Chão de Couce

freguesia de Ansião, Portugal
Portugal Portugal Chão de Couce 
  Freguesia  
Localização
Chão de Couce está localizado em: Portugal Continental
Chão de Couce
Localização de Chão de Couce em Portugal
Coordenadas 39° 53' 29" N 8° 22' 09" O
País Portugal Portugal
Concelho Crest of Ansião (Portugal).png Ansião
Administração
Tipo Junta de freguesia
Presidente Fernando Jorge Batista Rodrigues (PPD/PSD)
Características geográficas
Área total 23,8 km²
População total (2011) 1 992 hab.
Densidade 83,7 hab./km²

Chão de Couce é uma freguesia portuguesa do concelho de Ansião, com 23,8 km² de área e 1992 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 83,7 hab/km². Foi vila e sede de concelho entre 1514 e 1855. O antigo município era constituído inicialmente apenas pela freguesia da vila. Tinha, em 1801, 1279 habitantes. Durante a época moderna, era a vila sede da Comarca das Cinco Vilas ou Comarca de Chão de Couce (juntamente com Aguda, Avelar, Maçãs de Dona Maria e Pousaflores), tendo todas recebido foral em simultâneo (12 de Novembro de 1514), tendo sido cabeça desta comarca até 1832. Em 1836, foram-lhe anexadas as freguesias de Avelar e Pousaflores, com a extinção dos respectivos concelhos. Tinha, em 1849, 3568 habitantes. Aquando da extinção, foi integrado no concelho de Figueiró dos Vinhos, passando, em 1895, para o actual município.

PopulaçãoEditar

População da freguesia de Chão de Couce [1]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
1 376 1 566 1 701 2 151 2 414 2 547 2 683 2 887 3 075 2 715 2 277 2 542 2 405 2 349 1 992

Nos anos de 1864 a 1890, pertencia ao concelho de Figueiró dos Vinhos, tendo passado para o actual concelho por decreto de 7 de setembro de 1895

HistóriaEditar

Chão de Couce, como espaço de ocupação humana, remonta ao princípio dos tempos, havendo vestígios arqueológicos da pré-história e da ocupação romana, designadamente vestígios da via romana de Conímbriga a Sélio.

A primeira referência escrita a Chão de Couce respeita à Quinta de Cima, onde actualmente permanece um palacete, que atesta ainda a sua nobreza, e uma capela particular de invocação de Nossa Senhora do Rosário. Esta propriedade pertenceu aos Reis de Portugal (Dinastia de Borgonha), havendo registo da doação feita por Dom Afonso III a D. Constança Gil, dama da rainha Dona Beatriz, como dote de casamento, em 5 de Fevereiro de 1258. Mais tarde, a Quinta foi do Conde de Barcelos, do Mosteiro de Santo Tirso, de Dom Dinis, novamente Mosteiro de Santo Tirso e de João Afonso, genro de Dom Dinis. Consta-se que, aquando do casamento de Dom Fernando I com Dona Leonor de Teles, criticado violentamente pelo povo de Lisboa, o casal real se terá refugiado aqui.

Em 4 de Junho de 1451, Dom Afonso V fez doação da Quinta ao Conde de Vila Real, D. Pedro de Meneses. A Quinta de Cima voltou à Coroa em 1641 (com a execução do seu proprietário, um dos conjurados contra Dom João IV) e, pouco depois, foi integrada na Casa do Infantado até 1834, vindo, posteriormente, a ser propriedade de António Lopes do Rego, sargento-mor e cavaleiro da Ordem de Cristo. A Quinta de Cima é, ainda hoje, uma verdadeira preciosidade em termos artísticos e históricos. No princípio do século XX, embora a arquitectura do belo edifício habitacional nada tivesse de medieval, continuava a ser um espaço idílico (e hoje ainda mantém, praticamente, o mesmo as­pecto).

Em 12 de Novembro de 1514, Dom Manuel I deu foral novo a Chão de Couce e, em conjunto, às vilas de Avelar, Pousaflores, Aguda e Maçãs de Dona Maria - eram as "Cinco Vilas", que tinham como capital Chão de Couce. Estes forais foram confirmados por Dom Filipe I, em 7 de Outubro de 1594. Em 31 de Dezembro de 1836, com a reforma administrativa, os cinco concelhos da comarca das Cinco Vilas constituíram apenas dois concelhos: o de Chão de Couce, com as freguesias de Chão de Couce, Avelar e Pousaflores; e o de Maçãs de Dona Maria, com Maçãs de Dona Maria, Aguda e Arega. Em 1855, é extinto o concelho de Chão de Couce, passando esta freguesia, bem como as de Avelar e Pousaflores, a integrar o concelho de Figueiró dos Vinhos. Passaram, pelo decreto de 7 de Setembro de 1895, a freguesia de Chão de Couce, Avelar e Pousaflores a integrar, por ora, o concelho de Ansião.

Pontos de interesseEditar

A Igreja Matriz de Chão de Couce, construída na 1.ª metade do século XX, tem a nave e a Capela-Mor decoradas com azulejos figurativos, a azul, da autoria de Mário Reis. Do mesmo autor, existem no alto da fachada principal, dois registos de azulejos. Num nicho da capela-mor, existe uma Imagem quinhentista, em pedra, da Virgem, sem pintura. Mas o maior atractivo desta Igreja é, sem dúvida, o Retábulo de Malhoa (1933), representando Nossa Senhora da Consolação. Foi a última grande obra de Mestre Malhoa, que, em 2003, perfez 70 anos de existência, efeméride que a Paróquia fez questão de lembrar de forma pública e festiva. A Região Pastoral do Sul da Diocese de Coimbra tem sede nesta freguesia, onde, desde finais do século passado existe o Centro Pastoral da Região Sul. Actualmente, a maior concentração industrial do concelho situa-se na zona industrial do Camporês, que pertence à freguesia de Chão de Couce. Aí foram implantados nos últimos anos complexos industriais, onde se inserem unidades fabris de cerâmica, componentes para a indústria têxtil, sinais rodoviários, embalagens e alumínios, entre outras.

Referências

  1. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes