Confederação Evangélica do Brasil

A Confederação Evangélica do Brasil (CEB) foi uma entidade interdenominacional evangélica fundada em 1934.

HistóriaEditar

Pode-se entender que a formação dessa entidade foi um reflexo nacional de diversos esforços que procuravam articular a atuação de missionários protestantes de diferentes denominações pelo mundo. Dentro desses esforços, destacam-se os seguintes eventos:

  • em 1910, foi realizada a Conferência Internacional de Missão, em Edimburgo (Escócia), que reuniu 1200 delegados de várias Igrejas protestantes que afirmavam, sobretudo, estar buscando uma maneira de “promover a evangelização em caráter ecumênico” na Ásia e na África;
  • Em 1913, quinze igrejas fundaram a Aliança das Igrejas Evangélicas Interdenominacionais;
  • em 1916, foi realizado um Congresso no Panamá que reuniu 481 delegados, dentre eles o presbiteriano brasileiro Erasmo Braga, representando várias denominações protestantes do continente americano, como desdobramento desse Congresso, Erasmo Braga organizou, no Rio de Janeiro, uma Conferência Regional de evangélicos, para discutir um plano geral para o protestantismo brasileiro. A agenda daquela conferência incluiu:
    • a organização de escolas protestantes;
    • apoio financeiro para as igrejas nacionais;
    • a criação de uma universidade que alcançasse as classes mais educadas;
    • a formação de um seminário não-denominacional, o Seminário Unido;
    • a criação de um Comitê de Cooperação Brasileiro, no estilo do Comitê de Cooperação Latino-americano (CCLA).
  • em 1921, foi fundado o Conselho Missionário Internacional, em Lake Mohnk no Condado de Ulster no Estado de Nova Iorque (EUA), em 1921;
  • em 1925, foi fundado o Movimento Fé e Ação, em Estocolmo (Suécia);
  • em 1926, foi fundada a União de Estudantes para o Trabalho de Cristo (UTEC), que, em 1940, passou a se denominar como: União Cristã de Estudantes do Brasil (UCEB), que, em 1942, tornou-se, oficialmente, filiada à Federação Mundial de Estudantes Cristãos.
  • em 1927, foi fundado o Movimento Fé e Ordem, em Lausane (Suíça);
  • em 1925, foi realizado um Congresso em Montevidéu (Uruguai), presidido pelo brasileiro Erasmo Braga, que reuniu diversas lideranças evangélicas da América Latina, no qual passou a haver um engajamento sócio-político mais significativo;
  • em 1929, foi realizado um Congresso em Havana (Cuba), no qual 118 dos 200 delegados eram latinoamericanos e que teve como presidente o Gonzalo Báez-Camargo e Erasmo Braga como presidente de honra, e os seguintes temas centrais: solidariedade evangélica, educação, ação social e literatura[1].

No Brasil, os evangélicos já tinham ocorrido algumas iniciativas de cooperação, tais como:

  • em 1890:
    • em São Paulo, alguns presbiterianos lideraram a formação de uma sociedade evangélica para a criação de um hospital não denominacional;
    • um grupo de protestantes fundou a Liga Evangélica, cujo objetivo era proteger os direitos religiosos dos protestantes, assegurados pela Constituição republicana, mas frequentemente ameaçados;
  • em 1902, foi fundada a Aliança Evangélica de São Paulo, presidida pelo missionário metodista norte-americano Hugh Clarence Tucker, essa aliança tinha o objetivo de promover a cooperação e o testemunho cristãos entre as igrejas evangélicas brasileiras para a evangelização;
  • em 1911, foi fundada a União de Escolas Dominicais do Brasil, que, em 1928, passaria a ser denominada como: "Conselho Evangélico de Educação Religiosa";
  • em 1916, foi fundada a Comissão Brasileira de Cooperação e o Centro Brasileiro de Publicidade;
  • em 1922, foi fundada a Revista "Cultura Religiosa", que circulou até 1926;
  • em 1935, foi fundada a Revista "Sacra Lux", que circulou até 1939;
  • em 1929, foi fundada a Revista "Lucerna", que circulou até 1930.
  • em 1931, foi fundada a Federação das Igrejas Evangélicas do Brasil[2];

A CEB surgiu a partir da fusão de três organizações interdenominacionais protestantes:

  • a “Comissão Brasileira de Cooperação”;
  • a “Federação de Igrejas Evangélicas do Brasil”; e
  • o “Conselho Evangélico de Educação Religiosa no Brasil”.

Setor de Responsabilidade SocialEditar

Em 1955, surgiu no interior da CEB a Comissão "Igreja e Sociedade”, possivelmente por influência das igrejas luterana e metodista, que eram filiadas ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e que portanto tinham compromisso com a agenda da referida entidade. Dentre as pessoas que atuaram nessa comissão, destaca-se o teólogo e missionário norte-americano Richard Shaull.

Em 1955, a referida Comissão organizou, na cidade de São Paulo, a “I Reunião de Estudos sobre a responsabilidade social da Igreja”, que contou com a participação de dezenove pastores e vinte e um leigos protestantes.

Também em 1955, a referida Comissão passou a se denominar como: “Setor de Responsabilidade Social da Igreja” (SRSI), tendo como secretário executivo Waldo Cesar.

Muitos dos integrantes do SRSI desejavam assumir uma posição político-social mais consistente, que incluísse um “compromisso efetivo com a sociedade” para além do “assistencialismo junto aos pobres”.

Entre 15 e 18 de novembro de 1955, o SRSI realizou uma reunião de estudos (denominada como "consulta") com foco no tema da “Responsabilidade Social da Igreja” como um programa de estudo e ação. Desse modo, foram debatidas as bases bíblicas e teológicas da responsabilidade cristã no campo sóciopolítico. A conclusão foi a de que os cristãos, deveriam testemunhar a fé nas áreas que constituem os centros de influência e poder sócio-político e que tal compreensão requereria uma nova linguagem e critérios em sua forma de evangelização. Dentre os palestrantes, destacaram-se:

  • Wilhelm Hahn e o economista holandês Egbert de Vries, representando o departamento de Igreja e Sociedade do Conselho Mundial de Igrejas;
  • Richard Shaull;
  • Benjamim Morais; e
  • João Del Nero.

Entre 4 e 8 de fevereiro de 1957, foi realizada uma segunda reunião em Campinas, que teve como tema: "A Igreja e as Rápidas Transformações Sociais no Brasil". O principal objetivo era compreender os processos sociais em curso no Brasil e no mundo a fim de envolver a igreja naqueles processos. Nesse encontro, discutiu-se a questão do Brasil arcaico e do Brasil novo, o primeiro representado pelo campo e o segundo, pelo urbano. Foi analisado o processo de industrialização que o Brasil estava vivendo e os modelos de desenvolvimento. Os principais oradores do evento foram: Benjamim Morais, Richard Shaull e Jacques Maury.

Em fevereiro de 1960, ocorreu um novo encontro que teve como tema: “A Presença da Igreja na Evolução da Nacionalidade”. Essa reunião contou com a presença de Willem Visser 't Hooft, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas,

Entre 22 e 29 de julho de 1962, o SRSI organizou uma Conferência no Recife (ta,bém conhecida como "Conferência do Nordeste"), que teve como tema: “Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro” e contou com palestrantes tais como: Gilberto Freyre, Celso Furtado, Paul Singer, Juarez Brandão Lopes, dentre outros.

Pouco antes do Golpe Militar de 1964, os setores mais progressistas começaram a ser excluídos da CEB e, em 1965, fundaram o Centro Evangélico de Informações (CEI), com o apoio do "Igreja e Sociedade na América Latina" (ISAL) e do Conselho Mundial de Igrejas[3] [4].

Referências

  1. Movimento Ecumênico e o Surgimento da Responsabilidade Social no Protestantismo Brasileiro, acesso em 22/01/2021.
  2. "Evangélicos progressistas: uma experiência política no período de abertura democrática no Brasil". Fernando Coêlho Costa. Revista Interdisciplinar em Cultura e Sociedade (RICS) São Luís - Vol. 4 - Número Especial - Jul./Dez. 2018, disponível na internet
  3. FERMENTO DA MASSA ECUMENISMO EM TEMPOS DE DITADURA MILITAR NO BRASIL, 1962-1982, acesso em 13/01/2020.
  4. A Conferência do Nordeste e a Crise do Movimento Ecumênico Evangélico no Brasil. Agemir de Carvalho Dias. Disponível na internet.