Dó maior

tonalidade e escala diatônica baseada na nota Dó

Em teoria musical e harmonia, Dó maior (abreviatura no sistema europeu Dó M e no sistema americano ou sistema de cifras C, em alemão C-dur) é a tonalidade que consiste na escala maior baseada na nota (ou nota tônica C), ou seja, é um conjunto de notas organizadas em sequencia gradual de altura,[1] contendo as notas Dó - - Mi - - Sol - - Si, e a sua armadura não contém acidentes (sem sustenidos e sem bemóis) seguindo o padrão estrutural (ou estrutura intervalar) do modo maior (que possui cinco intervalos de tons e dois intervalos de semitons entre as notas).[2] A sua tonalidade relativa é Lá menor (o VIº de Dó M) e a sua tonalidade paralela é Dó menor.

Dó maior
C-dur.png
Notação
Cifra correspondente C
Nota base nota Dó
Tonalidade
Relativa lá menor
Homónima Dó menor
Nota dominante nota Sol
Nota subdominante nota Fà
Modo Escala diatônica major key, tonalidade
Notas componentes
Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó
Sequencia
Si b M
Ré # M

Dó (I) - T - Ré (II) - T - Mi (III) - st - Fá (IV) - T - Sol (V)- T - Lá (IV) - T - Si (VII) - st - Dó


{
\override Score.TimeSignature #'stencil = ##f
\relative c'
 {
  \clef treble \key c \major \time 7/4
  c4^\markup "C M" d e f g a b c b a g f e d c2
 }
}

{
\override Score.TimeSignature #'stencil = ##f
\relative c'
 {
  \clef treble \key c \major \time 7/4
  a4^\markup "A m" b c d e f g a g f e d c b a
 }
}
 {
\override Score.TimeSignature #'stencil = ##f
\relative c' {
  \clef treble \key c \minor \time 7/4
  c4^\markup "C natural m" d es f g aes bes c bes aes g f es d c2
 }
}
Mi Sol
V V V V V V V
tom tom semitom tom tom tom semitom

No piano a escala de Dó Maior não é tocado nas teclas pretas, por isso é referida como "escala das teclas brancas". Os compositores escolheram dó maior como chave para peças que abrem formas cíclicas, como: ciclos de prelúdios, fugas, invenções e, estudos.

Escala relativaEditar

A escala relativa da escala maior, é a escala menor que inicia a partir da sexta nota (grau VI) da escala de Dó Maior, neste caso é a Lá menor; pois estas possuem a mesma armadura de clave (os mesmos acidentes sustenidos e bemóis) e as mesmas notas, são chamadas de "escalas enarmonicamente equivalentes".[3][4]

HarmoniaEditar

Graus harmônicosEditar

Na harmonia e na teoria musical, cada grau da escala recebe um nome de acordo com a sua função exercida:[5]

Grau Nome Nota Função
I
Tônica Dó (C) 1T determina a tonalidade da música e apresentada no final dela, nota de menor tensão com função de repouso natural ou sensação de finalização.
II
Supertônica Ré (D) 1T acima da tônica,[6][7] duas funções resolutivas: em direção à tônica, ou em direção à mediante. Grau que substitui a subdominante.[8]
III
Mediante Mi (E) 1st grau intermediário formando uma terça com a tônica e a dominante. Como a subdominante, é uma nota modal, que determina se está no modo maior ou modo menor.
IV
Subdominante Fá (F) 1T abaixo da dominante.[9][10] Tem função de afastamento, com sentido meio-instável, uma forma intermediária sem a estabilidade da tônica e sem a angústia da dominante.
V
Dominante Sol (G) 1T quinto grau a partir da tônica. entre a subdominante e a superdominante.[11][12] Tem a função de tensão para a entrada da tônica, com a estabilidade.
VI
Sobredominante Lá (A) 1T acima da dominante.[13][14] grau intermediário (forma intervalo de terça) entre subdominante e tônica superior. Tem função fraca e, pode substituir a tônica.[15]
VII
Sensível Si (B) 1st subtônica, quando o intervalo com à tônica superior é de um tom (escala menor natural); sensível quando o intervalo com à tônica superior é de um semitom (escala maior, escala menor harmônica e escala menor melódica)

AcordeEditar

O acorde musical básico, também chamado de tríade é um conjunto harmônico formado por três notas musicais (ou graus harmônicos) da escala em questão[16] (que exercem funções específicas estudadas pela Harmonia Funcional), onde as notas são chamadas de tônica (I), mediante (III) e, dominante (V); caracterizada por ter dois intervalos de terças iniciando na nota tônica..

A tríade de Dó M é formada por:[17][18]

  • Tônica: (I grau) nota Dó (C) 132 Hz
  • Mediante: (III grau) nota Mi (E) 165 Hz
  • Dominante: (V grau) nota Sol (G) 198 Hz
 
O acorde de tríada de C: do - mi - sol.
 
 

Campo HarmônicoEditar

O campo harmônico pode ser considerada como o conjunto de acordes gerado por cada nota de uma tonalidade, isto é, são montados sete acordes iniciando com as sete notas da escala,[19] o acorde inicia com cada nota da escala usando apenas as notas existentes nessa escala.[19]

Na tonalidade de Dó Maior, sendo a primeira nota o Dó, usando somente as notas da escala de Dó Maior: o acorde C, formado pelas usando o I-III-V nota da escala; iniciando em Dó, teremos Dó-Mi-Sol; qualquer outro acorde de C, como: Cm, Cdim ou C+ teriam notas que não pertencem à escala de Dó Maior.[19]

Como a escala possui sete notas, então todo campo harmônico possui sete acordes, onde Dó Maior terá os seguinte sete acordes no campo harmônico maior: C - Dm - Em - F - G - Am - Bdim. Os acordes formados sempre seguem a seguinte regra:[19]

  • I grau: iniciando na tônica, o acorde sempre é maior. C
  • II grau: sempre menor. Dm
  • III grau: sempre menor. Em
  • IV grau: sempre maior. F
  • V grau: sempre maior com sétima. G ou G7
  • VI grau: sempre menor. Am
  • VII grau: sempre diminuto. Bm7(b5) ou BØ ou Bdim

Resumo - maiores: I, IV, e V; menores: II, III, e VI; diminuto: VII.[19] Os acordes do campo harmônico de Lá menor serãos os mesmo do campo de Dó Maior

Nota

início

Tríade

I-III-V

Acorde
Dó (Iº) Dó-Mi-Sol C
Ré (IIº) Ré-Fa-Lá Dm
Mi (IIIº) Mi-Sol-Sí Em
Fá (IVº) Fá-La-Dó F
Sol (Vº) Sol-Sí-Ré G
Lá (VIº) Lá-Dó-Mí Am
Sí (VIIº) Sí-Re-Fá Bdim
Notas constituintes da escala
ascendente → descendente 1 2 3 Quatro Cinco 6 7 8 7 6 Cinco Quatro 3 2 1
Escala maior natural C D E F G UMA B C B UMA G F E D C
escala maior harmônica C D E F G Um ♭ B C B Um ♭ G F E D C
Afinar escala maior C D E F G UMA B C B ♭ Um ♭ G F E D C
Notas constituintes do acorde (acordes diatônicos)
Nome de código C Dm Em F G Sou Bm- 5 C M7 Dm 7 Em 7 FM 7 _ G 7 sou 7 Bm 7 -5 G 9
9º som UMA
7º som B C D E F G UMA F
5º som G UMA B C D E F G UMA B C D E F D
Terceiro som E F G UMA B C D E F G UMA B C D B
Som raiz C D E F G UMA B C D E F G UMA B G
Símbolo de acorde eu II III 4 V VI VII eu 7 7 _ III 7 IV 7 V 7 VI 7 VII 7 V 9

Os acordes são pensados ​​na escala maior natural.

InstrumentosEditar

Dó maior é uma das teclas mais usadas na música. Os instrumentos transpositores Molts, que soam nas duas tonalidades originais, por exemplo, um clarinete B bemol que toca uma escala B bemol maior, está executando também uma escala Dó maior. Uma harpa afinada em dó maior traz seus pedais na posição central.

A gaita, um instrumento portátil fácil de transportar, é simples de tocar, o modelo harmônico cromático na escala de Dó Maior, basicamente dá pra tocar todas as notas de Dó a Si.[20]

No violão, a música em dó maior não é um tom ideal para o instrumento. As três notas do acorde dominante (sol, si re), é possível deixar os acordes suspenso, mas o acorde da tônica não é tão simples.

Grande parte dos exercícios para iniciantes de piano são em Dó maior, pois as teclas brancas do instrumento correspondem às notas da escala de dó maior. permitindo assim trabalhar com as teclas brancas, para as quais a tonalidade também está associada ao aprendizado do piano. Algumas obras se beneficiaram dessa realidade para parodiá-la, por exemplo, os Pianistes peça del Carnaval dels animals de Camille Saint-Saëns ou Graddus ad Parnasum de Children's Corner de Claude Debussy. Mesmo assim, o compositor Frédéric Chopin considerava essa escala a mais difícil de tocar, e tendia a trabalhá-la posteriormente com os alunos. Ele considerou que a mais fácil era a de Si maior, porque a posição das notas brancas e pretas se encaixava melhor com as posições naturais dos dits, iniciando o estudo do piano com esta.

ComposiçõesEditar

Eruditas expressivas em Dó MaiorEditar

Outros tiposEditar

BibliografiaEditar

  • David Wyn Jones, "The Beginning of the Symphony," capítulo A Guide to the Symphony editado por Robert Layton. Oxford University Press.

Referências

  1. «Escala Relativa Maior E Menor». Cultura Mix. Consultado em 22 de março de 2022 
  2. Lemes, Flávia (23 de agosto de 2020). «Escala maior e menor — o que são e para que servem?». Música e Vinho. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  3. «O que é escala relativa menor?». treinamento24.com. Consultado em 22 de março de 2022 
  4. «Escalas relativas». Tecla Center. Consultado em 22 de março de 2022 
  5. Santana, Beatriz Pires (2010). Os padrões que ouvimos (PDF). Universidade Federal do Paraná: Curso de Letras Português da UFPR. 24 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  6. Santana, Beatriz Pires (2010). Os padrões que ouvimos (PDF). Universidade Federal do Paraná: Curso de Letras Português da UFPR. 24 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  7. Silva, Ruth. «Curso de teoria musical». Academia.edu. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  8. Rede, Itego; Governo de Goiás (2017). «Linguagem Musical III 2017» (PDF). Gabinete de Gestão de Capacitação e Formação Tecnológica. Caderno Didático. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  9. Santana, Beatriz Pires (2010). Os padrões que ouvimos (PDF). Universidade Federal do Paraná: Curso de Letras Português da UFPR. 24 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  10. Silva, Ruth. «Curso de teoria musical». Academia.edu. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  11. de Oliveira, Olga Xavier. Teoria musical para crianças: Livros ou métodos infantis. Google Livros: Irmãos Vitale. 118 páginas. ISBN 9788574073767. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  12. Adolfo, Antonio (1989). O Livro do músico. Google Livros: Irmãos Vitale. 18 páginas. ISBN 9788585426743. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  13. Santana, Beatriz Pires (2010). Os padrões que ouvimos (PDF). Universidade Federal do Paraná: Curso de Letras Português da UFPR. 24 páginas. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  14. Silva, Ruth. «Curso de teoria musical». Academia.edu. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  15. Rede, Itego; Governo de Goiás (2017). «Linguagem Musical III 2017» (PDF). Gabinete de Gestão de Capacitação e Formação Tecnológica. Caderno Didático. Consultado em 10 de janeiro de 2017 
  16. «Significado de tríade». Dicionário Caldas Aulete. 209 
  17. «3 Funções harmônicas dos acordes». Tablaturas e Cifras. 27 de junho de 2016. Consultado em 11 de março de 2022 
  18. Bertr, Leal (7 de dezembro de 2020). «Graus Musicais - Explicando as Notas dentro de uma Escala ⋆». Escola de Música On. Consultado em 11 de março de 2022 
  19. a b c d e «O que é Campo Harmônico?». MusicDot. Consultado em 22 de março de 2022 
  20. «Instrumentos de sopro - Lu Explica». Magazine Luiza. Consultado em 3 de março de 2022 
 
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Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

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