Abrir menu principal
Gnome globe current event.svg
Este artigo ou seção é sobre um conflito armado recente ou ainda em curso. A informação apresentada pode mudar com frequência. Não adicione especulações, nem texto sem referência a fontes confiáveis. (data da marcação: 22 de setembro de 2019; editado pela última vez em 6 de abril de 2019) Warfare current.svg
  • Conflito Irão-Arábia Saudita
  • Guerra Fria Islâmica
Iran–Saudi Arabia proxy conflict.png
  Irã
  Arábia Saudita
  Locais onde acontecem guerras por procuração
Data 1979–atualidade
Local Médio Oriente
Desfecho
Status Em andamento
Combatentes
Irã República Islâmica do Irão







Arábia Saudita Reino da Arábia Saudita







Conflito por procuração entre a Arábia Saudita e o Irã ou conflito iraniano-saudita refere-se as disputas estratégicas e conflitos indiretos entre a Arábia Saudita e o Irã pela influência desses países no Oriente Médio. A tensão nas relações de ambos ocorre devido a todo um conjunto de contradições entre eles nas áreas de religião, política e economia.[1] O conflito por procuração também tem sido referido como a Guerra Fria do Oriente Médio.[2]

Ambos os países estão envolvidos em uma guerra por procuração,[3] proporcionando graus variados de apoio aos lados opostos em conflitos regionais, especialmente na Guerra Civil Síria,[4][5][6] na Guerra Civil Iemenita[7][8] e na Guerra Civil Iraquiana,[9] bem como na Ásia Central [10] e sul da Ásia.[11][12]

O conflito entre Irã e Arábia Saudita está ligado a diversos níveis, sendo mais notável a rivalidade religiosa histórica dos ramos sunitas e xiitas do Islã,[3] bem como a atual competição geopolítica pela hegemonia no Oriente Médio e a rivalidade econômica sobre o controle dos mercados de petróleo.[13]

ContextoEditar

O conflito por procuração remonta a Revolução Iraniana, onde o Irã se tornou uma república islâmica. Os revolucionários islâmicos iranianos clamavam especificamente pela derrubada das monarquias da região e a sua substituição por repúblicas islâmicas, o que alarmou seus vizinhos árabes sunitas como o Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, e os outros Estados do Golfo Pérsico – a maioria dos quais eram monarquias e todos possuíam populações xiitas consideráveis. Os insurgentes islamistas surgiriam e se rebelariam na Arábia Saudita (1979), no Egito (1981), na Síria (1982) e no Líbano (1983).

Antes da revolução iraniana, os dois países constituíram a política da Doutrina Nixon do "pilar duplo" no Oriente Médio.[14] As monarquias, particularmente o Irã, se aliaram com os Estados Unidos para garantir a estabilidade na região do Golfo e agir como um baluarte contra a influência soviética durante a Guerra Fria Árabe. A aliança agiu como uma influência moderadora sobre a rivalidade saudita-iraniana.[15] Já nessa época, o Reino da Arábia Saudita tinha a riqueza petrolífera e o prestígio como a terra de Meca e Medina, as duas cidades sagradas do Islã. Ao utilizar o Islã, a Arábia Saudita patrocinou uma conferência islâmica internacional em Meca, em 1962. Criou a Liga Muçulmana Mundial, dedicada a difundir o Islã e promover a solidariedade islâmica. A Liga foi "extremamente eficaz" na promoção do Islã, particularmente do Islã wahabista conservador no mundo muçulmano.[16] A Arábia Saudita também liderou a criação da Organização para a Cooperação Islâmica em 1969.

Em 1980, o regime de Saddam Hussein do vizinho Iraque, de caráter nacionalista árabe e dominado pelos muçulmanos sunitas, tentou tirar proveito do caos revolucionário e destruir a revolução em sua fase inicial. Temendo uma potencial onda revolucionária que poderia ameaçar a estabilidade do Iraque, Hussein lançou uma invasão em 20 de setembro, provocando a Guerra Irã-Iraque, que durou oito anos e matou centenas de milhares de pessoas. Durante a guerra, o Iraque foi apoiado por muitos países, incluindo Egito, Jordânia, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que forneceram ajuda, seja financeira ou militar, para o Iraque para impedir o Irã de exportar sua "revolução islâmica". Além da Guerra Irã-Iraque, o Irã e a Arábia Saudita se engajaram em uma rivalidade tensa, apoiando diferentes grupos armados na Guerra Civil Libanesa, na Guerra Soviético-Afegã e em outros conflitos. Após a Guerra Fria, o Irã[17] e a Arábia Saudita[18][19] continuaram a apoiar diferentes grupos e organizações entre linhas sectárias, como no Iraque e no Iêmen.

Durante a Primavera Árabe, a Arábia Saudita solicitou a formação de uma União do Golfo para aprofundar os laços entre os Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). A proposta refletia a preocupação do governo saudita com a prevenção de potenciais levantes por minorias marginalizadas nas monarquias do Golfo, bem como a sua rivalidade regional com o Irã.[20] A união teria centralizado influência saudita na região, dando-lhe maior controle sobre questões militares, econômicas e políticas que afetam os Estados membros. Com exceção do Barein, outros membros rejeitaram a federação proposta, com Omã, Catar, Quaite e Emirados Árabes Unidos cautelosos com a criação de uma posição dominante saudita.[21]

Devido à importância decrescente do conflito israelense-palestino e as tensões mútuas com o Irã, Estados do Conselho de Cooperação do Golfo têm procurado reforçar a cooperação econômica e de segurança com Israel, que está envolvido em seu próprio conflito por procuração com o Irã.[22]

Principais eventosEditar

  • Massacre de Meca: Em 31 de julho de 1987, as autoridades sauditas reprimiram uma manifestação maciça antiamericana e anti-israelense de peregrinos iranianos em Meca. Durante os motins morreram 400 peregrinos, sendo que 275 deles eram iranianos. Em resposta, grupos de manifestantes invadiram a embaixada saudita em Teerã e mantiveram a equipe diplomática como refém. Um dos funcionários sauditas morreu e em abril de 1988, a Arábia Saudita romperia relações diplomáticas com o Irã pela primeira vez.[23]
  • Programa nuclear iraniano: A Arábia Saudita apoia as sanções políticas e econômicas contra o Irã por seu programa nuclear e demonstrou desagrado pelo acordo 5 + 1 entre as potências ocidentais, a Rússia e o Irã, que encerrou este impasse de 15 anos.
  • Intervenção militar saudita na rebelião no Barein: Em 14 de março de 2011, as autoridades do Barein solicitaram ajuda a aliança militar Força do Escudo da Península, onde a Arábia Saudita é o principal líder, e reprimiram os protestos da oposição bareinita com a entrada de mais de mil soldados sauditas.[24][25] O Irã não ficaria indiferente a esta intervenção e a considerou inaceitável.[25]
  • Guerra Civil Síria: Apoio militar e financeiro saudita para a oposição síria na guerra civil, enquanto que o Irã apoia militarmente o regime de Bashar al-Assad que é um aliado valioso para o Irã na região.
  • Guerra Civil Iemenita: Apoio militar e financeiro iraniano para os rebeldes houthis no Iêmen (embora este negue), enquanto os sauditas efetuam uma intervenção militar em favor do governo iemenita na guerra civil. Os houthis se rebelaram e tomaram partes do Iêmen, incluindo a capital Saná, e forçaram o governo iemenita a exilar-se em 2015. A interferência do Irã nos problemas do Iêmen é uma grande preocupação para Riade e por isso a coalizão liderada pela Arábia Saudita tem combatido os rebeldes por meio de uma intervenção militar no país.[26]
  • Tumultos em Meca de 2015: O governo e as autoridades religiosas do Irã criticaram os sauditas pela má gestão da peregrinação anual do Hajj, onde 464 cidadãos iranianos morreram, e ameaçaram levar a questão aos tribunais internacionais em uma reação feroz..[27][28] Em Teerã ocorreram protestos devido aos acontecimentos, o que aumentaria essa rivalidade política.[29][30]
  • Iraque: A Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo apoiaram Saddam Hussein durante a guerra Irã-Iraque, entre 1980 e 1988, e sofreriam ataques pelo Irã em sua frota marinha. As relações diplomáticas entre Irã e Arábia Saudita foram suspensas por três anos após a guerra. Desde a queda de Saddam Hussein, devido à Guerra do Iraque, o Governo do Iraque de maioria xiita tornou-se um importante aliado do Irã na região.[31]
  • Execução do clérigo Nimr Baqr al-Nimr: A morte por execução do clérigo xiita Nimr al Nimr na Arábia Saudita, acusado de "terrorismo" por inspirar uma revolta em 2011, causou uma onda de indignação entre os xiitas na região.[32][33] Nimr foi uma das 47 pessoas executadas após ser declarado culpado pelas autoridades sauditas por infrações relacionadas com terrorismo; sua luta era contra a discriminação sofrida por esta comunidade pelos sunitas que lideram o país saudita.[34] Após tomar conhecimento da sua execução, as autoridades religiosas e políticas iranianas condenaram a ação, centenas de manifestantes atiraram bombas incendiárias e atacaram a embaixada saudita em Teerã. O que levaria esses países a romperem relações diplomáticas.[35][36]
  • Ataque com mísseis na embaixada iraniana em Saná: O regime iraniano informou que, no início de janeiro, a Força Aérea Real Saudita atacou com mísseis sua embaixada em Saná e que vários guardas da embaixada ficaram feridos e três morreram neste ataque.[37][38][39]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Arábia Saudita é grande rival do Irã no Golfo Pérsico»  - Deutsche Welle Guia para entender o conflito entre Irã e Arábia Saudita - O Estado de São Paulo
  2. «New Middle East Cold War: Saudi Arabia and Iran 's Rivalry» 
  3. a b Jennifer Rubin (6 de janeiro de 2016). «The Iran-Saudi Arabia proxy war». Washington Post 
  4. Gerges, Fawaz (15 de dezembro de 2013). «Saudi Arabia and Iran must end their proxy war in Syria». The Guardian 
  5. Rogin, Josh (4 de novembro de 2015). «Iran and Saudi Arabia Clash Inside Syria Talks». Bloomberg View. ...Iran and Saudi Arabia to discuss anything civilly, much less come to an agreement on Syria, where both sides have proxy forces in the fight. 
  6. Loewenstein, Jennifer. «Heading Toward a Collision: Syria, Saudi Arabia and Regional Proxy Wars». CounterPunch. Saudi Arabian and Iranian-backed factions are contributing to the proxy war in Syria... 
  7. Tisdall, Simon (25 de março de 2015). «Iran-Saudi proxy war in Yemen explodes into region-wide crisis». The Guardian 
  8. Browning, Noah. «The Iran-Saudi Arabia proxy war in Yemen has reached a new phase». Business Insider 
  9. Rubin, Alissa J. (6 de julho de 2016). «Iraq Before the War: A Fractured, Pent-Up Society». The New York Times. Consultado em 13 de julho de 2016 
  10. Diplomat, Rustam Ali Seerat, The. «Iran and Saudi Arabia in Afghanistan» 
  11. Diplomat, Ankit Panda, The. «Why Is Pakistan Interested in Brokering Peace Between Iran and Saudi Arabia?» 
  12. Sewag, Zulqarnain (30 de abril de 2015). «Sectarian Rise in Pakistan: Role of Saudi Arabia and Iran». 1 (3). Consultado em 18 de setembro de 2016. Arquivado do original em 15 de fevereiro de 2017 – via www.gjms.co.in 
  13. Kenneth M. Pollack (8 de janeiro de 2016). «Fear and Loathing in Saudi Arabia». Foreign Policy 
  14. Beinart, Peter (4 de janeiro de 2007). «Return of the Nixon Doctrine». TIME 
  15. Ramazani, R.K. (1 de março de 1979). «Security in the Persian Gulf». Foreign Affairs (Spring 1979). Council on Foreign Relations 
  16. Gold, Dore (2003). Hatred's Kingdom. Washington, DC: Regnery. pp. 75–6 
  17. «State Sponsors: Iran». Council on Foreign Relations 
  18. «How Saudi Wahhabism Is the Fountainhead of Islamist Terrorism». The Huffington Post. 21 de janeiro de 2015 
  19. Patrick Cockburn (11 de janeiro de 2016). «Prince Mohammed bin Salman: Naive, arrogant Saudi prince is playing with fire». The Independent 
  20. Fahim, Kareem; Kirkpatrick, David D. (14 de maio de 2012). «Saudi Arabia Seeks Union of Monarchies in Region». The New York Times 
  21. Hammond, Andrew (17 de maio de 2012). «Analysis: Saudi Gulf union plan stumbles as wary leaders seek detail». Reuters 
  22. Ramani, Samuel (12 de setembro de 2016). «Israel Is Strengthening Its Ties With The Gulf Monarchies». The Huffington Post 
  23. 20Minutos. «Arabia Saudí e Irán: más de tres décadas de rivalidad geopolítica con el sectarismo como excusa - 20minutos.es» 
  24. elmundo.es. «Soldados de países del Golfo entran en Bahrein | Revueltas en el mundo árabe | elmundo.es». www.elmundo.es 
  25. a b País, Ediciones El (15 de março de 2011). «Arabia Saudí envía tropas a Bahréin» (em espanhol). EL PAÍS 
  26. «Arabia Saudita interviene en Yemen con apoyo de Estados Unidos para sostener al presidente contra los hutíes». www.telam.com.ar 
  27. País, Ediciones El (25 de setembro de 2015). «Irán pide responsabilidades a Arabia Saudí por la estampida de La Meca» (em espanhol). EL PAÍS 
  28. «Irán amenazó a Arabia Saudita con una reacción feroz por la estampida de La Meca | Arabia Saudita, Irán, Ayatollah Alí Khamenei - América» 
  29. «Iranians hold rallies to protest Saudis' Hajj mismanagement». www.irna.ir 
  30. Tharoor, Ishaan (24 de setembro de 2015). «How the deadly hajj stampede feeds into old Middle East rivalries». The Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286 
  31. «7 razones que explican la rivalidad entre Arabia Saudita e Irán - BBC Mundo» (em espanhol). BBC Mundo 
  32. «Nimr al Nimr, el 'mártir' de la Primavera saudí». ELMUNDO 
  33. «Arabia Saudí ejecuta al clérigo reformista chií Nimr al Nimr y a otras 46 personas acusadas de terrorismo». ELMUNDO 
  34. «Quién era Nimr al Nimr, el ejecutado por el que Irán amenaza con una "venganza divina" a Arabia Saudita - BBC Mundo» (em espanhol). BBC Mundo 
  35. Brumfield, Por Ben. «Arabia Saudita corta lazos con Irán por el ataque a su embajada en Teherán» 
  36. «Tras el ataque a su embajada, Arabia Saudita rompió relaciones diplomáticas con Irán». www.lanacion.com.ar 
  37. «Irán acusa a Arabia Saudí de atacar con misiles su embajada en la capital de Yemen» (em espanhol). abc 
  38. «Ataque a embajada de Irán en Yemen deja tres guardias muertos». EL INFORMADOR 
  39. «Ataque a embajada de Irán en Yemen deja tres guardias muertos» (em espanhol). ElImparcial.com 

Ligações externasEditar