Conrado II do Sacro Império Romano-Germânico

Conrado II (Speyer, 990Utrecht, 4 de junho de 1039), também conhecido como Conrado, o Velho ou Conrado, o Sálico, foi o Imperador Romano-Germânico de 1027 até sua morte em 1039. Fundador da dinastia Saliana de imperadores foi também Rei da Borgonha desde 1033, Rei da Itália desde 1026 e Rei da Germânia desde 1024. Era filho de Henrique, Conde de Speyer, e sua esposa Adelaide da Alsácia.[1]

Conrado II
Rei da Borgonha
Reinado 6 de setembro de 1032
a 4 de junho de 1039
Antecessor(a) Rodolfo III
Sucessor(a) Henrique III
Imperador Romano-Germânico
Reinado 26 de março de 1027
a 4 de junho de 1039
Coroação 26 de março de 1027
Predecessor Henrique II
Sucessor Henrique III
Rei da Itália
Reinado 31 de março de 1026
a 4 de junho de 1039
Coroação 31 de março de 1026
Predecessor Henrique II
Sucessor Henrique III
Rei da Germânia
Reinado 8 de setembro de 1024
a 4 de junho de 1039
Coroação 8 de setembro de 1024
Predecessor Henrique II
Sucessor Henrique III
 
Esposa Gisela da Suábia
Descendência Henrique III, Imperador Romano-Germânico
Matilde da Francônia
Dinastia Saliana
Nascimento 990
  Speyer, Baixa Lorena, Sacro Império Romano-Germânico
Morte 4 de junho de 1039 (49 anos)
  Utrecht, Germânia, Sacro Império Romano-Germânico
Enterro Catedral de Speyer, Speyer, Alemanha
Pai Henrique, Conde de Speyer
Mãe Adelaide da Alsácia
Religião Catolicismo

Seu pai era um nobre germânico mediano, com Conrado tendo herdado os títulos de Conde de Speyer e Worms ainda criança depois da morte de Henrique. Ele conseguiu estender seu poder para além de suas terras, recebendo o favor de príncipes do Reino da Germânia. A saxônica dinastia otoniana terminou quando o imperador Henrique II do Sacro Império Romano-Germânico morreu sem deixar filhos, com Conrado sendo eleito para sucedê-lo em 1024. Ele acabou fundando sua própria dinastia, conhecida como Saliana, que reinou o Sacro Império Romano-Germânico por mais de um século.

Conrado continuou as políticas e realizações de Henrique II em relação à Igreja Católica e os assuntos italianos. Ele continuou a colocar a igreja como um centro do poder imperial, preferindo nomear bispos sobre senhores seculares em cargos importantes pelo império, assim como foi seu primo Bruno de Würzburg, um chanceler imperial da Itália de 1027 até 1034, e de 1034 até sua morte, príncipe-bispo de Würzburg. Como seu predecessor, Conrado continuou a política de negligenciamento benigno sobre o Reino Itálico, especialmente para a cidade de Roma. Seu reinado marcou um ponto alto do domínio imperial medieval e um período de relativa paz. Após a morte do rei Rodolfo III da Borgonha em 1032, Conrado reivindicou domínio sobre o Reino de Arles e o incorporou ao império. Os três reinos (Germânia, Itália e Borgonha) formam a base do Império como "Tríade Real" (Regna tria).[1]

Antecedentes FamiliaresEditar

A dinastia Saliana teve origem no Conde Werner V de Worms, um nobre Franco do ducado germano da Francónia, a leste do rio Reno. O seu filho, Conrado, o Vermelho, sucedeu-lhe como Conde em 941 e o Rei Otão I da Germânia (futuro Imperador do Sacro Império Romano-Germânico) nomeou-o Duque da Lorena em 944. Subsequentemente, casou-se com Lutgarda, uma filha de Otão, em 947 tornando-se um dos aliados mais próximos do rei. A relação tornou-se tensa, contudo, quando Otão recusou honrar o tratado de paz que Conrado, como representante de Otão, havia conduzido com Berengário II de Itália. Conrado também se ressentiu da crescente influência do irmão de Otão, Henrique I da Baviera, a quem ele viu como ameaça a seu próprio poder. Em 953, Conrado juntou-se ao filho do rei, Liudulfo, numa rebelião contra Otão, esta rebelião foi derrotada e Conrado foi despojado de seu ducado. Conrado e Otão reconciliaram-se rapidamente, com Conrado a lutar por Otão na grande Batalha de Lechfeld em 955. Embora os germânicos tenham tido sucesso em deter as invasões húngaras da Europa, Conrado perdeu a vida na batalha. Conrado foi sucedido como Conde de Worms em 956 por seu filho Otão de Worms, neto de Otão I. Algures entre 965 e 970, o filho mais velho de Otão de Worms, Henrique de Speyer, nasceu. De vida curta, ele morreu com 20 anos entre 985 e 990. O pai de Conrado II foi Henrique de Speyer, e a sua mãe foi Adelaide da Alsácia, um território da Baixa-Lorena. Após a morte de Henrique, Adelaide casou com um nobre Franco. Após seu casamento, Adelaide não demonstrou uma relação próxima com seu filho[1].

Em 978, o Imperador Otão II nomeia o seu sobrinho Otão de Worms como duque da Caríntia após depor o rebelde Duque Henrique I da Caríntia durante a Guerra dos Três Henriques. Ao receber o titulo ducal, contudo, Otão perde Worms, que foi dado ao Bispo Hildebaldo, chanceler imperial de Otão II. Quando Otão II morre em 983, é sucedido por seu filho Otão III, com sua mãe Teofânia como regente. Teofânia procurou reconciliar a casa imperial com Henrique I, restaurando-o como duque da Caríntia em 985, com Otão de Worms renegando a sua posição ancestral como Conde de Worms. Contudo, Otão foi autorizado a denominar-se "Duque de Worms" e seu território original foi expandido para não diminuir sua posição. Otão de Worms manteve-se leal ao novo Imperador, recebendo o governo da Marca de Verona em 955, tendo o atual Ducado da Caríntia passado para Henrique IV da Baviera. Em 966, Otão III nomeia o filho de Otão de Worms, Bruno como Papa Gregório V. Quando o Imperador Otão III morreu em 1002, tanto Otão de Worms, avô de Conrado, como Henrique IV foram candidatos à eleição como Rei da Germânia. Como compromisso, Otão retirou-se e recebe o Ducado da Caríntia do recente eleito Henrique IV, que reinará como Henrique II da Germânia. Como resultado, Otão de Worms renuncia às suas propriedades em Worms, a favor do Bispo Bucardo de Worms, um rival politico de longa data. Bucardo assume o cuidado de Conrado, dando-lhe educação ate 1000.[1]

Após a morte de seu tio, o Duque Conrado I da Caríntia, o filho mais velho de Conrado, Conrado, o Jovem, é nomeado Conde de Worms pelo Imperador Henrique II, enquanto o Ducado da Caríntia passa para Adalberto de Eppenstein devido à juventude de Conrado, o Jovem. Conrado, o Jovem foi colocado aos cuidados de Conrado.[1]

Idade AdultaEditar

Conrado casou com Gisela da Suábia, duquesa duas vezes viúva, em 1016. Gisela era filha do Duque Hermano II da Suábia que, em 1002, desafortunadamente reivindicou o trono Germânico após a morte do Imperador Otão III, perdendo a eleição para o Imperador Henrique II. Gisela foi primeiro casada com o Conde Bruno I de Brunswick no mesmo ano. Após a morte de Bruno por volta de 1010, Gisela casou com Ernesto I da Casa de Babenberg. Por casamento, Ernesto I herdou o Ducado da Suábia devido à morte do irmão de Gisela, o Duque Hermano III da Suábia em 1012. Este casamento produziu dois filhos: Ernesto II e Hermano. Após a morte de Ernesto I em 1015, o Imperador Henrique II nomeou Ernesto II como Duque da Suábia. Como novo marido de Gisela, Conrado esperava servir como regente de seu enteados na administração do ducado, vendo-o como uma oportunidade de aumentar o seu próprio poder e subsequentemente reclamar seu próprio ducado. O Imperador Henrique II travou esta tentativa colocando a guarda de Ernesto II, e a regência da Suábia, nas mãos do Arcebispo Poppo de Trier em 1016. Essa ação prejudicou ainda mais o relacionamento já rude entre a Casa imperial de Otto e a família Saliana.[1]

As esperanças de Conrado II obter o seu próprio ducado falharam, mas o seu casamento com Gisela trouxe-lhe riqueza. A sua mãe, Gerberga da Borgonha, era filha do Rei Borgonhês reinante Conrado da Borgonha e neta do último Rei Franco Luís IV. Gisela podia reivindicar descendência de Carlos Magno através de sua mãe e seu pai. Este casamento foi problemático por causa da relação familiar partilhada entre Gisela e Conrado: ambos eram descendentes do Rei Otoniano Henrique I, Conrado da 5ª geração e Gisela da 4ª. De acordo com a lei canónica, o casamento não era permitido entre parentes da quinta à sétima geração. Apesar no casamento de Conrado ser um pouco diferente da prática normal da altura, canonista rigorosos contestaram o casamento e o imperador Henrique II usou essa violação da lei canônica para forçar Conrado ao exílio temporário. Durante o seu exilio, Gisela pariu um filho de Conrado, Henrique III, a 28 de Outubro de 1017. Conrado e o Imperador Henrique II reconciliaram-se, permitindo-lhe voltar à Germânia.

Reinado como ReiEditar

Eleição RealEditar

O Imperador Henrique II morreu em 1024. Sem filhos, a morte de Henrique trouxe a Dinastia Otoniana, que reinava a Germânia desde 919, ao seu fim. Sem um sucessor claro como Rei da Alemanha, a viúva de Henrique, Cunegunda do Luxemburgo serviu como regente até os duques alemães garantirem a eleição de um novo rei. Cunegunda foi assistida por seus irmãos, o Bispo Dietrich I de Metz e o Duque Henrique V da Baviera. O Arcebispo Aribo de Mainz, o Primaz da Alemanha, também assistiu Cunegunda.[1]

A 4 de setembro de 1024, os príncipes Alemães reuniram-se em Kamba, um nome histórico para uma área nas margens leste do rio Reno, em frente à cidade alemã de Oppenheim. (Atualmente a posição de Kamba é assinalada por um pequeno monumento, que exibe Conrado num cavalo.) O Arcebispo Aribo serviu como presidente da assembleia. Conrado apresentou-se antes da assembleia como candidato para a eleição, assim como seu jovem primo Conrado, o Jovem. Ambos eram descendentes do Imperador Otão I, através de seu avô comum Otão de Worms, filho de Lutegarda, uma das filhas de Otão. Embora existissem outros membros da dinastia Otoniana, nenhum foi seriamente considerado para a eleição. O Ducado da Saxónia adotou uma estratégia neutral, enquanto o Ducado da Lorena favoreceu o jovem Conrado. A maioria dos príncipes da assembleia favoreceram Conrado, o Velho, cujo filho de sete anos assegurava uma estável dinastia para o reino. Como presidente da assembleia, o Arcebispo Aribo lança o primeiro voto e apoia Conrado, o Velho. Outros clérigos apoiaram Conrado, o Velho, assim como os duques seculares[1]. Apenas o arcebispo Peregrino de Colónia, o duque Gotelão I da Baixa Lorena e o duque Frederico II da Alta Lorena se recusaram a apoiá-lo.

Conrado foi coroado Rei da Alemanha pelo Arcebispo Aribo na Catedral de Mainz, a 8 de setembro de 1024 com a idade de 34 anos. Para marcar esta eleição, Conrado patrocinou a construção da Catedral Speyer em Speyer, perto da sua casa ancestral de Worms. A construção começou em 1030. O Arcebispo Aribo, como arcebispo de Mainz, era agora o chanceler da Alemanha. Conrado queria recompensar o arcebispo pelo seu apoio eleitoral, por isso nomeou Aribo chanceler de Itália fazendo dele o segundo homem mais poderoso do Sacro Império Romano como chanceler imperial[1].

Aribo recusou coroar a esposa de Conrado, Gisela como rainha, devido à violação da lei canónica. Conrado recusou aceitar a posição do Arcebispo Aribo. O Arcebispo Pilgrim de Colónia viu a situação como uma oportunidade de restaurar a sua relação com o rei, após recusar o apoiar a eleição de Conrado e coroou Gisela rainha, a 21 de setembro de 1024. A reorientação politica de Pilgrim também enfraqueceu a oposição em relação ao novo rei.

Reinado precoceEditar

Conrado herdou um reino perturbado por numerosos problemas. Os ducados da Saxónia e Lorena opunham-se a este reinado, assim como seu filho Conrado da Caríntia. Para consolidar seu reinado, Conrado empreendeu uma viagem pela Alemanha, fazendo paragens em Augsburgo para receber o apoio do Bispo Bruno, e em Estrasburgo o apoio de Bispo Werner, o irmão do último Imperador Henrique II. Ambos foram nomeados para altos cargos na corte de Conrado. Viajando de Colónia a Aachen, local da antiga capital de Carlos Magno, Conrado continuou a tradição de reclamar o direito de reinar a Alemanha como sucessor de Carlos Magno. Apesar de continuar com a tradição Otoniana, o Ducado da Lorena ainda não aceitava seu reinado. Conrado então viajou para norte para a Saxónia, visitando a Abadessa Adelaide I de Quedlinburg e a Abadessa Sofia I de Gandersheim, ambas filhas do último Imperador Otoniano, o Imperador Otão II. Este apoio ao reinado de Conrado, influenciou muito a nobreza da Saxónia. Celebrando o Natal em Minden, os nobres Saxónicos, liderados pelo Duque Bernardo II, reconheceram Conrado como seu rei após a promessa dele respeitar a lei saxónica. Conrado e Gisela permaneceram na Saxónia durante o inverno até março de 1025. Após deixar a Saxónia, Conrado viajou até ao Ducado da Suábia, celebrando a Páscoa em Augsburgo. Depois viajou até ao Ducado da Baviera para celebrar o Pentecoste em Ratisbona. Conrado, a seguir viaja até Zurique perto da fronteira Germano-Borgonhesa. Em 1016, o Imperador Henrique II forçou o Rei Borgonhês sem filhos, Rodolfo III a nomeá-lo seu herdeiro. Com a morte de Henrique em 1024, Conrado reclamou o mesmo direito sob a Borgonha. Isto encerrou a sua viagem pela Alemanha, visitando todas as principais regiões do reino dez meses após sua eleição.

Conrado teve que enfrentar o antigo conflito de Gandersheim ao assumir o trono alemão. O conflito de 40 anos remonta a 989, durante o reinado do Imperador Otão III, pelo controlo da Abadia de Gandersheim e seus estados. Tanto o Arcebispo de Mainz como o Bispo de Hildesheim reclamavam autoridade sobre a Abadia, incluindo a autoridade para nomear as freiras da Abadia. Apesar de Otão III aliviar as tensões entre as partes, declarando que ambos os bispos podiam nomear a Abadessa, o conflito continuou. O Arcebispo Aribo de Mainz, o novo Primaz da Alemanha, solicitou a abertura do precedente. Conrado estava em divida com Aribo pelo seu apoio durante a eleição real e fez por apoiar seu aliado[1]. Em janeiro de 1027, o rei convocou um sínodo em Frankfurt para resolver a disputa, mas a conclusão não foi alcançada. Conrado convocou um segundo sínodo em setembro de 1028, que da mesma forma falhou no encontro de uma solução. Apenas no terceiro sínodo em 1030, o conflito terminou quando o Bispo Gotardo de Hildesheim renunciou às suas pretensões ao mosteiro em favor de Aribo.

Durante a sua viagem a Ausgburgo, um conflito rebentou entre Conrado e seu jovem primo, Conrado, o Jovem. As razões para a rebelião não estão registradas, mas Conrado, o jovem afirmou que não recebeu nenhuma compensação que o rei lhe havia prometido se se retirasse da eleição de 1024.

Agitação em ItáliaEditar

Na Baviera, Conrado estabelece contato com a elite reinante Italiana pela primeira vez. Em junho de 1025, o Arcebispo Ariberto de Milão, e outros bispos do Norte de Itália, viajam para norte pelos Alpes para prestar homenagem a Conrado. Em troca de certos privilégios no governo de Itália, Ariberto concordou em coroar Conrado com a Coroa de Ferro da Lombardia. A situação em Itália era instável após a morte de Henrique II. Os nobres seculares acreditavam que o trono Italiano estava vago, não aceitando a sucessão automática de Conrado como questão de direito. Em vez disso, ofereceram a coroa Italiana ao Rei Capetiano Roberto II de França e a seu filho Hugo Magnus. Após ele rejeitar a oferta, os nobres abordaram o Duque Guilherme V da Aquitânia. Embora inicialmente excitado pela oferta, Guilherme V subsequentemente rejeitou-a.

Junto com a missão eclesiástica, nobres Italianos de Pavia também viajaram para norte para estar com Conrado. Como a eleição de Conrado não teve grandes obstáculos a norte dos Alpes, em Itália, em resultado da morte do Imperador Henrique II, houveram grandes motins, e alguns nobres Italianos tentaram separar o Reino de Itália do Sacro Império Romano[1]. Quando se espalharam as noticias da morte de Henrique, os cidadãos de Pavia revoltados, destroem o palácio imperial, que datava do Rei Ostrogodo Teodorico, o Grande no século V. Apesar de Pavia ter perdido a sua posição no centro da administração real na Itália sob a dinastia Otoniana, o palácio tinha sido um grande símbolo da autoridade imperial em Itália. Pavia, graças à sua localização estratégica situada nas rotas de comércio de Itália para a Borgonha e França, tinha sido um importante centro de comércio. Comerciantes da baixa nobreza exigiam maior autonomia do controlo imperial. A nobreza viu a mera presença do palácio imperial dentro das muralhas da cidade como algo intolerável[1].

Embaixadores de Pavia viajaram para norte para se encontrarem com o Rei Germânico. De acordo com Wipo, o clérigo pessoal de Conrado, a realeza Italiana não foi "durável" com o trono Alemão mas antes uma mera "união pessoal". A Itália era uma nação separada da Alemanha com a sua própria identidade, não uma união politica permanente. Eles tentaram justificar as ações de seus cidadãos, clamando que Pavia sempre havia sido leal ao Rei Italiano, enquanto este tinha sido vido, e esta revolta aconteceu após o trono ficar livre. Portanto, a queima do palácio devia ser desculpada. Conrado rejeitou este argumento, contudo, dizendo que consoante um navio permanece após a morte de seu capitão, o Império também se mantém após a morte do Imperador. A realeza de Itália, de acordo com Conrado, pertencia-lhe como rei da Alemanha como questão de direito legal. Conrado também declarou que o palácio era propriedade do Império, não do antigo rei, e portanto o novo rei tinha o direito de punir essa responsabilidade. Os nobres voltaram a Itália em oposição ao governo Saliano.

Em fevereiro de 1026, Conrado reuniu um exército de mil cavaleiros armados para uma expedição a Itália, incluindo tropas comandadas pelo Arcebispo Aribo de Mainz e o Arcebispo Pilgrim de Colónia. O exercito de Conrado marchou para sul, sitiando Pavia, mas as muralhas da cidade bloquearam os atacantes. Conrado decidiu enviar um contingente de soldados para manter o cerco à cidade, bloqueando as estradas na área, continuando a sua campanha. Em março de 1026, Conrado chega a Milão e é coroado com a Coroa de Ferro dos Lombardos pelo Arcebispo Ariberto de Milão como Rei dos Lombardos. De Milão, Conrado viaja para Vercelli, onde celebra a Páscoa com o idoso Bispo Leo de Vercelli, que tinha sido um conselheiro-chefe do falecido Imperador Otão III. Quando Leo morre alguns dias depois, o Arcebispo Ariberto torna-se o apoiante chefe da dinastia Saliana em Itália. Com a ajuda de Conrado, Ariberto torna-se a figura religiosa mais alta em Itália e supervisiona a expansão da Basílica de Santo Ambrósio em Milão. Em junho de 1026, Conrado marcha com seu exército para Ravena, mas aquartelar os seus soldados ao lado da população ravenense causa tensão na cidade[1]. Conrado marchou para norte para mitigar o risco do calor do verão sob seu exército. No outono Conrado deixou o seu campo de verão no vale do e marchou até á fronteira borgonhesa. Conrado então celebra o Natal em Ivrea. No fim do inverno, os nobres seculares de Itália voluntariamente terminam a sua oposição ao reinado de Conrado. Pavia, contudo, mantém-se em revolta até ao inicio de 1027, quando o Abade Odilo de Cluny intermedeia um acordo de paz entre a cidade e Conrado[1].

Reinado como ImperadorEditar

Coroação ImperialEditar

 
A coroa Imperial do Sacro Império Romano-Germânico

A 26 de março de 1027, o Papa João XIX corou Conrado e a sua mulher Gisela como Imperador e Imperatriz, respetivamente, na Basílica de São Pedro em Roma. A coroação foi assistida por Canuto, o Grande, Rei de Inglaterra, Dinamarca e Noruega, Rodolfo III da Borgonha e 70 Altos-Clérigos, incluindo os Arcebispos de Colónia, Mainz, Trieste, Magdeburgo, Salzburgo, Milão e Ravena. O filho de Conrado e seu herdeiro Henrique também assistiu. A assistência de Rodolfo marca uma melhoria nas relações entre a Borgonha e o Sacro Imperio Romano-Germânico. Durante o sétimo dia da cerimónia de coroação, surgiu uma disputa de lugares entre os arcebispos de Milão e Ravena, com Conrado decidindo a favor de Milão. Seguindo o sínodo, Conrado viajou para sul para receber homenagem dos estados Italianos do Principado de Cápua, do Principado de Salerno e do Ducado de Benevento[1].

Após a sua coroação, Conrado emite decretos com o fim de reorganizar os mosteiros e dioceses de Itália com o objetivo particular de colocar a igreja de Veneza sob controlo Imperial. A 6 de abril de 1027, num sínodo realizado na Basílica de Latrão com o Papa João XIX, o Imperador resolve a disputa a favor da Velha-Aquileia. O Patriarca de Aquileia, Poppo tinha sido um apoiante leal do Imperador Henrique II, que o nomeou como Patriarca em 1020 durante a sua campanha para reafirmar a sua autoridade em Itália. A ação de Conrado colocou a igreja em Grado sob a autoridade de Poppo, garantindo a lealdade de Poppo ao torná-lo oficial do Imperador no norte de Itália. O sínodo determinou o fim da independência da Igreja de Grado e limitou a autonomia politica de Veneza. Ao fazê-lo, Conrado rompe com as políticas de seus predecessores e revoga o status comercial privilegiado de Veneza.

No fim de maio de 1027, Conrado volta para norte, para a Alemanha para estar presente no funeral do Duque Henrique V da Baviera em Ratisbona. Com o Ducado da Baviera sem herdeiro, Conrado afirma o direito de nomear o próximo duque como uma questão de prerrogativa real, tomando a decisão sem precedentes de nomear o seu filho de 10 anos, Henrique, como Duque da Baviera apesar da existência de candidatos com melhor pretensão ao ducado. Nunca antes o Ducado Bávaro havia passados para alguém que não era membro da família ducal Bávara.

O jovem príncipe assume a dignidade Bávara a 24 de junho de 1027. Após a nomeação de Henrique, Conrado estabelece a corte em Ratisbona e emite um decreto exigindo uma prestação de contas de todas as propriedades imperiais do ducado. Isto exigia que vários condes e bispos reportassem a Conrado todas as propriedades que possuíam nos seus castelos e abadias que pertenciam ao Imperador. Até a Imperatriz-viúva Cunegunda do Luxemburgo foi obrigada a reportar a Conrado, com o Imperador reclamando o Vidualitium de Cunegunda, como pertencendo a ele. A promoção de Conrado da autoridade imperial sobre a sucessão ducal e a reclamação de propriedade por toda a Baviera causa tensão entre ele e a aristocracia Alemã, que via as ações de Conrado como infringindo os seus privilégios[1].

Revolta na SuábiaEditar

Em 1025, o Duque Ernesto II da Suábia, enteado de Conrado devido ao seu casamento com Gisela da Suábia, revolta-se contra o seu padrasto quando este é eleito rei da Alemanha. Em 1026, Conrado derrota esta revolta e Ernesto submetesse ao seu reinado. Devido à intervenção de sua mãe Gisela, Ernesto é aceite para acompanhar Conrado na sua expedição a Itália em 1026. Durante a expedição, a rebelião liderada por Conrado da Caríntia e o Conde Guelfo II da Suábia continua. Conrado tinha nomeado o Bispo Bruno de Augsburg regente da Alemanha enquanto ele marchava para sul até Itália. Quando Bruno foi derrotado pelos rebeldes, Conrado envia Ernesto de volta à Alemanha em setembro de 1026 para por um fim na revolta. Quando Ernesto regressa, ele junta-se aos opositores e revolta-se novamente contra Conrado.

Conrado regressa à Alemanha em 1027, após ter sito coroado Imperador, e instala a corte em Augsburgo na Suábia, convidando os rebeldes a renderem-se. Ernesto, confiante no número e fidelidade de seus vassalos, rejeita a paz oferecida, e apela aos condes suábios a juntarem-se a ele na rebelião. De acordo com Wipo da Borgonha, os condes recusaram, afirmando que tinham jurado lealdade a Ernesto, mas eles não se revoltariam contra o seu Imperador. Sem o apoio dos condes suábios, Ernesto, Conrado da Caríntia e o Conde Guelfo submetem-se a Conrado em Worms a 9 de setembro de 1027, terminando a rebelião. Conrado priva Ernesto de seu titulo ducal e aprisiona-o no Castelo de Giebichenstein na Saxónia. Gisela apoia Conrado contra seu filho, mas não quer Ernesto totalmente humilhado. Como resultado da intervenção de sua mãe, Conrado permite a Ernesto manter seu título mesmo aprisionado, com Gisela servindo de regente do ducado.

Em 1028, após Henrique, filho de Conrado ser coroado Rei da Alemanha, Gisela volta a interceder por Ernesto. Conrado perdoa Ernesto e liberta-o da prisão em 1028, mas Gisela mantém a regência sob a Suábia. Ernesto mantém-se como duque apenas nominalmente. Na Páscoa de 1030, Conrado propõe restaurar a Ernesto todos os seus poderes como Duque da Suábia, se ele reprimir os seus inimigos no ducado. Ernesto recusa, especialmente por causa do seu amigo, o Conde Werner de Kyburg, resultando na sua rutura final. Conrado despoja o enteado de seu titulo, declarando-o inimigo público, excomungando-o. A própria mãe não o auxiliou. Dentro de alguns meses, tanto Ernesto como Werner são mortos em batalha contra o Bispo de Constança perto do Castelo de Falkenstein na Floresta Negra. A queda de Ernesto gradualmente enfraqueceu a independência da Suábia. Conrado nomeou o irmão mais novo de Ernesto, Hermano como novo duque. Hermano era menor, por isso Conrado nomeou o Bispo de Constança regente. Oito anos mais tarde em 1038, Hermano morreu e Conrado nomeou o seu próprio filho Henrique como duque, assegurando assim o controlo imperial sobre o ducado[1].

Conflito com AdalberoEditar

Conrado teve de impor as prerrogativas reais no Ducado da Caríntia e no Ducado da Suábia. O Duque Adalbero da Caríntia havia sido nomeado em 1012 pelo Imperador Henrique II e manteve-se leal à autoridade imperial apoiando a eleição de Conrado com rei germânico em 1024. No sínodo em Frankfurt, em setembro de 1027, Conrado tentou resolver décadas do longo conflito Gandersheim. Adalbero acompanhou o imperador e actuou como seu portador de espada durante o procedimento, indicando que Conrado confiava nele. Desde 1028, que Adalbero governa o seu ducado como um estado independente[1].

Em particular, ele tenta conduzir relações pacíficas com o Rei Estevão I do Reino da Hungria. Sob o Imperador Henrique II, que era cunhado de Estevão, as relações entre o Império e a Hungria haviam sido amigáveis. Após a morte de Henrique em 1024, Conrado adotou uma política mais agressiva, instigando ataques na fronteira entre o Império e a Hungria. Estes ataques particularmente afetaram o domínio da Caríntia de Adalbero, que partilhava uma longa fronteira a leste com a Hungria[1].

Conrado convoca Adalbero à corte de Bamberg a 18 de maio de 1035, para responder a uma acusação de traição pelas suas ações em relação à Hungria. Na presença dos duques Germânicos, Conrado exige que Adalbero seja despojado e seus títulos e terras. Os duques hesitam e exigem que Henrique, filho de Conrado, co-Rei da Alemanha e seu sucessor designado, se junte à assembleia antes da decisão ser tomada. Henrique recusa-se a depor Adalbero, citando um acordo antigo em que este seria seu aliado na negociação de acordo entre ele e seu pai. Conrado recorre a exortações, súplicas e ameaças para convencer Henrique a apoiar a deposição de Adalbero[1]. O apoio de Henrique foi rápido e seguido pelo dos outros duques. Conrado então ordena a retirada do título de Adalbero e sentencia-o e a seu filho ao exilio. Após atacar os aliados de Conrado na Caríntia, Adalbero foge para os estados de sua mãe em Ebersberg no Ducado da Baviera, onde se mantém até à sua morte em 1039. O ducado da Caríntia mantém-se desocupado até 2 de fevereiro de 1035, quando Conrado nomeia seu primo Conrado, o Jovem como novo duque. Com esta nomeação, os três ducados Germânicos do sul, Suábia, Baviera e Caríntia ficaram todos sob o controlo do Imperador Conrado através de membros da sua família ( seu enteado Hermano na Suábia, seu filho Henrique na Baviera, e seu primo Conrado na Caríntia).

O controlo dos ducados do Sul permitiu a Conrado continuar o processo iniciado sob a dinastia Otoniana, centralizando a autoridade do Imperador sobre o Império, a expensas dos ducados regionais. Conrado rompe com a tradição Otoniana, contudo, favorece uma forma mais restrita de controlar as revoltas dos vassalos. Enquanto os Otonianos seguiam a política de submissão pública informal e subsequente reconciliação, Conrado usa julgamentos de traição para declarar rebeldes como "inimigos públicos" para legitimar o seu subsequente tratamento duro, como fez com Ernesto II da Suábia e Adalbero. Os nobres viram o uso destes julgamentos traição não como meras trocas de poder a favor do Imperador, mas como uma cruel brecha na tradição Germânica[1].

Política em relação à IgrejaEditar

Conrado continuou a política Otoniana de usar a Igreja Alemã como veículo de controlo imperial. No início de 950, os Otonianos tinham favorecido membros da Igreja sobre nobres seculares na nomeação para os cargos mais importantes do Império. Reclamando "direito divino" para reinar o Império, os Otonianos cada vez mais se viam como protetores da Igreja e assim exigiam lealdade de seus membros. Em troca, os vários bispados e abadias do Império foram garantindo extensas propriedades e a autoridade secular, fornecia imunidade da jurisdição dos nobres seculares. Assim, os membros de Igreja reportavam exclusivamente ao Imperador, atuando como seus vassalos pessoais. Como vassalos do Imperador, os membros da Igreja foram obrigados a fornecer dois serviços para com ele: o servitium regis (serviço real) e servitium militum (serviço militar). Sob serviço real, os bispos e abades eram solicitados a fornecer hospitalidade e acomodações ao Imperador e sua corte quando ele chegava. Isto exigia também que os membros da Igreja atuassem como quasi-burocratas para o Império. Sob serviço militar, à Igreja era exigido fornecer soldados para o exército do Imperador ou atuar como diplomatas sob suas ordens. Conrado energicamente continuou com esta tradição[1].

A Igreja tinha um pequeno valor para Conrado, tendo este e outros membros da dinastia Saliana um pequeno interesse em fundar novos mosteiros[1].

DescendênciaEditar

Casou em 1016 com Gisela da Suábia, filha de Hermano II da Suábia,[2] de quem teve:

  1. Henrique III do Sacro Império Romano-Germânico (29 de outubro de 1017 — 5 de outubro de 1056), casado por duas vezes, a primeira com com Gunilda da Dinamarca e a segunda com Inês de Poitou;
  2. Matilde da Francónia c. (1010 - 1034) casada com Henrique I de França (Reims, 4 de maio de 1008 — Vitry-aux-Loges, 4 de agosto de 1060).[3]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w «Holy Roman Emperor Conrad II - 1027-1039» 
  2. «SWABIA». fmg.ac. Consultado em 1 de fevereiro de 2021 
  3. «FRANCE CAPETIAN KINGS». fmg.ac. Consultado em 1 de fevereiro de 2021 

BibliografiaEditar

  • Thierry Dutour, A cidade medieval: origens e triunfo da Europa urbana, p. 59. - Polity Press, Buenos Aires, 2005. ISBN 950-12-5043-1


Precedido por
Henrique II
Rei da Germânia
1024 - 1039
Sucedido por
Henrique III
Precedido por
Henrique II
Imperador Romano-Germânico
1027 - 1039
Sucedido por
Henrique III
Precedido por
Henrique II
Rei da Itália
1026 - 1039
Sucedido por
Henrique III


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