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Castelo de Castelo Mendo

castelo medieval em Castelo Mendo, Portugal
Castelo de Castelo Mendo
Le village fortifié de Castelo Mendo.JPG
Castelo de Castelo Mendo: portão de armas
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Construção Dinis de Portugal (1297)
Estilo Gótico
Conservação Bom
Homologação
(IGESPAR)
MN
Aberto ao público

O Castelo de Castelo Mendo, na Beira Interior, localiza-se na freguesia e vila de Castelo Mendo, concelho de Almeida, distrito da Guarda, em Portugal.

Fortificação secundária na raia fronteiriça de Ribacôa, ergue-se em posição dominante a 762 metros de altitude sobre um cabeço rochoso sobranceiro ao ribeiro de Cadelos e ao rio Côa, integrando o conjunto bem preservado da vila medieval.

HistóriaEditar

AntecedentesEditar

Considera-se que a primitiva ocupação humana deste sítio remonta a um castro proto-histórico, posteriormente romanizado.

O castelo medievalEditar

Acredita-se que a primitiva edificação do castelo remonte à passagem do século XII para o XIII, sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211). A povoação recebeu Carta de Foral, passada por Sancho II de Portugal (1223-1248) em Vila do Touro, a 15 de Março de 1229. Este documento é particularmente interessante por estipular a primeira feira oficial no reino, a ser realizada por oito dias, três vezes por ano: na Páscoa, no São João e no São Miguel. Nele se encontram referidos o castelo e seu alcaide à época, Mendo Mendes. Data deste período a construção da primeira cintura muralhada para defesa da povoação.

Integrante do território de Ribacôa, disputado ao reino de Leão por Dinis de Portugal (1279-1325), a sua posse definitiva para Portugal foi assegurada pelo Tratado de Alcanices (1297). O soberano, a partir de então, procurou consolidar-lhe as fronteiras, fazendo reedificar o Castelo de Alfaiates, o Castelo de Almeida, o Castelo Bom, o Castelo Melhor, o Castelo Mendo, o Castelo Rodrigo, o Castelo de Pinhel, o Castelo do Sabugal e o Castelo de Vilar Maior.

Datam desse período a construção da segunda cintura muralhada, assim como da Torre de Menagem, com os recursos que são assegurados pela confirmação, por este soberano, do foral da vila, a 16 de Dezembro de 1281, que dois dias após ali instituiu uma Feira Franca, a ser realizada na Devessa.

Com a paz, dependente de seus parcos recursos económicos e populacionais, a povoação entrou em decadência. No início do reinado de D. João I (1385-1433), a vila foi transformada num couto de homiziados.

Sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521) A decadência da povoação e seu castelo é patente na ilustração que Duarte de Armas nos deixou no seu Livro das Fortalezas (c. 1509).

Do século XIX aos nossos diasEditar

À época da Guerra Peninsular, uma guarnição de dezanove homens na vila resistiu às tropas napoleônicas sob o comando de André Massena.

Castelo Mendo deixou de ser sede de Concelho em 1855, acentuando-se, a partir de então, a sua decadência.

Já no século XX, o conjunto foi declarado como Monumento Nacional por Decreto publicado em 2 de Janeiro de 1946. A partir de então, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu a intervenções de consolidação e restauro, reconstruindo diversos troços de muralhas, portas e torres que, segundo estudiosos, teriam desvirtuado a aparência original do conjunto.

O edifício da antiga Casa da Câmara e Cadeia foi requalificado como espaço museológico, exibindo aos visitantes peças do período romano.

CaracterísticasEditar

Erguido na cota de 762 metros acima do nível do mar, em estilo gótico, apresenta planta no formato ovalado irregular, compreendendo dois núcleos distintos:

  • a cidadela dentro do perímetro defensivo interno, a Leste. Aqui se destaca a Torre de Menagem adossada um troço da muralha. Nesta cerca, a Oeste, rasga-se a porta principal. No interior, abre-se a cisterna, de planta quadrangular, e erguem-se a Igreja de Santa Maria do Castelo e a antiga Casa da Câmara.
  • a cerca da vila, de planta irregular, datada majoritáriamente do período dionisino, reforçada originalmente por diversas torres. Aqui se rasgavam três portas (Porta do Sol, Porta dos Berrões), associadas a três torreões, sendo as principais edificações a Igreja de São Pedro e a Igreja de São Vicente.

A ligação entre os dois espaços é feita através da Porta da Vila, em arco quebrado, de dimensões monumentais, enquadrada por dois torreões de planta quadrada. Aqui se inscreve a pedra de armas de D. Dinis.

A Porta da Vila é guarnecida por dois zoomórfos graníticos pré-romanos (século IV a.C.), representando porcos ou javalis, que tiveram os seus focinhos cortados "por se atemorizarem as bestas que nelas faziam reparo".

Ligações externasEditar