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Cronologia do Escândalo do Dossiê

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O Escândalo do Dossiê ou Dossiêgate é um entre os muitos escândalos que eclodiram desde 2004 no governo brasileiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ligado diretamente ao escândalo das sanguessugas.

Índice

Cronologia dos FatosEditar

9 de setembro de 2006Editar

A Polícia Federal inicia o processo de monitoramento e gravações de conversas do celular de Luis Antônio Vedoin, dono da Planam, empresário foco do escândalo da máfia das ambulâncias que estava solto devido a um acordo de delação premiada feito junto ao Ministério Público Federal e que supostamente perdeu este direito por ter sido descoberto em investigações secretas da Polícia Federal em que estava tentando negociar, documentos que estavam em seu poder, com integrantes do PT.

Os diálogos das gravações foram reproduzidos pela revista Veja do dia 24 de setembro de 2006. A Polícia Federal executou escutas entre os dias 9 e 15 de setembro.

13 de setembro de 2006Editar

Luis Vedoin conversa com seu pai, Darci Vedoin, sobre as negociações. Eles estranham o fato de que os petistas exigirem que a entrega dos documentos seja feita em Cuiabá (MT), mas o pagamento do R$ 1,75 milhão seja feito em São Paulo. Os dois cogitam até desistir da troca. "Eu 'tô' com um certo receio. Porque alguma coisa tá tramada em cima disso", diz Darci.

14 de setembro de 2006Editar

Luis Antônio conversa com Valdebran Padilha, empreiteiro e arrecadador de campanha do PT em Mato Grosso. O petista cobra a entrega de uma fita que comporia o dossiê. Vedoin dá a entender que quer ver antes o dinheiro - a palavra não é citada. "Não vou mais fazer papel de palhaço", diz. Minutos depois, em outra ligação, Valdebran avisa que metade do dinheiro já havia sido paga.

Neste mesmo dia, Luis Vedoin teria dado entrevista a Revista IstoÉ na qual afirma que, no esquema dos sanguessugas, "Abel Pereira falava em nome do ministro Barjas e se tornou o principal operador no Ministério da Saúde a partir do segundo semestre de 2002".

Além disso, Luis Vedoin teria recebido diversos telefonemas na tentativa de negociação com vários grupos: Expedito Veloso, Valdebran Padilha.

Num telefonema às 16h27, entra em cena o então diretor de Gestão de Risco do Branco do Brasil, Expedito Veloso. Ele, que também está em Cuiabá, pede a Luis Vedoin pressa na entrega do DVD negociado. Queria verificar o conteúdo antes de embarcar para São Paulo, o que acabou não acontecendo. "Você leva isso aqui. Não vai ter problema", afirma Luiz Antônio.

À noite, após Expedito Veloso chegar a São Paulo e constatar que o DVD estava vazio, Valdebran Padilha liga para Luis Vedoin para cobrá-lo: "Vou falar 'procê', minha cabeça 'tá' pra estourar já, cara."

Pouco depois, nova ligação entre eles. Luiz Antônio diz que mandará o resto do material pelo tio, Paulo Roberto Trevisan. Valdebran informa que está no hotel Ibis. "Pelo amor de Deus, cara, eu não agüento mais, não 'tô' nem dormindo com esse trem lá. Hoje eu nem saí daqui."

Na iminência da conclusão da transação ilegal, a Polícia Federal decide agir. Prende Luis Vedoin em um quarto de motel de Cuiabá.

Em São Paulo o Delegado da Polícia Federal de São Paulo Edmilson Pereira Bruno recebeu na madrugada a ordem para verificar a autenticidade dos fatos relatados por Trevisan de que existiria R$ 1 milhão em poder de Valdebran Padilha e Gedimar Passos.

15 de setembro de 2006Editar

A PF chegou por volta das 3h30 ao Hotel Ibis, próximo ao aeroporto de Congonhas. Foi alocado um agente ao corredor do quarto e feita a verificação da existência dos ocupantes. Foi verificada que a reserva do quarto fora feita para o período entre o dia 12 até o meio-dia do dia 14 quando seria concluída a transação mas acabou sendo estendida a permanência.

Após amanhecer o dia, o delegado se identificou, disse que estava cumprindo uma diligência e que uma pessoa já tinha sido presa em Cuiabá. Valdebran teria confessado que tinha R$ 780 mil e US$ 100 mil no cofre do quarto do hotel e em caixas de papelão e foi orientado a continuar as negociações para que a PF pudesse descobrir a origem do dinheiro e quem era(m) a(s) pessoa(s) com quem ele estava em contato.

Utilizando esta tática, Edmilson Bruno descobriu que o montante era uma parcela e que estaria envolvido mais dinheiro na negociação.

Pressionando Valdebran entre as 6h e 10h, o Delegado Edmilson Bruno disse que só saíria quando chegasse o restante do dinheiro e então Valdebran contou que estaria com uma pessoa do PT, no quarto ao lado, esta pessoa seria Gedimar Passos. Os dois envolvidos acabaram sendo detidos em um só quarto e o montante de dinheiro apreendido em sacolas de plástico eram R$ 415 mil e US$ 139 mil. O dinheiro dos dois quartos apreendidos seriam R$ 1.195.000,00 mais US$ 239.000,00 ou totalizando em reais R$ 1.715.800,00.

Por volta do meio-dia, Valdebran e Gedimar, a dupla de negociantes do dossiê, foram levados em custódia para a sede da PF .

17 de setembro de 2006Editar

Na sede da polícia, o delegado disse que, em depoimento, Gedimar entregou a rede de relacionamentos que envolveu os nomes de Expedito (Expedito Afonso Veloso, diretor de Gestão de Risco do Banco do Brasil), Jorge (Jorge Lorenzetti, analista de mídia e risco da campanha de Lula) e Freud (Freud Godoy, ex-assessor particular da Presidência).

Também em depoimento na Polícia Federal de São Paulo, os dois relataram que o dinheiro era proveniente do diretório estadual do PT-SP, e serviria para pagar o dossiê que Trevisan entregaria. Gedimar Pereira Passos declarou ser um advogado contratado pela executiva nacional do PT onde teria a função de analisar a documentação acrescentando que o material teria informações graves de outros partidos incluindo o PT. Gedimar comentou que no início das negociações o valor cobrado era de R$ 20 milhões de reais pelos Vedoin que acabaram baixando para R$ 10 milhões e por fim para R$ 2 milhões. Este valor estava fora do alcance do PT e a negociação se estendeu na proposta de sociedade a uma grande revista de circulação nacional a compra das informações. E então ficou acertada a ida de uma equipe de jornalistas a Cuiabá para uma entrevista exclusiva com os Vedoin. Gedimar então teria dado o primeiro milhão a Valdebran quando a entrevista fora iniciada e o restante do dinheiro seria pago quando o material fosse entregue pelos Vedoin.

No interrogatório descobriu-se que Valdebran Padilha era filiado do PT do MT, tendo inclusive participado de arrecadação de recursos de campanha na eleição municipal de 2004.

18 de setembro de 2006Editar

O pedido de investigação judicial eleitoral foi feita em conjunto pelo PSDB, PFL e PPS e protocolado no TSE trazendo para o TSE a coordenação da investigação.

19 de setembro de 2006Editar

20 de setembro de 2006Editar

21 de setembro de 2006Editar

22 de setembro de 2006Editar

Depoimentos de Jorge Lorenzetti, Barjas Negri e Expedito Veloso na sede da Polícia Federal em Brasília.

23 de setembro de 2006Editar

Valdebran, em novo depoimento, nega que deva dinheiro a Vedoin.

24 de setembro de 2006Editar

25 de setembro de 2006Editar

A Polícia Federal requisitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) informações de quatro diferentes bancos sobre os saques que podem estar ligados à compra do dossiê.

28 de setembro de 2006Editar

  • Jorge Lorenzetti deixa a diretoria do Besc.
  • Polícia Federal declara que o Banco Sofisa recebeu, legalmente, remessa de dólares que eram provenientes de Miami e Nova Iorque.
  • O Delegado Edmilson Pereira Bruno, munido de uma máquina digital fotográfica, dirigiu-se a uma unidade do Banco Central (guardião dos dólares) em São Paulo e à empresa Protege S/A (guardião dos reais) para fazer as fotos das pilhas de dinheiro. O delegado bateu 23 fotos, em diferentes ângulos. Depois, gravou as imagens em um CD, que foi entregue a jornalistas em caráter sigiloso. Ocorre assim o vazamento das fotos para a opinião pública, o PT se enfurece publicamente e dispara contra o PSDB e acusa-o de estar ligado ao Delegado Edmilson Bruno.[1]

29 de setembro de 2006Editar

  • O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, imediatamente determinou a instalação de sindicância interna na Superintendência Regional do Órgão em São Paulo.[2][3] Existe uma suspeita que credita o vazamento ao Delegado Edmilson Pereira Bruno que teria sido alocado para outras atividades já que o inquérito era de alçada da PF de Mato Grosso.

30 de setembro de 2006Editar

O Delegado Edmilson Pereira Bruno assumiu o vazamento das fotos. Alegou que as mesmas não estavam em "segredo de jstiça" por não fazerem parte do inquérito e ressalva sua desconfiança por ter sido afastado do caso.[4]

Até o momentoEditar

Ao contrário do que vem sempre praticando, a Polícia Federal não disponibilizou voluntariamente a imagem do dinheiro apreendido. Porém, as fotos que supostamente comprometeriam José Serra e Geraldo Alckmin foram disponibilizadas.

A Polícia Federal prossegue as investigações junto ao TSE e o inquérito permanece com o status de SIGILO para que não influencie as eleições.

Ver TambémEditar

ReferênciasEditar