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Conflito Rohingya
conflitos armados em Mianmar
Map of Maungdaw District in Rakhine State (Arakan).png
Mapa do Estado de Rakhine com os distritos de Buthidaung e de Maungdaw destacados em vermelho.
Data Violência sectária: 1942 – presente
Insurgência: 1947 – presente
Local Norte do Estado de Rakhine [1]
Situação Em andamento
Beligerantes
 Birmânia Britânica
(1947–1948)
União da Birmânia
(1948–1962)

Mujahideen
(1947–1961)

Apoiado por:
 Paquistão (até 1950)


Frente Patriótica Rohingya (1974–1986)
Organização da Solidariedade Rohingya (1982–1998)
Frente Islâmica dos Rohingya de Arracão (1986–1998)[2]
Organização Nacional dos Rohingya de Arracão (1998–2001)[2]
Apoiado por:
Al-Qaeda (alegado)[3]
Talibã (alegado)[3]


Comandantes
Comandantes atuais:

Win Myint
Aung San Suu Kyi
Min Aung Hlaing
Sein Win
Maung Maung Soe[4]
Myanmar Police Emblem.png Aung Myat Moe[5]
Myanmar Police Emblem.png Sein Lwin[5]


Ex-comandantes:
Aung Gyi (1947–1963)
Tin Oo (1947–1976)
Than Shwe
(1992–2011)
Thein Sein
(2011–2016)

Htin Kyaw (2016–2018)
Comandantes atuais:

Ataullah abu Ammar Jununi[6][7]


Ex-comandantes:
Mir Kassem
(1947–1952)
Abdul Latif
(1947–1961)
Annul Jauli
(1947–1961)
Zaffar Kawal
(1961–1974)
Muhammad Jafar Habib (1972–1982)
Muhammad Yunus (1974–2001)
Mohammad Zakaria (1982–2001)[8]

Nurul Islam (1974–2001)
Unidades
Tatmadaw Exército Nacional Rohingya (1998–2001)[2][10]
Forças
<2,000[11]

Totais anteriores:

1.100 (1947–1950)[12]
~200 (estimativa do governo)[13][14]

Totais anteriores:
2.000–5,000 (1947–1950)[12]
2.000 (1952)[12]
170 (2002)[3]

500[9][15]–600[16] (2016–2017)
   
2012–2018:

6.900+ civis mortos no total[b]
53.000 deslocados internos[17][18]
950.000+ fugiram para o exterior[n 1]


a 14 soldados, 30 policiais e 1 oficial de imigração.[27] b 2012: 168,[28][29] 2013: 50+,[30][31] 2016–18: 6.700+[32][33][34][35]

O conflito Rohingya refere-se aos violentos confrontos no norte do estado de Rakhine, em Mianmar (anteriormente conhecido como Arracão, Birmânia). O conflito tem sido caracterizado pela violência sectária entre as comunidades budistas arracanesas e o povo muçulmano rohingya, ataques a civis rohingya pelas forças de segurança de Mianmar,[36][37][38] e confrontos armados entre insurgentes e forças de segurança nos municípios de Buthidaung, Maungdaw e Rathedaung, que fazem fronteira com Bangladesh.

O conflito na região surge principalmente a partir da diferenciação religiosa e social entre os budistas arracaneses e os muçulmanos rohingya. Durante a Segunda Guerra Mundial na Campanha da Birmânia (atual Mianmar), os muçulmanos rohingya, que se aliaram aos britânicos devido a promessa de um estado muçulmano em troca, lutaram contra os budistas arracaneses locais, que eram aliados dos japoneses. Após a independência em 1948, o recém-formado governo de união predominantemente budista negou cidadania aos rohingyas, submetendo-os a uma extensa discriminação sistemática no país. Isso tem sido amplamente comparado ao apartheid [39][40][41][42] por muitos acadêmicos internacionais, analistas e figuras políticas, incluindo Desmond Tutu, um famoso ativista sul-africano anti-apartheid.[43]

De 1947 a 1961, os mujahideen rohingya locais combateram as forças do governo na tentativa de permitir que a região majoritariamente povoada pelos rohingya em torno da península de Mayu no norte de Arracão (atual Estado de Rahkine) obtivesse autonomia ou se separasse, para que pudesse ser anexada pelo Paquistão Oriental (atual Bangladesh).[44] Durante o final da década de 1950 e início da década de 1960, os mujahideen perderiam a maior parte do seu ímpeto e apoio, levando a maioria deles a se renderem às forças do governo.[45][46]

Na década de 1970, um movimento separatista rohingya emergiu a partir dos remanescentes mujahideen, e os combates culminaram com o governo birmanês lançando uma enorme operação militar chamada Operação Rei Dragão em 1978 para expulsar os chamados "forasteiros".[47] Na década de 1990, a bem armada Organização da Solidariedade Rohingya (OSR) foi a principal responsável por ataques às autoridades birmanesas perto da fronteira entre Bangladesh e Mianmar.[48] O governo birmanês respondeu militarmente com a Operação Pyi Thaya, mas não conseguiu desarmar a Organização da Solidariedade Rohingya.[49][50]

Em outubro de 2016, surgiram confrontos na fronteira entre Bangladesh e Mianmar entre as forças de segurança governamentais e um novo grupo insurgente, o Harakah al-Yaqin, resultando na morte de pelo menos 40 combatentes.[51][52][53] Foi o primeiro grande ressurgimento do conflito desde 2001.[2] Em novembro de 2016, a violência irrompeu novamente, elevando o número de mortos para 134.[27]

Na manhã de 25 de agosto de 2017, o Exército de Salvação dos Rohingya de Arracão, anteriormente Harakah al-Yaqin, lançou ataques coordenados contra 24 postos policiais e a 552.ª base do Batalhão de Infantaria Leve no Estado de Rakhine, deixando 71 mortos. Foi o primeiro grande ataque do grupo desde os confrontos em novembro de 2016.[54][55][56]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Myint, Moe (24 de outubro de 2017). «Rakhine Crisis in Numbers». The Irrawaddy 
  2. a b c d «Bangladesh Extremist Islamist Consolidation». by Bertil Lintner 
  3. a b c Brennan, Elliot; O'Hara, Christopher (29 de Junho de 2015). «The Rohingya and Islamic Extremism: A Convenient Myth». The Diplomat 
  4. «Myanmar military denies atrocities against Rohingya, replaces general». Reuters. 13 de novembro de 2017 
  5. a b «New Rakhine Police Chief Appointed». www.irrawaddy.com. 6 de setembro de 2017 
  6. Millar, Paul (16 de fevereiro de 2017). «Sizing up the shadowy leader of the Rakhine State insurgency». Southeast Asia Globe Magazine 
  7. J, Jacob (15 de dezembro de 2016). «Rohingya militants in Rakhine have Saudi, Pakistan links, think tank says» 
  8. «Arakan Rohingya National Organisation - Myanmar/Bangladesh | Terrorist Groups | TRAC». www.trackingterrorism.org (em inglês) 
  9. a b CNN, Katie Hunt. «Myanmar Air Force helicopters fire on armed villagers in Rakhine state». CNN 
  10. «PRESS RELEASE: Rohingya National Army (RNA) successfully raided a Burma Army Camp 30 miles from nort...». rohingya.org. 28 de Maio de 2001 
  11. Lone, Wa (25 de Abril de 2017). «Command structure of the Myanmar army's operation in Rakhine». Reuters 
  12. a b c Yegar, Moshe (2002). «Between integration and secession: The Muslim communities of the Southern Philippines, Southern Thailand, and Western Burma/Myanmar». Lanham. Lexington Books. p. 37,38,44. ISBN 0739103563 
  13. Olarn, Kocha; Griffiths, James (11 de janeiro de 2018). «Myanmar military admits role in killing Rohingya found in mass grave». CNN 
  14. «'Beyond comprehension': Myanmar admits killing Rohingya». www.aljazeera.com. 11 de janeiro de 2018 
  15. Lintner, Bertil (20 de setembro de 2017). «The truth behind Myanmar's Rohingya insurgency». Asia Times 
  16. Bhaumik, Subir (1 de setembro de 2017). «Myanmar has a new insurgency to worry about». South China Morning Post 
  17. «Rohingyas and the Right to have Rights». Arquivado do original em 14 de agosto de 2012 
  18. «Myanmar: Humanitarian Bulletin, Issue 4 | October 2016 - January 2017». ReliefWeb (em inglês). 30 de janeiro de 2017 
  19. «Bangladesh is now home to almost 1 million Rohingya refugees». The Washington Post. 25 de outubro de 2017 
  20. «Pope apologizes to Rohingya refugees for 'indifference of the world'». CBC News (em inglês) 
  21. «Pope Francis Says 'Rohingya' During Emotional Encounter With Refugees». Time 
  22. «Pope uses term Rohingya during Asia trip». BBC News. 1 de dezembro de 2017 
  23. «Myanmar bars U.N. rights investigator before visit». Reuters. 2017 
  24. «China and Russia oppose UN resolution on Rohingya». The Guardian. 24 de dezembro de 2017 
  25. «Myanmar Military Investigating a Mass Grave in Rakhine». Time 
  26. «100,000 Rohingya on first repatriation list | Dhaka Tribune». www.dhakatribune.com 
  27. a b Slodkowski, Antoni (15 de novembro de 2016). «Myanmar army says 86 killed in fighting in northwest». Reuters India 
  28. «Press Release» (PDF). Government of the Republic of the Union of Myanmar Ministry of Foreign Affairs. 21 de agosto de 2012. Consultado em 27 de outubro de 2012. Arquivado do original (PDF) em 27 de outubro de 2012 
  29. «Burma violence: 20,000 displaced in Rakhine state». BBC News. 28 de outubro de 2012. Cópia arquivada em 29 de outubro de 2012 
  30. «Burma jails 25 Buddhists for mob killings of 36 Muslims in Meikhtila». The Guardian. 11 de Julho de 2013 
  31. Hodal, Kate (22 de março de 2013). «Ethnic violence erupts in Burma leaving scores dead». The Guardian 
  32. «Photo Story: Bangladesh: A living nightmare». Médecins Sans Frontières (MSF) International (em inglês) 
  33. Griffiths, James. «Report: 6,700 Rohingya killed in first month of crackdown». CNN 
  34. «MSF: More than 6,700 Rohingya killed in Myanmar». www.aljazeera.com 
  35. McPherson, Poppy (14 de dezembro de 2017). «6,700 Rohingya Muslims killed in one month in Myanmar, MSF says». The Guardian 
  36. «Rohingya crisis: Satellite images of Myanmar village burning» 
  37. «A state-led massacre triggers an exodus of Rohingyas from Myanmar» 
  38. "Aung San Suu Kyi To Skip U.N. Meeting As Criticism Over Rohingya Crisis Grows," 13 de setembro de 2017.
  39. Ibrahim, Azeem (fellow at Mansfield College, Oxford University, and 2009 Yale World Fellow),"War of Words: What's in the Name 'Rohingya'?," June 16, 2016 Yale Online, Yale University, September 21, 2017
  40. "Aung San Suu Kyi’s Ultimate Test," Sullivan, Dan, January 19, 2017, Harvard International Review, Harvard University
  41. Emanuel Stoakes. «Myanmar's Rohingya Apartheid». The Diplomat 
  42. Kristof, Nicholas (28 de Maio de 2014). «Myanmar's Appalling Apartheid». The New York Times 
  43. Tutu, Desmond, former Archbishop of Cape Town, South Africa, Nobel Peace Prize (anti-apartheid and national-reconciliation leader), "Tutu: The Slow Genocide Against the Rohingya," January 19, 2017, Newsweek, citing "Burmese apartheid" reference in 1978 Far Eastern Economic Review at Oslo Conference on Rohingyas; also online at: Desmond Tutu Foundation USA
  44. Yegar, Moshe (1972). Muslims of Burma. Wiesbaden: Verlag Otto Harrassowitz. p. 96 
  45. Yegar, Moshe (1972). Muslims of Burma. [S.l.: s.n.] pp. 98–101 
  46. Pho Kan Kaung (Maio de 1992). The Danger of Rohingya. [S.l.]: Myet Khin Thit Magazine No. 25. pp. 87–103 
  47. Escobar, Pepe (Outubro de 2001). «Asia Times: Jihad: The ultimate thermonuclear bomb». Asia Times 
  48. Lintner, Bertil (19 de outubro de 1991). Tension Mounts in Arakan State. This news-story was based on interview with Rohingyas and others in the Cox's Bazaar area and at the Rohingya military camps in 1991: Jane's Defence Weekly 
  49. «Bangladesh: The Plight of the Rohingya». Pulitzer Center (em inglês). 18 de setembro de 2012 
  50. Hodal, Kate (20 de dezembro de 2012). «Trapped inside Burma's refugee camps, the Rohingya people call for recognition». The Guardian 
  51. «Myanmar Army Evacuates Villagers, Teachers From Hostilities in Maungdaw». Radio Free Asia 
  52. «Myanmar policemen killed in Rakhine border attack». BBC News. 9 de outubro de 2016 
  53. «Rakhine unrest leaves four Myanmar soldiers dead». BBC News. 12 de outubro de 2016 
  54. «Myanmar tensions: Dozens dead in Rakhine militant attack». BBC News 
  55. Htusan, Esther (25 de agosto de 2017). «Myanmar: 71 die in militant attacks on police, border posts». AP News 
  56. Lone, Wa; Slodkowski, Antoni (24 de agosto de 2017). «At least 12 dead in Muslim insurgent attacks in northwest Myanmar». Reuters