Desastre Ferroviário da Lousã

O Desastre Ferroviário da Lousã foi um acidente ocorrido em 4 de abril de 2002, junto à localidade de Casal do Espírito Santo, no concelho da Lousã, em Portugal. Dois comboios da operadora Caminhos de Ferro Portugueses colidiram no Ramal da Lousã devido a falha humana, provocando 5 mortos e 11 feridos.[1][2]

Desastre Ferroviário da Lousã
Descrição
Data 4 de abril de 2002
Hora 13h55
Local Lousã
País Portugal Portugal
Linha Ramal da Lousã
Operador Caminhos de Ferro Portugueses
Tipo de acidente Colisão
Estatísticas
Comboios/trens 2
Mortos 5
Feridos 11

AntecedentesEditar

O acidente ocorreu num troço de via única, na zona do Casal do Espírito Santo, na Lousã.[2] Um dos comboios era composto por duas automotoras, que estava a fazer o serviço entre Coimbra e Serpins, enquanto que o outro era só uma automotora, vinda de Serpins, onde se estava a fazer uma aula de instrução, seguindo 14 homens a bordo.[2] O comboio de passageiros devia aguardar pela outra automotora na Estação de Lousã, onde se faria o cruzamento, por ter duas vias.[2]

AcidenteEditar

No entanto, continuou viagem sem esperar pelo outro comboio, tendo as duas automotoras colidido pouco depois, às 13:55.[2]

 
Automotora 354, da mesma série das acidentadas, na estação de Badajoz em 2009.

Resposta e investigaçãoEditar

Vários populares acorreram ao local do acidente depois de ouvirem a colisão.[2]

Este acidente provocou 5 mortos e 11 feridos, um dos quais em estado muito grave.[2] Na automotora de instrução, um maquinista da CP, um instruendo e um formador da empresa Fernave morreram instantaneamente, enquanto que na outra composição morreram um maquinista e um chefe de comboio.[2]

Os feridos foram internados nos Hospitais da Universidade de Coimbra, e no dia seguinte, já nove dos onze feridos tinham recebido alta ou tinham sido transferidos para hospitais na área da sua residência.[2] Dos que permaneceram, o caso mais grave era o do maquinista do comboio de passageiros, com 30 anos, que sofreu um traumatismo cranioencefálico.[2] Estava em coma e precisava de respiração assistida, tendo sido internado no Serviço de Medicina Intensiva.[2] A outra pessoa internada foi um homem de 60 anos, que seguia na automotora de instrução, e que estava fora de perigo mas que precisou de cuidados especiais, por ter sofrido múltiplas fracturas na zona da face.[2] Foi internado no Serviço de Cirurgia Maxilo-Facial.[2]

Este desastre colocou em causa as condições de segurança que se verificavam nos ramais secundários da rede ferroviária portuguesa.[2] Foi o pior acidente ocorrido até então no centenário Ramal da Lousã, e o mais grave em Portugal desde que sucedeu o acidente em Estômbar, em 1997, segundo o presidente dos Caminhos de Ferro Portugueses, Crisóstomo Teixeira, que se deslocou ao local do acidente.[2] Declarou que a automotora de instrução cumpriu as regras de circulação, sendo o culpado deste desastre o maquinista do comboio de passageiros, que não esperou pelo outro comboio na Lousã.[2]

O Governador Civil de Coimbra, Horácio Antunes, também foi ao local, onde confirmou à comunicação social que todos os indícios apontavam para um erro humano como causa do acidente.[2] Esta conclusão foi criticada pelo presidente do Sindicato Nacional dos Transportes Ferroviários, António Medeiros, que apontou a falta de segurança no ramal, por não estar electrificado nem ter sinalização automática, pelo que a responsabilidade política do acidente cabia à Rede Ferroviária Nacional.[2] O representante da Comissão dos Utentes do Ramal da Lousã, José Vitorino, afirmou que este acidente não teria acontecido se a Estação de Lousã estivesse a funcionar normalmente, sob a coordenação do respectivo chefe da estação.[2]

Às 16:30 do mesmo dia, verificou-se um outro acidente, quando um comboio abalroou um automóvel numa passagem de nível sem guarda em Casal dos Rios, tendo o motorista sofrido apenas ferimentos ligeiros.[2]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Principais acidentes ferroviários em Portugal na última década». Rádio Televisão Portuguesa. 13 de Fevereiro de 2007. Consultado em 11 de Janeiro de 2017 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t VIEIRA, Álvaro; MORAIS, Nelson (5 de Abril de 2002). «O desastre do século no ramal da Lousã». Público. 13 (4398). Lisboa: Público, Comunicação Social, S. A. pp. 26–27 
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