Daniela Reinehr

Advogada, ruralista e política brasileira, Governadora Interina de Santa Catarina
Daniela Reinehr
Vice-governadora de Santa Catarina
Período 1 de janeiro de 2019
até a atualidade[nota 1]
Governador Carlos Moisés
Antecessor Eduardo Pinho Moreira
Dados pessoais
Nome completo Daniela Cristina Reinehr
Nascimento 4 de abril de 1977 (43 anos)
Maravilha, Santa Catarina
Nacionalidade brasileira
Alma mater Universidade Comunitária da Região de Chapecó
Partido PSL (2018-2019)
Sem partido (2019-presente)
Profissão advogada e produtora rural
Ocupação Governadora de Santa Catarina em exercício

Daniela Cristina Reinehr (Maravilha, ‎4 de abril de 1977) é uma advogada, produtora rural e política brasileira.[2] É a atual vice-governadora de Santa Catarina, e atual governadora em exercício do estado, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo.[3] Após o afastamento do governador Carlos Moisés, tendo em vista a aceitação do pedido de impeachment, assumiu interinamente o governo do estado, tornando-a a primeira mulher sob o comando do executivo estadual. Daniela voltou a condição de vice-governadora após um mês como governadora interina, em 27 de novembro de 2020.[4] Com o recebimento do pedido de Impeachment contra o governador Carlos Moisés, PSL, em março de 2021, pelo Tribunal Especial de Julgamento, voltou a ocupar interinamente a Chefia do Poder Executivo de Santa Catarina[1].

BiografiaEditar

Daniela Reinehr é natural de Maravilha, oeste de Santa Catarina. Em 1996, ainda antes de completar 20 anos de idade ingressou na Polícia Militar do Estado de Santa Catarina, na corporação iniciou como soldado e exerceu funções por 3 anos, permaneceu até 1999, quando se desincorporou para se formar no curso de direito pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UnoChapecó).[5] Nessa cidade, atuou como advogada nas áreas de direito empresarial, administrativo, civil e comércio exterior.[6]

O ano de 2013, foi o momento em que se movimentou para as ruas onde iniciou seu ativismo político. Engajada em movimentos em sua então cidade, Chapecó, aderiu ao movimento nacional "Nas Ruas" onde se tornou uma das lideranças nas mobilizações, participou ativamente da campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016.[7] Apoiadora da Operação Lava-Jato e de Bolsonaro, filiou-se ao PSL com vistas às eleições de 2018.[8]

Nas eleições de 2018, concorreu como candidata a vice-governadora na chapa de Carlos Móises, ambos pelo PSL. No primeiro turno, sua chapa alcançou 29,72% dos votos válidos (1.071.406 votos), ficando em segundo lugar na disputa com Gelson Merisio, do PSD. De virada no segundo turno, Carlos Moisés e Daniela Reinehr foram eleitos ao cargos de governador e vice-governador de Santa Catarina com o voto de mais de 70% do eleitorado.[9]

Quando no governo, envolveu-se em polêmicas com Moisés, por querer um maior alinhamento a Bolsonaro. Quando o presidente anunciou a saída do PSL para formar um novo partido, Daniela o acompanhou.[8] Em junho de 2020, rompeu definitivamente com o governador, reclamando do isolamento em questões centrais do governo.[8]

Daniela é filha de Altair Reinehr, professor aposentado conhecido por ser negacionista do holocausto judeu e admirador de Adolf Hitler[10]. Altair foi colaborador da Editora Revisão, de Siegfried Ellwanger Castan, especializada em livros de teor antissemita que negavam o holocausto e outros crimes da Alemanha nazista, tendo sido testemunha de defesa de Ellwanger em ação penal por crime de racismo[11][12].

Em 27 de outubro de 2020, ao tomar posse como Governadora interina de Santa Catarina, Daniela foi questionada por repórter sobre a sua posição em relação às ideias negacionistas e neonazistas do pai, Altair Reinehr. Daniela, no entanto, tergiversou a resposta, afirmando que respeita "as pessoas independentemente dos seu pensamentos, respeito os direitos individuais e as liberdades. Qualquer regime que vá contra o que eu acredito, eu repudio”, sem especificar quais direitos e liberdades que defende e qual regime repudia[13][14][15].

Apenas 3 dias depois, após forte crítica nacional e de associações judaicas, Daniela retratou-se e respondeu ser "contrária ao nazismo"[16][17].

Desempenho em eleiçõesEditar

Ano Eleição Cargo Partido Coligação Chapa Votos % Resultado
2018 Estadual de Santa Catarina Vice-Governador PSL Carlos Moisés (PSL) 1° - 1 071 406 1°- 29,72 Eleita

2º turno

2° - 2 644 179 2°- 71,09

Pedido de impeachmentEditar

Tendo sido aprovado o pedido de impeachment do governador Carlos Moisés e de sua vice-governadora Daniela Reinehr em 17 de setembro de 2020,[18] o plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou, em sessão ordinária em 22 de setembro de 2020, a composição da comissão especial para analisar o segundo pedido de impeachment contra o governador Carlos Moisés (PSL) e a vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido). Nove deputados participaram desta equipe:[19]

Após o processo de votação iniciado em 23 de outubro de 2020, Carlos Moisés foi afastado do cargo por 180 dias e Daniela Reinehr teve seu processo arquivado.[20]

Notas

  1. Assumiu o governo interinamente após o afastado de Carlos Moisés do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça, de 24 de outubro a 27 de novembro de 2020, após absolvição pelo Tribunal Especial. Volta a assumir interinamente em 30 de março de 2021, por até 120 dias, após aprovação de mais um pedido de impeachment contra o titular em 26 de março do mesmo ano.[1]

Referências

  1. a b «Tribunal aceita abertura de impeachment e afasta governador de Santa Catarina». CNN Brasil. Consultado em 27 de março de 2021 
  2. Daniela Reinehr em noticias.uol.com.br
  3. «Vice-Governadora - Governo do Estado de Santa Catarina». www.sc.gov.br. Consultado em 28 de outubro de 2020 
  4. «Tribunal de Julgamento aceita denúncia de impeachment contra governador de Santa Catarina». G1. Consultado em 24 de outubro de 2020 
  5. «Daniela Reinehr / Biografias / Memória Política de Santa Catarina» 
  6. Caldas, Joana (24 de outubro de 2020). «Saiba quem é Daniela Reinehr, vice-governadora que assume interinamente o Governo de SC com afastamento de Moisés». G1. Consultado em 24 de outubro de 2020 
  7. «Daniela e Kleinübing: conheça a trajetória dos candidatos a vice pelo governo de SC». 27 de outubro de 2018 
  8. a b c Laurindo, Jean (24 de outubro de 2020). «Conheça Daniela Reinehr, a primeira mulher a governar SC». NSC. Consultado em 24 de outubro de 2020 
  9. «Estreante na política, Comandante Moisés é eleito governador em SC». Folha de S.Paulo. 28 de outubro de 2018. Consultado em 29 de maio de 2020 
  10. «Quem é o pai de governadora de SC, professor de história que negava holocausto». BBC News Brasil. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  11. Welle (www.dw.com), Deutsche. «Governadora de Santa Catarina evita condenar o nazismo | DW | 28.10.2020». DW.COM. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  12. «Quem é o pai de governadora de SC, professor de história que negava holocausto». BBC News Brasil. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  13. «Governadora de SC se recusa a responder se concorda com ideias neonazistas e negacionistas sobre Holocausto». Folha de S.Paulo. 28 de outubro de 2020. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  14. «Reinaldo Azevedo - A governadora que não repudiou as ideias nazistas do pai em nome da família». noticias.uol.com.br. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  15. «A governadora neonazista | Thomas Traumann». VEJA. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  16. «Governadora de SC diz ser 'contrária ao nazismo' após críticas de comunidade judaica». O Globo. 29 de outubro de 2020. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  17. «Após pressão, governadora de SC diz ser contrária ao nazismo». Catraca Livre. 29 de outubro de 2020. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  18. Alesc autoriza julgamento de Moisés no caso do reajuste dos procuradores
  19. Alesc aprova comissão que vai analisar 2º pedido de impeachment contra Moisés e vice, sendo aprovado dia 24/10/2020, afastando o governador Moisés, e a tornando Governadora interina por 180 dias.
  20. Daniela Reinehr é a primeira governadora de Santa Catarina; Moisés está afastado do cargo. Em votação apertada, governador é afastado por 180 dias e vice tem processo arquivado.

Ligações externasEditar