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Cunoniaceae

Família de plantas com flor, da ordem Oxalidales, com distribuição alargada no Hemisfério Sul.
Como ler uma infocaixa de taxonomiaCunoniaceae
Ocorrência: Santonianorecente[1] (Possível representante do Albiano)
Erro de expressão: Operador < inesperadoErro de expressão: Operador < inesperado
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Oxalidales
Família: Cunoniaceae
R.Br.[2]
Géneros
Ver texto.
Sinónimos[3]
Frutos caulinares de Davidsonia jerseyaqna, uma espécie cauliflor.

Cunoniaceae é uma família de plantas com flor, pertencente à ordem Oxalidales, que agrupa 27 géneros e cerca de 300 espécies[4] de plantas lenhosas nativas das regiões tropicais e temperadas húmidas do Hemisfério Sul. A distribuição natural de alguns géneros é fortemente disjunta, como Cunonia que ocorre na Nova Caledónia e na África do Sul, distribuição considerada relíquia da época aquelas massas continentais estiveram unidas no supercontinente Gondwana.

DescriçãoEditar

A família Cunoniaceae inclui árvores, arbustos, lianas, maioritariamente plantas perenifólias, mas com muitas espécies caducifólias. As folhas são de filotaxia oposta ou espiralada, raramente alterna (apenas em Davidsonia), simples ou compostas (pinadas ou palmadas), com margem inteira ou dentada, frequentemente com estípulas conspícuas (interpeciolar ou intrapeciolar). As flores apresentam 4-5 (raramente 3 ou mais de 10) sépalas e pétalas. O fruto é usualmente uma cápsula lenhosa ou um folículo, com várias sementes pequenas com endosperma oleoso.

MorfologiaEditar

As Cononiaceae são plantas lenhosas: arbustos ou árvores. Muitas espécies são perenifólias (sempre verdes).

As folhas apresentam filotaxia oposta ou espiralada (podendo neste caso ser verticilada). A morfologia da folha caracteriza-se pela existência de pecíolo e lâmina foliar bem diferenciados, com as lâminas coreáceas geralmente compostas, raramente simples, por vezes com três folíolos, na maior parte pinadas não pareadas. As margens das folhas são geralmente serrilhadas. As estípulas foliares estão sempre presentes. Quando as folhas são verticiladas, as estípulas das folhas adjacentes são fundidos numa única entidade, aplicando-se neste caso a designação de «estípula interpeciolar».

As flores ocorrem isoladamente ou em tipos completamente diferentes de inflorescências: simpódios, panículas ou capítulos. A espécie Davidsonia jerseyaqna, entre outras, é cauliflor.

A maior parte das flores são actinomorfa (com simetria radial, hermafroditas, raramente unissexuais. Quando as flores são unissexuais, então as espécies podem ser dióicas (como no género Spiraeanthemum), androdioicas, ginodioicas ou poligamomonoicas (subdioicas). As brácteas florais podem estar divididos em sépalas e pétalas distintas ou apenas existirem tépalas petaloides. Em geral existem (3-)4-5(-10) sépalas presentes, livres ou fundidos na base. Se houver pétalas, existem 3-4, raramente 5-10, livres ou fundidas na base. Existem um ou dois verticilos de estames, com quatro ou cinco estames livres, raramente existem de 11 a 40 estames. Normalmente existem dois, raramente de três a cinco, carpelos, fundidos na maior parte (sincarpia), ligados a um ovário súpero (no género Spiraeanthemum semi-ínfero), embora raramente os carpelos sejam livres (apocarpia), sendo raro o ovário ser também parcialmente ínfero. Existem dois ou três, por vezes até cinco, pistilos livres por flor, correspondentes ao número de carpelos.

Nas espécies com carpelos em apocarpo, o fruto é um folículo. Nas outras espécies, os frutos são principalmente cápsulas lenhosas, às vezes drupas ou raramente nozes. As pequenas sementes são aladas ou sem asas, quase sempre com um endosperma rico em óleos.

DistribuiçãoEditar

A distribuição principal é em áreas tropicais entre 13 graus de latitude norte e 35 graus de latitude sul. A maior diversidade de géneros ocorre na Austrália e Tasmânia (15 géneros), Nova Guiné (9 géneros) e Nova Caledónia (7 géneros). A família também está presente na [América Central], América do Sul, nas Caraíbas, na Malásia, nas ilhas do Pacífico Sul, em Madagáscar e nas ilhas vizinhas do Oceano Índico. A família está ausente da Ásia continental, excepto na Península Malaia, e quase ausente na África continental, com excepção de duas espécies na África Austral (Cunonia capensis e Platylophus trifoliatus). Vários géneros apresentam distribuição disjunta com intervalos notáveis, ocorrendo em mais de um continente, por exemplo Cunonia (que ocorre na África Austral e na Nova Caledónia), Eucryphia (na Austrália e América do Sul) e Weinmannia (Américas e ilhas Mascarenhas).

A distribuição disjunta da família, e de alguns dos seus géneros, é atribuída à fragmentação do supercontinente Gondwana. Em consequência desse fenómeno, vários géneros têm uma forte disjunção na sua área de distribuição natural, ocorrendo em diferentes continentes, por exemplo [[Cunonia] na África do Sul e na Nova Caledónia ou Caldcluvia e Eucryphia na Austrália e no sul da América do Sul. A área de distribuição de Caldcluvia estende-se para norte em ambas as regiões, atingindo num caso o Equador e noutro as Filipinas. O género Geissois está distribuído pelas ilhas Fiji no Oceano Pacífico, mas já teve distribuição mais alargada.

UsosEditar

Os frutos de algumas espécies são localmente consumidos frescos. A madeira de algumas espécies é utilizada e comerciada.[5]

Filogenia e sistemáticaEditar

A família foi descrita em 1814 por Robert Brown e publicada na obra A Voyage to Terra Australis 2: p. 548. 1814.[6] O género tipo é Cunonia L.. O nome genérico Cunonia é uma homenagem ao jurista e mercador alemão Johann Christian Cuno (1708-?).[7]

As espécies das antigas famílias Baueraceae Lindl., Davidsoniaceae G.G.J.Bange e Eucryphiaceae Gay estão presentemente incluídas na família Cunoniaceae. Outros sinónimos taxonómicos para Cunoniaceae são: Belangeraceae J.Agardh, Callicomaceae J.Agardh e Codiaceae Tiegh.[8]

FilogeniaEditar

A posição da família Cunoniaceae no contexto da filogenia da ordem Oxalidales, conforme determinada pelo Angiosperm Phylogeny Group, é a seguinte:



Malpighiales (grupo externo)


 Oxalidales 

Huaceae





Connaraceae



Oxalidaceae





Cunoniaceae





Brunelliaceae



Cephalotaceae




Elaeocarpaceae







A família possui um rico registo fóssil na Austrália e representantes fósseis são conhecidos no Hemisfério Norte.[9] A espécie fóssil Platydiscus peltatus foi encontrada em rochas do Cretáceo Superior da Suécia e é provavelmente um membro da família Cunoniaceae.[10] Um membro fóssil possivelmente mais antigo esta datado do Albiano. O género fóssil Tropidogyne, encontrada em âmbar da Indochina, tem flores que se assemelham fortemente à do género extante Ceratopetalum.[11]

TaxonomiaEditar

 
Inflorescência e folhas de Pullea stutzeri.
 
Troco cortado de Schizomeria ovata.
 
Ramos com frutos de Weinmannia trichosperma.

As famílias Baueraceae, Davidsoniaceae, Eucryphiaceae, previamente vistas como distintas, estão agora incluídas nas Cunoniaceae. Na sua presente circunscrição taxonómica, a família Cunoniaceae integra (16 a 27) cerca de 23 géneros[8] com entre 280 e 350 espécies:

A família, na sua presente circunscrição taxonómica, de acordo com o Angiosperm Phylogeny Website, inclui os seguintes géneros:[15]

Os géneros que integram a família Cunoniaceae estão repartidos pelas seguintes tribos:[16][4]

Tribo Spiraeanthemeae

Tribo Schizomerieae

Tribo Geissoieae

Tribo Caldcluvieae

Tribo Codieae

Tribo Cunonieae

Incertae sedis

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. Peter F. Stevens. «Cunoniaceae». APWeb 
  2. Angiosperm Phylogeny Group (2009). «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III». Botanical Journal of the Linnean Society. 161 (2): 105–121. doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x 
  3. Lista de sinónimos de Cunoniaceae.
  4. a b Bradford, J.C., Hopkins, H.CF., Barnes, R.W . (2004). Cunoniaceae. in Kubitzki, K. (ed.) The Families and Genera of Vascular Plants: Volume VI, Flowering plants, Dicotyledons: Celastrales, Oxalidales, Rosales, Cornales. Springer, Heidelberg. p 91-111.
  5. Arten bei Plants of A Future. (Memento vom 4. março 2016 im Internet Archive)
  6. «Cunoniaceae». Tropicos.org. Jardim Botânico de Missouri. Consultado em 10 de fevereiro de 2014 
  7. Lotte Burkhardt: Verzeichnis eponymischer Pflanzennamen. Botanic Garden and Botanical Museum Berlin, Freie Universität Berlin, Berlin 2016, ISBN 978-3-946292-10-4, doi:10.3372/epolist2016
  8. a b «Cunoniaceae». Agricultural Research Service (ARS), United States Department of Agriculture (USDA). Germplasm Resources Information Network (GRIN) 
  9. Barnes, R.W., Hill, R.S., & Bradford, J. C. (2001) The history of Cunoniaceae in Australia from macrofossil evidence. Australian Journal of Botany 49 : 301‑20.
  10. Schönenberger, J., Friis, E.M., Matthews, M.L., et Endress, P.K. (2001). Cunoniaceae in the Cretaceous of Europe: evidence from fossil flowers. Annals of Botany 88 : 423‑37.
  11. Chambers, K.L., Poinar, G., et Buckley, R. (2010). Tropidogyne a new genus of early Cretaceous Eudicots (Angiospermae) from Burmese amber. Novon 20 : 23‑29.
  12. Acrophyllum bei New South Wales Flora Online.
  13. Callicoma bei New South Wales Flora Online.
  14. Gordon McPherson & Porter P. Lowry II: Hooglandia, a newly discovered genus of Cunoniaceae, In: Annals of the Missouri Botanical Garden, Volume 91, No. 2, 2004, S. 260–265 PDF
  15. Stevens, P. F. (2001 onwards). Angiosperm Phylogeny Website. Version 12, July 2012 [and more or less continuously updated since]. http://www.mobot.org/MOBOT/research/APweb/.
  16. Bradford, J.C. & Barnes, R.W. (2001). Phylogenetics and classification of Cunoniaceae (Oxalidales) using chloroplast DNA sequences and morphology. Systematic Botany 26 (2): 354‑85.

BibliografiaEditar

  • Idárraga-Piedrahita, A., R. D. C. Ortiz, R. Callejas Posada & M. Merello. (eds.) 2011. Fl. Antioquia: Cat. 2: 9–939. Universidad de Antioquia, Medellín.
  • Nee, M. 1984. Cunoniaceae. Fl. Veracruz 39: 1–7.
  • Standley, P. C. & J. A. Steyermark. 1946. Cunoniaceae. In Standley, P.C. & Steyermark, J.A. (Eds), Flora of Guatemala - Part IV. Fieldiana, Bot. 24(4): 424–426.
  • Stevens, W. D., C. Ulloa Ulloa, A. Pool & O. M. Montiel Jarquín. 2001. Flora de Nicaragua. Monogr. Syst. Bot. Missouri Bot. Gard. 85: i–xlii,.
  • Woodson, R. E. & R. W. Schery. 1950. Flora of Panama, Part V. Fascicle 2. Cunoniaceae. Ann. Missouri Bot. Gard. 37(2): 145–147. View in BotanicusView in Biodiversity Heritage Library
  • Berendsohn, W.G., A. K. Gruber & J. A. Monterrosa Salomón. 2009. Nova Silva Cuscatlanica. Árboles nativos e introducidos de El Salvador. Parte 1: Angiospermae - Familias A a L. Englera 29(1): 1–438.
  • Y. Pillon & B. Fogliani: Evidence for a correlation between systematics and bioactivity in New Caledonian Cunoniaceae and its implications for screening and conservation, In: Pacific Science 63, 2009, S. 97–103. doi:[97:EFACBS2.0.CO;2 10.2984/1534-6188(2009)63[97:EFACBS]2.0.CO;2]
  • Die Familie der Cunoniaceae bei der APWebsite. (Abschnitt Beschreibung und Systematik)
  • Die Familien der Cunoniaceae, der Baueraceae und der Eucryphiaceae bei DELTA. (Abschnitt Beschreibung)
  • Cunoniaceae bei New South Wales Flora Online. (Abschnitt Beschreibung und Systematik)
  • Yohan Pillon, Helen C.F. Hopkins, Jérôme Munzinger & Mark W. Chase: A Molecular and Morphological Survey of Generic Limits of Acsmithia and Spiraeanthemum (Cunoniaceae), In: Systematic Botany 34 (1), 2009, S. 141–148. doi:10.1600/036364409787602410

GaleriaEditar

Ligações externasEditar