Cosplay (コスプレ Kosupure?), uma abreviação de costume play (do inglês, costume; traduzido como "fantasia" ou "figurino", e play, traduzido como "jogo" ou "dramatização", é uma atividade e arte performática em que os participantes chamados cosplayers usam fantasias e acessórios para representar um personagem específico.[1] Cosplayers geralmente interagem para criar uma subcultura, e um uso mais amplo do termo cosplay se aplica a qualquer interpretação de personagens em locais além do palco. Fontes favoritas incluem animes, mangás, animações, histórias em quadrinhos, séries de televisão e videogames. O termo é composto pelas duas contrapartes acima mencionadas – figurino e dramatização.

Cosplayers na Yukicon 2014, uma convenção de fãs, realizada na Finlândia.
Três cosplayers em uma convenção de quadrinhos em Long Beach, Califórnia, Estados Unidos, em 2014, representando um personagem de Star Trek, a super-heroína Mulher-Maravilha (universo DC comics) e o supervilão Loki (universo Marvel Comics)

O cosplay surgiu da prática de fantasias de fãs em convenções de ficção científica, começando com as "futurecostumes" de Morojo criadas para a 1ª Convenção Mundial de Ficção Científica (Worldcon) realizada em Nova York em 1939.[2][3][4] O termo japonês kosupure (コスプレ) foi cunhado em 1984. Um rápido crescimento no cosplayers que realizam essa atividade como hobby desde a década de 1990 tornou o fenômeno um aspecto significativo da cultura popular no Japão, assim como em outras partes do leste da Ásia e no mundo ocidental. Eventos de cosplay são características comuns de convenções de fãs, e hoje existem muitas convenções e competições dedicadas, bem como redes sociais, sites e outras formas de mídia centradas em atividades de cosplay.

História editar

Antes do século XX editar

 Ver artigos principais: Baile de máscaras e Dia das Bruxas

Festas à fantasia se tornaram populares a partir do século XIX. Os guias de figurino da época, como o Male Character Costumes de Samuel Miller (1884)[5] ou o Fancy Dresses Described de Ardern Holt (1887),[6] apresentam trajes principalmente genéricos, sejam trajes de época, trajes nacionais, objetos ou conceitos abstratos como "Outono" ou "Noite". Os trajes mais específicos descritos são para figuras históricas, embora alguns sejam provenientes de ficção, como Os Três Mosqueteiros ou personagens de Shakespeare.

Em março de 1891, uma chamada literal de Herbert Tibbits para o que hoje seria descrito como "cosplayers" foi anunciada para um evento realizado de 5 a 10 de março daquele ano no Royal Albert Hall em Londres, para o chamado Vril-Ya Bazaar and Fete, um evento relacionado a um romance de ficção científica e seus personagens, publicado duas décadas antes.[7] O evento foi considerado a primeira convenção de fãs de ficção científica do mundo.[8][9]

Origem das convenções de fãs editar

 
Mr. Skygack - um traje ou roupa de cosplay dos primeiros tempos modernos, estado de Washington, 1912.[10][11]

O personagem da tira de ficção científica Mr. Skygack, from Mars de A.D. Condo. (um etnógrafo marciano que comicamente não entende muitos assuntos terrestres) é indiscutivelmente o primeiro personagem fictício que as pessoas imitaram usando fantasias, como em 1908, o Sr. e a Sra. William Fell de Cincinnati, Ohio, teriam assistido a um baile de máscaras em um rinque de patinação vestindo trajes de Mr. Skygack e Miss Dillpickles. Mais tarde, em 1910, uma mulher não identificada ganhou o primeiro prêmio no baile de máscaras em Tacoma, Washington, vestindo outra fantasia de Skygack.[12][13]

As primeiras pessoas a usarem fantasias para participar de uma convenção foram os fãs de ficção científica Forrest J Ackerman e Myrtle R. Douglas, conhecida como Morojo. Eles compareceram à 1ª Convenção Mundial de Ficção Científica de 1939 (Worldcon) no Caravan Hall, Nova York, vestidos com um traje que foi apelidado de "futurecostume" (figurino futurista), incluindo capa verde e calções, baseados na arte da revista pulp de Frank R. Paul e o filme de 1936 Things to Come, projetados e criados por Morojo.[13][4][3] Ackerman mais tarde afirmou que achava que todos deveriam usar uma fantasia em uma convenção de ficção científica, embora apenas ele e Douglas o fizessem.[14]

Desde então, tornou-se uma prática anual nas Worldcon, com concursos e atrações próprias, e mais tarde estendendo-se aos fãs de fantasia e quadrinhos. Os primeiros cosplays de mangá/anime registrados são posteriores aos anos 70, nos EUA. O fenômeno do cosplay chegou ao Japão na década de 80 por meio de Nobuyuki Takahashi, que ficou surpreso com o costume ao visitar um Wordcon, que começou a incentivar a pratica no Japão pelas revistas de Ficção Científica.[15] Tornou-se comum no Japão durante as Comic Markets do Japão (criadas em 1975), que se celebram em Odaiba (Tóquio), lugares de compra e venda de Dōjinshi. Esse evento prosseguiu desde então e se realiza regularmente. Lá, grupos de japoneses vestiam-se de seus personagens favoritos de mangás, animes, comics e videojogos. Assim pois, tal prática sempre tem sido muito relacionada com aqueles produtos. Contudo, com o passar do tempo, foi-se estendendo a outros domínios, em conceitos e culturas,[16]

Prática do cosplay editar

 
Cosplayers na San Diego Comic-Con de 1982, em San Diego, Estados Unidos.

Os trajes de cosplay variam muito e podem variar de roupas temáticas simples a trajes altamente detalhados. Geralmente é considerado diferente das fantasias usadas no Halloween ou no carnaval, pois a intenção é replicar um personagem específico, em vez de refletir a cultura e o simbolismo de um feriado ou de uma celebração. Como tal, quando em trajes, alguns cosplayers muitas vezes procuram adotar o afeto, maneirismos e linguagem corporal dos personagens que retratam (com pausas em que "saem do personagem"). Os personagens escolhidos para o cosplay podem ser provenientes de qualquer filme, série de TV, livro, história em quadrinhos, videogame, banda de música, anime ou mangá. Alguns cosplayers até optam por fazer cosplay de um personagem original de seu próprio design ou uma fusão de diferentes gêneros (por exemplo, uma versão steampunk de um personagem), e é parte do ethos do cosplay que qualquer um pode ser qualquer coisa, incluindo personagens do sexo oposto ou de outra etnia.[17][18]

Trajes editar

 
Cosplayers de Madoka Kaname e Kyubey de Puella Magi Madoka Magica durante o evento Tracon 2013 no Tampere Hall em Tampere, Finlândia

Cosplayers obtêm suas roupas através de muitos métodos diferentes. Os fabricantes produzem e vendem roupas embaladas para uso em cosplay, com diferentes níveis de qualidade. Esses trajes geralmente são vendidos on-line, mas também podem ser comprados de revendedores em convenções. Os fabricantes japoneses de trajes de cosplay relataram um lucro de 35 bilhões de ienes em 2008.[19]

Cosplay representa um ato de incorporação. O cosplay tem sido intimamente ligado à apresentação de si mesmo,[20] mas a capacidade de desempenho dos cosplayers é limitada por suas características físicas. A precisão de um cosplay é julgada com base na capacidade de representar com precisão um personagem através do corpo, e cosplayers individuais frequentemente são confrontados por seus próprios "limites corporais",[21] como nível de atratividade, tamanho do corpo e deficiência[22] que muitas vezes restringem e limitam como preciso que o cosplay é percebido. A autenticidade é medida pela capacidade individual de um cosplayer de traduzir a manifestação para o próprio cosplay. Alguns argumentam que o cosplay nunca pode ser uma representação verdadeira do personagem; em vez disso, ele só pode ser lido através do corpo, e a verdadeira encarnação de um personagem é julgada com base na proximidade com a forma original do personagem.[23] O cosplay também pode ajudar algumas pessoas com problemas de autoestima.[24][25]

Muitos cosplayers criam suas próprias roupas, referenciando imagens dos personagens no processo. Na criação das roupas, muito tempo é dado aos detalhes e qualidades, assim a habilidade de um cosplayer pode ser medida pela dificuldade dos detalhes da roupa e pelo quão bem eles foram replicados. Devido à dificuldade de replicar alguns detalhes e materiais, os cosplayers muitas vezes se educam na elaboração de especialidades como têxteis, escultura, pintura facial, fibra de vidro, design de moda, marcenaria e outros usos de materiais no esforço de tornar a aparência e a textura de um traje com precisão.[26]

Para se parecerem mais com os personagens que estão retratando, os cosplayers também podem se envolver em várias formas de modificação corporal. Os cosplayers podem optar por mudar a cor da pele utilizando maquiagem para simular mais a etnia do personagem que estão adotando.[27] Lentes de contato que combinam com a cor dos olhos de seus personagens são uma forma comum disso, especialmente no caso de personagens com olhos particularmente únicos como parte de seu visual de marca registrada. Lentes de contato que fazem a pupila parecer ampliada para ecoar visualmente os olhos grandes de personagens de anime e mangá também são usadas.[28]

Fotografias editar

 
Fotógrafo profissional trabalhando com uma cosplayer de Mileena (da série de jogos Mortal Kombat) em uma sessão de fotos em um estúdio chroma key na Space City Con 2014 nos Estados Unidos.

A presença de cosplayers em eventos públicos os torna um atrativo popular para fotógrafos.[29] Quando isso se tornou aparente no final da década de 1980, uma nova variante de cosplay se desenvolveu em que os cosplayers participavam de eventos principalmente com o objetivo de modelar seus personagens para fotografia estática, em vez de se envolver em dramatizações contínuas. Regras de etiqueta foram desenvolvidas para minimizar situações embaraçosas envolvendo limites. Cosplayers posam para fotógrafos e fotógrafos não os pressionam para obter informações de contato pessoal ou sessões privadas, os seguem para fora da área ou tiram fotos sem permissão. As regras permitem que a relação colaborativa entre fotógrafos e cosplayers continue com o mínimo de inconveniência entre si.[30]

Alguns cosplayers optam por ter um fotógrafo profissional tirando fotos de alta qualidade deles em seus trajes posando como o personagem. Cosplayers e fotógrafos frequentemente expõem seus trabalhos online e às vezes vendem suas imagens.[29]

No Brasil editar

 
Dois cosplayers de Naruto e Kakashi (da série de mangás e animes Naruto).

Atualmente, o Anime Friends, organizado pela Yamato Comunicações e Eventos, é o maior evento do Brasil, com inúmeras categorias e concursos diferentes de cosplay. Anime Dreams, o segundo maior, com mais de 800 inscritos num só evento em 2007. A Yamato Comunicações e Eventos organiza também o maior concurso de cosplay individual do Brasil, o YCC - Yamato Cosplay Cup. Ele é único que agrega competidores de todas as regiões do país. São 26 competidores selecionados que disputam a competição nacional em julho, destes os três primeiros colocados participam de uma etapa uma internacional em janeiro, que logo em sua primeira edição em 2008 teve seletivas no México, Chile, Argentina e Paraguai. Nestas seletivas em outros países participaram mais de 200 cosplayers interessados em competir na final realizada no Brasil. Nas seletivas nacionais, realizadas em aproximadamente 20 eventos, foram mais de dois mil competidores. A campeã da edição brasileira de 2007 foi Andressa Miyazaki, seguida por Simone Setti e Thaís Jussim.[31][32]

Cospobre editar

Ainda há aqueles que preferem seguir um estilo da variação pobre do cosplay ou também conhecido como cospobre[33] ou cheap cosplay,[34] que consiste em produzir caracterização priorizando baixo-custo e materiais de baixa qualidade ao invés da semelhança fiel ao personagem qual os cosplayers tanto almejam, isso é em parte da falta de recursos e excesso de criatividade dos praticantes de Cospobre, mas ainda é preciso não confundir um cosplay simples e de baixo-custo que possui alta fidelidade com o cospobre, alguns personagens possuem roupas simples e de fácil acesso a todos tornando assim sua confecção barata.[35]


  A definição de dicionário de cospobre no Wikcionário

Ver também editar

Referências

  1. Stuever, Hank (14 de fevereiro de 2000). «What Would Godzilla Say?». The Washington Post (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2008 
  2. Ashcraft, Brian (2014). Cosplay world. Luke Plunkett. Munich: [s.n.] OCLC 880462073 
  3. a b Kyle, Dave. «Caravan to the Stars». Mimosa (em inglês). Consultado em 21 de julho de 2022 
  4. a b Culp, Jennifer (9 de maio de 2016). «Meet the Woman Who Invented Cosplay». Racked (em inglês). Consultado em 21 de julho de 2022 
  5. Miller, Samuel (1884). Male Character Costumes (em inglês). [S.l.: s.n.] 
  6. Holt, Ardern (1887). Fancy Dresses Described (em inglês). [S.l.: s.n.] 
  7. «'The Coming Race' and 'Vril-Ya' Bazaar and Fete, in joint aid of The West End Hospital, and the School of Massage and Electricity». Royal Albert Hall Memories (em inglês). 27 de agosto de 2019. Consultado em 21 de julho de 2022 
  8. «5–10 March 1891: Bovril and the first ever Sci-Fi convention, at the Royal Albert Hall». Royal Albert Hall (em inglês). Consultado em 21 de julho de 2022 
  9. «Not just the Proms: An unexpected history of the Royal Albert Hall». BBC News (em inglês). 29 de março de 2021. Consultado em 21 de julho de 2022 
  10. MojoThreepwood (8 de abril de 2014). «6 Nerd Culture Stereotypes That Are Way Older Than You Think». Cracked.com (em inglês). Consultado em 1 de fevereiro de 2021 
  11. "Undercover Character: Diving Deep into the World of Cosplay"
  12. Miller, Ron (29 de setembro de 2013). «Was Mr. Skygack the First Alien Character in Comics?». io9 (em inglês). Consultado em 1 de fevereiro de 2021 
  13. a b Ashcraft, Brian; Plunkett, Luke (2014). Cosplay World. Prestel Publishing. pp. 6–11. ISBN 9783791349251
  14. Painter, Deborah (2011). Forry: the life of Forrest J. Ackerman. Jefferson, N.C.: McFarland & Co., Publishers. ISBN 9780786448845. OCLC 697175322 
  15. Matheus Machado (outubro de 2017). «Entrevista com Laís Alberini». Editora Escala. Neo Tokyo (120): 18-23. ISSN 1809-1784 
  16. «Série de TV explora paulistanos com hábitos inusitados». Veja São Paulo 
  17. «Cosplayer Spotlight on Hijabi Hooligan Cosplay». The Marvel Report (em inglês). 5 de agosto de 2016. Consultado em 21 de julho de 2022 
  18. «The Muslim cosplayer who wears a hijab». BBC News (em inglês). Consultado em 21 de julho de 2022 
  19. Hayden, Craig (2012). The Rhetoric of Soft Power: Public Diplomacy in Global Contexts (em inglês). [S.l.]: Lexington Books 
  20. Lamerichs, Nicolle (15 de setembro de 2011). «Stranger than fiction: Fan identity in cosplay». Transformative Works and Cultures. ISSN 1941-2258. doi:10.3983/twc.2011.0246. Consultado em 21 de julho de 2022 
  21. «Intersections: Cosplay, Lolita and Gender in Japan and Australia: An Introduction». intersections.anu.edu.au. Consultado em 21 de julho de 2022 
  22. Kerzner, Liana (29 de setembro de 2015). «Cosplaying With A Disability Shouldn't Require Extra Bravery». The Escapist. Consultado em 21 de julho de 2022. Arquivado do original em 30 de setembro de 2015 
  23. Kirkpatrick, Ellen (15 de março de 2015). «Toward new horizons: Cosplay (re)imagined through the superhero genre, authenticity, and transformation». Transformative Works and Cultures. ISSN 1941-2258. doi:10.3983/twc.2015.0613. Consultado em 21 de julho de 2022 
  24. Kerzner, Liana (6 de outubro de 2015). «How Cosplay Can Help Self Esteem». The Escapist (em inglês). Consultado em 21 de julho de 2022. Arquivado do original em 7 de outubro de 2015 
  25. Kerzner, Liana (17 de outubro de 2015). «How Cosplay Can Help You Be Brave». The Escapist (em inglês). Consultado em 21 de julho de 2022. Arquivado do original em 18 de novembro de 2015 
  26. White, Sarah. «Cosplay Costumes». LoveToKnow (em inglês). Consultado em 21 de julho de 2022 
  27. Author, Guest (29 de setembro de 2015). «Blacked Out: Discussing cosplay and 'blackface'». Nerd Reactor (em inglês). Consultado em 21 de julho de 2022 
  28. Morris, Sharnea (10 de setembro de 2014). «Japanese circle lens - A visual trick for anime cosplayers». Mookychick (em inglês). Consultado em 21 de julho de 2022 
  29. a b Leigh, Cynthia (11 de março de 2007). «Cosplay Models Real Life Japanime Characters by Cynthia Leigh». Entertainment Scene 360. Consultado em 21 de julho de 2022. Arquivado do original em 17 de maio de 2014 
  30. Thorn, Matthew (2004) Girls And Women Getting Out Of Hand: The Pleasure And Politics Of Japan's Amateur Comics Community in Fanning the Flames: Fans and Consumer Culture in Contemporary Japan William W. Kelly, ed., State University of New York Press
  31. «Resultado final do YCC 2007» 
  32. «Agenda YCC 2008» 
  33. AP, Fabiana FigueiredoDo G1 (26 de agosto de 2015). «Concurso virtual vai escolher 'cospobre' mais criativo do Amapá». Amapá. Consultado em 2 de fevereiro de 2021 
  34. «Cheap cosplay: How to make an awesome magic sword slash for just three bucks【Photos】». SoraNews24 -Japan News- (em inglês). 31 de outubro de 2020. Consultado em 2 de fevereiro de 2021 
  35. «"Cospobre": as fantasias baratas que fazem sucesso entre nerds brasileiros». Época Negócios. 21 de agosto de 2022. Consultado em 26 de junho de 2023 
 
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