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Cupuaçu

Fruto de uma árvore originária da Amazônia
(Redirecionado de Cupuaçú)
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Como ler uma infocaixa de taxonomiaCupuaçu
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Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Malvales
Família: Malvaceae
Subfamília: Sterculioideae
Género: Theobroma L.
Espécie: T. grandiflorum
Nome binomial
Theobroma grandiflorum
(Willd. ex Spreng.) K. Schum.

Cupuaçu é o fruto de uma árvore originária da Amazônia (Theobroma grandiflorum, família Malvaceae), parente próxima do cacaueiro. A árvore é conhecida como cupuaçuzeiro, cupuaçueiro ou cupu, é uma fruta típica da região norte brasileira, muito encontrada nos estados do Amapá, Pará e Amazonas. É muito usado na culinária doce, azeda e agridoce pelos nativos da Amazônia[1].

Índice

CaracterísticasEditar

A árvore alcança uma média de 10 a 15 m de altura. Há referências de exemplares com até 20 m. As folhas são longas, medindo até 60 cm de comprimento e apresentam uma aparência ferruginosa na face inferior. As flores são grandes, de cor vermelho escura e apresentam características interessantes: são as maiores do gênero, não crescem grudadas no tronco, como nas outras variedades de theobromáceas, mas sim nos galhos. Os frutos apresentam forma esférica ou ovóide e medem até 25 cm de comprimento, tendo casca dura e lisa, de coloração castanho-escura. As sementes ficam envoltas por uma polpa branca, ácida e aromática. Os frutos surgem de janeiro a maio e são os maiores da família.

O cupuaçu contém ferro, fósforo e proteínas, necessários para a formação celular, participando dos processos químicos que permitem a continuação da vida. Vitaminas: C (ácido ascórbico), excelente para evitar gripes, infecções e até o câncer, melhorando o sistema imunológico e varrendo os radicais livres; vitaminas do complexo B ( B1, B2, B5): B1 (tiamina), antiestressante e tonificante dos músculos; B2, (riboflavina), alivia olhos cansados e ajuda na formação das hemácias; B5 (ácido pantotênico), ajuda na proteção do organismo junto aos anticorpos. Possui também taninos, que ajudam a evitar inflamações e toxinas do organismo. As fibras evitam que o organismo acumule toxinas, evitam o ressecamento fecal e combatem a prisão de ventre. O cupuaçu demora de 7 a 8 anos para começar a dar frutos.

SoloEditar

Solos de terra firme e profundos, com boa retenção de água, fertilidade e com boa constituição física, pH entre 6,0 e 6,5 são tidos como ideais para o desenvolvido do cupuaçu.

Mudas: pode-se multiplicá-la através de enxertia e por sementes.

Polêmica sobre propriedade intelectualEditar

Nos últimos anos, o cupuaçu esteve no centro de um debate internacional sobre biopirataria. A empresa japonesa Asahi Foods teve seu registro de uso exclusivo do nome cupuaçu cancelado na União Europeia, Japão e Estados Unidos. Esse resultado só foi alcançado após esforços conjuntos de ONG's do Brasil e o Governo brasileiro, passando por ações junto à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, contra a empresa japonesa.

UsosEditar

 
Fruta cupuaçu aberta.

De sabor forte[2], o cupuaçu é comumente usado em sorvetes, sucos e vitaminas, que são muito consumidos e admirados em todo o país. Doces à base de cupuaçu são também muito admirados, tais como o creme, compotas, geleias e refrescos. Dentre outros usos importantes, acham-se o "vinho" (refresco sem álcool) e licores.

O cupuaçu é utilizado, também tradicionalmente, como ingrediente na confecção de bombons, que obtiveram reconhecimento em todo o país.

Outro uso relevante do cupuaçu é na fabricação do cupulate, que é um produto cujo sabor se assemelha ao chocolate.

Na Bolívia, é fabricada uma bebida feita do cupuaçu que é vendida para vários países da Europa.

Há diversos estudos científicos, tanto no Brasil quanto no exterior, que utilizam as sementes do cupuaçu e sua polpa para tratar doenças no trato gastrointestinal. Essas pesquisas apontam também o uso do cupuaçu como antioxidante e como base para desenvolvimento de produtos de beleza.[carece de fontes?]

Manteiga de cupuaçuEditar

A manteiga de cupuaçu é um triglicerídio que apresenta uma composição equilibrada de ácidos graxos saturados e insaturados, o que confere ao produto um baixo ponto de fusão (aproximadamente 30 °C) e aspecto de um sólido macio que se funde rapidamente ao entrar em contato com a pele. A manteiga de cupuaçu é bastante empregada na produção de cosméticos.[3] A manteiga de cupuaçu é um emoliente que proporciona um toque agradável, maciez e suavidade à pele, possibilitando a recuperação da umidade e elasticidade natural da pele principalmente em peles secas e maltratadas. Ela contém ainda fitoesteróis (especialmente beta-sitosterol) que atuam a nível celular regulando o equilíbrio e a atividade dos lipídeos da camada superficial da pele. Os fitoesteróis tem sido utilizados topicamente no tratamento de dermatites e afecções por estimular o processo de cicatrização.[4]

 
Manteiga de cupuaçu

Além do emprego alimentício e cosmético, novos estudos tem indicado novas funcionalidades da composição química da manteiga de cupuaçu. Na indústria oleoquímicas a manteiga de cupuaçu está sendo usada para a produção de lubrificantes sintéticos.[5]. Além disso, descobriu-se seu emprego no desenvolvimento de um silicone usado para amaciantes de roupa biodegradável.[3][4][5]

Especificação da manteiga virgem de Cupuaçu[6]Editar

Característica Unidade Apresentação
Aparência (25Cº) ---- Sólido
Cor ---- Branco para beje
Odor ---- Característico
Índice de acidez mgKOH/g < 20,0
Índice de peroxido 10 meq O2/kg < 10,0
Índice de iodo gI2/100g 40 - 50
Índice de saponificação mgKOH/g 180 - 190
Densidade  25 °C g/ml -
Índice de refração (40 °C)  - 1,4563
Materia insaponificável (bioativos) % 2 -3
Tocopherols mg/kg 128
Sterols totais mg/kg 245
Ponto de fusão 25 - 35
Absorção de água % 200 min

Composição dos Ácidos graxos[6]Editar

Ácido palmítico % peso 7 – 12
Ácido esteárico % peso 28 - 35
Ácido oléico % peso 40 - 45
Ácido linolênico % peso 3 – 7
Ácido araquídico % peso 8 – 13
Ácido behênico % peso 1 – 2
Outros % peso 1 - 5
Saturado % 55
Insaturado % 45
MICROBIOLOGIA
Bactérias totais G <100 / g
Fungos e leveduras  G <100 / g

Referências

  • Vasconcelos, M. N. L.; Silva, M. L. da, Maia, J. G. S., and Gottlieb, O. R. (1975). "Estudo químico de sementes do cupuaçu" (in Portuguese) (PDF). Acta Amazonica 5: 293–295. Retrieved on 2006-08-24.
  • Lourido, G., Silva, N.M., Motta, C.S. 2007;"Biological parameters and damage by Macrosoma tipulata Hübner (Lepidoptera: Hedylidae), in Cupuaçu tree [Theobroma grandiflorum (Wild ex Spreng Schum)] in Amazonas, Brazil". Neotropical Entomology, 36(1):102-106.
  • FRANCO, LELINGTON LOBO - As incríveis 50 frutas com poderes medicinais - ISBN 85-900360-3-0
 
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