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Clara dos Anjos
Autor(es) Brasil Lima Barreto
Idioma português brasileiro
País Rio de Janeiro - Brasil
Gênero Romance
Série Grandes Nomes da Literatura Brasileira
Editora Editora Escala
Formato Brochura
Lançamento 1948 (1a. edição)
Páginas 144
Cronologia
Bagatelas
Diário Íntimo
Afonso Henriques de Lima Barreto, considerado um dos mais importantes escritores brasileiros.
Wikisource
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Clara dos Anjos

Clara dos Anjos é um livro póstumo do escritor brasileiro Lima Barreto, pertencente ao pré-modernismo brasileiro. Concluído em 1922, ano da morte do autor, foi publicado em 1948. Em Clara dos Anjos, Lima Barreto demonstra a sua influência do notável romance O Primo Basílio, do escritor português Eça de Queiroz, para a composição do personagem Cassi Jones.

Índice

ObraEditar

A história é contada no subúrbio do Rio de Janeiro. Clara dos Anjos, filha do carteiro Joaquim dos Anjos, é uma mulata muito bem educada por bons valores ao lado de sua família, mas um dia se apaixona pelo malandro Cassi Jones, um jovem ignorante. Devido a suas várias aventuras, o pai de Cassi não fala mais com ele, por causa de seus abusos às várias donzelas e fins de vários casamentos. A mãe de uma das vítimas se suicidou, e o marido dela distribuiu um dossiê sobre Cassi por toda a cidade. Cassi vai a São Paulo para um possível emprego, Clara engravida e revela a sua mãe toda a verdade. Sua mãe tenta falar com a família de Cassi, mas é tratada como mais uma mulata que cai na lábia de Cassi. Convencida pela vizinha, dona Margarida, que procurara na tentativa de conseguir um empréstimo e fazer um aborto, ela confessa o que está acontecendo à sua mãe. É levada a procurar a família de Cassi e pedir “reparação do dano”. A mãe do rapaz humilha Clara, mostrando-se profundamente ofendida porque uma menina negra quer se casar com seu filho.

Problemas SociaisEditar

Lima Barreto escancara problemas da sociedade contemporânea que já infligiam o povo em um passado não muito distante. Os temas Racismo, pobreza, fome, , miséria, desigualdade social, corrupção, analfabetismo, insatisfação política e injustiça são padrões que são cotidiano dos personagens.[1]

CaracterísticasEditar

Por se tratar de uma obra do Pré-modernismo, a referida obra apresenta as seguintes características:

Emoção Vs Razão;

Contexto HistóricoEditar

 
A recém proclamada Republica Federativa do Brasil foi o cenário escolhido por Lima Barreto para o desenvolvimento da trama.

A trama atravessa períodos importantes da história do Brasil como a Guerra do Paraguai, a queda da monarquia e proclamação da republica, a eleição e renuncia de Deodoro da Fonseca e o período Florianista.[3]

 
A Teoria da Evolução de Charles Darwin inspirou inúmeros artistas e escritores ao redor do mundo. Até hoje, muitos filósofos e escritores atribuem alguns padrões do comportamento humano à Evolução.


Linguagem AvançadaEditar

Lima Barreto usa de termos modernos como "vagabundo", "imprestável", "mau caráter" e até mesmo "psicopata" para descrever seus personagens de forma clara de modo que o leitor entenda.

Valorização do Caráter dos PersonagensEditar

Lima Barreto descreve o caráter elementar de cada personagem, mostrado suas falhas e suas qualidades. Em muitos pontos da obra, é difícil definir quem é o "carrasco" e quem é o "mocinho". No entanto, Lima Barreto mostra a natureza dos personagens e deixa o leitor decidir o que é errado e o que é certo.

Cada personagem na trama representa um "câncer social", um pecado que a sociedade carrega, no entanto ignora.

PersonagensEditar

Cada personagem da trama desempenha o papel de lembrete de algum aspecto social. Os principais personagens da narrativa são:

Clara dos AnjosEditar

Filha única do casal Joaquim e Engrácia dos Anjos, descrita como uma garota de dezessete anos, mulata, moradora da periferia do Rio de Janeiro, pobre e que deseja provar as principais emoções que a vida pode oferecer.

 
Lei áurea assinada em 1888. A escravidão - apesar de já te sido abolida - é um fantasma que se mostra presente no decorrer da trama.

Cassi Jones de AzevedoEditar

Descrito pelo autor como um "vagabundo psicopata" é o antagonista central da trama.

Homem inescrupuloso que tem como distração e prazer seduzir mulheres casadas e jovens donzelas para depois desonra-las e abandona-las na sarjeta da sociedade.

Curiosamente, Lima Barreto parece ter criado este personagem com a intenção de induzir o leitor a refletir sobre a sociedade preconceituosa e antiquada que o autor vivenciou.

Joaquim dos AnjosEditar

Homem humilde, pai de Clara e esposo de Engrácia. Joaquim dos Anjos representa a simplicidade e as dificuldades que o povo Brasileiro já viviam na época.

Trabalhou como flautista, carteiro e modero.

Joaquim é quem toma as decisões domésticas e não sua mulher.[1]

EngráciaEditar

Dona de casa, esposa de Joaquim e mãe de Clara. Descrita como uma mulher exageradamente preocupada e mãe superprotetora, no entanto apresenta comportamento histérico diante de situações de pressão e preocupação.

Antônio da Silva MarramaqueEditar

Padrinho de Clara e amigo de Joaquim, descrito como um semi paralítico do lado esquerdo do corpo e um homem de coragem e espírito nobre.

Foi o primeiro a confrontar Cassi na residência da família Anjos.[1]

Salustiana Baeta de AzevedoEditar

Sem duvida alguma, se trata de um dos personagens mais odiosos de toda a trama.

Mulher extremamente vaidosa e cúmplice ativa dos crimes do filho, Salustiana Azevedo é uma mulher que tem como diversão humilhar as vitimas de seu filho.

Em vários momentos, insulta garotas de "mulata", "preta", etc.

Esta convicta da superioridade do sangue de sua família e se recusa a deixar que a justiça enquadre seu filho nas leis da época, pois acredita que o filho dela é perfeito demais para "se casar com uma mulata qualquer"[3]


"(...)Em geral, as moças que ele desonrava eram de humilde condição e de todas as cores. Não escolhia. A questão é que não houvesse ninguém, na parentela delas, capaz de vencer a influência do pai, mediante solicitações maternas.

A mãe recebia-lhe a confissão, mas não acreditava; entretanto, como tinha as suas presunções fidalgas, repugnava-lhe ver o filho casado com uma criada preta, ou com uma pobre mulata costureira, ou com uma moça branca lavadeira e analfabeta(...)"[2].


Adaptação para os quadrinhosEditar

Em 2011, Clara dos Anjos ganhou uma adaptação para os quadrinhos feita por Marcelo Lelis e Wander Antunes e editada pela Quadrinhos na Cia. A obra ganhou o Troféu HQ Mix de 2012 na categoria Adaptação para os quadrinhos.[4][5]

Referências

  1. a b c Barreto, Lima (2008). Clara dos Anjos. Rio de Janeiro: Escala. 05 páginas  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  2. a b Barreto, Lima (2008). Clara dos Anjos. Rio de Janeiro - Brasil: Escala. 07 páginas  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  3. a b Barreto, Lima (2008). Clara dos Anjos. Rio de Janeiro: Escala. 144 páginas  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  4. «Obra póstuma, "Clara dos Anjos" é adaptada para quadrinhos». Folha de S. Paulo. 29 de outubro de 2011 
  5. «Divulgados os vencedores do prêmio HQ Mix 2012». Universo HQ. 19 de junho de 2012. Consultado em 28 de maio de 2013. Arquivado do original em 4 de agosto de 2012