O cougnou, também chamado de cougnole em algumas regiões da França, ou pão de Jesus, é uma viennoiserie típica da Bélgica e do norte da França, consumida durante as comemorações de São Nicolau e Natal.[1]

Um cougnou.

O pão de Jesus é um brioche cuja forma lembra a do menino Jesus envolto em panos. Ele também pode ter uma forma de um pão com duas faces. À massa, podem ser adicionadas uvas passas ou gotas de chocolate, às vezes acompanhadas por grãos grossos de açúcar. O pão é comumente dado às crianças na manhã de Natal, mas também na festa de são Martinho.[1] Muitas vezes é acompanhado por chocolate quente. Acredita-se que o pão seja originário de Hainaut, mas seu uso expandiu-se em todas as províncias no sul dos Países Baixos belgas e no Principado de Liège.[2]

NomesEditar

A expressão "pão de Jesus" (pain de Jesus) não é muito utilizada; o termo cougnou é mais comum na Bélgica, juntamente com cougnole. O pão também é chamado de coquille, quéniole, quénieu e volaeren, em outras regiões da França e da Bélgica.[3][4][5][6]

Muitas vezes, prefere se usar o nome local que varia de acordo com a região:

EtimologiaEditar

É provável que a palavra venha do latim cunoieus, pequeno recanto (de cuneus, -i, canto, recanto). Cuneus também poderia dar cougne (cunha de ferro para dividir a madeira Motî:cougne). Por comparação, o quignon é uma grande fatia de pão em forma de cunha.

PreparaçãoEditar

Os ingredientes utilizados na preparação do cougnou são: farinha; ovos; manteiga; levedura; leite; sal e açúcar; e, ocasionalmente, podem ser utilizadas gotas de chocolate e passas.

O leite deve estar morno, e a ele são adicionados o açúcar e a levedura, e a mistura é deixada para descansar. A farinha, os ovos e a manteiga amolecida são misturados e a preparação do leite é inserida. A massa deve ser amassada até que se torne homogênea, elástica e desgrude inteiramente do recipiente onde está sendo preparada; ela é moldada na forma desejada, pincelada com ovo batido e então pode ser levada ao forno médio (230ºC), em uma fôrma untada.[8]

Também podem ser adicionados grãos de açúcar rígidos, similar às utilizadas na decoração da colomba pascal.[9]

ReferênciasEditar

  1. a b Gelderen, Chantal Van; Saenen, Philippe (1999). Les trésors gourmands de Wallonie: à la dècouverte des produits d'exception du terroir wallon (em francês). [S.l.]: Renaissance Du Livre. ISBN 9782804603199 
  2. Fadier-Rotsaert, Florence. «Histoire de rond et de cougnou». Consultado em 23 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 27 de maio de 2007 
  3. Bal, Willy (1994). Belgicismes : Inventaire des particularités lexicales du français en Belgique. Bruxelas: Duculot. 144 páginas 
  4. Sigart, Joseph (1870). Glossaire étymologique montois, ou Dictionnaire du wallon de Mons et de la plus grande partie du Hainaut. Bruxelas: F. Claassen 
  5. Legrand, Pierre (1856). Dictionnaire du patois de Lille. Lille: Vanackere 
  6. Hécart, Gabriel Antoine Joseph; Ransart, Joseph (1834). Dictionnaire rouchi-français (em francês). Valenciennes: Lemaître 
  7. Glossaire étymologique montois ou Dictionnaire du Wallon de Mons par Joseph Desiré Sigar, 1870, page 126
  8. Dijon, P.; Wéry, B.; Kahn, C.; Legros, U.; Rousseau, Ph; Périlleux, Ch; Renard, A.-C. (1 de dezembro de 2005). Terre de Durbuy n° 96: décembre 2005 (em francês). [S.l.]: Asbl Terre de Durbuy 
  9. Gastronomie Wallone. «recettes: desserts: Craquelin et Cougnou». www.gastronomie-wallonne.be. Consultado em 23 de dezembro de 2017