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Flag of Burundi.svg
Burundi
Catedral Regina Mundi, em Bujumbura, no Burundi
Ano 2008[1]
Cristãos ≅ 9.900.000 (86%)
Católicos ≅ 7.100.000 (62,1%)
População 11.466.756
Presidente da Conferência dos Bispos Católicos Gervais Banshimiyubusa
Núncio apostólico Wojciech Załuski
Códice BI

A Igreja Católica no Burundi é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé.

Índice

HistóriaEditar

Período colonialEditar

O catolicismo foi introduzido na era colonial pelos alemães, no ano 1879 como um aliado político, assumindo assim o controle de áreas de educação e saúde, obtendo sucesso social enorme. A partir de 1916, Burundi passa a ser uma colônia belga, a metrópole deu ao controle da Igreja Católica todo o setor da educação e da saúde. A Igreja lutou contra a difusão da religião tradicional (pagã), e fez o possível para minar e remover a teocracia burundinesa e ruandesa.[2]

Desde 1930, mais de 70% dos burundineses já haviam se convertido à Igreja Católica. Assim, o Burundi tornou-se uma frente de resistência ao islã, ao lado de Ruanda, onde o catolicismo também floresceu. A chegada dos padres da Sociedade dos Missionários da África, conhecidos como padres brancos, em 1931, veio para realizar evangelização em massa de pessoas, enfraquecendo as crenças tribais. Os padres brancos também introduziram o alfabeto latino e a ortografia do kirundi e do kinyarwanda[2]

Em questão de 20 anos, mais de 70% dos burundineses tornaram-se católicos. O francês continuou sendo a língua oficial, porque a maioria dos missionários eram franceses (ou da Valônia). No entanto, uma nova geração de sacerdotes origem flamenga, e passaram a focar mais sua evangelização na etnia dos hutus, já que os tutsis haviam abraçado mais facilmente a fé católica.[2]

Guerra civil e atualidadeEditar

 Ver artigo principal: Guerra Civil do Burundi

A Guerra Civil Burundinesa, que durou de 1993 a 2006, deixou mais de 300.000 mortos.[3][4] "A Igreja já faz muito pela paz e reconciliação em Burundi e pretende continuar com mais decisão ainda nesta estrada", dizem fontes locais de Bujumbura.[5] Durante o conflito, muitos religiosos foram atacados e/ou perderam a vida. Após a assinatura do acordo de paz, não houve relatos de incidentes contra a liberdade religiosa ou de agressão contra religiosos. Mas, em 7 de setembro de 2014, o país se viu chocado com a ocorrência do assassinato brutal de três irmãs missionárias italianas da ordem xaveriana de Maria: Lucia Pulici (75 anos), Olga Raschietti (82 anos) e Bernadetta Boggian. Em dois ataques separados, as irmãs foram violentadas, espancadas e esfaqueadas até à morte, na capital Bujumbura. A polícia disse que Christian Butoyi Claude, de 33 anos, confessou o crime, dizendo que o convento havia sido construído num terreno da sua família.[4] Num encontro entre os bispos do Burundi e o presidente Pierre Nkurunziza, foi declarado que "em todas as dioceses burundineses haveria um sínodo sobre a paz e a reconciliação na Igreja e em todo o Burundi" A Igreja, além do trabalho pastoral, também desenvolve um papel social importante no país. Há o apoio que a Igreja oferece e pode ainda oferecer para o sistema educativo do País” relatam as fontes. "O Presidente Nkurunziza, de fato, tinha feito um apelo aos Chefes religiosos para que ponham a disposição instalações de suas comunidades para as aulas. Em Burundi, existe uma grave carência de escolas. A Igreja católica deu uma enorme contribuição ao construir escolas em diversas partes do País. Certamente o apelo do Presidente não será ignorado mesmo que não haja alguns problemas práticos para fazer com que as atividades escolares sejam compatíveis com as atividades pastorais".[5]

Em 2015, o país mergulhou na sua pior crise desde o final da guerra civil de 2005, quando o presidente Nkurunziza se candidatou à reeleição procurando um terceiro mandato,[4][6] o que é proibido pela constituição e pelo acordo de paz feito após a guerra civil[3][6]. Após uma tentativa de golpe de Estado, em maio de 2015, o governo bloqueou as redes sociais e todas as principais rádios privadas foram proibidas de emitir, incluindo a Rádio Maria, propriedade da Igreja Católica. O Governo acusou as estações de rádio de terem incentivado a insurreição[4]. Desde o início desta última crise, a Igreja Católica não apoiou a candidatura do presidente Nkurunziza[3][6][7], pedindo um diálogo político inclusivo. Em 27 de maio de 2015, uma semana antes das eleições legislativas, a Conferência dos Bispos anunciou que a Igreja iria retirar todo o clero que estava trabalhando com a comissão eleitoral. A justificativa desta decisão foi de que “uma vez que a Igreja tem uma missão de reconciliação, não podemos participar num processo em que há ausência de consenso”. Pouco depois, a paróquia católica de Muramba, na província de Muyinga, foi forçada a fechar as suas portas após militantes do partido do governo terem ofendido os sacerdotes, chamando-lhes "cães".[4]

Organização territorialEditar

Conferência EpiscopalEditar

O episcopado do Burundi constitui a Conferência dos Bispos Católicos do Burundi (em francês: Conférence des Evêques catholiques du Burundi – CECAB), criada em 1980.[9]

Nunciatura ApostólicaEditar

 Ver artigo principal: Nunciatura Apostólica no Burundi

A Nunciatura Apostólica do Burundi foi instituída em 11 de fevereiro de 1963, com o breve Christianae veritatis, do Papa João XXIII, com sede em Bujumbura.[10]

Referências

  1. «Burundi». GCatholic. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  2. a b c «Burundi». Portal São Francisco. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  3. a b c 2015-08-20. «Presidente do Burundi toma posse para polêmico terceiro mandato». G1. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  4. a b c d e «DISPOSIÇÕES LEGAIS EM RELAÇÃO À LIBERDADE RELIGIOSA E APLICAÇÃO EFETIVA» (PDF). ACN - Ajuda à Igreja que Sofre. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  5. a b «ÁFRICA/BURUNDI - Paz, reconciliação e educação: a Igreja católica oferece sua contribuição insubstituível». Agência Fides. 9 de setembro de 2005. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  6. a b c «Bispos de Burundi: não a modificações da Constituição». Vatican News. 4 de maio de 2018. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  7. «CRISE EM BURUNDI COLOCA A IGREJA EM UMA SITUAÇÃO DELICADA». Portas Abertas. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  8. «Burundi - Current Dioceses». Catholic-Hierarchy. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  9. «Conférence des Evêques catholiques du Burundi (C.E.C.A.B.)». GCatholic. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  10. «Apostolic Nunciature Burundi». GCatholic. Consultado em 18 de novembro de 2018 

Ver tambémEditar