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Como ler uma infocaixa de taxonomiaDasyprocta azarae
Agouti Azarae.JPG
Estado de conservação
Espécie deficiente de dadosDados deficientes (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Dasyproctidae
Género: Dasyprocta
Espécie: D. azarae
Nome binomial
Dasyprocta azarae
Lichtenstein, 1823

Dasyprocta azarae é uma espécie de roedor de porte médio de hábitos noturnos da família Dasyproctidae. São terrestres e cavam galerias nas margens dos rios, no chão da floresta e principalmente nas raízes das árvores. Correm com grande rapidez entre a vegetação, e utiliza sempre o mesmo caminho, cada buraco é ocupado por um único animal.[1]

É conhecida com o nome popular de cutia no Brasil.[1] O nome Dasyprocta azarae vem de Félix Manuel de Azara, que foi um oficial espanhol no comando da descoberta da fronteira do Paraguai por volta de 1781.[2]

Mede de 50 a 60cm e pesa de 1 a 3 kg[3]. O seu dorso é composto por pelos longos e grossos que se eriçam quando o animal passa por momentos de estresse além disso, a sua cauda é curta e sem pelos.[4] Eles têm membros magros com 3 dedos posteriores e 5 frontais ou dedos dos pés.[2]

A maioria tem sua parte traseira marrom e uma barriga esbranquiçada; a pele pode ter uma aparência brilhante em uma cor laranja. Os animais possuem características diurnos seu períodos ou alta atividade ocorrem após o nascer do sol e antes do pôr do sol.[2]

A cutia, possui um valioso papel ecológico, pois é uma ótima dispersora de sementes resultado das suas patas bem desenvolvidas, característica essa que auxilia no hábito da mesma de enterrar grãos. A Dasyprocta azarae se alimentam de frutos folhas, sementes, raízes e plantas suculentas. É importante ressaltar que vivem em pares permanentes e área de vida da espécie possui lugares fixos para dormir, comer e forragear.[4]

Estudos anátomo-radiográficos do esqueleto axial e apendicular dos grandes roedores selvagens brasileiros, como cutia-parda (Dasyprocta azarae) e pacas, têm sido realizados, além de trabalhos envolvendo sua exploração econômica demonstrando o crescente interesse científico nesse grupo de animais.[5]

Índice

DistribuiçãoEditar

D.azarae vive em áreas do México, Brasil, América Central e norte da América do Sul. Esses animais são limitados a grandes florestas antigas que podem fornecer vários frutos diferentes que caem no solo.[2]

Vive em regiões com floresta densa, ou em matas ralas. Ocorre também no cerrado. É mais ativa durante as horas crepusculares, apesar de poder ser vista durante o dia em regiões onde não sofre perseguições. Procura como abrigo tocas que constrói em barrancos, ocos de árvores caídas e sob raízes.[3]

A caça tem ocorrido ao longo de milhões de anos o que limita a população dese animal perto de grandes centros de atividade humana. À medida que as florestas maiores são cortadas para aumentar a área de pastagem, a quantidade D.azarae, pode diminuir. O desmatamento é uma das principais ameaças à existência continuada desta espécie.[2]

ReproduçãoEditar

Apesar da maioria das cutias serem solitárias durante todo o ano, se acasalará e produzirá de 2 a 4 filhote.[2]

A gestação possui um período de 120 dias, as crias nascem providas de pelo e com olhos abertos. Os pequenos refugiam-se num esconderijo cavado por outro animal e saem para a mãe alimentá-los. É monógamo. Seu período de vida é de 18 anos.[6]

Ecologia e ComportamentoEditar

A Cutia, cava buracos ao redor das raízes das árvores. Como muitos roedores, D.azarae tende a permanecerá imóvel quando ameaçado. Se o animal achar que o perigo está muito próximo, ele irá correr em zigue-zague para dentro de um esconderijo.[2]

Esta repentina explosão de velocidade geralmente pega o predador desprevenida e dá ao animal tempo suficiente para escapar. Como parte de uma de suas defesas possui audição muito bem desenvolvida, consegue ouvir um predador se movendo pela floresta é a defesa ideal contra animais e humanos que estão procurando por uma refeição. Sua audição é tão boa que D.azarae a utiliza para localizar alimentos que caíram recentemente das árvores auxiliando na sua alimentação.[2]

Ao alimentar-se, o animal senta-se em suas patas traseiras e segura a comida entre as patas dianteiras.Este hábito de usar os membros na alimentação é bastante comum entre os roedores.[3] A cutia gosta de se alimentar de cana e banana, alimentando-se das partes carnudas de ambas as plantas, o que pode causar danos às plantações das mesmas. À medida que mais e mais florestas estão sendo convertidas em campos, a D.azarae também está mudando sua dieta para a fonte de alimento disponível e plantada no campo. Como meio de armazenamento, enterra frutas e nozes para os meses em que a produção de frutas é escassa, ao fazer isso, D.azarae transplanta centenas de sementes e é um dispersor significativo de árvores frutíferas.[2]

Os animais que atacam D.azarae incluem jaguatiricas e jiboias .[2]

A caça por comida também é uma importante fonte de mortalidade em áreas onde existe uma alta população humana.[2]

O movimento para o animal se locomover o é o de um trote ou uma série de saltos pequenos e rápidos. Esses animais também têm a capacidade de nadar e são freqüentemente encontrados perto da água. Sendo um roedor, seria de esperar um período de vida bastante curto, mas os indivíduos viveram quase 20 anos.[2]

AmeaçasEditar

Caça e perda e fragmentação do habitat (desmatamentos). A cutia é um dos mamíferos mais perseguidos pelos caçadores. A forma mais comum de caçá-las é através de armadilhas, uma caixa com comida (geralmente com frutas como banana), cuja tampa se fecha assim que a cutia entra. Depois, ela é morta com uma espécie de espeto de ferro, introduzida pelas frestas da própria caixa que serve de armadilha.[3]

Esqueleto Apendicular da CutiaEditar

A cintura escapular da cutia consiste de duas escapulas, com acrômios bem desenvolvidos, e duas longas clavículas. O úmero possui tubérculo maior evidente, fossa radial e do olécrano comunicantes e tuberosidade deltoide pouco desenvolvida. As tuberosidades do rádio são pouco nítidas e este osso não se apresenta fundido a ulna, a qual o acompanha em comprimento. A fileira proximal de carpos é formada pelos carpos intemediorradial, ulnar, acessório e falciforme. A fileira distal, é composta pelos carpos I, II, III, e IV. Há cinco metacarpos e cinco dígitos no membro torácico, e cada um com falange proximal, média e distal, exceto o primeiro, o qual contém falange proximal e distal. A pelve é estreita, alongada e o acetábulo, arredondado e profundo. O fêmur apresenta longo eixo longitudinal e trocânter maior bem desenvolvido. A tíbia e a fíbula não são fundidas, sendo a fíbula bem delgada e equivalente em tamanho e tíbia. No tarso, a fileira proximal é composta pelo talo, calcâneo, osso társico tibial medial e central; na fileira distal há o tarsometatarso I, e o II, III e IV ossos do tarso. No membro pélvico há três dígitos e os metatársicos II, III e IV, com três falanges em cada, e um pequeno osso metatársico V.[7]

ReferênciasEditar

  1. a b «Cutia-Amarela». www.ucs.br. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  2. a b c d e f g h i j k l «Dasyprocta azarae - Vertebrate Collection | UWSP». www.uwsp.edu. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  3. a b c d «Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade». www.ra-bugio.org.br. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  4. a b «Cutia (Dasyprocta azarae)». FAUNA DIGITAL DO RIO GRANDE DO SUL. Consultado em 8 de agosto de 2019 
  5. Moreira, Nei; Pauloni, Ana P.; Martins, Leandro L.; Abreu, Cassiana O.; Oliveira, Fabrício S.; Martinez, Antonio C. (2013-1). «Colheita de sêmen por eletroejaculação em cutia-parda (Dasyprocta azarae)». Pesquisa Veterinária Brasileira. 33 (1): 86–88. ISSN 0100-736X. doi:10.1590/S0100-736X2013000100015  Verifique data em: |data= (ajuda)
  6. admin. «Cutia». Portal São Francisco. Consultado em 15 de agosto de 2019 
  7. Machado, M. R. F.; Canola, J. C.; Toniollo, G. H.; Pauloni, A. P.; Martins, L. L.; Oliveira, F. S. (25 de setembro de 2009). «DESCRIÇÃO ANÁTOMO-RADIOGRÁFICA DO ESQUELETO APENDICULAR DA CUTIA (Dasyprocta azarae, LICHTENSTEIN, 1823)». Ars Veterinaria. 25 (1): 028–031. ISSN 2175-0106. doi:10.15361/2175-0106.2009v25n1p028-031 
 
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