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IgrejaCatólicaEmblem of the Papacy SE.svg
Flag of Poland.svg
Polônia
Santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia, um dos principais centros de peregrinação do país.
Ano 2015[1]
Santo padroeiro Santo Estanislau[2][3]
Santo Adalberto[3]
Católicos 36.607.000
População 37.507.000
Paróquia 10.379
Presbíteros 30.661
Seminaristas 3.513
Diáconos permanentes 38
Religiosos 1.015
Religiosas 20.159
Presidente da Conferência dos Bispos Católicos Stanislaw Gądecki
Núncio apostólico Salvatore Pennacchio
Códice PL

A Igreja Católica na Polônia (português brasileiro) ou Polónia (português europeu) faz parte da Igreja Católica universal, sob a direção espiritual do Papa e da Cúria, em Roma. Há 41 dioceses da igreja de rito latino e duas de rito bizantino grego, somando cerca de 10.000 paróquias e ordens religiosas. Há 33 milhões de católicos no país,[4][5] porém esse número inclui todas as crianças batizadas.[6] O primaz da Igreja Polonesa é Wojciech Polak, arcebispo de Gniezno. De acordo com o anuário estatístico de 2014, 85,8% dos poloneses são católicos.[4]

Índice

HistóriaEditar

Desde quando a Polônia adotou oficialmente o cristianismo no ano 966, em um episódio conhecido como Batismo da Polônia, a Igreja Católica desempenha importante papel religioso, cultural e político no país. Identificando-se como católica, as distintas cultura e nacionalidade polonesas em relação à sua vizinha Alemanha, especialmente no leste e norte, onde a maior parte da população religiosa é luterana, e os países ao leste polonês, onde predominam os ortodoxos. Durante os tempos de opressão do Comunismo a Igreja Católica era um refúgio cultural na guerra pela independência e sobrevivência da cultura. Por exemplo, a abadia polonesa em Częstochowa, que resistiu com sucesso a um cerco na invasão sueca da Polônia no século 17, tornou-se um símbolo da resistência nacional à ocupação. O estabelecimento do regime comunista, controlado pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial . O governo soviético permitiu inicialmente que a igreja continuasse cumprindo este papel, contudo a Igreja acabou sendo banida e perseguida tardiamente, pela oposição feita ao regime soviético, limitando-se à ilegalidade.[7]

A eleição de 1978 do cardeal polonês Karol Wojtyła para Papa João Paulo II reforçou os laços da Polônia com a igreja. A visita do Papa polonês a seu país de origem tornou-se pontos de reflexão tanto aos fiéis e à oposição do regime soviético. Sua beatificação em 2011, e canonização em 2014 gerou orgulho e alegria aos poloneses. Em 2013, o Papa Francisco, segundo sucessor de João Paulo II (e que se tornou cardeal pelo Papa polonês), anunciou a realização da Jornada Mundial da Juventude, o maior encontro religioso da juventude cristã do mundo, em Cracóvia no ano de 2016. Essa foi a segunda JMJ realizada no país: as edições de 1991 e 2016.[8] A edição de 1991 reuniu um público de 1.600.000 pessoas em Jasna Góra,[9] e a de 2016 reuniu cerca de 2.500.000 pessoas.[10]

Organização territorialEditar

Rito latinoEditar

  • Arquidiocese
    • Diocese

Os nomes das dioceses em latim aparecem em itálico.

 
Mapa da Polônia com suas dioceses de rito latino.

Rito bizantinoEditar

 
Mapa da Polônia com suas dioceses de rito bizantino.

Jurisdição extraterritorialEditar

EstatísticasEditar

No ano de 2005, a maioria dos poloneses – aproximadamente 88% – se declaram católicos, e 58% responderam ser praticantes e ativos em suas comunidades, de acordo com o Centro de Pesquisa de Opinião Pública (CBOS).[11] De acordo com o Ministério de Relações Exteriores, 95% dos poloneses pertencem à Igreja Católica;[12] porém, essa pesquisa se baseia no número de membros de acordo com as crianças batizadas,[6] contabilizadas pela Igreja Católica. O CIA Factbook anunciava o número de 87,2% como católicos em 2012.[13]

 
Procissão em Wrocław

Por toda a Europa as taxas de participação nos serviços religiosos caíram vertiginosamente. Essa tendência também ocorreu na Polônia, porém o país ainda se mantém um dos mais religiosamente devotos do continente. Os católicos poloneses participam mais frequentemente dos sacramentos que nos outros países europeus, especialmente do que nos da Europa Ocidental e na América do Norte. Um estudo de 2009 feitos pela própria Igreja revelou que 80% dos poloneses se confessam ao menos uma vez ao ano, enquanto que 60% responderam que o fazem mais de uma vez ao ano.[14] Para contrastar os dados, um estudo feito nos Estados Unidos pela Universidade de Georgetown revelou que apenas 14% dos católicos estadunidenses participam do sacramento da penitência uma vez ao ano, e apenas 2% o fazem com mais frequência.[15] Tarnów é a cidade mais religiosa da Polônia, e Łódź é a menos. As regiões sul e leste da Polônia são as mais ativas em prática religiosa do que o oeste e o norte.[16] Esse é um forte contraste à sua vizinha República Tcheca, que é um dos países menos religiosos do mundo, e apenas 19% afirmam acreditar em algum tipo de deus.[17]

Uma pesquisa da igreja descobriu que o número de católicos poloneses que participavam das missas dominicais havia caído para 2 milhões de pessoas em uma década, correspondendo a apenas 39% dos católicos batizados participando em 2014.[18][19] Ao mesmo tempo, no entanto, esse é parte de um reflexo de que, desde 2004, 2,1 milhões de poloneses emigraram para a Europa Ocidental.[19] Escrevendo para o semanário católico Tygodnik Powszechny, o sociólogo da Igreja padre Prof. Janusz Mariański observou que estes dois milhões de emigrantes poloneses ainda estão listados em seus registros paroquiais como membros, então quando a frequência à missa é medida, essas pessoas diminuem os índices de participação.[20] A proporção de de pessoas que vão à igreja e recebem a comunhão está crescendo, também vem crescendo o número de padres poloneses, já que o número de ordenações supera o de mortes. Entretanto o número de freiras caiu.[19] A pesquisa descobriu que a frequência à missa dominical varia por diocese, de um nível alto, como a Diocese de Tarnów (69%), a baixo, como a Arquidiocese de Szczecin-Kamień (24,3%); o recebimento da comunhão é 23,7% na Diocese de Tarnów e diminui para 10,4% na Diocese de Koszalin-Kołobrzeg.

Prática religiosaEditar

 
Procissão de Corpus Christi em Sanok

O CBOS regularmente realiza pesquisas sobre prática religiosa na Polônia. Um documento de 2012 reportou que em mais de um quarto de século a porcentagem de católicos e a frequência religiosa se mantiveram estáveis, decrescendo minimamente apenas desde 2005, quando o pesar relacionado à morte do Papa João Paulo II levou a um aumento da prática religiosa entre os poloneses. Em um estudo de 2012, 54% dos poloneses declararam que atendem a serviços religiosos ao menos uma vez por semana, 18% de uma a duas vezes ao mês, 20% várias vezes ao ano, e apenas 8% vão nunca ou quase nunca. Enquanto isso 94% dos poloneses se considream crentes religiosos, e 9% destes se consideram "profudamente religiosos", e apenas 6% afirmam ser não-crentes.[21] De acordo com as próprias fontes da igreja[5]:4 39,1% dos católicos participam da missa dominical.

A Páscoa continua a ser um importante feriado para os católicos poloneses. De acordo com um estudo da CBOS de 2012, 74% dos poloneses se esforççam para participar do sacramento da penitência durante a quaresma, 59% se esforçam para participar da via sacra ou da Gorzkie żale (um aumento de 6% desde 2003), 57% querem ser pessoas melhores (aumento de 7%), 49% querem ajudar os necessitados (aumento de 8%), e 46% querem rezar mais rezar mais (diminuição de 5%).[22]

Uma pesquisa de opinião da CBOS de abril de 2014 descobriu o seguinte:

Celebrações de quaresma e Páscoa: Você...? (pesquisa da CBOS – 2014)[23] SIM NÃO
Jejua na Sexta-feira Santa 83% 17%
Se confessa antes da Páscoa 70% 30%
Recebe a imposição das cinzas na Quarta-feira de Cinzas 64% 36%
Participa das celebrações do Tríduo Pascal 56% 44%
Participa de um retiro de Páscoa 53% 47%
Participa da Via Sacra 52% 48%
Participa da Missa da Ressurreição (no domingo de Páscoa de manhã) 48% 52%
Você tenta limitar seu entretenimento durante a Quaresma? (pesquisa da CBOS – 2014)[23]
Sim
  
53%
Não
  
44%
Não sei dizer
  
3%
Durante a Quaresma, você pensa na vida mais frequentemente? (pesquisa da CBOS – 2014)[24]
Sim
  
38%
Não
  
60%
Não ser dizer
  
2%

FinanciamentoEditar

Uma concordata entre o Estado e a Igreja permite o ensino de educação religiosa nas escolas. Há 31.000 professores de educação religiosa pagos pelo Estado. O governo subsidia parcialmente as escolas católicas, os edifícios católicos históricos, e os salários para professores religiosos da rede pública ou privada. Isso totaliza cerca de 2 bilhões (cerca de US$633 milhões).[25]

Segundo o Cardeal Kazimierz Nycz, o dinheiro doado pelas pessoas, seja voluntário ou requerido (por exemplo, para celebrar casamentos), de eventos religiosos e de outros, totaliza mais de zł 6 bilhões (cerca de US$1,9 bilhões).[25]

Conferência EpiscopalEditar

 Ver artigo principal: Conferência Episcopal Polonesa

A Conferência Episcopal Polonesa é composta de 3 cardeais, 32 arcebispos e 119 bispos.

Nunciatura ApostólicaEditar

 Ver artigo principal: Nunciatura Apostólica na Polônia

A Nunciatura Apostólica na Polônia é uma representação diplomática permanente da Santa Sé na Polônia. A sede está em Varsóvia. A nunciatura é governada por um diplomata, chamado "núncio apostólico na Polônia", que tem o posto de embaixador.

Da longa lista de núncios apostólicos na Polônia, três se tornaram pontífices e muitos outros estiveram no cargo ou depois foram eleitos cardeais.

Referências

  1. «Viaggio Apostolico di Sua Santità Francesco in Polonia in occasione della XXXI Giornata Mondiale della Gioventù (27-31 luglio 2016) - Statistiche, 20.07.2016». Santa Sé. 20 de julho de 2017. Consultado em 2 de julho de 2018 
  2. «Saint Stanislaus of Kraków». Encyclopædia Britannica. Consultado em 2 de julho de 2018 
  3. a b «Patron saints of Poland». Marco del Polo. Consultado em 2 de julho de 2018 
  4. a b «Statistical Yearbook of the Republic of Poland (2014)» (PDF). stat.gov.pl 
  5. a b «Annuarium Statisticum Ecclesiae in Polonia AD 2017» (pdf). Instytut Statystyki Kościoła Katolickiego SAC. Annuarium Statisticum Ecclesiae in Polonia (em polaco). 2017 (2017). 2017. Consultado em 10 de maio de 2017 
  6. a b «Kościół podaje 7% ochrzczonych z kapelusza! | Www.wystap.pl – jak wystąpić z kościoła. Centrum informacji i platforma batalii». Wystap.pl. 22 de agosto de 2010 
  7. Smith, Craig S. (10 de janeiro de 2007). «In Poland, New Wave of Charges Against Clerics». The New York Times. Consultado em 17 de março de 2012 
  8. «Cracóvia, na Polônia, recebe próxima edição da Jornada Mundial da Juventude». O Globo. 28 de julho de 2013. Consultado em 5 de julho de 2018 
  9. «Recordando a JMJ Częstochowa 1991». Krakow 2016. 18 de agosto de 2015. Consultado em 5 de julho de 2018 
  10. «JMJ em Cracóvia reuniu 2,5 milhões de peregrinos, estima COL». Notícias Canção Nova. 3 de agosto de 2016. Consultado em 5 de julho de 2018 
  11. (em polonês) Centrum Badania Opinii Społecznej. Komunikat z badań; Warszawa, Marzec 2005. Co łączy Polaków z parafią? Preface. Accessed 2007-12-14.
  12. «Churches and Religious Life in Poland». poland.gov.pl 
  13. «CIA – The World Factbook». CIA. Consultado em 11 de agosto de 2014 
  14. «80% Polaków chodzi do spowiedzi – Wiadomości – WP.PL». Wiadomosci.wp.pl. Consultado em 9 de julho de 2018. Arquivado do original em 29 de dezembro de 2014 
  15. «A Comeback for Confession». Time. 27 de setembro 2007 
  16. «Liczenie wiernych w kościołach» 
  17. «Social values, Science and Technology» (PDF). Eurobarômetro. Junho de 2005. Consultado em 19 de dezembro de 2006 
  18. Matthew Day (11 de julho de 2014). «Polish Catholics in decline». Daily Telegraph. Consultado em 12 de julho de 2014 
  19. a b c «Sunday Mass attendance falls below 40% in Poland». CatholicCulture.org. 24 de julho de 2014. Consultado em 16 de agosto de 2014 
  20. «Dwa miliony wiernych nie odeszło z kościoła - raczej wyemigrowało». Consultado em 18 de abril de 2017 
  21. «CBOS potwierdza. Zdecydowana większość Polaków uznaje się za katolików». wPolityce.pl. Abril de 2012. Consultado em 11 de dezembro de 2012 
  22. «CBOS: Polak może nie chodzić do Kościoła, ale jajkiem się podzieli». Wprost. Abril de 2012. Consultado em 11 de dezembro de 2012 
  23. a b Małgorzata Omyła-Rudzka (Abril de 2014). «PRAKTYKI WIELKOPOSTNE I WIELKANOCNE POLAKÓW» (PDF) (em Polonês). CBOS. Consultado em 6 de julho de 2015 
  24. Mirosława Grabowska (Dezembro de 2013). «RELIGIA I KOŚCIÓŁ W PRZESTRZENI PUBLICZNEJ» (PDF) (em polonês). CBOS. Consultado em 6 de julho de 2015 
  25. a b Polska, Grupa Wirtualna (4 de maio de 2013). «Kościół zdradza, ile polscy wierni dają na tacę». Consultado em 18 de abril de 2017