Demétrio de Faleros

Demétrio de Faleros
Nascimento 350 a.C.
Falero, Atenas
Morte 283 a.C. (67 anos)
Egito
Cidadania Atenas
Ocupação político, filósofo, bibliotecário

Demétrio de Faleros[1] ou Faleron[2][3] (em grego: Δημήτριος Φαληρεύς, transl. Dēmétrios Phalēreus; ca. 350 a.C.280 a.C.[4][5]) foi um orador da Grécia Antiga, discípulo de Teofrasto, responsável por organizar a primeira coleção de fábulas mencionada pelos antigos, chamada de "Coletânea de Discursos Esópicos".

VidaEditar

Segundo Diógenes Laércio, Demétrio foi filho de Fanôstratos e discípulo de Teofrasto.[6] Entre 317 e 307 a.C. governou Atenas e, após uma reviravolta política, entre 298 e 296 a.C. foge para Tebas e, finalmente, imigra para Alexandria.[7] Demétrio não era nobre de nascimento e foi um dos serviçais da casa de Cônon, todavia conviveu com uma cidadã de família nobre chamada Lamia.[8]

Em um documento judaico chamado "carta de Arísteas" (passagem nr. 9),[9] escrito entre 180 e 145 a.C.,[10] é atribuído a Demétrio a fundação da Biblioteca de Alexandria sob Ptolomeu I Sóter.[11] Na corte de Ptolomeu I Sóter permaneceu durante um longo período, e entre outras coisas aconselhou Ptolomeu a conferir o poder real aos filhos tidos de Euridice. Todavia, Ptolomeu não aceitou a sugestão e transmitiu o diadema ao filho tido de Berenice, que, após a morte de Ptolomeu, achou conveniente reter Demétrio como prisioneiro.[8] Lá permaneceu Demétrio e, segundo nos informa Diógenes Laércio, viveu dominado por um profundo desalento e não se sabe como recebeu a picada de uma serpente na mão enquanto dormia e perdeu a vida.[8]

Entre as frases atribuídas a Demétrio, uma afirma que "os jovens deviam respeitar em casa os pais, na rua todos que encontrassem, e quando sós deveriam respeitar-se a si mesmos" e outra "na prosperidade os amigos aparecem somente quando chamados, mas na adversidade acorrem espontaneamente".[12]

ObrasEditar

Segundo Diógenes Laércio algumas de suas obras foram:[12]

  • Da Legislação Ateniense, em cinco livros;
  • Da Constituição dos Atenienses, em dois livros;
  • Da Demagogia, em dois livros;
  • Da Política, em dois livros;
  • Das Leis, em um livro;
  • Da Retórica, em dois livros;
  • Da Estratégia, em dois livros;
  • Sobre a Ilíada, em dois livros;
  • Sobre a Odisséia, em quatro livros;
  • Ptolomaios, em um livro;
  • Do Amor, em um livro;
  • Faidondas, em um livro;
  • Máidon, em um livro;
  • Clêon, em um livro;
  • Sócrates, em um livro;
  • Artaxerxes, em um livro;
  • Sobre Homero, em um livro;
  • Aristeides, em um livro;
  • Aristômacos, em um livro;
  • Exortação à filosofia, em um livro;
  • Da Constituição, em um livro;
  • Do Decênio de Governo, em um livro;
  • Dos Iônios, em um livro;
  • Da crença, em um livro;
  • Da Gratidão, em um livro.

Referências

  1. Forma registrada pelo Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado (verbete "Faleros").
  2. Ribeiro, João. A língua nacional e outros estudos lingüísticos, p. 94. Hildon Rocha (ed.), Editora Vozes, 1979.
  3. O professor brasileiro Mário da Gama Kury utiliza a forma Demétrios Fáleron em sua tradução da obra de Diógenes Laércio (Diôgenes Laêrtios, Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Brasília: UnB, 1987, p. 146)
  4. Tiziano Dorandi, Chapter 2: Chronology, in Algra et al. (1999) The Cambridge History of Hellenistic Philosophy, p. 49-50. Cambridge.
  5. Alfred Gudemann, Grundriss der Geschichte der klassischen Philologie. Leipzig: B.G. Teubner, 1909, p. 25.
  6. Diôgenes Laêrtios (ou Diógenes Laércio), Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres (Trad. Mário da Gama Kury). Brasília: UnB, 1987, p. 146-148
  7. Benjamin Knör, Die Bibliothek von Alexandria. Norderstedt: Grin, 2008, p. 7
  8. a b c Diôgenes Laêrtios (ou Diógenes Laércio), Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres (Trad. Mário da Gama Kury). Brasília: UnB, 1987, p. 147
  9. A carta de Arísteas], tradução online para o espanhol de Jaume Pòrtulas (Universidade de Barcelona)
  10. Ellen Brundige, The decline of Library and Museum of Alexandria, em inglês online
  11. Edward Alexander Parsons, The Alexandrian Library. Londres: Clever-Hume Press, 1952, pp. 94 e 96
  12. a b Diôgenes Laêrtios (ou Diógenes Laércio), Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres (Trad. Mário da Gama Kury). Brasília: UnB, 1987, p. 148

Ver tambémEditar

Precedido por
Não existiu
Diretores da
Biblioteca de Alexandria
285 a.C. - 284 a.C.
Sucedido por
Zenódoto de Éfeso