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Colisão de trens em Alexandria
Descrição
Data 11 de agosto de 2017
Hora por volta das 14:15 (CAT)
Local Distrito de Khorshid, Alexandria
País Egito
Linha Cairo-Alexandria
Operador Comboios Nacionais do Egito
Tipo de acidente Colisão e descarrilamento
Estatísticas
Comboios/trens 2
Mortos Por volta de 40
Feridos 179

A colisão de trens em Alexandria refere-se ao desastre ocorrido em 11 de agosto de 2017 na estação de Khorshid, a leste de Alexandria, no Egito. Segundo a declaração da Autoridade Ferroviária Egípcia, um trem colidiu com outro que estava estacionado, resultando em cerca de quarenta mortos e mais de cem pessoas feridas.

O acidente resultou na paralisação do transporte da linha Alexandria-Cairo, que só foi retomado no dia seguinte e em apenas uma ferrovia, pois a outra havia sido danificada durante a colisão. As investigações revelaram que o motorista do trem expresso 13, Emad Helmy, foi responsável pela causa do acidente. Ele foi, posteriormente, detido.

Os reis do Barém e da Jordânia enviaram suas condolências, bem como o presidente da Palestina e algumas embaixadas. A colisão também serviu para repercutir tópicos sobre a má qualidade do sistema ferroviário no país.

Descrição dos eventosEditar

Segundo a declaração da Autoridade Ferroviária Egípcia, em 11 de agosto, às 14 horas e 15 minutos, um trem que viajava do Cairo com destino a Alexandria colidiu com um trem estacionado na pequena estação no distrito de Khorshid. Ainda de acordo com a declaração, o trem que estava imóvel teria chegado de Porto Said minutos antes do impacto.[1]

Uma testemunha que presenciou o acidente de sua residência disse que os trens araram uns nos outros, "formando uma pirâmide".[2][3] O passageiro Moumen Youssef, por sua vez, disse à Reuters que encontrou quatro vagões esmagados e muitas pessoas no chão. O funcionário Sababa Al-Amin, que compareceu ao local do acidente para ajudar a equipe de resgate, disse que havia "muitos corpos cobertos por lençóis brancos." Segundo um anônimo, os civis levaram água e açúcar para os feridos, enquanto outros retiravam os destroços com o auxílio de seus próprios caminhões.[4]

Imagens de vídeo da Associated Press mostraram os vagões dos trens desfigurados nos trilhos, enquanto centenas de espectadores se reuniram ao redor da colisão. Os policiais, no entanto, afastaram os civis do local e as ambulâncias chegaram em poucos minutos.[1] A transmissão da estatal, por sua vez, mostrou feridos e corpos sendo movidos para as ambulâncias.[2]

VítimasEditar

Os números de vítimas fatais e de feridos foram especulados pelos meios de comunicação e as autoridades do país: os primeiros relatos indicavam cerca de cinquenta mortos e mais de cem feridos.[1] Posteriormente, o Ministério da Saúde reduziu o número de vítimas fatais para 42,[3] enquanto o Ministério dos Transportes para 41.[5]

O número de feridos, por sua vez, chegou a 179. O website árabe Al-Ahram informou que cerca de 47 dos feridos receberam alta no dia seguinte, enquanto 132 continuavam hospitalizados.[5]

Interferências no serviço ferroviárioEditar

O transporte ferroviário da linha Alexandria-Cairo foi retomado no dia seguinte ao acidente, depois que os trilhos foram limpos. A segunda ferrovia, no entanto, foi danificada durante a colisão e, como consequência, o tráfego de trens operou em uma única ferrovia em ambas as direções, segundo o porta-voz do Ministério do Transporte do Egito, Mohammed Ezz.[5]

InvestigaçãoEditar

Em 4 de outubro de 2017, o procurador geral encaminhou quatro suspeitos envolvidos na colisão para o julgamento criminal. No mês seguinte, as investigações com funcionários da Autoridade Ferroviária Egípcia revelaram que o motorista do trem expresso 13, Emad Helmy, foi responsável pela causa do acidente. Este trem estava se locomovendo em alta velocidade, ignorando os sinais fixos e ultrapassando o semáforo vermelho, o que levou a colisão, acrescentou a investigação. O trem de Porto Said, por sua vez, estava funcionando corretamente, mas esperava justamente o trem expresso 13. O motorista deste acendeu o sinal vermelho, mas a velocidade do trem expresso não disponibilizou a frenagem.[6]

Atuação da promotoriaEditar

Inicialmente, a promotoria de Alexandria colocou sob custódia o motorista e o assistente do trem de Porto Said, mas recuou após o andamento das investigações. Ela também decidiu liberar os funcionários do trem de Porto Said e da estação; contudo, convocou dez funcionários da Autoridade Ferroviária para depor. O chefe da estação também foi convocado para questionar o que poderia ter causado o acidente e sobre seu papel como oficial na coordenação de trens sucessivos.[6]

O motorista do trem expresso 13, Emad Helmy, foi detido e colocado sob custódia por quinze dias. Amostras de sangue e de urina foram coletadas de Helmy e de seu assistente para determinar se estavam sob a influência de algum narcótico. O equipamento KBC, que deve ajudar a determinar a causa do acidente, foi enviado para a perícia.[6]

RepercussãoEditar

Como consequência do acidente, o ministro dos transportes, Hisham Arafat, suspendeu o diretor-geral da região do Delta do Oeste, o diretor-geral da região central e dois monitores de tráfego até que as investigações fossem concluídas. Ele também acrescentou que os responsáveis ​​seriam responsabilizados após a conclusão das investigações. Enquanto isso, o deputado Osama Sharar apresentou um pedido ao parlamento para demitir o ministro do transporte.[5]

O presidente do país, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, expressou suas condolências às vítimas, assim como o rei do Barém, Hamad bin Isa al-Khalifa, o rei da Jordânia, Abdulá II, e o presidente da Palestina, Mahmoud Abbas.[5] Embaixadas de vários países também fizeram suas condolências, inclusive a embaixada dos Estados Unidos:[5]

"Nossos pensamentos e orações com as famílias dos mortos e feridos no acidente de trem de hoje. Estamos com o povo egípcio neste momento difícil"
— Mensagem da Embaixada dos Estados Unidos via Twitter.

Condições do transporte ferroviárioEditar

O histórico do transporte ferroviário egípcio demonstra uma série de acidentes que provocam insatisfação na população,[1][4] os números divulgados pela agência estatal de estatísticas mostram que mais de treze mil acidentes ferroviários ocorreram entre 2006 e 2016.[1][7]

O professor de planejamento de transportes e engenharia de tráfego da Universidade Ain Shams, Mustafa Sabri, disse que as ferrovias estão sendo negligenciadas há quase meio século e precisam ser totalmente reformuladas. "Se isso não for feito em breve, haverá mais vítimas todos os dias", acrescentou. Membro do Comitê de Transportes do Parlamento, Sameh al-Sayegh disse que os mais novos sinais "têm mais de vinte anos", ele também acrescentou: "O mesmo se aplica a tudo, desde os trilhos até os trens, os freios e as locomotivas. Trabalhadores ferroviários e motoristas também raramente recebem treinamento."[7]

Referências

  1. a b c d e «Train collision near Egypt's Alexandria kills at least 28» (em inglês). abcnews.go.com. 11 de agosto de 2017. Consultado em 24 de março de 2019. Arquivado do original em 11 de agosto de 2017 
  2. a b «Dozens killed in Alexandria train collision» (em inglês). aljazeera.com. 12 de agosto de 2017. Consultado em 24 de março de 2019. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2019 
  3. a b «Egypt train crash kills dozens, injures more than 100 people» (em inglês). yahoo.com. 11 de agosto de 2017. Consultado em 24 de março de 2019. Cópia arquivada em 5 de maio de 2018 
  4. a b «Dozens killed as two trains collide in Egypt». 11 de agosto de 2017. Consultado em 24 de março de 2019. Cópia arquivada em 7 de janeiro de 2019 
  5. a b c d e f «Alexandria-Cairo train traffic resumes after deadly collision» (em inglês). ahram.org.eg. 12 de agosto de 2017. Consultado em 24 de março de 2019. Cópia arquivada em 15 de agosto de 2017 
  6. a b c «Investigations reveal cause of Alexandria train accident» (em inglês). egypttoday.com. 11 de novembro de 2017. Consultado em 24 de março de 2019. Cópia arquivada em 24 de março de 2019 
  7. a b Amr Emam (20 de agosto de 2017). «After Alexandria crash, Egypt's railways badly in need of repairs» (em inglês). thearabweekly.com. Consultado em 24 de março de 2019. Cópia arquivada em 26 de fevereiro de 2019