Clube Militar

O Clube Militar, fundado em 26 de junho de 1887, é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, de caráter representativo, assistencial, social, cultural, esportivo e recreativo, localizado no Rio de Janeiro e com atuação em todo território nacional. No dia 19 de maio de 2018 o atual vice-presidente do Brasil, General Mourão, foi aclamado presidente do clube, tendo deixado o cargo em ocasião de sua posse como vice-presidente.[2][3][4]

Clube Militar
A Casa da República
Lema "Democracia - Soberania - Unidade Nacional - Patriotismo"
Fundação 26 de junho de 1887 (133 anos)
Estado legal Em atividade
Propósito incentivar as manifestações cívicas e patrióticas e interessar-se pelas questões que firam ou possam ferir a honra nacional e militar
Sede Rio de Janeiro e Cabo Frio
Presidente Gen Div Eduardo José Barbosa[1]
Primeiro presidente Marechal Deodoro da Fonseca
Fundadores Gen Thomaz Cavalcante de Albuquerque (principal)
Sítio oficial http://clubemilitar.com.br/

O atual presidente, Jair Bolsonaro, também é sócio do clube, assim como grande parte dos seus ministros militares, como o ministro da defesa General Fernando Azevedo e Silva.[5][6] Após anos de esquecimento no cenário político, com a onda popular voltada ao militarismo que elegeu Bolsonaro, o Clube Militar volta a ter sua importância no cenario político nacional. O clube é um importante apoiador do atual presidente, com o atual presidente do clube afirmando que há uma clara perseguição ao Bolsonaro.[7][8]

Desde a fundação do Clube, 3 de seus presidentes também foram presidentes do Brasil, Marechal Deodoro, Marechal Hermes da Fonseca e o Marechal Eurico Gaspar Dutra. Quase 70 anos depois um presidente do Clube Militar volta ao alto escalão do executivo federal, com o General Hamilton Mourão.[9]

FundaçãoEditar

Com o fim da Guerra do Paraguai e as crises e conflitos militares que se espalhavam pelo país, a classe militar via a necessidade de buscar uma maior organização para um melhor debate e defesa de seus interesses. No dia 2 de junho de 1887, na casa do major Serzedelo Correia, se reuniram oficiais da marinha e do exercito no que seria uma das primeiras reuniões preparatórias para a criação do Clube Militar.[10][11]

No dia 26 de junho de 1887, em uma sala no clube naval, cedida pelo presidente do clube, Custódio José de Mello, foi realizada a assembleia que criou oficialmente o Clube Militar. A assembleia de 26 de junho foi realizada sob a presidência de Marechal José Antônio Correia Câmara, e secretariada por Custódio de Mello e pelo Tenente Coronel Carlos Frederico da Rocha, na qual o Visconde de Pelotas proferiu elogios a Deodoro e encerrou conclamando os presentes a, de pé, aclamarem o Marechal Deodoro presidente do Clube Militar.[12][13]

Participação na historiaEditar

Movimento abolicionistaEditar

Os oficiais que formavam o Clube Militar eram abertamente abolicionistas, o que desagradava o imperador que por vezes tentou dificultar o funcionamento do clube.[12][14]

O clube se opôs as punições dadas ao Ten Cel Sena Madureira por homenagear Francisco Nascimento, jangadeiro abolicionista.[15]

Em outubro de 1887, o presidente do Clube Militar ,Marechal Deodoro da Fonseca escreveu uma carta destinada à princesa regente dona Isabel, reclamando contra o emprego de soldados na captura de escravos fugitivos, e afirmando que o Exército não se prestava ao papel de “capitão-do-mato”.[16]

Proclamação da RepúblicaEditar

A insatisfação dos militares para com o imperio já vinha de longe; entre os anos de 1883 e 1887 ocorreu a chamada Questão Militar, uma serie de conflitos entre militares e políticos do imperio que acabou acirrando ainda mais a richa entre militrares e monarquistas.[17][18]

No dia 9 de novembro de 1889 o corria no Clube Militar, sob a presidencia de Benjamin Constant, pois Deodoro estava doente, uma reunião para tratar das desavenças com o visconde de Ouro Preto, na reunião, Benjamin Constant criticou duramente os atos do governo acusando-o de hostilidades contra o exercito e pediu aos demais menbros do clube plenos poderes para "tirar a classe militar de um estado de coisas incompatível com a honra e a dignidade"; sem saber da conspiração que se passava no Clube Militar o imperador D.Pedro II festejava em um grande baile na Ilha Fiscal no que ficou conhecido como ultimo baile do império.[12][19]

No dia 11 de novembro Rui Barbosa, Benjamin Constant, Aristides Lobo e Quintino Bocaiúva se reuniam a Marechal Deodoro, em sua casa, para decidir como se daria a queda do império. No dia 15 de novembro Deodoro e outros membros do Clube Militar se dirigiram ao Ministério da Guerra onde todos os membros foram depostos e a república proclamada.[20][21]

Após a proclamação da república Marechal Deodoro assumiu a presidência do Brasil se tornando o primeiro presidente da república.[22]

Revolta da vacinaEditar

Em meio a insatisfação popular com as medidas do governo que levaram a uma serie de protestos que ficaram conhecidos como Revolta da Vacina, o vice-presidente do Clube Militar, Ten Cel Lauro Nina Sodré e Castro, com o apoio de parte da diretoria do clube e sem o conhecimento do presidente do clube, orquestrou uma serie de ataques para derrubar o presidente Rodrigues Alves, após graves confrontos que levaram a morte do Gen Travassos e a prisão do Maj Gomes de Castro pelo seu comandante Hermes da Fonseca o golpe contra o presidente Rodrigues Alves foi derotado. Logo depois o tenente coronel Lauro Nina Sodré e Castro reassumiu o cargo de vice-presidente do Clube Militar.[23][24][25]

O petróleo é nossoEditar

O Clube Militar fez forte presença na campanha "O petróleo é nosso", a maioria dos sócios, nacionalistas, defendiam o monopolio do petróleo e a creação da Petrobras. Tinha ainda aqueles que se opunham a crianção da Petrobras e defendiam a abertura da exploração de petroleo para o mercado extrangeiro, como é o caso do General Juarez Távora, que fazia contraste com o General Horta Barbosa que defendia o monopólio estatal.[26][12][27]

31 de março de 1964Editar

O Clube Militar foi um importante apoiador do movimento que deu inicio ao regime militar de 64; em meio a acusações de um golpe comunista por parte de João Goulart que estava em viajem oficial a União Soviética e China no momento da renuncia de Jânio Quadros, o exercito com o apoio do Clube Militar impedio Jango de voltar ao Brasil, até que depois de algumas negociações foi aceito a volta do mesmo ao país. Logo depois, com a insatisfação popular ao governo Jango e a intensificação da ideia de que um golpe comunista estava proximo, ocorreu no Rio de Janeiro a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, grande movimento popular que acabou fortificando os militares e levando a deposição de João Goulart pelo congresso. Com o grande apoio popular, da classe média e igreja catolica, Em 31 de março de 1964, Castelo Branco, eleito indiretamente em 15 de abril, declarou que iria permanecer no poder até que o risco comunista fosse cessado no Brasil.[28][29]

No dia seguinde ao golpe militar as sedes do Clube Militar foram atacadas por manifestantes pro Jango, sendo os manifestantes afastados com tiros para o alto.[30][31]

Referências

  1. «Atual Diretoria». clubemilitar.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  2. «Sob Mourão Clube Militar quer formar candidatos de farda». O Globo. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  3. «General Mourão é o NOVO PRESIDENTE do Clube Militar.». Sociedade Militar. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  4. «Resumo». clubemilitar.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  5. «"Tenho acesso direto aos assessores de Mourão", diz presidente do Clube Militar». apublica.org. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  6. «MILITARES NO PRÓXIMO GOVERNO». clubemilitar.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  7. «presidente-do-clube-militar-diz-que-ha-uma-clara-perseguicao-contra-bolsonaro». Estadão. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  8. «Clube Militar convoca sócios para atos pró-Bolsonaro». UOL. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  9. «Clube Militar retorna ao centro do poder com o governo Jair Bolsonaro». Amazonas Atual. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  10. «1Fundação do Clube Militar em 26 Jun 1887 Domingo, noClube Naval» (PDF). FAHIMTB. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  11. «Fundação – 1887». clubemilitar.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  12. a b c d «CLUBE MILITAR». FGV. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  13. «Biblioteca Clube Militar». redebie. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  14. «Abolição – 1888». clubemilitar.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  15. «CRISE DO SEGUNDO REINADO E O MOVIMENTO ABOLICIONISTA». Pro Enem. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  16. «Proclamação da República - Questão Militar». UOL. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  17. «Questão Militar». projetomemoria.art.br. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  18. «República – 1889». clubemilitar.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  19. «Após anos de ostracismo, Clube Militar volta ao centro do poder com Bolsonaro». UOL. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  20. «Deodoro da Fonseca». Estadão. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  21. «O Exército e a República». EB. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  22. «República brasileira nasceu com marechal de longa trajetória monarquista». Folha de São Paulo. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  23. «Revolta da Vacina». FGV. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  24. «A Revolta da Vacina: insurreição no Rio de Janeiro (1904)». Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  25. «A Revolta da Vacina». clubemilitar.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  26. «Horta Barbosa». FGV. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  27. «Petróleo – Petrobrás». clubemilitar.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  28. «Clube Militar dá apoio ao Clube Naval». Jornal do Brasil. 31 de março de 1964. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  29. «Revolução de 1964 - Os 31 dias de Março e os primeiros dias de Abril». wirelessbrasil.org. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  30. «GUANABARA HORA A HORA» (PDF). O Cruzeiro. 10 de abril de 1964. Consultado em 19 de novembro de 2019 
  31. «Democracia em Perigo». clubemilitar.com.br. Consultado em 19 de novembro de 2019