Daniel Ortega

político nicaraguense, atual Presidente da Nicarágua
Daniel Ortega
Presidente da Nicarágua
Período 16 de junho de 1979
a 25 de abril de 1990
Vice-presidente Sergio Ramírez
Antecessor Junta de Reconstrução Nacional
Sucessor Violeta Chamorro
Presidente da Nicarágua
Período 10 de janeiro de 2007
a atualidade
Vice-presidente Rosario Murillo [es]
Antecessor Enrique Bolaños
Sucessor -
Dados pessoais
Nome completo José Daniel Ortega Saavedra
Nascimento 11 de novembro de 1945 (74 anos)
La Libertad, Departamento de Chontales
Nacionalidade nicaraguense
Cônjuge Rosario Murillo
Partido Frente Sandinista de Libertação Nacional
Religião católica
Profissão economista

José Daniel Ortega Saavedra (La Libertad, 11 de novembro de 1945) é um político nicaraguense, atual presidente da Nicarágua desde 2007.[1] Foi presidente da Nicarágua entre 1979 e 1990 e voltou ao cargo em 2006, tendo sido reeleito em 2011 e 2016. É membro da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) desde 1962.

BiografiaEditar

Vida pessoalEditar

Ortega nasceu em uma família de classe média da cidade de La Libertad, no departamento de Chontales. Seus pais, Daniel Ortega e Lidia Saavedra, eram opositores do regime de Anastasio Somoza. Sua mãe foi presa pela Guarda Nacional de Somoza por estar com posse cartas de amor que, de acordo com a polícia, eram mensagens políticas codificadas. Ortega tem dois irmãos: Humberto, ex-general e escritor, e Camilo, morto em combate em 1978.

Ortega e Rosario Murillo tornaram-se um casal em 1978.[2] Neste mesmo ano, mudaram-se para a Costa Rica com os três filhos dela de um casamento anterior.[3] Ortega casou-se com Rosario Murillo em 2005 para que o casamento fosse oficialmente reconhecido pela Igreja Católica Romana.[2] O casal tem oito filhos,[4] três deles mesmos.

Carreira políticaEditar

Ortega só cursou até a sexta série do ensino fundamental e aos quinze anos já havia sido preso por subversão política. Logo entrou para a então organização clandestina Frente Sandinista de Libertação Nacional e em 1965 já fazia parte da direção do movimento.[5] Em 1967, Ortega foi preso pelo assalto à mão armada de uma filial do Bank of America. Foi solto em 1974, junto com outros prisioneiros sandinistas em troca de somozistas que eram mantidos reféns pela organização. Durante o período em que esteve preso na penitenciária El Modelo, no subúrbio de Manágua, ele escreveu vários poemas, um dos quais é intitulado "Nunca Vi Manágua Quando as Mini-saias Estavam na Moda".[6] Também durante sua prisão, Ortega foi severamente torturado.[7] Após a soltura, Ortega se exilou em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha por vários meses. Mais tarde, retornou secretamente à Nicarágua.[8]

Com o triunfo da Revolução Sandinista contra o ditador Anastasio Somoza Debayle em 17 de julho de 1979, integrou a Junta do Governo de Reconstrução Nacional, onde assumiu os cargos de coordenador, chefe do Governo e ministro da Defesa.

PresidênciaEditar

Em 1984, foi eleito presidente da república.[1] Seu primeiro mandato foi caracterizado por uma política de reforma agrária e distribuição de riquezas, além da atuação dos Contras, grupos contrários a seu governo financiados indiretamente pelos Estados Unidos da América, conforme ficaria mais tarde evidenciado no escândalo Irã-Contras.

O governo sandinista está planejando uma "cruzada de alfabetização nacional". Enquanto o país mergulhou na guerra civil, o orçamento da educação mais do que triplicou, e a taxa de alfabetização aumentou de 50% para 87% durante a década de 1980. A UNESCO está atribuindo o Prêmio Nadezhda K. Krupskaya à Nicarágua em reconhecimento a esses esforços.[9]

Ortega foi derrotado por Violeta Barrios de Chamorro nas eleições de 1990,[10] mas continuou sendo uma figura importante no cenário político da Nicarágua. Disputou outras duas eleições sem sucesso, em 1996 e 2001, antes de ser novamente eleito presidente em 2006.[11] Em 2011, foi reeleito presidente, e novamente em 2016 com mais de 70% dos votos.[12][13] No país, não há limite de mandatos.

Em 2018, o país enfrentou uma onda de mobilizações populares após a aprovação de uma reforma da previdência. O governo reprimiu os protestos com violência e mais de 300 manifestantes foram mortos.[14] A Organização das Nações Unidas denunciou ainda casos de tortura e detenções arbitrárias, além de muitos desaparecidos.[15] Conforme denúncias, as forças paramilitares de Ortega teriam invadido a casa de pessoas suspeitas de participar dos protestos. Os suspeitos foram levados pelas forças do governo e nunca mais encontradas.[16] Após a repressão violenta, parte da imprensa internacional passou a considerar Ortega um ditador. Para o jornal português O Público, Ortega se transformou no ditador Somoza do qual combateu.[17] Para o USA Today, Ortega é uma figura comparável à Nicolás Maduro.[18] A revista Foreign Affairs afirmou que Ortega declarou "guerra contra o próprio povo".[19] O The Guardian qualificou o governo Ortega de "uma ditadura cruel".[20] O El País descreveu O governo de Daniel Ortega como uma ditadura corrupta que só se importa com o seu próprio poder.[21]

Acusação de estuproEditar

Em 1998, a filha adotiva de Ortega, Zoilamérica Narváez Murillo, o acusou de ter sido estuprada quando tinha 11 anos. Ortega, sua esposa e seus filhos negaram as acusações, que classificaram como politicamente motivadas. A denúncia foi narrada no documentário “Exiliada” lançado em 2019. [22][23] Zoilamérica retirou as acusações em 2008.[24]

Referências

  1. a b «Daniel Ortega» (em inglês). Consultado em 28 de abril de 2012 
  2. a b Reuters; Oswaldo Rivas (24 de abril de 2018). «Rosario Murillo, la primera dama con el poder más extravagante de Nicaragua». notimérica. Consultado em 5 de março de 2020 
  3. Vulliamy, Ed (2 de setembro de 2001). «Nicaragua's Daniel Ortega; In the Lions' Den Again» (em inglês). Londres: The Observer. Consultado em 5 de março de 2020 
  4. «Cardenal Obando caso a Daniel Ortega y poetisa Rosario Murillo». Cardinal Rating. 28 de setembro de 2005. Consultado em 11 de maio de 2007 
  5. «Daniel Ortega Saavedra, candidato presidencial del FSLN». La Prensa. 10 de maio de 2007. Consultado em 11 de maio de 2007 
  6. Vulliamy, Ed. «Nicaragua's Daniel Ortega; In the Lions' Den Again». Consultado em 15 de janeiro de 2008 
  7. Bernard Diederich, Somoza and the Legacy of U.S. Involvement in Central America, p. 85.
  8. «Hispanic Heritage in the Americas: Ortega, Daniel». Encyclopædia Britannica. Consultado em 11 de maio de 2007 
  9. Dr. Ulrike Hanemann (2005). Nicaragua’s literacy campaign. [S.l.]: UNESCO Institute for Education 
  10. «Daniel Ortega». Consultado em 28 de Abril de 2012 
  11. "Ortega wins Nicaraguan election", BBC News, 8 de novembro de 2006.
  12. MippCI (7 de novembro de 2016). «El líder Sandinista, Daniel Ortega es reelecto a la Presidencia de Nicaragua con el 72,1% de los votos». VTV (em espanhol) 
  13. «Daniel Ortega é reeleito presidente na Nicarágua». Mundo. 7 de novembro de 2016 
  14. «Daniel Ortega, o revolucionário que libertou a Nicarágua e é acusado de virar tirano». G1. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  15. «Quem é o líder de esquerda que tem promovido um banho de sangue na América Central?». Bol. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  16. «Bastião de oposição a presidente da Nicarágua vive jornadas de terror». Folha de SP. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  17. «O Presidente Ortega está a transformar-se no ditador Somoza». O Publico. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  18. «Nicaragua is the next Venezuela». USA today. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  19. «How Daniel Ortega Became a Tyrant». USA today. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  20. «Blood on the streets in Ortega's corrupt Nicaragua». The Guardian. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  21. «La dictadura de Ortega». El Pais. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  22. «O estupro da enteada e da Nicarágua». Folha de São Paulo. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  23. «Daniel Ortega - o presidente acusado de estupro». Terra. Consultado em 9 de janeiro de 2020 
  24. «From comandante to caudillo». The Guardian. Consultado em 1 de agosto de 2020