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Disambig grey.svg Nota: Se procura pelo(a) Igreja Católica de rito oriental, veja Igreja Católica Eritreia.
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Flag of Eritrea.svg
Eritreia
Catedral de Nossa Senhora do Rosário, em Asmara, na Eritreia.
Ano 2010[1]
Cristãos 3.310.000 (62,9%)[1]
Católicos 240.000 (4,6%)[1]
População 5.250.000[1]
Paróquia 150[2]
Presbíteros 495[2]
Diáconos permanentes 2[2]
Religiosos 769[2]
Religiosas 719[2]
Presidente da Conferência dos Bispos Católicos Berhaneyesus Demerew Souraphiel[3]
Núncio apostólico Sede vacante[4]
Códice ER

A Igreja Católica na Eritreia é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. Os eritreus adotam diversos ritos aceitos pela Igreja Católica, sendo o rito alexandrino ge'ez o que tem mais aderentes, por meio da Igreja Católica Eritreia, em comunhão total com Roma. O catolicismo é uma das únicas quatro religiões permitidas pelo governo do país, sendo as outras a Igreja Ortodoxa Eritreia, a Igreja Evangélica Luterana da Eritreia e o islamismo sunita.[5] Isso foi reconhecido em um decreto do governo de 1995, quando o Governo garantiu controle próprio da liderança da Igreja Ortodoxa e da comunidade muçulmana, e este mantém suas hierarquias e controla suas atividades e recursos financeiros. A Igreja Católica e a Igreja Luterana ainda possuem autonomia. A atividade religiosa precisa ser exercida sob autorização do Governo, e aqueles que transgridem essa ordem estão sujeitos à prisão. As comunidades religiosas que são autorizadas precisam de aprovação do Departamento de Assuntos Religiosos para distribuir literatura religiosa a seus fiéis, como a Bíblia.[6]

Índice

HistóriaEditar

A Eritreia moderna foi um dos primeiros países do mundo a adotar o cristianismo como a religião do Estado, por volta do século IV.[7] A crença cristã dominou a vida dos eritreus por séculos. O islamismo foi introduzido pelos árabes nas áreas costeiras do mar Vermelho durante o século VII.[8]

Na sequência dos mal-sucedidos esforços missionários dos portugueses na Etiópia durante o século XVII, o governo imperial proibiu toda a atividade missionária católica no país, que incluía a Eritreia, o que durou cerca de 200 anos. A primeira retomada bem-sucedida dessa atividade começou em meados do século XIX, quando a Santa Sé estabeleceu a Prefeitura Apostólica da Abissínia. Seu primeiro bispo foi o lazarista italiano São Justino de Jacobis (18001860), que chegou em 1839. Grande parte de seu ministério aconteceu na Eritreia e ele morreu na cidade de Hebo.[9]

A partir de 1890 o controle de parte do território eritreu passou para a Itália, e passou a receber missionários católicos.[8] Em 1894, foi estabelecida uma prefeitura apostólica separada para a Eritreia. No mesmo ano, o governador italiano convidou a ordem capuchinha para dirigir a evangelização da colônia e supervisionar o recém-criado sistema educacional. Em 1911, a Prefeitura Apostólica tornou-se um Vicariato Apostólico e, em 1930, um Ordinariato. No mesmo ano, um Colégio Etíope foi fundado dentro dos muros do Vaticano, e também recebeu estudantes da Eritreia.[9]

Entre 1951 e 1952, o Ordinariato da Eritreia tornou-se um exarcado apostólico e no ano seguinte a Eritreia entrou em uma união federal com a Etiópia,[9] depois de uma decisão da ONU, anexando assim o país, levando à formação do movimento de libertação eritreu, especialmente liderado pelos muçulmanos, com a intenção de formar uma república. Como a maioria dos cristãos ortodoxos da Eritreia tinha um forte relacionamento com a Igreja Ortodoxa Etíope, eles viram o movimento dos muçulmanos como perigoso. Os muçulmanos também consideravam os cristãos ortodoxos como uma grande ameaça à causa da independência.[8]

Em 1961 a Santa Sé reorganizou as hierarquias da Etiópia e da Eritreia, e Asmara acabou sendo estabelecida como uma única eparquia cobrindo todo o território eritreu. Depois que a Eritreia se tornou uma nação independente, em 1993, os bispos católicos da Etiópia e da Eritreia continuaram a formar uma única Conferência Episcopal. Em 1995, o Papa João Paulo II erigiu duas novas eparquias eritreias em Barentu e Keren. Em 2012, outra eparquia foi estabelecida na Segheneity, desta vez pelo Papa Bento XVI.[9]

AtualmenteEditar

A Eritreia é um país onde o governo faz grandes restrições religiosas, controlando parte da hierarquia de diversas denominações.[6] A ONG Portas Abertas classificou o país como o 7º mais perseguidor aos cristãos do mundo em 2019.[8] Tantas restrições fazem com que o país seja conhecido como a "Coreia do Norte da África". Assim como na Coreia do Norte, os cristãos da Eritreia são presos e torturados na cadeia por causa de sua fé. Muitos desses cristãos acabam encarcerados sem julgamento ou sem acusação formal, apenas sob o pretexto de porem em risco a segurança nacional. Mais de 3 mil eritreus estão detidos por razões religiosas. Destes, mais de 70% são cristãos.[10]

Todas as comunidades cristãs são afetadas pela perseguição, já que muitas igrejas domésticas e materiais cristãos são danificados ou confiscados. Prisões e desaparecimentos forçados são muito comuns no país. Devido às prisões do governo e sequestros, famílias são separadas. Os membros são forçados a fugir do país Outros têm seus direitos de herança negados, bem como direitos relacionados à família. Cristãos também não podem ter acesso ao ensino superior se não se alistarem ao serviço militar.[8]

Ao contrário do controle que o governo estabeleceu na hierarquia da Igreja Ortodoxa, a Igreja Católica continua a ter autonomia, e resiste às tentativas de colocá-la sob domínio estatal, porém o governo ainda busca fazer isso. Os padres e religiosos em idade apropriada são obrigados a servir o exército por período indeterminado, esvaziando as igrejas. Além disso, houve tentativas de confiscar escolas e hospitais católicos. Também é ilegal para as instituições religiosas aceitarem fundos estrangeiros.[10]

Nova igreja sui iurisEditar

Até 2015 a Igreja Católica Eritreia, de rito alexandrino era parte da jurisdição da Igreja Católica Etíope, porém, no dia 19 de janeiro, o Papa Francisco publicou a bula Multum fructum, erigindo-a como nova igreja sui iuris, estabelecendo esta Igreja como província eclesiástica independente sob a autoridade de um prelado Metropolita em plena comunhão com a Santa Sé. O Papa nomeou Dom Menghesteab Tesfamariam como primeiro Metropolita da igreja.[11][12][13]

Conflito entre Eritreia e EtiópiaEditar

No dia 26 de junho de 2018, pela primeira vez em 20 anos, uma delegação de alto nível da Eritreia, liderada pelo ministro das Relações Exteriores Osman Saleh, chegou a Adis Abeba, capital da Etiópia, para dialogar sobre o fim de conflito de décadas entre os dois países. Eles foram recebidos pelo recém-eleito primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed. Os dois países entraram em guerra em 1998, perdurando até o ano 2000. Em março de 2012 as tensões voltaram a crescer, quando militares etíopes lançaram um ataque contra localidades eritreias, em resposta à suposta formação pela Eritreia de "grupos subversivos", com o objetivo de realizar ataques na Etiópia.[12][14][15] O cardeal arcebispo metropolitano de Addis Abeba, Berhaneyesus Demerew Souraphiel, Presidente da Associação das Conferências Episcopais Membros da África Oriental e presidente da Conferência Episcopal da Etiópia, definiu isto como "um momento feliz para as Igrejas Católicas na Etiópia e Eritreia", assegurando que os fiéis dos dois países rezaram pela paz desde o início do conflito. Segundo ele, a Igreja Católica serviu de ponte durante todos os anos de estagnação por meio da Assembleia dos Bispos da Etiópia e da Eritreia, reunida até pouco tempo para discutir a vida da Igreja em ambos os países.[12]

O Papa Francisco comentou a iniciativa de paz no Angelus de 1º de julho, domingo:[12]

É uma obrigação assinalar uma iniciativa que pode ser definida como histórica – e se pode dizer também que é uma boa notícia: nestes dias, depois de vinte anos, os Governos da Etiópia e da Eritreia voltaram a falar juntos de paz. Que este encontro acenda uma luz de esperança para estes dois países do Chifre da África e para todo o continente africano.

O arcebispo de Asmara, Menghesteab Tesfamariam, líder da Igreja Católica Eritreia, pediu as "orações intensas" dos fiéis, após dar "graças a Deus" pelo acordo de paz.[16]

Organização territorialEditar

Após a separação da Igreja Católica Etíope, a Igreja Católica Eritreia possui uma sé metropolitana e três eparquias sufragâneas:[17]

Como não há dioceses de rito latino ou de outros ritos na Eritreia, a jurisdição das quatro eparquias se estende a todos os católicos, independentemente do rito ao qual pertencem.[17]

Conferência EpiscopalEditar

A Conferência Episcopal Etíope e Eritreia é a reunião dos bispos católicos da Etiópia e da Eritreia, e foi criada no ano 1967.[3]

Nunciatura ApostólicaEditar

Referências

  1. a b c d «Religions in Eritrea». Pew Forum. Consultado em 25 de abril de 2019 
  2. a b c d e «Eritrea». Catholic-Hierarchy. Consultado em 25 de abril de 2019 
  3. a b «Ethiopian and Eritrean Episcopal Conference». GCatholic. Consultado em 25 de abril de 2019 
  4. a b «Apostolic Nunciature - Eritrea». GCatholic. Consultado em 25 de abril de 2019 
  5. Guadi Calvo. «Eritreia, o povo mais triste do mundo». Revista Fórum. Consultado em 30 de abril de 2019 
  6. a b «Informações sobre a Eritreia». Canção Nova. Consultado em 30 de abril de 2019 
  7. Sarah Cunningham (11 de julho de 2017). «ERITREA: A BRIEF HISTORY OF CHRISTIANITY AND PERSECUTION» (em inglês). Open Doors. Consultado em 2 de maio de 2019 
  8. a b c d e «Eritreia». Portas Abertas. Consultado em 2 de maio de 2019 
  9. a b c d «The Eritrean Catholic Church». CNEWA. 31 de março de 2015. Consultado em 2 de maio de 2019 
  10. a b «Eritreia: um dos piores lugares do mundo para ser cristão». Ajuda à Igreja que Sofre. 13 de fevereiro de 2017. Consultado em 2 de maio de 2019 
  11. «Igreja Católica Eritrea é elevada a status de Igreja Metropolita Sui Iuris». Gaudium Press. 22 de janeiro de 2015. Consultado em 2 de maio de 2019 
  12. a b c d «Conversações podem colocar fim a 20 anos de conflito entre Etiópia e Eritreia». Vatican News. 2 de julho de 2018. Consultado em 2 de maio de 2019 
  13. Papa Francisco (19 de janeiro de 2015). «IN ERYTHRAEA NOVA CONSTITUITUR ECCLESIA METROPOLITANA ASMARENSIS*» (em latim). Vaticano.va. Consultado em 2 de maio de 2019 
  14. «Etiópia ataca rebeldes na Eritreia, dizem fontes do governo». G1. 17 de março de 2012. Consultado em 2 de maio de 2019 
  15. «Tropas da Etiópia atacam militares da Eritreia». Estadão. 15 de março de 2012. Consultado em 2 de maio de 2019 
  16. Linda Bordoni (12 de julho de 2018). «The Eritrean Catholic Church calls for prayers for peace». Vatican News. Consultado em 2 de maio de 2019 
  17. a b «Eritrea - Current Dioceses». Catholic-Hierarchy. Consultado em 2 de maio de 2019 

Ver tambémEditar