Abrir menu principal

Correlhã

freguesia de Ponte de Lima, Portugal
Portugal Portugal Correlhã 
  Freguesia  
Capela de Santo Abdão da Correlhã
Capela de Santo Abdão da Correlhã
Localização
Localização no concelho de Ponte de Lima
Localização no concelho de Ponte de Lima
Correlhã está localizado em: Portugal Continental
Correlhã
Localização de Correlhã em Portugal
Coordenadas 41° 44' 42" N 8° 36' 22" O
País Portugal Portugal
Concelho PTL.png Ponte de Lima
Administração
Tipo Junta de freguesia
Presidente Maria de Fátima Cerqueira de Oliveira (PPD/PSD)
Características geográficas
Área total 8,04 km²
População total (2011) 2 936 hab.
Densidade 365,2 hab./km²
Código postal 4990 (parcial)
Outras informações
Orago São Tomé
http://www.correlha.pt e http://www.inforcentro.net/juntacorrelha/

Correlhã é uma freguesia portuguesa do concelho de Ponte de Lima, com 8,04 km² de área e 2 936 habitantes (2011)[1]. A sua densidade populacional é 365,24 hab/km². Foi, até ao início do século XIX, cabeça de couto que incluía também a freguesia de Paradela de Seara.

Correlhã é uma das mais antigas e ricas freguesias do concelho. Localiza-se a menos de três quilómetros de Ponte de Lima.

PopulaçãoEditar

População da freguesia de Correlhã [2]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
1 578 1 498 1 545 1 606 1 657 1 587 1 814 1 991 2 188 2 165 2 289 2 575 2 891 3 068 2 936
Distribuição da População por Grupos Etários
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 576 512 1 532 448 18,8% 16,7% 49,9% 14,6%
2011 466 338 1616 516 15,9% 11,5% 55,0% 17,6%

HistóriaEditar

No livro Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais na Torre do Tombo, pode ler-se textualmente: «A primeira referência conhecida a esta freguesia data de 915 e reporta-se à doação feita por Ordenho II a Santiago de Compostela da "in ripa Limie villam quam vocitant Cornelianam (…) et in ea ecclesiam Sancti Thome apostoli".

No século XI, há documentação relativa a esta igreja nos anos de 1061, 1063 e 1065[3]. Em 1097, o conde D. Henrique e D. Teresa confirmaram a Santiago de Compostela a doação da "villa Corneliana". São Tomé de Correlhã aparece, em 1220, inserida na Terra de Ponte.

Em 1258, nas Inquirições de D. Afonso III, enquadrava-se no julgado de Correlhã. No catálogo das igrejas, organizado em 1320, a igreja de São Tomé de Correlhã, foi taxada em 300 libras. Gozava, pois, de uma razoável situação económica. No registo da cobrança das "colheitas" dos benefícios pertencentes ao arcebispado de Braga, feita entre 1489 e 1493, D. Jorge da Costa refere que o rendimento desta igreja era de 30 libras ou, em dinheiro com "morturas", 2.280 reis. Pertencia então à Terra de Penela.

Em 1528, o Livro dos Benefícios e Comendas atribui-lhe 70 mil réis de rendimento. Américo Costa descreve-a como reitoria da apresentação do Ordinário e comenda da Ordem de Cristo, da Casa de Bragança.»

Segundo documentos existentes, a Correlhã foi pioneira em organizar um grupo de Lavradores e Lavradeiras que se deslocou ao Palácio de Cristal, no Porto, onde, no dia 4 de Setembro de 1892, apresentou as suas danças e cantigas, deslumbrando as gentes da Cidade Invicta. Logo pode-se atribuir o nome de "Berço do Folclore".

PatrimónioEditar

Igreja MatrizEditar

A sua igreja matriz é um templo românico, atribuível ao século XIII, de uma única nave e abside quadrangular. Modificada no interior de uma forma quase radical, mantém, todavia, externamente a estrutura primitiva - se bem que com diversos ultrajes.

Destaca-se no edifício o curioso conjunto dos modilhões, a toda a volta da igreja, representando figuras humanas, animais ou motivos fito mórficos.

Capela de Santo AbdãoEditar

Obra igualmente românica, de mestres provincianos do século XIII, a Capela de Santo Abdão desperta interesse pelas suas proporções reduzidas e pela decoração.

Curioso o facto de, na porta principal, entre duas composições esculpidas, ter existido, em relevo, uma figura masculina desnuda (de Adão?) que, por ordem eclesiástica e por ser considerada imagem impúdica, se picou em 1750.

No interior do pequeno templo assinala-se o arco triunfal da abside, sustentado por colunelos românicos com capitéis. Um retabulozinho dos começos do século XVIII enquadra a escultura de madeira do padroeiro da capela - eremita e peregrino lendário.

Situado na encosta da Nó, numa aprazível clareira que o verde dos pinhais circunda, o Santuário de Nossa Senhora da Boa Morte é um templo de romaria cujo exterior banal e arcaizante de maneira alguma denuncia a espectacular máquina escultórica encerrada no seu coração.

A construção do santuário iniciou-se pelos fins do século XVII ou princípios da centúria seguinte, tendo-se trabalhado na obra durante boa parte da primeira metade do século XVIII. Só em 1740 se começou a erguer o coro, devendo todo o monumento ter ficado concluído dois anos depois.

No seu interior - malgrado alguns atropelos acrescentados e repintados - guarda-se um monumental, uma vibrante composição de talha e imaginária, verdadeiramente estranha para Portugal, antes a recordar soluções do barroco espanhol, que sobressai, sumptuosa, na monumental capela-mor.

Trabalho realizado, em 1720, pelo entalhador bracarense Francisco Ferreira de Castro, resulta numa aparatosa e insólita composição de talha estilo nacional, emoldurando uma vasta tribuna com dossel, destinada a uma série de grandes estátuas em madeira (de autor coevo mas desconhecido), e posteriormente (seguramente depois de 1731) rematado por Alexandre Coelho e Vitório Soares, artistas douradores de Ponte de Lima. Em linguagem exuberante ou mais serena, através dele se evocam os passos das vidas, mortes, ressurreição e assunção de Cristo e da Virgem.

Referências

  1. «População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano)». Informação no separador "Q601_Norte". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 4 de Março de 2014 
  2. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  3. https://digitarq.advct.arquivos.pt/details?id=1070657