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Castelo de Castelo Branco

castelo medieval em Castelo Branco, Portugal
Castelo de Castelo Branco
Pt-cb-castelo-miradouro.jpg
Castelo de Castelo Branco, Portugal: vista das muralhas a partir do parque da cidade.
Mapa de Portugal - Distritos plain.png
Construção D. Afonso II (1214)
Estilo Românico
Conservação Mau
Homologação
(IGESPAR)
N/D
Aberto ao público Sim
Site IHRU, SIPA2495
Site IGESPAR71175

O Castelo de Castelo Branco, também conhecido localmente como Castelo dos Templários, localiza-se na cidade, freguesia, concelho e distrito de Castelo Branco, em Portugal.

Era um castelo ibérico estratégico e integrava, na Idade Média, a chamada Linha da Raia ou Linha do Tejo[1]. Severamente danificado ao longo dos séculos, o castelo dos Templários permanece como o mais importante registro histórico-militar da cidade.

O Castelo MedievalEditar

ConstruçãoEditar

 Ver artigo principal: História de Castelo Branco

Logo que os Templários tomaram posse de Moncarche, em 1209, terão logo feito planos para a construção do castelo. O castelo de Castelo Branco data dessa época, sendo a notícia mais antiga da sua existência datada de 1230[2].

CaracterísticasEditar

O castelo tinha um aspecto geral compacto, fechado sobre si e preparado para uma defesa autónoma. Analisando a planta, no Livro das Fortalezas de Duarte de Armas, parece evidente que aquando a sua construção, sob o ponto de vista militar, ficou a bastar-se a si próprio. Tinha a forma de um quadrilátero mais ou menos regular defendido perifericamente por sete torreões, com um comandamento total sobre o horizonte. Os torreões parecem obedecer a uma certa simetria com a evidente excepção da torre de menagem.

Embora tenha desaparecido na sua quase totalidade é possível verificar que o castelo de Castelo Branco era paradigma do castelo ibérico estratégico. Tinha três pátios de acesso distinto: um primeiro de acesso livre; o do palácio e o da torre de menagem. Passou a integrar, juntamente com o Castelo de Almourol, o Castelo de Monsanto, o Castelo de Pombal, o Castelo de Tomar e o Castelo do Zêzere, uma linha de defesa denominada como Linha do Tejo[3].

 
Reconstituição do castelo

Porta de entradaEditar

A entrada para a cidadela fazia-se por um arco românico (semelhante ao arco do bispo. Em posição imétrica haviauma porta falsa, que vemos por vezes denominada por porta da traição

Palácio dos Alcaides e ComendadoresEditar

Era um edifício compoosto por três corpos distintos: o principal tinha um primeiro andar com uma varanda colunada. Ao palácio acedia-se por uma escadaria.

Torre de menagemEditar

A torre de menagem tinha um porte mais altivo que as outras e tinha maior volume de modo a constituir uma quebra com os outos torreões. A sua forma era exagonal, forma extremamente rara nas fortalezas portuguesas. A forma prismática correspondeu a um estadio evolutivo na medida em que quantos mais faces tinha a torre melhor se fazia a vigilância, porque diminuiam os ângulos mortos. A tore de menagem, marcadamente ligada à tradição românica, era excentrica em relação à entrada e estava francamente ligada a procupações de vigilância para o lado opostro.

Igreja de Santa Maria do CasteloEditar

No interior do castelo, fazendo a separação entre o primeiro e tereiro pátio, encontra-se a Igreja de Santa Maria do Castelo. Era uma igreja românica sem qualquer campanário e tinha os sinos na muralha, ao lado da entrada. A invocação do templo a Santa Maria do Castelo era uma característica dos Templários.

DecadênciaEditar

À época da Guerra da Restauração, sofreu danos diante da ofensiva espanhola, em 1648 e por eles, novamente, no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (22 de Maio de 1704), quando perdeu parte das muralhas. Quando da Guerra dos Sete Anos a vila e seu castelo foram invadidos e saqueados por tropas franco-espanholas (1762), sendo restituídos apenas em virtude da assinatura do Tratado de Paris (1763). Mais tarde, durante a Guerra Peninsular, a ofensiva francesa comandada por Jean-Andoche Junot (1807), causou severos danos ao castelo.

Diante da destruição causada pelas tropas napoleónicas, a partir de 1821, registrava-se a retirada das pedras do castelo pelos habitantes para construção das suas moradias. Através de portarias, o poder público autorizou, em:

  • 17 de Junho de 1835, a demolição dos arcos das muralhas para o emprego das suas pedras em obras de utilidade pública. Na ocasião foram demolidas a Porta da Vila, a Porta do Relógio e a Porta do Espírito Santo, sendo as pedras reutilizadas na construção da Ponte da Granja;
  • 1839, uma autorizando a venda de parte das pedras dos muros do castelo, telhas e madeiramentos do Palácio (9 de Março), e outra, autorizando a venda das telhas e do madeiramento (20 de Março).

Enfraquecida a estrutura, um violento temporal que se abateu na região fez desabar algumas das paredes da alcáçova e das muralhas (15 de Novembro de 1852). Ainda na segunda metade do século XIX, devido à iniciativa do Governador Civil Guilhermino de Barros, reconstroem-se alguns troços de muralhas e algumas das estruturas do Palácio. Em 1862, entretanto, é demolida a Porta do Postiguinho.

O processo de decadência prosseguiu no século XX, com o desabamento, em 1930, da última torre da muralha (do castelo / cerca?), ao qual se seguiu, em Março de 1936, a da torre no ângulo nordeste, também devido a uma tempestade. Ainda neste mesmo ano foi solicitada à Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) uma vistoria no local, que realizou a reconstrução da torre (1940), recriando algumas estruturas, como por exemplo, as janelas neo-manuelinas. Novas intervenções se sucederam, em 1977 (prospecção arqueológica e limpeza, consolidação e reconstrução do troço da muralha ruída à altura da Rua Vaz Preto, expropriação e demolição pela Câmara Municipal de imóveis adossados à muralha), entre 1980 e 1982 (beneficiação do troço de muralhas à altura do mesmo logradouro). Em 2000 descobriu-se parte da muralha medieval, nomeadamente de um dos torreões, durante os trabalhos de demolição de duas edificações na mesma Rua Vaz Preto. No ano de 2002 previa-se a recuperação do troço da muralha a leste, que ligava a torre da alcáçova e a torre de menagem do antigo Palácio dos Comendadores.

O interesse despertado nos últimos anos por este património levou à definição da primeira proteção legal para o conjunto, hoje em vias de classificação. A igreja foi classificada pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público em 1978.

ActualidadeEditar

 
Torreão Românico

Do castelo dos templários subsistem alguns elementos, embora poucos sejam originais. No interior do recinto do castelo encontra-se uma igreja de Santa Maria mas nada tem a ver com a que foi desenhada por Duarte de Armas.

Torreão RomânicoEditar

Este torreão é do tipo mais antigo, as suas grossas paqredes têm seteiras frontais e laterais a mostrar uma intenção prática de defesa em coordenação com os outos torreões. Este torreão será, porventura, a peça arquitectónica mais antiga de Castelo Branco. Apesar da sua envolvente ter tido várias reconstruções, ela é ainda a torre original como atestam as seteiras.

Torre góticaEditar

A torre que normalmente se designa por torre gótica ou torre dos templários não era mais que a fachada do palácio dos alcaides e comendaadores. Na época em que Duarte e Armas a desenhou ainda era da mesma estrutura das restantes torres, na actualidade é mais larga que o Torreão Românico: as sucessivas alterações que sofreu alargaram o seu porte, havendo sinais desse alargamento. As actuais janelas com lintéis quinhentistas, pouco tem a ver com as originais, mesmo com uma primeira alteração gótica. Esta torte é o Ex-libris de Castelo Branco.

Igreja de Santa Maria do CasteloEditar

Poco ou nada resta do templo primitivo. As sucessivas reconstruções tornaram-na tornaram-na incaracterística e sem grande valor artístico.

ArcoEditar

É o original. Este arco era a porta que separava o pátio de acesso público e o pátio do palácio. Originalmente os dois pátios estariam ao mesmo nível, que se supõe ter sido inferior ao actual.

Referências

  1. António Lopes Pires Nunes, O castelo estratégico português e a estratégia do castelo em Portugal, 1988
  2. Ribeiro Cardoso, Castelo Branco e o seu Alfoz
  3. António Lopes Pires Nunes, Os Castelos Templários da Beira Baixa, 2005

BibliografiaEditar

  • CARDOSO, Ribeiro; Castelo Branco e o seu alfoz, ed. Autor, Castelo Branco, 1953
  • NUNES, António Lopes Pires Nunes; Castelo Branco, uma cidade histórica, ed. CMCB, Castelo Branco, 2002
  • NUNES, António Lopes Pires Nunes; Os castelos templários da Beira Baixa, ed. CMCB, Castelo Branco, 2005

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar