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Coliseu do Porto

teatro e cinema em Porto, Portugal
Coliseu do Porto
Fachada principal
Localização Rua de Passos Manuel, Porto, Portugal
Inauguração 19 de dezembro de 1941 (77 anos)
Proprietário Associação dos Amigos do Coliseu do Porto

O Coliseu do Porto é uma sala de espectáculos localizada na cidade do Porto, em Portugal.

O edifício foi classificado como Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 637/2012, de 2 de novembro de 2012, publicada em Diário da República.[1]

HistóriaEditar

A construção iniciou-se em 1937 com as propostas apresentadas por José Porto, Jan Wils e a reprovada proposta de Júlio José de Brito.

Em 1939 Cassiano Branco é convidado a resolver o projecto e, reutilizando a caixa muraria já construída que delimita a sala de espectáculos, palco e corredores, reorganiza a articulação vertical do edifício, da mesma forma que investe na sucessão dos espaços de entrada.

Com projecto, em estilo Arte Deco, dos arquitectos Cassiano Branco e Júlio de Brito pertencendo à Companhia de Seguros Garantia, o coliseu foi inaugurado a 19 de dezembro de 1941, com um concerto da Sinfónica Nacional, dirigida pelo maestro Pedro de Freitas Branco.

 
Sala principal

Os primeiros esboços encontrados, que sugeriam a construção de uma grande Casa de Espetáculos, datam do ano de 1911. Ao primeiro impulsionador do projeto, João José da Silva, juntaram-se outros notáveis da cidade: Raúl Marques, Adélio Vaz, Conde da Covilhã e Joaquim José de Carvalho. Inesperadamente, é numa época em que existe uma conjuntura mundial de extrema insegurança que o projeto avança. O Coliseu do Porto demorou apenas 22 meses a ser construído e custou 11 mil contos, um elevado custo para a época. Em 1937, surgem os primeiros esquissos do edifício pelo arquiteto José Porto, que rapidamente abandona o projeto. Seguem-se vários outros nomes como o Yan Wills, arquiteto holandês, fez esboços que ficaram sem efeito. E Júlio de Brito viu os seus estudos serem recusados pela Comissão de Estética da Câmara Municipal do Porto. Em 1939, Cassiano Branco assume o cargo de arquitecto dirigente e conta com a colaboração de Júlio de Brito, com quem mais tarde viria a entrar em conflito. Cassiano Branco já na frente, decide resolver o projeto, reutilizando a caixa muraria já construída que delimita a sala de espetáculos, palco e corredores, reorganiza a articulação vertical do edifício, da mesma forma que investe na sucessão dos espaços de entrada, elementos bem patentes na valorização do alçado do Coliseu. Visando a expressão permanente de um espetáculo de formas arquitetónicas, o arquiteto articula um desenho assimétrico da fachada, que joga com a torre sobrepujada e a pala sobre a entrada. Interiormente, a sala de espetáculos, desenhada em forma de ferradura, reforça a ideia conceptual de dinâmica espacial patente na conceção do edifício, conclui a portaria, assinada pelo ex-secretário de estado da Cultura, Francisco José Viegas.[2]

O design de interiores não tem uma autoria muito clara. Charles Cicles, autor de diversos teatros de Paris, terá entrado no projeto e elaborou desenhos para o Coliseu mas, aparentemente, só os candeeiros e as portas foram aproveitados e o arquiteto nunca foi remunerado. Seguiu-se Mário Abreu que projetou o interior e fez alterações na sala principal, nas escadarias, na torre da fachada, que deveria ser envidraçada, e eliminou o néon verde, vermelho e branco que acompanharia todo o edifício. Após uma série de vicissitudes e de passar por diversos arquitetos, engenheiros e empreiteiros, o Coliseu do Porto acaba por ser finalizado em 1941, num estilo moderno que de imediato se tornou uma referência arquitetónica. Um edifício vanguardista que veio marcar de forma indelével a baixa do Porto e o coração de todos os portuenses.

Em plena II Guerra Mundial, o Coliseu do Porto abriu as portas, com todas as honras e com todo o patriotismo inerente ao Estado Novo. O Sarau de Gala constituiu um grande acontecimento cultural e social da cidade, com a presença das personalidades da época, num ambiente sofisticado e de grande elegância. Seguiu-se um concerto pela Orquestra da Emissora Nacional, dirigida pelo Maestro Pedro de Freitas Branco. A jovem, e já consagrada pianista, Helena Moreira de Sá e Costa interpretava o 1º Concerto para Piano e Orquestra, de Felix Mendelsshon. Antes, porém, a atriz Aura Abranches viu o seu discurso ser interrompido por uma assistência de 3500 pessoas que aplaudiam o nome de Salazar e lançavam vivas a Portugal. À uma da manhã acabou o concerto. Seguiu-se um baile de caridade e uma ceia, servida no hall.[3]

Finalmente, a cidade do Porto passou a ter à sua disposição um espaço imponente e dotado de todos os luxos modernos. Um espaço aberto à arte e à cultura que se tornou o orgulho dos portuenses. Nos anos de 1941-1991 considerado Décadas de Glória, onde Talentos de todo o mundo pisavam o palco do Porto durante várias décadas. O Coliseu do Porto viveu sob as luzes da ribalta, proporcionando aos portuenses todo o tipo de espetáculos: ópera, dança, música clássica, música ligeira e popular, espetáculos de variedades, musicais, circo, festas de carnaval, réveillons, cinema, saraus e congressos.

No ano de 1995 a Companhia de Seguros AXA, então proprietária do imóvel, inicia negociações com a Igreja Universal do Reino de Deus, propondo-se esta última a comprar e a UAP a vender. Porém, várias personalidades ligadas à cultura, às artes e à autarquia local, promovem uma manifestação de repúdio à eventual transacção. Uma vez vetada pela autarquia, a transacção não se concretiza. Em Novembro de 1995, em escritura notarial outorgada entre a Câmara, a Área Metropolitana do Porto, a Secretaria de Estado da Cultura e a UAP, constitui-se uma associação sem fins lucrativos com a finalidade de adquirir o Coliseu e geri-lo como espaço de interesse cultural.

Em 28 de setembro de 1996 após um desfile de moda com Claudia Schiffer, um incêndio de origem indeterminada, destrói completamente a caixa do palco e provocando graves estragos na sala principal e nos camarins.

O Coliseu do Porto voltou a abrir as portas no dia 12 de Dezembro, com o tradicional espectáculo do Circo de Natal.

A recuperação completa da sala só estaria concluída dois anos mais tarde reabrindo ao público no dia 24 de novembro de 1998, com a ópera Carmen, de Bizet.

O ponto alto das comemorações do cinquentenário foi o Concerto Inaugural, que recriou o que tinha sido apresentado cinquenta anos antes, aquando da Gala de Abertura do Coliseu do Porto, desta vez interpretado pela Orquestra do Porto - Régie Cooperativa Sinfonia, dirigida pelo maestro Jan Lathan-Koenig.[3] Este concerto trouxe de novo à sala do Coliseu a pianista Helena Moreira Sá e Costa, agora acompanhada pelo seu aluno, e também já pianista consagrado, Pedro Burmester. Para partilhar com o público a história e o património cultural e emocional do Coliseu do Porto, foi ainda exposta, no Salão Ático, uma mostra retrospetiva composta por fotos, postais ilustrados, programas de espetáculos, moedas, objetos, incluindo a primeira máquina de cinema portuguesa pertencente a Alves dos Reis, e o precioso espólio de partituras musicais do Arquivo do Salão Jardim Passos Manuel. A Orquestra do Salão Jardim Passos Manuel, formada a partir da descoberta destas partituras, apresentou-se no Salão Ático com um repertório invulgar, baseado nas músicas que outrora se tocavam e dançavam. Para completar e animar as comemorações, estiveram ainda presentes o Quarteto João Calheiros e The Dixie Gang, foi Um cinquentenário comemorado de forma grandiosa, à medida desta sala, que a cada espetáculo enche de emoção os espetadores.[3]

Em 2016 o Coliseu recebeu 151 espetáculos que movimentaram 255 mil espectadores.[4]

Em 2018, foi assinado um protocolo e contrato de patrocínio entre o Coliseu Porto e o grupo segurador internacional Ageas. Com esta aproximação, a Ageas apoia o Coliseu com 900 mil euros em três anos, com possibilidade de renovação por igual período e valor. Durante esse tempo a sala passou a adotar o nome comercial "Coliseu Porto Ageas".

Referências

Ligações externasEditar

 
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