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Antipapa Novaciano

(Redirecionado de Cisma novaciano)

Antipapa Novaciano (em latim: Novatianus) ou Novato (transliteração do nome Novatus, escrito por Eusébio como Noouatos, e por Sócrates como Nauatos[1]) foi um estudioso e antipapa que detinha o título entre 251 e 258.[2]

Antipapa Novaciano
Nascimento 200
Morte 258 (58 anos)

Índice

VidaEditar

Vida inicial e doutrinaEditar

A vida inicial de Novaciano é pouco conhecida. São Cornélio em sua carta a Fábio de Antioquia, relata que Novaciano era um catecúmeno (um pagão ou judeu convertido sendo instruído nas doutrinas do cristianismo[3]) que ficou doente e sua morte era esperada, por isso, lhe foi administrado o batismo por efusão em sua cama.[1] O resto dos sacramentos não foram fornecidos para sua recuperação. Novaciano era um homem culto e que tinha sido treinado em composição literária. Possivelmente o papa Fabiano promoveu-o ao sacerdócio apesar dos protestos do clero e dos leigos que alguém que recebeu apenas o batismo por efusão fosse admitido entre o clero. Eulógio de Alexandria relata que Novaciano foi arquidiácono de Roma.[1]

Em 250 o imperador Décio iniciou uma perseguição, e alguns apostataram para salvar suas vidas.[4] No início de 251 a perseguição relaxou, e surgiram duas escolas de pensamento, um lado, liderado por Novaciano, acreditava que aqueles que haviam parado de praticar o cristianismo durante a perseguição não poderiam ser aceitos de volta na igreja, mesmo se eles se arrependessem[5], acreditando que a única maneira de se reinserir na igreja seria o rebatismo. O lado oposto, defendido por Cornélio, um sacerdote da diocese de Roma e Cipriano, bispo de Cartago, não acreditavam na necessidade de rebatismo, professando que os pecadores seriam perdoados se mostrassem arrependimento e contrição verdadeiro para serem aceitos de volta na igreja.[5] Tentando provocar uma crise na Igreja, Décio impediu a eleição de um novo papa, no entanto, logo depois ele foi forçado a deixar a área para combater os invasores Godos e enquanto ele estava ausente as eleições foram realizadas.[4] Participaram dezesseis bispos, assim como o povo e o clero de Roma, Novaciano acreditava que ele seria eleito[5], no entanto Cornélio foi eleito papa categoricamente, mesmo contra sua vontade em março de 251.[6]

Cisma e antipapadoEditar

 Ver artigo principal: Concílio de Cartago

Novaciano havia feito um juramento de que não se tornaria mais bispo, porém alguns dias depois ele se definiu como Antipapa e enviou dois de seu partidários para convocar três bispos da Itália, que lhe conferiram a consagração episcopal dez dias depois.[1] Cornélio e Novaciano enviaram mensageiros para diversas comunidades para anunciar suas respectivas reivindicações.[1] Após sua eleição, Novaciano tornou-se mais rigorista em sua doutrina, afirmando que mesmo o rebatismo não poderia perdoar os pecados mais graves.[6] Cornélio teve o apoio de Cipriano de Cartago, Dionísio de Alexandria, e muitos bispos africanos e orientais, enquanto Novaciano tinha o apoio de uma minoria do clero e leigos de Roma, que não reconheceram Cornélio como papa.[5]

Novaciano enviou novos clérigos a muitas cidades para defender sua doutrina, e também depôs bispos os e substituiu por outros a seu favor.[1] Esse evento que perturbou toda a Igreja é considerada uma importante demonstração da primazia papal no século III.[1] Cornélio imediatamente convocou um sínodo de 60 bispos que o reafirmou como o legítimo papa e excomungou Novaciano, bem como anatematizou o Novacianismo. Também foi abordada no sínodo que os cristãos que apostataram durante a perseguição do imperador Décio poderiam receber a comunhão novamente, se eles se arrependessem e fizessem penitência,[5][6] a decisão do sínodo foi mandada para os principais centros cristãos.[1]

O Cisma novaciano foi debelado pela autoridade do Papa Estevão I (253-257), que contou com o apoio de São Cipriano de Cartago, sendo que São Dionísio de Alexandria quem deu a notícia de que as Igrejas antes divididas estavam novamente unidas[7].

Em 258 Novaciano fugiu durante o período de perseguições do imperador Valeriano, e pode ter sido um mártir. As cismáticas seitas que Novaciano estabeleceu persistiram durante vários séculos.

ObrasEditar

Segundo São Jerônimo em De Viris Illustribus (cap.70), Novaciano escreveu diversas obras sobre diversos assuntos. Ele cita "Sobre a Páscoa", "Sobre o Sabá", "Sobre a circuncisão", "Sobre o sacerdócio", "Sobre a oração", "Sobre a comida dos judeus" e muitas outras, principalmente um grande volume "Sobre a Trindade", uma epítome da obra de Tertuliano, que muitos atribuem incorretamente a Cipriano[8].

Referências

  1. a b c d e f g h   "Novatian and Novatianism" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês)., uma publicação agora em domínio público
  2. «Novatian». Encyclopædia Britannica. 2008. Consultado em 13 de outubro de 2010 
  3.   "Catechumen" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês)., uma publicação agora em domínio público
  4. a b Saints and Feast Days. New York: Loyola P, 1991.
  5. a b c d e McBrienRichard P. "Pope Cornelius, a reconciler, had a hard road." National Catholic Reporter 40.41 (Sept 24, 2004): 19(1). General OneFile. Gale. Sacred Heart Prepatory (BAISL). 5 Dec. 2008 <http://find.galegroup.com/ips/start.do?prodId=IPS>. Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "McBrien" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  6. a b c   "Pope Cornelius" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês)., uma publicação agora em domínio público
  7. PACOMIO, Luciano(Ed.). Lexicon: Dicionário Teológico Enciplopédio. São Paulo: Loyola,2003 e QUEVEDO, 1998. P.525.
  8.   "De Viris Illustribus - Novatianus the heresiarch", em inglês.