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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Corno (desambiguação).
Um corno furioso avança sobre o rival com uma espada

Corno é uma palavra que designa a pessoa que foi traída pelos acompanhantes usuais. Há vários outros nomes derivados: dentre eles, chifrudo, cornudo, etc. É um personagem vítima de muitas anedotas, nas quais normalmente se dá mal ou comete um crime. Em textos anedóticos, a pessoa traída pode ser classificada em vários tipos: manso, raivoso etc.[1]

O nome teria surgido de uma lenda na qual a cabeça do traído começa a doer na região da testa, e que, ao melhor estilo do realismo fantástico, surgiriam cornos que cresceriam na sua fronte, ainda que existam várias teorias para a origem do termo: dentre elas, uma menciona que no período da Europa medieval, o homem traído deveria lavar sua honra com sangue, matando a esposa e o amante; caso falhasse, era hostilizado, recebendo uma peruca de touro, com dois chifres[2].

Um gesto chulo (considerado um insulto na Itália, em Cuba e no Brasil), indicando que alguém é um corno, consiste em fechar os dedos da mão, prender o dedo médio e o dedo anular com o polegar, deixando levantados os dedos mínimo e indicador[3].

Dor de corno é quando o corno toma alguma atitude ao perceber sua condição: embriagar-se, vingar-se (às vezes matando a esposa e/ou o amante (chamado de "Ricardão"), etc.

Um dos personagens da Legião dos Super-Heróis Brasileiros do extinto humorístico televisivo Casseta & Planeta é chamado "Ultra Corno"[4], com direito a todos os clichês atribuídos à classe: é o último a saber da traição, conforma-se em ser traído, e não se divorcia da esposa infiel.

Na década de 1960 havia sido lançada uma versão com teto solar do Volkswagen Fusca; entretanto, a rejeição a esse dispositivo (ainda hoje raríssimo em automóveis brasileiros), levou o modelo a ser conhecido por Cornowagen[5][6].

A traição como fetiche

Cuckold é o nome dado ao fetiche no adultério, que descreve o processo de achar prazerosa a ideia de trair ou ser traído. Na maioria das práticas de cuckold, o homem assume o papel de corno submisso e a mulher é quem realiza o adultério consensual. A mulher que assume o papel de dominadora nessa prática é chamada de cuckoldress.[7]

Esse fetiche está muitas vezes associado com práticas de humilhação dentro do BDSM, como o small penis humiliation.[7] A mulher humilha o parceiro submisso como se ele não transasse bem o suficiente ou como se o pênis dele não fosse grande o suficiente para dar prazer a ela. Então, elas usam um amante para mostrar ao parceiro "como é que deve ser feito".[7]

Há diversas formas de praticar o cuckold, o fetiche pode ou não ter a presença ou a participação do parceiro traído. Quando não há participação nenhuma do submisso, a mulher pode sair para transar com o amante e depois contar os detalhes para o parceiro, transar com o amante num cômodo próximo para que o parceiro escute tudo ou gravar a transa com o amante e obrigar o parceiro a assistir depois. Quando há participação do submisso, o parceiro pode ficar apenas observando a ação como uma forma de voyeurismo ou pode participar da ação, porém recebendo menos atenção que o amante ou até mesmo algum tipo de humilhação durante o sexo.[8]

A palavra "cuckold" é derivada dos pássaros do gênero Cuculidae, que em inglês chama-se "cuckoo" (conhecidos por "cuco", entre outros nomes, em português), conhecidos por botar seus ovos nos ninhos de outros pássaros.[9] E o cuckold é geralmente referido como cuckquean quando o papel de corno é realizado por uma mulher nesse fetiche. Os praticantes de cuckold e as praticantes de cuckquean geralmente obtêm prazer sexual ao assistir seu parceiro ou sua parceira fazer sexo com uma ou mais pessoas.[10]

Referências

  1. «93 Tipos de Corno». Jura em Prosa e Verso. Consultado em 21 de dezembro de 2015 
  2. ANDRADE, Rodrigo (27 de janeiro de 2016). «3 Cornos históricos». A Teoria de Tudo. Consultado em 30 de junho de 2016 
  3. «Papa saúda multidão com gesto semelhante a símbolo usado por metaleiros. E agora?». iC - Informação Católica. 17 de janeiro de 2015. Consultado em 21 de dezembro de 2015 
  4. «Legião de Super-Heróis». Memória Globo. Consultado em 21 de dezembro de 2015 
  5. NASSER, Roberto (2007). «Aos 50, a VW do Brasil recomeça». Best Cars. Consultado em 21 de dezembro de 2015 
  6. CONTESINI, Leonardo (9 de outubro de 2014). «As versões mais raras dos carros nacionais – Parte 1». AutoEntusiastas. Consultado em 21 de dezembro de 2015 
  7. a b c Kane, Miranda (13 de dezembro de 2017). «What is a cuck and what is cuckolding? A beginner's guide to the fetish». Metro (em inglês) 
  8. «O que é Cuckold?». Sexlog. 14 de junho de 2017 
  9. Jane Stokes, Rebecca (20 de janeiro de 2017). «Everything you ever wanted to know about being a cuckold (and more)». YourTango (em inglês) 
  10. Elise, Jacqueline (8 de dezembro de 2018). «Fetiche de ser 'corna': entenda mulheres que sentem tesão na traição». UOL