Dança profética

tipos de dança

A dança profética é uma dança espiritual presente em várias culturas (desde a Antiguidade) com o objetivo de entrar em comunicação com Deus com o intuito de receber resposta favorável (chuvas e boas colheitas, por exemplo). Na Caldeia, a terra de Abraão a dança fazia parte da educação e religião e de forma geral a dança era peça importante da religiosidade dos povos orientais (babilônios, egípcios etc) inclusive dos hebreus, raiz da religião cristã e suas denominações variantes.

Modernamente, a dança em nome de Deus é algo espiritual resgatado, que tem seu valor de elemento evangelístico, pastoral e profético, tendo vindo do Céu; algo (a dança) que era apenas de uso secular e profano - falando de cristianismo - agora está de volta nos corações, corpo e pés do ser adorador e faz parte do agir divino renovador[1]! Biblicamente os pés indicam direção, evangelismo e beleza, conforme Isaías 52.7: "Como são belos sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que proclama a paz, que anuncia coisas boas, que proclama a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!"

No CristianismoEditar

Definição cristã do termoEditar

Uma definição de dança profética é dada por Tara Gilvard:

Evangelismo NeopentecostalEditar

No cristianismo, a dança foi introduzida por grupos evangélicos como um meio de permitir que o Espírito Santo falasse com as pessoas. Ela deve ter um propósito espiritual em que o bailarino/ dançarino atua como um profeta [ou vice-versa] que se manifesta seja através de movimentos, gestos, símbolos e até cores[3].

Isabel Coimbra, líder de dança do ministério de louvor Diante do Trono afirma que a unção (o mover profético, a atuação do Espírito), no caso da dança, se manifesta a partir do movimento e das imagens (assim como a música expressa sonoridade e do canto se expressam palavras e de todos, harmonia).

A dança e objetos referenciais a ela vão além do adornar o púlpito da igreja. Edificação, salvação, cura, restauração e libertação são fins a que a dança profética se propõe, algo que antes se pressupunha ser possível apenas pela pregação oral do Evangelho. A dança é apenas mais um veículo da graça de Deus, unida ao som dos louvores e a finalidade das suas mensagens.

A dança profética é praticada em função de ser um dom especial, atual e por inspiração divina, e isso só será possível com veraz adoração e intimidade com Deus. Muitos fiéis anelam possuir este dom, e a alma do adorador/profeta deve ser regenerada para a dança ser eficaz, ou seja: profetizar e abençoar espiritualmente.

Espiritualmente, dançar envolve congregar, alegrar, festejar, comungar, revelar-se, conhecer e reconhecer[4]... Gerações em encontro promovem o novo, há um ambiente de renovação, sociabilidade e de comunhão, e de profecia também. 

Catolicismo CarismáticoEditar

O espírito profético via oralidade, música e dança contagiou as igrejas católicas carismáticas norte-americanas e brasileiras, seguindo as tendências evangélicas precursoras, quer na música ou nas danças ou no modo de pregar, começando no nível evangelístico e pastoral rumando à manifestação da essência profética do louvor, adoração e danças ao Único Soberano, digno de louvor, Jesus, o Rei dos Reis e o Apóstolo dos apóstolos. A única Pessoa que possui ministério tríplice: de Rei, Sacerdote e Profeta. E seu Espírito é o mesmo eternamente. No catolicismo tradicional não é muito comum a crença e prática da dança na liturgia.

Outras religiõesEditar

No Islamismo é conhecida a tradição sufi que usa a dança como veículo que toca o Sagrado, assim como há nas religiões indígenas e aborígenes igual tradição com graus diferentes de sofisticação, mas todas expressões culturais e religiosas importantes para seus povos e etnias.

Significância profética (nações, culturas e influências)Editar

O essencial na dança profética deve ser o senso profético, não os movimentos em si ou sua beleza estética, pois o adorador dança em nome de Deus (no Espírito Santo), com o intuito de abençoar e profetizar graça e salvação, e não deve ser feito de qualquer forma, mas deve trazer vida e restauração! [5]

Deus prometeu tirar do cativeiro o seu povo - das prisões e amarras espirituais - (Jr 31:1-4,13), e falou assim a Jeremias: "Serei o Deus de todas as gerações de Israel [de Israel à Igreja], e elas serão o meu povo. O povo que escapou da espada encontrou graça no deserto (…) com amor eterno te amei; com benignidade te atraí. Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam. Então, a virgem [Igreja] se alegrará na dança, e também os jovens e os velhos [as gerações]; e tornarei o seu pranto em alegria, e os consolarei, e transformarei em regozijo a sua tristeza".

Restauração do Tabernáculo de Davi Tiago citou a profecia de Amós 9:11,12 que trata do "restaurar o Tabernáculo de Davi"? Ele quer dizer: "Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo caído de Davi, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e o edificarei como nos dias da antiguidade; Para que possuam o restante de Edom, e todos os gentios que são chamados pelo meu nome, diz o SENHOR, que faz essas coisas".

Confirmado em Atos 15.16,17: "Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo [espiritual e vital] de Davi, que está caído, Levantá-lo-ei das suas ruínas, E tornarei a edificá-lo [em seus nobres ideais]. Para que o restante dos homens busque ao Senhor, E todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, diz o Senhor, que faz todas estas coisas".

Isso indica além do crescimento da adoração verdadeira (íntima e espiritual) de uma conversão real a Deus' em todos os lugares e em qualquer circunstância, que Israel e Igreja (os Dois Consertos), e povos semitas irmãos (árabes e outros) se uniriam, sendo a Igreja. os gentios que levam a Nova Aliança do Cristo de Deus, e todos estes se uniriam no propósito de salvação e influências mútuas em prol do Reino de Deus. Hoje é comum adorar-se respeitando e remetendo-se às culturas regionais e nacionais que se quer alcançar.

Israel é um dos principais motivos de intercessão profética, pois de lá procede o Salvador. Daí ser comum as danças, caracteres e linguagem hebraicos na adoração a Deus Filho (Yeshua Hamashia: Jesus, o Ungido), como está profetizado a atuação e o amor de Deus por Sião e o louvor de Deus e das nações por Sua terra em Isaías 62.1-4: "Por amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não descansarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação como uma tocha acesa. E as nações verão a tua justiça, e todos os reis a tua glória; e chamar-te-ão por um nome novo, que a boca do Senhor designará. Também serás uma coroa de adorno na mão do Senhor, e um diadema real na mão do teu Deus. (...) chamar-te-ão Minha-Delícia; e à tua terra, Desposada; porque o SENHOR se delicia em ti; e a tua terra se desposará".

Palestinos, africanos, ciganos, curdos, aborígenes, asiáticos, latinos, povos ilhéus e dos desertos e de regiões polares devem ser lembrados por suas muitas carências e mesmo contribuições e demais questões socioculturais e geoeconômicas. Há cânticos que emprestam elementos da cultura indígena, como "Faz Chover" (traduzido para a língua indígena Terena, vindo do Inglês "Let it Rain") e "Dançar na Chuva" (celebração por sair do "deserto" para dançar na Terra Prometida).

Atos proféticos na dança e símbolosEditar

São elementos eventuais da dança profética símbolos bíblicos ou representativos daquilo que se quer atingir profeticamente - fazendo-se então atos proféticos - como bandeiras, estandartes, mantos e véus denotando que "Javé é minha Bandeira", " O Senhor dos Exércitos", "Sua Bandeira sobre mim é o Amor", feixes de trigo e cestas de frutos e pães (colheitas espirituais de novas vidas ou físicas), vasos de barros (natureza humana), candelabro, vinho, azeite de oliva e óleos essenciais (mirra, nardo, acácia etc.), fogo e água (símbolos do Espírito Santo).

A dança pode ter caracteres étnicos, marciais (marchas, esportes e lutas), passos, giros, saltos, movimentos intensos ou brandos, simbólicos, indiciais (correlativos) ou icônicos (verossimilhantes), amplos ou dirigidos (a pessoas, direções geográficas e localidades), uso de bandeiras e estandartes, designando guerra espiritual ou tomada de territórios (espiritualmente); cetro e bastões, coroa, representando o Soberano Senhor Jesus ou ser mais poética e apaixonada numa adoração mais íntima ou ser mais extravagante e solta, demonstrando liberdade, alegria, êxtase espiritual. Assim como pode ser simples e dispensar aparatos, usando apenas o senso profético íntimo ou não houver ocasião de festas cristãs ou atos proféticos específicos.

Vestes sacerdotais e significadosEditar

Significado bíblico espiritual das vestes: - Pureza, clareza (Ec. 9.8): Suas vestes devem ser alvas, puras. As vestes de um ministro nunca apelam ao sensual; – Vestes sagradas para glória e ornamento (Êx. 28.3); - A riqueza de detalhes (Ex. 28.4); - Consideradas sagradas e separadas para algo específico.

A dança entre os hebreus vinha carregada de símbolos tirados de suas tradições, era estritamente de caráter religioso. Tinha características ritualísticas, com determinado limite de esquematização como rodas, danças em fila, danças giratórias, também havia a improvisação. A dança deste povo vinha carregada de símbolos tirados de suas tradições. Utilizavam-se tecidos que significavam: água, sangue, vento, toque, envolver, cobrir e proteger. Havia fitas coloridas que lembravam alegria, fogo, intensidade e fervor. Também eram utilizados pandeiros (tamborins), fazendo alusão à dança de Miriã.

Comumente se usa, hoje, cores nas vestes de louvor (sacerdotais), ou em cenários, ou em longos ou médios panos, mantos e coberturas finas individuais, representando o mover do Espírito ou a unção profética ou da Noiva (Igreja) como vermelho e prata (redenção), azul (divindade de Cristo), dourado (realeza), púrpura (nobreza, dignidade e fidelidade), branca (santidade, paz), mesmo outras cores podem ser usadas como a preta para símbolo de juventude cristã radical (como o faz o Ministério Internacional da Restauração), ou cinza (humilhação a Deus) ou mesmo mantos multicores: o profeta percebe e designa a significância profética dos símbolos ou usa cores ou signos que representem o país, cidade, Estado ou ocasião e contextos a serem perpetrados bênçãos.

Danças ministeriaisEditar

Segue-se a descrição das danças ministeriais por suas funções:

  • Mestres da dança (dança mestral): o levita como um mestre ensina a igreja a seguir os mandamentos de Deus, compartilhando o conhecimento dado pelo Senhor à igreja que precisa saber de suas atribuições enquanto Corpo de Cristo, seja através de danças ou danças-teatro, orientando como um cristão deve agir diante de situações diversas, como tentações, provações e dilemas atuais. Este ministério se resume em ministrar princípios de Deus à igreja, ministros e adoradores. Talvez seja o mais importante de todos, ou melhor, seja a base para os demais.
  • Apóstolos da dança: A dança apostólica ocorre quando o adorador pela dança ou outra manifestação artística faz algo que gera influência e age diretamente na implantação do Reino de Deus na terra. É, inevitavelmente, uma dança de guerra (espiritual), um confronto entre luz e trevas, com vitória em Cristo, quando esta dança é totalmente dirigida pelo Espírito Santo. Há frutos e efeitos palpáveis, perceptíveis, como curas e libertação espiritual, conversões em massa, fruto da chegada do Reino de Deus à localidade, cidade ou País.
  • Profetas da dança (na dança profética): fazem guerra espiritual e profetizam pela adoração a união do Noivo com a Sua Igreja, expressa espontaneamente aquilo que Deus quer ministrar no momento ou o que Ele deseja revelar para pessoas e igreja local.
  • Evangelistas da dança (dança evangelística): é aquela que dar a conhecer o Filho de Deus, procura alcançar o coração das pessoas através de sua dança, mostrando a necessidade de receberem a Cristo e de segui-lo. É a ministração mais comumente vista nas igrejas.
  • Pastores da dança (dança pastoral): apascenta os adoradores, alimenta, traz direção e transformação à vida pessoal cristã na Palavra manifesta e expressa na dança.

A dança profética só poderá ser ministrada por profetas verdadeiros (pessoas que anunciam os desígnios divinos) que tenham esta consciência e dom. O apóstolo Paulo reconhece o ministério profético, o apostólico e os de mestre, pastor e evangelista.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Ferro, Daniel (15 de dezembro de 2020). «Adoração e Dança Profética 11: Dançar para Deus». Profecia e Entendimentos (Prophecy and Understandings). Consultado em 19 de junho de 2021 
  2. Tara Gilvard, "Prophetic Dance: Communicating Divine Revelation Through Movement".
  3. Ferro, Daniel (8 de novembro de 2013). «Adoração e Dança Profética 2». Profecia e Entendimentos (Prophecy and Understandings). Consultado em 31 de maio de 2021 
  4. Ferro, Daniel (15 de dezembro de 2020). «Adoração e Dança Profética 11». Profecia e Entendimentos (Prophecy and Understandings). Consultado em 20 de junho de 2021 
  5. Ferro, Daniel (8 de novembro de 2013). «Adoração e Dança Profética - conceitos». Profecia e Entendimentos (Prophecy and Understandings). Consultado em 31 de maio de 2021