]

Entre aqueles dois períodos, verificou-se uma continuidade de ocupação, descoberta muito significativa para o estudo da evolução do povoamento no Sudoeste da Península Ibérica, em duas grandes fases.[1] Na primeira fase, enquadra-se no âmbito das povoações fortificadas nos finais da Idade do Bronze, que se afirmaram como núcleos políticos e cerimoniais, a partir dos quais se organizou o território entre os finais do segundo milénio a.C. e o primeiro quartel do Século I.[1] Numa segunda fase, o castelo de Alferce pode ser integrado num período de evolução do povoamento entre os finais do Século IV, com a construção do castro possivelmente no Século V, e o Século XI, quando o complexo foi abandonado.[1] Após o abandono, as pedras das estruturas foram sendo progressivamente retiradas pelas populações, restando apenas partes das muralhas, as bases dos torreões, e uma cisterna.[2]

RedescobertaEditar

Em 2016, foi assinado um protocolo entre a Câmara Municipal de Monchique e a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve, para o estudo e a valorização do sítio arqueológico do Castelo de Alferce, tendo sido prevista a futura implantação de um centro interpretativo no local e a criação de percursos para visitantes.[4] Em Maio desse ano, a autarquia de Monchique assinou um protocolo de geminação com a vila espanhola de Montejaque, com o fim de aproximar os dois municípios e valorizar a sua herança islâmica, com destaque para o Castelo de Alferce.[5]

Em Agosto de 2017 foi feita uma pesquisa arqueológica no Castelo de Alferce, composta por duas sondagens de diagnóstico na face interna do segundo recinto amuralhado, na zona identificada como o alcácer, e numa plataforma a Oeste daquele forte, onde foram encontrados vestígios de ocupação pré-histórica.[3] Um dos propósitos desta investigação era descobrir as dimensões e a implantação do segundo recinto de muralhas.[2] Esta investigação melhorou os conhecimentos sobre o potencial estratigráfico e arqueológico em duas zonas diferentes do monumento que nunca tinham sido alvo de pesquisas, possibilitou um maior conhecimento sobre a fortaleza islâmica, e permitiu uma melhor organização de futuras investigações neste monumento.[3] Na primeira sondagem foi escavado o lado interno da muralha, tendo-se descoberto que virava para Sul, podendo continuar até ao canto Noroeste do forte islâmico, e sendo possível que tivesse uma forma pentagonal.[3] Também se constatou que a muralha passou por um processo de destruição, talvez durante o período omíada, e foi descoberto um grande número de fragmentos de cerâmica, alguns deles de forma articulada, e parte da mesma peça.[3] Na segunda sondagem Foram encontrados vários vestígios pré-históricos, incluindo cerâmica do segundo milénio a.C., embora não tenham sido encontradas quaisquer estruturas arqueológicas.[3] Além da cerâmica, foi encontrado um grande número de seixos, que tinham sido trazidos do rio. Entre as peças encontradas nesta zona, estava uma pedra furada, de forma rectangular trapezadoidal, que poderia ser um ídolo.[2]

Durante as investigações, foi organizado um dia aberto à população, onde foi feita uma visita guiada ao monumento.[3]

Além das escavações arqueológicas, em 2017 também se faziam trabalhos regulares de limpeza das ruínas, por parte dos donos dos terrenos, da freguesia de Alferce e da Câmara Municipal de Monchique.[2]

No Verão de 2018, a zona do castelo de Alferce foi atingida durante um incêndio florestal, que devastou grande parte do concelho de Monchique.[6] Porém, a destruição da camada vegetal, que ao longo dos anos tinha crescido de forma descontrolada, possibilitou a realização de pesquisas arqueológicas em vários monumentos no concelho, incluindo no castelo de Alferce.[6] Desta forma, foi identificada a zona de entrada do complexo, e partes das muralhas que ainda não tinham sido registadas, permitindo calcular a área dentro dos muros, que seria de cerca de 9,5 Ha.[6]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l PORTUGAL. Portaria n.º 429-A/2013, de 28 de Junho de 2013. Presidência do Conselho de Ministros - Gabinete do Secretário de Estado da Cultura. Publicado no Diário da República n.º 132, Série II, de 28 de Junho de 2013.
  2. a b c d e f g RODRIGUES, Elisabete (1 de Setembro de 2017). «Mistérios do Castelo de Alferce desvendados em campanha arqueológica». Sul Informação. Consultado em 20 de Julho de 2019 
  3. a b c d e f g CAPELA, Fábio (21 de Setembro de 2017). «Escavações no Sítio Arqueológico do Cerro do Castelo de Alferce». Jornal de Monchique. Consultado em 20 de Julho de 2019 
  4. COUTO, Nuno (6 de Março de 2016). «Monchique prepara nova intervenção arqueológica no castelo de Alferce». Jornal do Algarve. Consultado em 22 de Julho de 2019 
  5. CLARO, Ricardo (11 de Maio de 2016). «Monchique gemina-se com Montejaque em Espanha». Postal do Algarve. Consultado em 22 de Julho de 2019 
  6. a b c «Monchique redescobre património arqueológico entre as cinzas do incêndio». Barlavento. 3 de Maio de 2019. Consultado em 22 de Julho de 2019 

Ligações externasEditar