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Crise existencial

é um momento no qual o ser humano questiona os próprios fundamentos de sua vida

Crise existencial é um momento no qual o ser humano questiona os próprios fundamentos de sua vida: se esta vida possui algum sentido, propósito, ou valor.[1] Esta questão sobre o sentido e propósito da existência é o tema da escola filosófica do Existencialismo.

DescriçãoEditar

Uma crise existencial pode tanto resultar de, como ser confundida com, ou ocorrer junto com:

  • Depressão;
  • Privação de sono;
  • Isolamento prolongado;
  • Insatisfação com a própria vida;
  • Grande trauma psicológico;
  • O sentimento de estar sozinho e isolado no mundo;
  • Uma nova compreensão ou apreciação da própria existência, talvez após o diagnóstico de um importante problema de saúde, tal como uma doença terminal;
  • Crença de que a vida não possui um propósito ou sentido;
  • Procura pelo sentido da vida;
  • Perda do sentido da realidade, ou de como o mundo é;
  • Uma experiência extremamente agradável ou dolorosa;
  • Perceber que o Universo é mais complexo, misterioso, maior e além do conhecimento humano;

Uma crise existencial é frequentemente provocada por um evento importante na vida de uma pessoa — trauma psicológico, casamento, divórcio, grande perda, a morte de um amado, uma experiência entre a vida e a morte, um novo parceiro amoroso, uso de droga psicoativa, filhos adultos saindo de casa, atingindo uma idade pessoalmente importante (completando 18 anos, completando 40 anos etc.) etc. Geralmente, leva a de introspecção, a análise e percepção da própria existência, revelando, assim, a repressão psicológica de tal consciência.

Uma crise existencial pode assemelhar-se a anomia (uma condição pessoal resultante da falta de normas) ou uma crise da meia-idade. Pode também decorrer de uma nova percepção da vida e existência. Analogamente, o existencialismo postula que uma pessoa pode e deve definir o significado de sua vida, e portanto deve escolher resolver a crise de existência.

Na filosofia existencialista, o termo 'crise existencial' está especificamente relacionado à crise do indivíduo quando ele percebe que deve sempre definir sua vida através das escolhas que faz. A crise existencial ocorre quando alguém reconhece que mesmo a decisão de abster-se de uma ação ou recusar uma posição favorável a uma escolha particular é, por si mesma, uma escolha. Em outras palavras, a humanidade está "condenada" à liberdade.[2]

Tratamento de crise existencialEditar

Crise existencial é considerada por muitos uma consequência direta da depressão.

Peter Wessel Zapffe, um filósofo norueguês adepto do niilismo e antinatalismo, em seu ensaio, O Último Messias, deu quatro formas possíveis de lidar com uma crise, acreditando que todos os seres auto-conscientes as usam para lidar com a compreensão da indiferença e absurdismo da existência. Estas são, segundo Zapffe:, "isolamento", "ancoragem", "distração", e "sublimação":

  • Isolamento é o primeiro método que Zapffe observou, ele o definiu como "uma rejeição totalmente arbitrária da consciência de todos os pensamentos e sentimentos perturbadores e destrutivos" e cita "não se deve pensar, é apenas confuso" como um exemplo.
  • Ancoragem, de acordo com Zapffe, é a "fixação de pontos no interior, ou a construção de paredes ao redor, a briga líquida da consciência". O mecanismo de ancoragem fornece aos indivíduos um valor ou um ideal que lhes permite concentrar suas atenções de maneira consistente, Zapffe também aplicou o princípio de ancoragem à sociedade e afirmou "Deus, a Igreja, o Estado, a moralidade, o destino, as leis da vida, o povo, o futuro" são exemplos de firmamentos coletivos primários de ancoragem.
  • Distração ocorre quando "se limita a atenção aos limites críticos, constantemente cativando-a com impressões". A distração concentra toda a energia de alguém em uma tarefa ou ideia para impedir que a mente se feche em si mesma.
  • Sublimação é redirecionamento da energia de pontos negativos, para os positivos. O indivíduo distância-se e olha para sua existência a partir de um ponto de vista estético (por exemplo, escritores, poetas, pintores). Zapffe apontou que seus escritos eram frutos de sublimação.

ReferênciasEditar

  1. Richard K. James, Crisis intervention strategies 
  2. Flynn, Thomas. «Jean-Paul Sartre». Stanford Encyclopedia of Philosophy. Consultado em 1 de abril de 2014