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Diário de Minas foi o nome usado por alguns jornais de Minas Gerais. Foram três versões mais conhecidas, uma em Ouro Preto e duas em Belo Horizonte.

O primeiro Diário de Minas surgiu em Ouro Preto, então capital de Minas Gerais, em 1866. Foi fundado por um empresário da época, J. F. Paula de Castro. Foi o primeiro jornal em formato standard a circular no estado e foi extinto em 1878.[1]

Depois, com a criação de Belo Horizonte como nova capital, ressurgiu em 15 de janeiro de 1899[2]. Inicialmente oposicionista, foi comprado no mesmo ano pelo Partido Republicano Mineiro, um dos pilares da política do café-com-leite que vigorava na República Velha.[3]

Em 1921, um jovem Carlos Drummond de Andrade subiu as escadas da redação, que ficava então na Rua da Bahia, no Centro de Belo Horizonte. Drummond havia colaborado com seis artigos para o Jornal de Minas, no que foi a sua estreia na imprensa, e decidiu tentar a sorte no Diário de Minas, que tinha então muito mais prestígio. Sua primeira colaboração para o veículo foi um artigo sobre Tântalos, livro de contos do alagoano Luís de Araújo Morais. Cinco anos depois, em 1926, foi convidado para trabalhar no jornal, como redator. Com a demissão de um superior, virou editor-chefe do jornal, até o seu fim. Uma das principais mudanças que Drummond implementou no Diário de Minas foi dedicar uma de suas quatro páginas diárias à produção literária da época, com destaque para o modernismo.[3]

Com a revolução de 1930 e a extinção dos partidos promovida por Getúlio Vargas, entre eles o PRM, o jornal perdeu sua principal fonte financeira e razão de existir e deixou de circular em 1931.[3]

Foi voltar a circular 18 anos depois, no dia 14 de julho de 1949, comprado pelo então prefeito de Belo Horizonte Otacílio Negrão de Lima. Na sua terceira e última encarnação, o Diário de Minas atravessaria diversas fases. A primeira, foi como plataforma política do prefeito, que pretendia virar governador do estado e usar o jornal como um suporte da candidatura.[3]

Por alguns anos da década de 1960, foi arrendado pelo Jornal do Brasil.[3] Depois, entre os anos 1970, passou pelo grupo Itatiaia, que também havia comprado a TV Vila Rica, hoje Band Minas, num grupo que passou a ser chamado de Força Nova de Comunicação.[4]

Foi finalmente extinto em 1994, após problemas com o então candidato ao governo de Minas, o ex-senador Eduardo Azeredo. Após uma denúncia do Diário de Minas que Azeredo havia desviado verba do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Tribunal Regional Eleitoral decretou que o jornal estava proibido de circular enquanto durassem as eleições. Sem periodicidade, anunciantes e funcionários, acabou finalmente fechado.[5]

Referências

  1. «Cópia arquivada». Consultado em 28 de outubro de 2009. Arquivado do original em 11 de dezembro de 2008 
  2. [1]
  3. a b c d e "WERNECK, Humberto". O desatino da rapaziada: Jornalistas e escritores em Minas Gerais. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. ISBN 85-7164-259-1.
  4. [2][ligação inativa]
  5. Revista de Doutrina e Jurisprudência, página 50, Nº 11, Agosto de 2003 - Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais