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Cerro da Vila

povoado romano no concelho de Loulé, Portugal
Ruínas romanas do Cerro da Vila
Vestígios dos muros dos edifícios e dependência.
Tipo Villa

(Villa rústica romana)

Início da construção Século I
Restauro Século II - século III (alterações significativas)
Proprietário inicial Império Romano
Função inicial Privado
Proprietário atual Estado Português
Função atual Cultural
Website Página oficial
Património Nacional
Classificação Logotipo Imóvel de Interesse Público
Data 1977
DGPC 69840
SIPA 1326
Geografia
País Portugal Portugal
Cidade Quarteira, Loulé
Coordenadas 37° 4' 48.02" N 8° 7' 13.05" O
Geolocalização no mapa: Faro
Ruínas romanas do Cerro da Vila está localizado em: Faro
Ruínas romanas do Cerro da Vila

As ruínas romanas do Cerro da Vila são uma Estação Arqueológica localizada junto à costa marítima, praticamente no centro geográfico do conjunto turístico de Vilamoura, situam-se no distrito de Faro, no concelho de Loulé e mais precisamente na freguesia de Quarteira. Constituídas por várias banheiras e mosaicos romanos datados de mais de 2000 anos. Neste local, ocupado por sucessivas civilizações, nomeadamente Romanos, Visigodos e Árabes, encontram-se testemunhos vivos de povos e gentes que aqui edificaram construções e aqui permaneceram durante nove séculos.

DescriçãoEditar

 
Reconstituição da villa romana.

ComposiçãoEditar

A água era um elemento sempre presente, jorrando das bicas e das estátuas para o lago do jardim, espaço central em torno do qual toda a casa se desenvolvia: uma grande sala de recepção e de refeições de Verão, os quartos, a cozinha, as áreas de serviços, que incluíam um criptopórtico.[1]

Os senhores do Cerro da Vila fizeram-se sepultar em mausoléus com columbário, uma cripta com pequenos nichos laterais para a colocação das urnas contendo cinzas. Em época mais tardia, foi crescendo um vasto cemitério com sepulturas de inumação, só parcialmente descoberto.[1]

Pouco se conhece sobre a economia produtiva local, mas várias oficinas com tanques indiciam o fabrico de preparados de peixe ou, mais provavelmente, a tinturaria de tecidos a partir da púrpura. O achado de grandes quantidades de elementos importados, ânforas, lucernas, loiças e vidros, demonstra a integração do Cerro da Vila na rede comercial do Império Romano.[1]

Mosaicos e muraisEditar

O complexo romano do Cerro da Vila foi decorado com painéis de mosaicos, que muito provavelmente foram executados pelos mesmos artistas de Milreu e Ossónoba, e que faziam parte de algum grupo itinerante, talvez vindo da cidade de Cartago, no Norte de África, que era então um dos maiores centros para mosaístas no império romano.[2] Estes grupos de artistas tornaram-se famosos pela riqueza dos seus trabalhos, pelo que eram muito procurados pelos proprietários das villas, que pretendiam dessa forma aumentar o seu próprio prestígio.[2]

As paredes eram revestidas com estuques pintados a fresco, com cores garridas e motivos florais e geométricos. O pavimento era decorado com mosaicos multicolores. As esculturas de deuses e homens decoravam os espaços interiores, harmonizando um conjunto fantástico de cor e recorte de pedra.[1]

 
Evolução do complexo romano do Cerro da Vila.
 
Reconstrução das cetárias em funcionamento.

HistóriaEditar

Período romanoEditar

Embora a área de Vilamoura tenha sido povoada desde remotas eras – como são testemunho as sepulturas da Idade do Bronze descobertas na Vinha do Casão – foram os romanos, a partir do século I d.C., os primeiros habitantes do local hoje denominado Cerro da Vila.[carece de fontes?]

No período após o Nascimento de Cristo, a Península Ibérica esteve sobre o controlo da Civilização romana, uma extensa entidade política e militar que no seu auge dominou a maior parte do continente europeu, e grandes territórios no Norte de Àfrica e no próximo oriente.[3] A conquista romana da Península Ibérica teve o seu início durante as Guerras Púnicas, quando atacou as colónias Cartaginesas, tendo a campanha terminado com a derrota de Gades (Cádis) em 206 a.C..[4] Em seguida, as legiões romanas lançaram uma série de campanhas para conquistar o resto da península, processo que levou cerca de duzentos anos.[5] A Guerra Lusitana, que opôs as forças romanas às tribos nativas, iniciou-se em 155 a.C., e foi concluída no século I d.C., com a conquista total da península.[4]

A faixa litoral junto à ponta Sudoeste da península foi uma das principais zonas para a colonização por parte das elites romanas, devido ao clima ameno e à riqueza piscícola e agrícola, além da sua estabilidade política em relação ao restante território, uma vez que estava relativamente protegida por cadeias montanhosas, pelo Rio Guadiana e por uma acidentada faixa costeira.[6] Desta forma, foram estabelecidas importantes cidades junto à costa, como Balsa e Ossónoba, que se afirmaram como centros económicos regionais devido às suas estruturas portuárias, que além de servirem uma rica indústria piscícola, também funcionavam como pontos de contacto com a metrópole e outros pontos da civilização romana.[6] Uma vez que os portos possibilitavam a exportação em grande quantidade de mercadorias, isto permitiu o desenvolvimento de várias quintas em redor das cidades, que além de funcionarem como centros de produção agrícola e piscícola, também serviam como opulentas casas de campo para as elites, como sucedeu com o Cerro da Vila e a Abicada, no concelho de Portimão.[6]

O local hoje denominado de Cerro da Vila foi uma das zonas escolhidas para povoamento pelos romanos, devido à sua localização privilegiada nas margens de uma laguna com ligação próxima e fácil ao mar, que permitia abrigar os barcos nas suas paragens, no decurso das diferentes etapas das suas rotas comerciais, tal como Fenícios e Cartagineses o fizeram anteriormente. Neste local, tal como em todo o sul da Península Ibérica, a produção em grande escala de garum, uma espécie de conserva de peixe, era uma das principais e mais prósperas actividades económicas dos habitantes. Este produto era exportado para todo o Império Romano e especialmente para Roma, onde era muito apreciado.[carece de fontes?]

A exploração agrícola nos férteis terrenos de aluvião, embora provavelmente com menor importância, bem como o comércio de produtos diversos que se desenvolvia entre as várias cidades portuárias e povoados da região, como Ossónoba (Faro), Balsa (Luz de Tavira), Portus Hannibalis (Portimão) ou Lacobriga (Lagos) e outras do Império justificavam também a significativa importância económica dada à região.[carece de fontes?]

No século II e, particularmente, a partir do século III, a área residencial adquiriu uma expressiva dimensão.

 
Mosaicos no Cerro da Vila.

Período árabeEditar

Um conjunto de silos da época islâmica, abertos no interior das casas romanas, denuncia a continuidade de ocupação dos edifícios.

 
Vestígios de cerâmica encontrados no Cerro da Vila.

Redescoberta e preservação das ruínasEditar

Os primeiros vestígios e ruínas foram descobertos em 1963 pelo arqueólogo algarvio José Farrajota, que efectuou as primeiras escavações no local, continuadas posteriormente pelo arqueólogo José Luís de Matos que, durante cerca de 20 anos, procedeu aos principais estudos e deu estampa a vários artigos e publicações sobre o rico património nela existente. As ruínas agora visíveis, com enorme valor arqueológico, vieram dar um significativo contributo para o conhecimento das diversas civilizações que ocuparam o território do Algarve em épocas passadas.

Tendo por fim a valorização e apresentação do sítio ao público, foi construído um museu de sítio onde está patente uma exposição monográfica. Foi ainda editado um Guia desdobrável de apoio à exposição. Prevê-se também a execução de sondagens na área portuária e o estudo dos mosaicos e da arquitectura da vila. Desde Setembro de 1977 está classificado como Imóvel de Interesse Público.[7]

Fazem parte do património Quarteirence, e fazem parte também dos vários centros atractivos e turísticos de Quarteira (Vilamoura).

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d «Itinerários Arqueológicos do Alentejo e Algarve: Villa Romana de Cerro da Vila». IGESPAR. Consultado em 9 de Abril de 2019 
  2. a b CARRASCO et al, 2008:19-20
  3. «Cidadãos da orgulhosa Roma». História da Vida Quotidiana 1.ª ed. Lisboa: Círculo de Leitores. 1993. p. 86-101. 382 páginas. ISBN 972-609-089-X 
  4. a b CAPELO et al, 1994:9-10
  5. «Portugal». Dicionário Enciclopédico Koogan Larousse Seleções 5.ª ed. Lisboa: Selecções do Reader's Digest, S. A. 1981. p. 1497-1498. 1678 páginas 
  6. a b c HAUSCHILD e TEICHNER, 2002:8-9
  7. «ruínas romanas Do Cerro da Vila». IGESPAR. Consultado em 12 de Setembro de 2013 

BibliografiaEditar

  • CAPELO, Rui Grilo; RODRIGUES, António Simões; et al. (1994). História de Portugal em Datas. Lisboa: Círculo de Leitores, Lda. 480 páginas. ISBN 972-42-1004-9 
  • CARRASCO, J. M. Campos; UGALDE, A. Fernández; DILS, S. García; et al. (2008). A rota do mosaico romano: o sul da hispânia (Andaluzia e Algarve). Faro: Universidade do Algarve. Departamento de História, Arqueologia e Património. ISBN 978-989-95616-1-8. Consultado em 11 de Outubro de 2018 
  • HAUSCHILD, Theodor; TEICHNER, Felix (2002). Milreu: Ruínas. Col: Roteiros da arqueologia portuguesa. 9. Traduzido por Rui Parreira. Lisboa: Instituto Português do Património Arquitectónico. 67 páginas. ISBN 972-8736-03-7 
 
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Ligações externasEditar