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Cemitério da Consolação

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O Cemitério da Consolação é a mais antiga necrópole ainda em funcionamento na cidade de São Paulo e uma das principais referências do Brasil no área da arte tumular.[1] Localizado no distrito da Consolação, região central da capital paulista, foi fundado em 10 de julho de 1858 e inaugurado oficialmente em 15 de agosto do mesmo ano com o nome de Cemitério Municipal, tendo uma área de 76 340 m².

Cemitério da Consolação
Portão principal do Cemitério, na Rua da Consolação, projetado por Ramos de Azevedo
Inauguração 1858 (159 anos)
Localização São Paulo
País  Brasil
Tipo Público
Área 76.340 m²
Proprietário Prefeitura Municipal de São Paulo
Administração Prefeitura Municipal de São Paulo

Seu principal objetivo na época era de garantir a salubridade e evitar epidemias, pois viria para substituir o hábito então recorrente de sepultar os mortos nos interiores das igrejas.[2] O Cemitério da Consolação é um dos 22 cemitérios públicos administrados pelo Serviço Funerário do Município de São Paulo.

Com a prosperidade advinda da aristocracia da cafeicultura e o surgimento de uma expressiva burguesia em São Paulo, o Cemitério da Consolação passou a abrigar obras de arte produzidas por escultores de renome, que serviam para ornamentar os jazigos de personalidades importantes na história do Brasil. O cemitério possui em sua área um ambiente arborizado e tranquilo, oposto da agitada rua de mesmo nome. O ambiente apresenta trezentas esculturas e trabalhos de artistas importantes como Victor Brecheret e o arquiteto Ramos de Azevedo, que projetou o portão monumental do cemitério.[3]

O local abriga um grande número de sepulturas de figuras conhecidas, além de personalidades da história paulistana, como: Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Ramos de Azevedo, Marquesa de Santos e Líbero Badarò.[4] Além do monumental mausoléu da família Matarazzo, considerado o maior da América do Sul, alcançando uma altura de aproximadamente um prédio de três andares.[3]

O cemitério mantém visitas guiadas, através de agendamento prévio, por meio do projeto Arte tumular, que é coordenado pela administração do cemitério. Essas visitas tem o intuito de compreender a história do cemitério, as obras de arte, conhecendo as pessoas e famílias sepultadas no local.[3][4]

Índice

HistóriaEditar

 
A entrada no Dia de Finados, 1928.

AntecedentesEditar

Ainda que inaugurado oficialmente em 1858, o Cemitério da Consolação tem uma história anterior a esta data. Foi em meados de 1829 que o então vereador Joaquim Antonio Alves Alvim defendeu a construção de um cemitério público na cidade. Antes disso, a prática era que os corpos deveriam ser sepultados em solo sagrado, ou seja, no interior de igrejas, pois o senso comum era de que a proximidade com os santos auxiliaria a entrada daqueles corpos no Paraíso.[5] No entanto, tal prática trazia inúmeros problemas de saúde pública e assim, com a aparição de ideias de sanitarismo e higiene, os governos das cidades começaram a criar os primeiros cemitérios públicos.[6]

Por envolver crenças religiosas, as ideias de mudança sobre os sepultamentos foram discutidas intensamente, tendo durado cerca de trinta anos desde a proposta inicial de Alvim. Durante esse período, a ideia da construção de um cemitério público foi sofrendo algumas alterações sobre sua localização (ao lado da igreja da Consolação, no bairro da Luz ou no bairro Campos Elísios). Foi em 1855 que o engenheiro Carlos Rath elaborou um estudo indicando que o melhor local para a construção do cemitério deveria ser na região da Consolação, já que levava em conta a elevada altitude da região, a direção dos ventos dominantes, qualidade do solo e, até então, a distância da cidade.[5]

 
Vista da capela a partir do portão principal.

Algumas partes das terras do local eram de domínio público, sendo que a parte de chácara pertencia a Marciano Pires de Oliveira. Foi somente um ano depois do início das obras (em 1855), que a Câmara Municipal conseguiu comprar parte da chácara pelo valor de duzentos mil réis. Entretanto, a construção seguia devagar por conta da falta de verba para a sua continuidade. Foi então que a Marquesa de Santos doou, em 1857, dois contos de réis (uma considerável fortuna na época), para ser de utilidade exclusiva na construção da capela.[5]

 
Uma das alamedas do Cemitério da Consolação.

InauguraçãoEditar

Quando se dá o surto de varíola na cidade de São Paulo em 1858, os corpos ainda estavam sendo enterrados nas igrejas. O presidente da província ordena então à Câmara Municipal de São Paulo, em 7 de julho de 1858, que proibisse a partir de então as práticas de sepultamento nos templos. Dessa forma o Cemitério da Consolação passaria a receber os primeiros corpos das vítimas desta epidemia, antes mesmo que as obras do mesmo estivessem totalmente concluídas. Assim, no dia 15 de agosto de 1858, quando aconteceu o primeiro sepultamento no cemitério, foi oficialmente inaugurado o Cemitério da Consolação, primeiro cemitério público de São Paulo.

Posteriormente, a área do cemitério foi aumentada: em 1884 foi incorporada a parte da chácara do Conselheiro Ramalho, localizada nos limites com o bairro de Higienópolis, e em 1890, com a venda da grande chácara de Joaquim Floriano Wanderley, na direção da av. Paulista, ao custo de 3 contos de réis.[7]

Primeiros AnosEditar

 
Túmulo de Olívia Guedes Penteado, escultura de Victor Brecheret.

Em seus primeiros anos, o Cemitério da Consolação era o lugar de sepultamento de pessoas de todas as classes sociais, incluídos os escravos, que foram posteriormente transferidos ao cemitério dos Aflitos. Até o ano de 1893, o Cemitério da Consolação era o único cemitério na cidade de São Paulo, até a abertura do Cemitério do Brás e a inauguração do Cemitério do Araçá, em 1897. Foi então que, com a construção dessas duas novas necrópoles, o cemitério começou um processo de elitização, passando a receber quase que exclusivamente pessoas das classes média e alta, devido ao loteamento dos terrenos em jazigos perpétuos que passaram a ser vendidos pela prefeitura. Na época, um túmulo suntuoso era visto como sinal inequívoco de status social. Havia uma verdadeira competição entre as famílias abastadas que construíam jazigos cada vez mais sofisticados, em materiais nobres como mármore e bronze. A ornamentação ficava a cargo de artistas de primeira grandeza, que tinham na arte tumular uma atividade com demanda estável a altamente lucrativa. Uma ala específica do cemitério, principalmente a voltada para a rua da Consolação, começou a se tornar cada vez mais aristocrática. Um caso que exemplifica bem, é de Antonio José de Melo que no ano de 1871 encomendou, na Europa, a confecção de um mausoléu, que foi remontado em São Paulo.[5]

Em 1901, o então vereador José Oswald Nogueira de Andrade, pai do escritor Oswald de Andrade, propôs uma reforma geral nos muros e portões de entrada, com o argumento de que o cemitério estava com um aspecto desagradável para a cidade. Um ano depois, tais reformas foram aprovadas e teve o arquiteto Ramos de Azevedo como autor do novo projeto. 

O resultado das novas obras já podiam ser vistas em 1909, época em que o cemitério se tornou a primeira necrópole de São Paulo "por todos admirada, principalmente por visitantes estrangeiros".[5]

AtualmenteEditar

O cemitério é tido por muitos como um museu a céu aberto, abrigando túmulos de personalidades históricas e famílias ilustres da sociedade brasileira e da sociedade paulista. Além disso, é também referência na arte tumular no Brasil, reunindo cerca de mais de trezentas obras de escultores como Victor Brecheret, Celso Antônio Silveira de Menezes, Nicola Rollo, Luigi Brizzolara e Galileo Emendabili e do arquiteto Ramos de Azevedo,[8] chamando a atenção não somente dos apreciadores de arte como de fotógrafos e até mesmo estudantes de arquitetura.

Um dos destaques do cemitério é o colossal mausoléu da família Matarazzo, o maior da América Latina. Tem o tamanho aproximado de um prédio de três andares e é ornamentado por um impressionante conjunto escultório em bronze italiano, obra de Luigi Brizzolara.[3] Segundo jornalistas à época de sua construção, teria custado praticamente o mesmo que o Hospital Umberto I.[carece de fontes?] Assim, o empreendedor italiano Matarazzo contrapunha-se ao elitismo da aristocracia cafeeira paulista, que ignorava abertamente os imigrantes recém-enriquecidos nos círculos sociais.

Além de personalidades históricas e centenárias do país, estão enterradas no cemitério, pessoas como o compositor Paulo Vanzolini, morto em 2013, e o ator Paulo Goulart, que faleceu em 2014.

Em 31 de julho de 2015, moradores, concessionários e líderes comunitários reuniram-se para debater a condição em que está o Cemitério, e o que pode ser feito no intuito de colaborar com as autoridades, a administração do local e a população para preservar tão importante patrimônio religioso, histórico e cultural. Nessa reunião fundaram o MDCC - Movimento em Defesa do Cemitério da Consolação.[9]

Em vista dessas melhorias, podem ser encontrados em cada túmulo do cemitério um totem com QR-code, que disponibiliza uma leitura para celular e direciona o visitante diretamente para uma página com o perfil do homenageado em questão. Além disso, também foram instituídas visitadas monitoradas para estudantes, professores, pesquisadores, turistas e outros.[10] Esses tours são de entrada gratuita e tem o interessante roteiro "Arte Tumular", organizado pela administração do cemitério com o intuito de apresentar a história, os túmulos e obras de artes instaladas no local. Durante o mês de novembro de 2015 ocorreram algumas visitas experimentais noturnas, com possível implementação posterior, mas tal dinâmica acabou não vingando. Atualmente as visitas acontecem todas as terças e sextas-feiras em períodos diurnos com a necessidade da realização de agendamento prévio, por meio de e-mail ou telefone com a prefeitura municipal.[1]

Algumas atividades que pretendiam ser inseridas no cemitério ainda enfrentam resistência, como o "Cinetério". O programa que surgiu de dentro do projeto Mês da Cultura Independente, da Secretaria Municipal de Cultura, tinha como objetivo exibir gratuitamente filmes de terror em telões instalados nos corredores do cemitério. Alguns eventos ocorreram e geraram uma grande procura do público, como o de 13 de setembro de 2014 que atraiu um público cinco vezes maior do que o esperado e formou uma fila de mais de mil pessoas para fora do cemitério.[11]

Porém, no dia 12 de setembro de 2015 uma liminar da justiça apresentada por um concessionário proibiu as três sessões que ocorreriam no mesmo dia e obrigou que a organização mudasse o endereço para a rua lateral do cemitério. O MDCC acredita que eventos como o "Cinetério" violam a finalidade essencial do local e colocam em risco sua segurança de preservação, por isso luta contra o acontecimento desses eventos.

LocalizaçãoEditar

Localizado no passado inicialmente na periferia de São Paulo, em um ponto distante, acaba depois de um crescimento da economia cafeeira cercado de casarões da elite paulista.

Atualmente, o cemitério se estabelece em uma das mais nobres áreas da cidade. Ficando entre as ruas da Consolação, Sergipe, Mato Grosso e Cel. José Eusébio. O cemitério tem seus acessos pela Rua da Consolação e pela Rua Mato Grosso. Tem como estações de metrô mais próximas, a Estação Paulista, estação da Linha 4-Amarela, a Estação Consolação, estação da Linha 2-Verde, e a Estação Clinicas, estação também da Linha 2-Verde.

Personalidades sepultadasEditar

 
Túmulo do ex-presidente Campos Salles.
 
O mausoléu da Família Matarazzo, com 23 metros de altura e 2 subsolos, é considerado o maior túmulo da América do Sul.
 
Túmulo de Moacir de Toledo Piza, e escultura de Francisco Leopoldo e Silva, intitulada "Interrogação".

No Cemitério da Consolação encontram-se os restos mortais de muitas personalidades importantes da História do Brasil, tais como:

Vandalismo e furtosEditar

Uma das principais queixas de familiares à gestão do cemitério é o descaso quanto à segurança necessária. Túmulos saqueados, vandalismo, estátuas de alto valor roubadas, entre outros, resultam em um cenário com ossadas expostas, tijolos substituindo portas de túmulos e falta de adornos. Isso se dá pela falta de guardas, câmeras e guaritas, de maioria no período da noite. Medidas como segurança 24 horas por dia, mais iluminação e câmeras já foram adotadas e pretendem garantir a integridade do patrimônio.[19]

O roteiro Arte Tumular, organizado pela administração do cemitério, convida as pessoas a conhecer a história do cemitério, as obras de arte, pessoas e famílias presentes no cemitério. As visitas são monitoradas pelo sepultador Francisvaldo Gomes, conhecido como Popó, que teve como "mestre" o falecido historiador Délio Freire dos Santos, responsável pelas primeiras pesquisas sobre o patrimônio artístico e histórico do local.

Ver tambémEditar

BibliografiaEditar

  • FIX, Reinaldo Guilherme. Os muros que separam os mortos: um estudo de caso dos cemitérios da Consolação, dos Protestantes e da Ordem Terceira do Carmo. Trabalho de Graduação Individual. USP, São Paulo, 2007. (disponível na biblioteca da FFLCH-USP e na administração do cemitério)
  • REZENDE, Eduardo Coelho Morgado. O Céu Aberto na Terra: Uma leitura dos cemitérios de São Paulo na geogrfia urbana. São Paulo: Necrópolis. 2006

Referências

  1. a b Robson Rodrigues (7 de outubro de 2010). «Cemitério da Consolação». São Paulo Turismo. Consultado em 21 de dezembro de 2011 
  2. Paulo Toledo Piza (15 de agosto de 2008). «Cemitério da Consolação, marco histórico e turístico de SP, completa 150 anos». Folha Online. Consultado em 21 de dezembro de 2011 
  3. a b c d Sampaio, Leandro. «Cemitério da Consolação». www.cidadedesaopaulo.com. Consultado em 25 de abril de 2017 
  4. a b «Cemitérios de São Paulo reúnem túmulos de artistas e famosos». São Paulo. 2 de novembro de 2015 
  5. a b c d e «História e arte no Cemitério da Consolação» (PDF) 
  6. «Prefeitura de São Paulo». www.prefeitura.sp.gov.br. Consultado em 14 de setembro de 2016 
  7. Luís Soares de Camargo (16 de setembro de 2010). «As origens do Cemitério da Consolação». Prefeitura de São Paulo. Cópia arquivada em 2 de maio de 2017 
  8. «Cemitério da Consolação». www.cidadedesaopaulo.com. Consultado em 14 de setembro de 2016 
  9. Kuzmickas, Luciane (30 de agosto de 2013). «Estado de conservação dos monumentos pétreos do Cemitério da Consolação, São Paulo». doi:10.11606/d.44.2013.tde-18112013-104436 
  10. "Assis", "Magno", "Mauro", "Palácio", "Orbeg", "Ramos", "Barbosa", "Bastos", "Ângela", "Carlos", "Giuliana", "Joyce", "Kizzy", "Maysa", "Rúbia", "Sênia" (Setembro de 2010). «O CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO COMO ESPAÇO DE VISITAÇÃO TURÍSTICA NA CIDADE DE SÃO PAULO/ SP» (PDF). TURyDES. Consultado em 1 de Maio de 2017 
  11. Clipping 13, 14 e 15/09/2014
  12. http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/02/morre-em-sp-o-ex-deputado-adhemar-de-barros-filho.html
  13. a b c d e f g h i j k l m http://www.dgabc.com.br/Noticia/1540665/alem-do-tumulo
  14. a b c d e f g http://www.saopauloantiga.com.br/12-tumulos-curiosos-consolacao/
  15. «Corpo da atriz Geórgia Gomide é enterrado em SP». G1. 29 de janeiro de 2011. Consultado em 20 de agosto de 2014 
  16. https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/08/18/mp-apura-violacao-do-tumulo-de-monteiro-lobato.htm
  17. http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/03/corpo-de-paulo-goulart-e-enterrado-em-sao-paulo.html
  18. http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL614731-5601,00-CORPO+DE+RUTH+CARDOSO+E+ENTERRADO+NO+CEMITERIO+DA+CONSOLACAO+EM+SAO+PAULO.html
  19. «Cemitério da Consolação tem furtos e funcionário fantasma - São Paulo - Estadão». Estadão 

Ligações externasEditar