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Existem diversos dados que demonstram a desindustrialização no Brasil.

Até a década de 1970, a indústria brasileira era mais forte do que a da Coreia do Sul (na época um país pobre, tal como o Brasil).[1][2] No início da década de 1980, a indústria de transformação participava com 33% da composição do PIB brasileiro mas, em 2014, essa participação estava reduzida a 10,4%. A parcela do emprego industrial em relação ao total do emprego formal ao final de 1994 era de 21,37%, reduzindo-se para 17,86% ao final de 2009.

CausasEditar

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o conjunto de fatores que determinaram a desindustrialização do Brasil, ocorreu em toda a América Latina, mas foi no Brasil, onde se observou o mais significativo caso de desmantelamento precoce da indústria.

A indústria brasileira foi historicamente impulsionada pela política de substituição de importações e juros subsidiados (BNDES), os problemas começaram com a crise da dívida externa, que deu início a chamada "década perdida" na região da América Latina.

O processo se intensificou com a abertura comercial no começo da década de 1990 (Governo Collor), associado ao abandono das políticas desenvolvimentistas e sucedido pelo emprego da sobrevalorização do Real (populismo cambial) como ferramenta de combate à inflação.

Associada à sobrevalorização do Real, existia a política de juros altos, necessários à preservação da referida sobrevalorização. Durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso, os juros da dívida pública ficaram em um patamar próximo a 8% do PIB. Durante os mandatos de Lula, esses percentuais estiveram entre 6,5 e 6% do PIB, ou seja, os juros da dívida pública foram muito elevados por um longo período.

De acordo com a Unctad, medidas liberais exigidas pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (abertura de mercados, privatização, desregulamentação, livre movimento de capitais, etc.) como condição para a obtenção de empréstimos, também tiveram impactos negativos sobre as indústrias brasileira e latino-americanas.

A partir de 2003 teve início o boom das commodities que promoveu uma recuperação na balança comercial, a partir do aumento das exportações, o que gerou maior uma entrada de dólares. Também houve uma maior entrada de dólares para financiar empresas ligadas às exportações de produtos primários, empresas ligadas ao consumo interno e a compra de títulos da dívida pública. Essa situação prolongou e agravou o problema da sobrevalorização do Real.

Além disso, o crescimento econômico e a distribuição de renda propiciada pelo superciclo de exportação de commodities, acabou gerando pressões inflacionárias, que continuaram a serem contidas com juros altos.

As políticas de redistribuição de renda, como o aumento do salário mínimo, não evitaram a desindustrialização, pois esse aumento do consumo, em um contexto de Real sobrevalorizado, resultou, principalmente, em um aumento do consumo de produtos importados.

As tentativas de retomada de políticas de industrialização durante o governo Lula tiveram baixa eficácia devido à sobrevalorização do Real e aos juros altos (cenário macroeconômico desfavorável).

Até 2011, o Brasil não fabricava circuitos integrados de alta tecnologia (chips).

O déficit comercial do setor industrial cresceu muito, principalmente em setores de maior tecnologia como os eletrônicos, nesse setor o déficit era de quase 20 bilhões de dólares, em 2010.[1][3][4]

Desindustrialização precoceEditar

A desindustrialização é considerada precoce quando uma economia não chega a atingir toda sua potencialidade produtiva manufatureira e, em vez de evoluir em direção à produção de tecnologia o que permitiria o aumento da riqueza por meio da exploração de patentes, regride para a agricultura e extração de matérias primas.

Países ricos também passam pelo fenômeno de desindustrialização, mas com diferenças substanciais, pois esses países investiram na capacidade produtiva intelectual da população por meio de educação e pesquisa, o que gerou empregos mais sofisticados no setor de tecnologia[3].

Referências

  1. a b «Desindustrialização no Brasil é real e estrutural». CEDE. 17 de junho de 2011. Consultado em 5 de abril de 2019 
  2. «'Milagre' na Coreia do Sul: de mais pobre que o Gana a um dos países mais ricos do mundo». O Jornal Económico. 18 de dezembro de 2017. Consultado em 5 de abril de 2019 
  3. a b Brasil passa por desindustrialização precoce, aponta pesquisa da ONU, acesso em 05 de abril de 2019.
  4. Desindustrialização no Brasil, acesso em 05 de abril de 2019.