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Os cercamentos legais foram um fenômeno ocorrido na Inglaterra de Elizabeth I, filha do segundo casamento de Henrique VIII, desde o século XVII, que marcam o início da Revolução Industrial, considerada uma das maiores revoluções do mundo.

No modo de produção feudal, a terra era um bem comum para a produção camponesa. A partir do momento em que se processa a transição para o modo de produção capitalista, a terra passou a ser encarada como um bem de produção. Desse modo, uma parte dos senhores feudais ingleses — a "gentry" (nobreza rural mais progressista, aburguesada) e os "yoemen" (camada mais rica dos pequenos e médios proprietários) — passaram a cercar as suas terras (cercamentos), arrendando-as como pastagens para a criação de ovelhas, e delas expulsando os camponeses.

O processo intensificou-se no século XVIII. A das ovelhas abastecia as indústrias têxteis e os camponeses migravam para as cidades em busca de trabalho nas manufaturas, disponibilizando um grande contingente de mão de obra, o que mantinha os salários baixos.

O capitalismo comercial evoluiu, gerando uma separação entre capital e trabalho. Enquanto a burguesia acumulava patrimônio e moeda, capitalizando-se, os trabalhadores foram sendo limitados à condição de assalariados, donos unicamente de sua força de trabalho. A burguesia preparava-se, então, para o completo controle dos meios de produção, o que se consolidaria definitivamente com a Revolução Industrial.

Para adequar o meio rural ao capitalismo comercial e reorganizar a produção, tornando-a mais eficiente nos moldes do capitalismo emergente, os proprietários lançaram mão de diversos recursos. Um exemplo foram os "cercamentos" na Inglaterra, com o desvio do uso da terra para a criação de ovelhas — tarefa que requeria pouca mão de obra e destinava-se à produção de lã exportada para Flandres. Assim formou-se um enorme contingente servil desocupado no campo. Sem opções, essa massa de trabalhadores dirigiu-se para as cidades, onde se tornou disponível para, mais tarde, ser empregada na colonização britânica da América e, principalmente, nas unidades fabris durante a Revolução Industrial.

Esses trabalhadores eram parte do chamado exército industrial de reserva e viviam em condições precárias nas cidades. Geralmente habitavam antigas casas senhoriais extremamente subdivididas, transformadas em cortiços, símbolos da péssima qualidade de vida, sem qualquer perspectiva de um crescimento existencial ou intelectual.

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