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Cerâmica

(Redirecionado de Cerâmico)
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Cerâmica (desambiguação).

A cerâmica (do grego κέραμος — "argila queimada"[1][2] ou κεραμικὀς, translit. keramikós: 'de argila'[3]) é a arte ou a técnica de produção de artefatos de objetos tendo a argila como matéria-prima. Qualquer classe de material sólido inorgânico, não-metálico (não confundir com termo ametal) que seja submetido a altas temperaturas (aproximadamente 540 °C) na manufatura. Geralmente uma cerâmica é um óxido metálico, boreto, carbeto, nitreto, ou uma mistura que pode incluir aniões.[4]


Origem da CerâmicaEditar

A cerâmica é muito antiga, sendo que peças de argila cozida foram encontradas em diversos sítios arqueológicos. No Japão, as peças de cerâmicas mais antigas conhecidas por arqueólogos foram encontradas na área ocupada pela cultura Jomon há cerca de oito mil anos (ou mais).

Antes do final do período Neolítico (ou da Pedra polida), que compreendeu, aproximadamente, de 26.000 AC até por volta de 5.000 AC, à habilidade na manufatura de peças de cerâmica deixou o Japão e se espalhou pela Europa e pela Ásia, não existindo, entretanto, um consenso sobre como isto ocorreu. Na China e no Egito, por exemplo, a utilização da cerâmica remonta a mais de cinco mil anos. Nas tumbas dos faraós do Antigo Egito, vários vasos de cerâmica continham vinho, óleos e perfumes para fins religiosos.

Um dos grandes exemplos da antiga arte cerâmica chinesa está expresso pelos guerreiros de Xian. Lá, em 1974, os arqueólogos encontraram o túmulo do imperador Chi-Huand-di, que nasceu por volta do ano 240 AC. Para decorá-lo, foi feita a réplica em terracota de um exército de soldados em tamanho natural. Terracota é o termo empregado para a argila modelada e cozida em forno.

Muitas culturas, desde os primórdios, desenvolveram estilos próprios que, com o passar do tempo, consolidavam tendências e evoluíam no aprimoramento artístico. Estudiosos confirmam que a cerâmica é a mais antiga das indústrias. Ela nasceu no momento em que o homem começou a utilizar o barro endurecido pelo fogo. Esse processo de endurecimento, obtido casualmente, multiplicou-se e evoluiu até hoje. A cerâmica passou a substituir a pedra trabalhada, a madeira e mesmo as vasilhas feitas de frutos como o coco ou a casca de certas cucurbitáceas (porungas, cabaças e catutos).

As primeiras cerâmicas de que se tem notícia são da pré-história: vasos de barro, sem asa, que tinham cor de argila natural ou eram escurecidas por óxidos de ferro. A cerâmica para a construção e a cerâmica artística com características industriais só surgiram na Antiguidade em grandes centros comerciais. Mais recentemente, passou por uma vigorosa etapa após a Revolução Industrial.

Tipos de cerâmicaEditar

As cerâmicas são comumente divididas em dois grandes grupos:

 
Concepção artística de um ônibus espacial entrando na atmosfera terrestre, quando a temperatura atinge mais de 1.500°C.
  • Cerâmica Tradicional - Inclui cerâmica de revestimentos, como ladrilhos, azulejos e também potes, vasos, tijolos e outros objetos que não tem requisitos tão elevados se comparados ao grupo seguinte.
  • Cerâmica Avançada, ou de engenharia - Geralmente são materiais com solicitações maiores e obtidos a partir de matéria-prima mais pura. são abstraídos motivo,[5] ferramentas de corte para usinagem, tijolos refratários para fornos.[6]

ClassificaçãoEditar

Os materiais cerâmicos podem ser classificadas de diversas formas, o mais usual é classificação por aplicação. Outras formas de classificação mais aprimoradas são:

História da cerâmica no BrasilEditar

No Brasil, a cerâmica tem seus primórdios na Ilha de Marajó. A cerâmica marajoara aponta à avançada cultura indígena que floresceu na ilha. Estudos arqueológicos, contudo, indicam a presença de uma cerâmica mais simples, que indica ter sido criada na região amazônica por volta de cinco mil anos atrás.

A cerâmica marajoara era altamente elaborada e de uma especialização artesanal que compreendia várias técnicas: raspagem, incisão, excisão e pintura. A modelagem é tipicamente antropomorfa, embora haja exemplares de cobras e lagartos em relevo. De outros objetos de cerâmica, destacavam-se bancos, estatuetas, rodelas de fuso, tangas, colheres, adornos auriculares e labiais, apitos e vasos miniatura. Mesmo desconhecendo o torno e operando com instrumentos rudimentares, os indígenas criaram uma cerâmica de valor, que dá a impressão de superação dos estágios primitivos da Idade da Pedra e do Bronze.

Dessa forma, a tradição ceramista não chegou ao Brasil com os portugueses ou na bagagem cultural dos escravos, como muitos acreditam. Os índios aborígines firmaram a cultura do trabalho em barro quando Cabral aportou no território. Os colonizadores portugueses, instalando as primeiras olarias, nada de novo trouxeram, mas estruturam e concentraram a mão de obra.

O processo empregado pelos indígenas, no entanto, sofreu modificações com as instalações de olarias nos colégios, engenhos e fazendas jesuítas, onde se produziam tijolos, telhas e louça de barro para consumo diário. A introdução de uso do torno e das rodadeiras parece ser a mais importante dessas influências, que se fixou especialmente na faixa litorânea dos engenhos, nos povoados, nas fazendas, permanecendo nas regiões interioranas as práticas manuais indígenas.

Com essa técnica, passaram a ser fabricadas peças com maior simetria na forma, acabamento mais aprimorado e menor tempo de trabalho.

Estrutura CristalinaEditar

Estruturas cristalinas são arranjos regulares, tridimensionais, de átomos no espaço. A regularidade com que os átomos se agregam nos sólidos decorre de condições geométricas impostas pelos átomos envolvidos, pelo tipo de ligação atômica e pela compacidade. Essas estruturas cristalinas observadas nos sólidos são descritas através de um conceito geométrico chamado rede espacial, e podem ser explicadas pelo modo como os poliedros de coordenação se agrupam, a fim de minimizar a energia do sólido.[8]

Cerâmica CristalinaEditar

Os materiais cerâmicos cristalinos não são passíveis de uma grande variedade de processamento. Os métodos para lidar com eles tendem a se enquadrar em uma de duas categorias - fazer a cerâmica na forma desejada, por reação in situ ou "formar" pós na forma desejada e depois sinterizar para formar um corpo sólido. As técnicas de moldagem em cerâmica incluem modelagem manual (às vezes incluindo um processo de rotação chamado "arremesso"), moldagem por deslizamento, moldagem por fita (usada na fabricação de capacitores cerâmicos muito finos), moldagem por injeção, prensagem a seco e outras variações.

Cerâmica não cristalinaEditar

A cerâmica não cristalina, sendo vidro, tende a ser formada a partir de fundidos. O vidro é moldado quando totalmente derretido, por vazamento ou em estado de viscosidade semelhante ao toffee, por métodos como sopro em um molde. Se tratamentos térmicos posteriores fizerem com que esse vidro se torne parcialmente cristalino, o material resultante será conhecido como vitrocerâmico, amplamente utilizado como tampo de cozinha e também como material compósito de vidro para descarte de resíduos nucleares.[9]

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

Referências

  1. Hans Thurnauer: "Ceramics"; in: "Dielectric Materials and Applications", edited by A. R. von Hippel, published jointly by The Technology Press of M.I.T. and John Wiley & Sons, 1954
  2. Callister, Jr William D. Ciência e Engenharia de Materiais: Uma Introdução. 5ª edição, 2002, pp 266)
  3. [Dicionário Houaiss: "cerâmica"]
  4. W.W Perkins, American Ceramic Society's Ceramic Glossary (1984, pp 13-4)
  5. Redd, James Stalford, Principles of ceramics processing 2nd ed. (1988)
  6. David W. Richerson, Modern Ceramic Engineering (1992)
  7. Shigeyuki Somiya, Advanced technical ceramics (1989 pp 11-25)
  8. «Estrutura Cristalina». CIÊNCIA DOS MATERIAIS MULTIMÍDIA. 2013. Consultado em 15 de novembro de 2019 
  9. Rasteiro, M.G. (Abril de 2007). «Crystalline phase characterization of glass-ceramic glazes». Elsevier - Ceramics International. Consultado em 15 de novembro de 2019