Diocese de Tete

A Diocese de Tete (em latim: Diœcesis Tetiensis) é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica situada em Tete, em Moçambique. Seu atual bispo é Diamantino Guapo Antunes, I.M.C. Sua é a Catedral de Tiago Maior.

Diocese de Tete
Diœcesis Tetiensis
Localização
País  Moçambique
Território Mozambique Provinces Tete 250px.png
Arquidiocese metropolitana Arquidiocese da Beira
Estatísticas
População 2 764 169
750 000 católicos
Área 100 715 km²
Paróquias 35
Sacerdotes 70
Informação
Rito romano
Criação 6 de maio de 1962
Catedral Catedral de Tiago Maior
Padroeiro(a) São Tiago Maior
Governo da diocese
Bispo Diamantino Guapo Antunes, I.M.C.
Jurisdição Diocese
dados em catholic-hierarchy.org

Possui 35 paróquias servidas por 70 padres, assistindo a uma população abrangida de 2 764 169 habitantes, com 23% da população batizada na Igreja Católica (750 000 católicos).[1]

A Diocese de Tete tem uma superficie de 100.724 km2 e coincide com a Província de Tete. Situada no centro de Moçambique, tem ao norte a Zâmbia e o Malawi, a leste o Malawi e a Diocese de Quelimane, ao sul a Arquidiocese da Beira e a Diocese de Chimoio e ao oeste o Zimbabwe.

A Diocese está dividida em 5 Vigararias: Tete, Songo, Angónia, Manje e Mutarara.

HistóriaEditar

A Diocese foi erigida em 6 de maio de 1962 com a bula Quæ verba do Papa João XXIII, recebendo o território da diocese de Beira (hoje arquidiocese). Originalmente era sufragânea da arquidiocese de Lourenço Marques (atual Arquidiocese de Maputo).[2]

Em 4 de junho de 1984 passa a fazer parte da província eclesiástica da Arquidiocese de Nampula.[3]

Podemos dividir a história da evangelização da actual diocese de Tete em dois tempos e dois ritmos.

A primeira tentativa de evangelização do interior de Moçambique, em meados do século XVI, foi protagonizada pelos missionários Jesuítas e Dominicanos chegados às terras de Tete. O P. Gonçalo da Silveira, jesuíta, foi o primeiro evangelizador de Tete, onde foi morto mártir a 15 de Março de 1561, vítima de intrigas políticas no reino de Mwenemutapa.

No ano seguinte, em 1562, os padres Dominicanos criam a Paróquia de Tete, uma das mais antigas de Moçambique e assistem pastoralmente a região de Tete até ao Zumbo.

A expulsão dos Jesuítas de Moçambique, em 1911, e as dificuldades colocadas pelo governo à acção missionária fizeram com que a evangelização em Tete entrasse num período de declínio, com pouca acção pastoral devido à falta de missionários e de meios.

O espaço de tempo que vai de 1942 até 1962, ano da criação da Diocese de Tete, foi um período de penetração e consolidação da actividade evangelizadora no vasto território de Tete. A obra de evangelização continua a realizar-se nas escolas-capelas, pelos missionários Jesuítas, Missionários de África e Padres de Burgos, na convivência directa com a população, no trabalho de cada dia e na assistência sanitária. Os frutos alcançados foram notáveis.

Durante uma fase da evolução histórica da Igreja Católica em Moçambique, o território de Tete fazia parte de imensa diocese da Beira. Foi assim que o Papa S. João XXIII, criou a diocese de Tete, com a Bula “Quae Verba” de 6 de Maio de 1962. É o segundo período de evangelização.

O primeiro Bispo de Tete foi D. Félix Niza Ribeiro (1962-1972), um sacerdote diocesano com grande experiência missionária na diocese de Nampula. O bispo de Tete encontrou a diocese em pleno crescimento. Em 1962, trabalhavam na diocese três corporações missionárias masculinas: Padres de Burgos com uma paróquia, uma paróquia-Missão e quatro missões; Padres Brancos com três missões e o Seminário Interdiocesano de Zobwe; os Jesuítas com cinco missões. Havia quatro congregações femininas: São José de Cluny, Filhas do Calvário, Mercedárias e Missionárias da Mãe do Divino Pastor. O total dos padres era de 46, com 19 irmãos religiosos, 48 irmãs religiosas e 7 escolásticos.

No sector da educação, o Seminário Interdiocesano tinha 63 alunos do ensino primário e 86 do secundário; o Colégio de Tete com 128 alunos do ensino

primário e 117 do secundário; 204 escolas de adaptação onde trabalhavam professores formados em Boroma leccionando um total 19.148 alunos que deviam transitar para o ensino primário ou para escolas de artes e ofícios; 665 alunos frequentavam o ensino primário; 808 aprendiam a carpintaria, agricultura, costura, lavouras; 1.043 rapazes e raparigas frequentavam 17 internatos e na Escola de Boroma estava em monta uma rádio escolar. Os 10 dispensários e as 6 maternidades tinham atendido 48.132 doentes. D. Félix Niza, com a colaboração das diferentes forças pastorais, soube orientar a Diocese de modo inteligente e eficaz, dotando-a das infra-estruturas necessárias. Em 19 de Fevereiro de 1972, D. Félix Niza foi transferido para a nova diocese de João Belo, actual Xai-Xai.

O segundo foi D. Augusto Cesar Alves Ferreira da Silva (1972-1976), Vicentino, que deu entrada na Diocese a 9 de Julho do mesmo. Dirigiu a diocese num momento bastante difícil causado pela guerra que afectava grande parte do território da diocese e que teve como consequência o encerramento de mais missões (Uncanha e Mucumbura) e a expulsão de alguns missionários dos Padres de Burgos pela denúncia corajosa de massacres pela tropa colonial.

Neste período foram fundadas as seguintes paróquias-missões: Nossa Senhora das Graças de Vila Coutinho-Ulónguè (1965), Santo Inácio de Msaladzi (1965), Cristo Rei de Mpenha (1965), Papa João XXIII de Chitima (1966), Mártires do Uganda de Matundo (1970), São Paulo de Chabualo (1970), São José Operário de Songo (1970), São Paulo de Tete (1973), São Pedro Claver de Dómuè (1973), São José de Tete (1974).

O terceiro bispo foi D. Paulo Mondlate, já após a independência de Moçambique (1976-2009), governou a diocese, em tempos difíceis (revolução, guerra civil, falta de missionários) até 18 de Abril de 2009, tendo nessa data a Santa Sé nomeado o Padre Giacomo Palagi como Administrador Apostólico de Tete.

Padre Giacomo Palagi, Comboniano, procurou dinamizar e organizar a diocese, imprimindo-lhe um dinamismo missionário que levasse a presença da Igreja Católica, sobretudo naquelas zonas da diocese mais abandonadas pastoralmente.

O quarto bispo foi D. Inácio Saure, (2011-2017) Missionário da Consolata. Este procurou visitar a diocese, mesmo nos lugares mais recônditos, fazendo-se presente como pastor consolador. Procurou e conseguiu trazer para a Diocese novas equipas missionárias de modo a poder dar assistência religiosa às missões sem equipas missionárias.  Com a transferência de D. Inácio Saúre em Abril de 2017 para a Arquidiocese de Nampula, a Santa Sé nomeou Administrador Apostólico, P. Sandro Faedi, missionário da Consolata.

Em 22 de Março de 2019 o Papa Francisco nomeou o novo Bispo de Tete, Dom Diamantino Guapo Antunes, que recebeu a ordenação episcopal e tomou posse da diocese em Tete no dia 12 de Maio de 2019.

Agora a Diocese conta com a presença dos missionários: Redentoristas, Missionários da  Consolata, Xaverianos, Padres Brancos, Vicentinos, Salesianos, Oblatos de S. José, Equipa Missionária da Venezuela, Comunidade Canção Nova. Conta com a colaboração das seguintes congregações femininas: Franciscanas da Sagrada Família, Mãe do Divino Pastor, Hospitaleiras, Missionárias de Maria, Doroteias, Precioso Sangue, Vicentinas, Salesianas, Beneditinas da Divina Providência, Notre Dame, Menino Jesus, Congregação de Jesus, Servas da Anunciação. Os Padres Diocesanos locais são 17.

O Seminário Diocesano Propedêutico de São João Maria Vianney funciona na cidade de Tete.


PreladosEditar

Referências

  1. Dados de 2017, Catholic Hierarchy.
  2. Bula Quae verba, AAS 55 (1963), pág. 215 (em latim)
  3. Bula Quo efficacius Christifidelibus, AAS 76 (1984), págs. 835-836 (em latim)

Ligações externasEditar